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11 de junho de 2020
Dez Anos em Dez Ensaios - Segunda Estrela à Direita até o Amanhecer (ou livros infantis para não perder o rumo)

Na minha última releitura de As Crônicas de Nárnia, passei um bom tempo ruminando a dedicatória do livro, a afirmação de que “um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas”. Desconfio de que, quando li essa frase pela primeira vez, não lhe dei a devida atenção, mas, quase vinte anos depois, ela se tornou uma citação que eu gostaria de pendurar na parede e ver todos os dias.
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4 de junho de 2020
Dez Anos em Dez Ensaios - Quanto Maior a Altura, Maior a Queda

Com a criação das primeiras estrelas por Varda, despertaram na Terra-média os Primogênitos de Ilúvatar. Quando Oromë, o Vala caçador, encontrou-os pela primeira vez, eles já tinham se separado em três grandes clãs, que mais tarde seriam chamados Vanyar, "belos elfos"; Noldor, "elfos-profundos" e Teleri, "elfos-do-mar". Oromë os chamou, em sua própria língua, de eldar, ‘o povo das estrelas’.
25 de maio de 2020
Night Watch: tiranos, uma Revolução Gloriosa e a banalidade do mal

'Você gostaria de Liberdade, Verdade e Justiça, não gostaria, camarada Sargento?' perguntou Reg encorajador.
'Eu gostaria de um ovo cozido,' respondeu Vimes, sacudindo a caixa de fósforos.
Houve algum riso nervoso, mas Reg pareceu ofendido.
'Nas circunstâncias, Sargento, eu penso que poderíamos focar um pouco mais alto--'
'Bem, sim, nós poderíamos' retrucou Vimes, descendo os degraus. Ele lançou um olhar para os papéis na frente de Reg. O homem se importava. Ele realmente se importava. E ele estava sério. Realmente estava. 'Mas... bem, Reg, amanhã o sol virá de novo, e eu tenho bastante certeza que o que quer que aconteça não teremos encontrado Liberdade, e não haverá muita Justiça, e tenho absoluta certeza que não teremos encontrado a Verdade. Mas é possível, talvez, que eu consiga um ovo cozido.'
Night Watch abre com uma cena de perseguição policial pelos becos e telhados de Ankh-Morpork, envolvendo Samuel Vimes, Comandante da Guarda, e Carcer, um psicopata que prefere policiais como suas vítimas. Vimes consegue encurralar o assassino no telhado da Universidade Invisível, mas, em meio a uma tempestade mágica, os dois despencam não apenas no espaço, mas através do tempo, até trinta anos no passado, às vésperas do que ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e a República da Estrada Mina de Melaço - um breve e sangrento momento na história da cidade.
23 de abril de 2020
Dez Anos em Dez Ensaios - O Bardo é Pop

Assisti por esses dias montagens de Hamlet e Romeu e Julieta no Globe, em Londres - disponibilizadas por streaming no YouTube do teatro - e me surpreendi em como duas das mais clássicas tragédias do bardo me provocaram crises de riso. Não, eu não surtei (ainda) e virei uma pessoa sádica que se diverte com o sofrimento alheio. Ocorre que a dinâmica de palco dessas histórias foi apresentada de forma muito diferente do que vemos em filmes, que é a maneira mais comum de termos contato com as obras de Shakespeare.
12 de março de 2020
Dez Anos em Dez Ensaios - Albus Dumbledore: mago, mentor, manipulador

“Eis o ponto comum de todas as variantes do heroísmo concebidas pelo folclore universal: a criatura privilegiada ou eleita com vistas a tarefas sobre-humanas só pode ser um rejeitado, uma criança abandonada, sacrificada, crivada de golpes por aqueles mesmo que têm o dever de protegê-la. Não que o herói seja exaltado unicamente em virtude da resistência de que dá provas nos infortúnios de seus primórdios, sendo-o sobretudo porque, expulso de casa e assim obrigado a romper os laços de sangue, liberta-se das coerções carnais e espirituais que constituem o essencial da fatalidade para o homem comum. O mito não tem outra sabedoria a transmitir sob suas metamorfoses e prodígios, pois, embora diga claramente que ninguém é profeta em seu país, o faz sempre mostrando que só é profeta o homem sem família nem vínculos, o filho da pessoa que se engendra a si próprio em suas obras, o exilado que não conhece volta, sendo por isso mesmo escolhido para os mais elevados destinos.”
Quando li o trecho acima no livro Romance das Origens, Origens do Romance, da crítica francesa Marthe Robert, pensei na Jornada do Herói, sobre como os “escolhidos” de várias histórias começavam sempre como órfãos, a ausência de figuras parentais fortes sendo um requisito básico para a existência do Chosen One - e como quase sempre há um mentor nos bastidores bem versado nas artes da manipulação para empurrar o herói ao caminho certo; um caminho que não raro passa por auto-sacrifício.
26 de dezembro de 2019
O Resumo da Ópera - A Década Ainda não Acabou, mas Temos mais Livros

Mais um ano vai chegando ao fim e vamos encerrando a lista de livros lidos do ano. 2019 não foi tão prolífico quanto anos passados em termos de leituras, mas estou satisfeita com o fato de que terminei quase todos os livros que comprei/ganhei esse ano. Tem sido meu objetivo há algum tempo tentar não acumular leituras (e não sair comprando livros loucamente sem dar destino ao que já tem em casa) e talvez ano que vem eu consiga zerar meu backlog *resoluções de ano novo*.
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17 de outubro de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Um Anjo, uma Serpente e um Plano Infalível... digo, Inefável

Inefável. adj. 1. Que não se pode exprimir por palavras por ser naturalmente complexo, intenso ou belo; indescritível. 2. Que provoca grande prazer ou contentamento; inebriante. 3. Designação de Deus. Perfeição e beleza que não pertencem ao plano terreno, mas sim celestial.
Se eu tivesse de pegar um único livro para levar para uma ilha deserta, ele seria Belas Maldições. É uma escolha um pouco mais fácil do que simplesmente dizer “esse é meu livro favorito”, porque tenho preferidos em diferentes gêneros, e não há tanto como compará-los. Mas esse título junta dois dos meus escritores favoritos e é um baú do tesouro de personagens, diferentes linhas narrativas, interpretações e possibilidades imaginativas de continuação.
5 de setembro de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Dez razões para participar de um Clube de Leitura

Ano que vem, o clube do livro de bolso, do qual sou mediadora, também completa dez anos de existência. Achei justo, portanto, falar sobre ele nos ensaios de aniversário do blog, aproveitando ainda o gancho de várias discussões que venho acompanhando sobre a fomentação à leitura para compartilhar as experiências do grupo. Afinal, clubes de leitura são excelentes instrumentos para ajudar na formação de leitores; são relativamente fáceis de organizar, transformando-se em ambientes informais de aprendizado e reflexão - e é também um bom lugar para se fazer amigos.
O 'clube do livro de bolso', do qual faço parte, nasceu de um grupo de leitores de Jane Austen, mas cresceu para abarcar outros gêneros. O foco são clássicos, mas numa interpretação bem ampla (eu diria calviniana) do que sejam clássicos, pulando de Shakespeare para Bradbury, Agatha Christie para Dostoiévski, Dumas para Veríssimo. Como se percebe do nome, concentramos as escolhas em livros de bolso, até como forma de democratizar o acesso, porque essas edições costumam ser mais baratas. Essa era uma preocupação especialmente no início do clube; hoje em dia, ainda tentamos escolher livros que tenham mais de uma edição e caibam no bolso de todo mundo, mas não nos furtamos a ler títulos mais contemporâneos, que não tenham tantas opções.
21 de agosto de 2019
O Resumo da Ópera - Pilhas de Livros para Todos os Lados

Semestre passado foi bem complicado e contraditório. Do tipo, parece que passou a galope e ao mesmo tempo durou dez anos inteiros, com dias em que tudo o que queria era sumir do mapa e dizer adeus à humanidade.
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9 de agosto de 2019
Uma introdução à crítica: A Arte da Ficção

Quando um romance começa? A pergunta é quase tão difícil de responder quanto dizer com precisão em que momento o embrião humano se torna uma pessoa. É raro um novo romance começar com as primeiras palavras escritas ou datilografadas. A maioria dos escritores faz algum trabalho preliminar, ainda que apenas de cabeça. Muitos se preparam com todo o cuidado por semanas ou meses, fazendo esquemas da trama, compilando CVs para os personagens, enchendo cadernos de ideias, cenários, situações e piadas a serem usados durante a composição. Cada autor tem seu jeito próprio de trabalhar.
Não consigo me lembrar exatamente o motivo pelo qual esse livro me chamou a atenção - talvez tenha sido só pelo título, ou por indicação em alguma lista. Seja como for, ele estava há tempos na lista de desejados, até que aproveitei uma daquelas promoções de desconto progressivo para enfiá-lo no meio das compras. Comecei a ler praticamente no momento em que o tirei da caixa e terminei no dia seguinte, mal conseguindo largá-lo para ir dormir.
25 de maio de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Who Run the Discworld? Girls!

Comecei a ler Pratchett pelo humor; continuei pelas protagonistas femininas. Já contei essa história aqui antes: eu tinha uns dezesseis para dezessete anos e me deparei com os primeiros volumes da série Discworld numa livraria perto do colégio. As capas e sinopses me chamaram a atenção e me abolotei por lá para ler no meu intervalo entre aulas - primeiro A Cor da Magia, depois, A Luz Fantástica. Embora tenham me feito rir, fosse só pelas desventuras de Rincewind e Duasflor, talvez eu tivesse ficado por aí e perdido o interesse... não fosse por Direitos Iguais, Rituais Iguais: Eskarina e a vovó Cera do Tempo são as responsáveis por me transformar numa devota seguidora de sir Terry Pratchett.
15 de maio de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Biblioteca Corujesca de Crítica Literária

Um tempo atrás, comentei em algum lugar o quanto gostava de livros de crítica literária, e recebi pedidos de falar sobre o assunto. Anotei na minha caderneta de pautas, mas deixei a ideia passar no meio de outras questões. Tempos depois, conversando com a Fernanda, do blog The Bookworm Scientist, comentei sobre o tanto que estava lendo de livros que falavam sobre livros e sobre o processo de escrever outros livros (não fiquem confusos!). Ela, então, disse algo como “você bem que podia escrever um resumo dessa biblioteca para dar uma ideia do que existe por aí”.
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4 de maio de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Duplo Código: Adicionando Camadas de Interpretação à 'A Abadia de Northanger'
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| Vista da Pulteney Bridge em Bath. Acervo pessoal. |
Uma característica marcante de vários dos meus escritores e livros favoritos é a presença de alusões a obras ou fatos históricos, qualquer pequena brincadeira que me passasse a impressão de estar compartilhando um segredo com o autor - uma piscadela de olho, por assim dizer. Chamava isso de ‘palavras cruzadas literárias’, ao menos até descobrir, lendo um ensaio do Umberto Eco no livro Confissões de um Jovem Romancista, que isso se tratava de uma técnica pós-moderna chamada ‘ironia intertextual’. Nas palavras dele, explica-se tal recurso como “citações diretas de outros textos famosos ou referências mais ou menos transparentes a eles”, frequentemente associada à metarrativa, “reflexões que o texto faz acerca de sua própria natureza, quando o autor fala direto ao leitor”.
11 de dezembro de 2018
O Resumo da Ópera - Outros (Vários) Títulos que Passaram por Aqui no Segundo Semestre

Quando escrevi essa coluna pela primeira vez, pensei em ter uma periodicidade mensal. Pelo visto, contudo, só estou dando conta de escrever a cada seis meses. Ok, não, isso é mentira, mas vamos com o exagero por razões estéticas… ou, não tão exagero, porque tempo anda de fato apertado por aqui e existiam outros posts na lista de prioridades.
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5 de outubro de 2018
Livros são Prejudiciais? Réplica de uma Leitora

O post de hoje começou como resposta a um comentário que recebi questionando se comédias românticas são um tipo de conto de fadas, arrematado com uma referência ao gênero como algo ‘prejudicial’. Minha réplica acabou ficando grande demais para postar lá; mas mesmo que assim não fosse, eu provavelmente usaria o que escrevi como gancho para um post sobre o assunto - porque, no cerne da questão, há uma ideia importante que precisa ser discutida.
9 de setembro de 2018
Tradução - Deixe que Haja Dragões

Li no começo do ano uma coletânea de artigos, discursos e ensaios produzidos por Pratchett ao longo de décadas e A Slip of the Keyboard me fez rir, chorar, refletir - não muito diferente do que a prosa do autor sempre foi capaz de me provocar. Entre os muitos (excelentes) textos desse livro, Let There be Dragons foi um dos que ficou comigo, fez com que eu me perdesse em conjecturas e referências, sendo uma defesa não apenas da fantasia, mas do poder que a fantasia tem sobre as crianças. E claro que isso me deixou com um enorme desejo de compartilhá-lo com vocês. Então cá está mais uma tradução!
28 de agosto de 2018
A Arte do Romance: Dois Livros, um só Título

Resenha de hoje é dupla, de dois livros tão parecidos que poderiam ser irmãos: ambos são coletâneas de ensaios sobre a literatura, foram escritos por autores de renome por seus trabalhos com ficção, e têm o mesmo título! Provavelmente, se quisesse pesquisar, encontraria até mais volumes com todas essas características, porque ‘a arte do romance’ é realmente um título muito óbvio para um livro de crítica literária, mas comprei esses dois juntos e li um seguido do outro mês passado, então vamos nos ater a eles. Começando cronologicamente!
6 de junho de 2018
Tradução - Em Busca de Portas

Descobri o vídeo da conferência de Victoria Schwab na Pembroke College Tolkien Lecture por puro acaso: o link foi indicado pelo Charles de Lint no Goodreads e, como sigo o autor por lá, o site me fez o favor de enviar a notificação para o meu e-mail. Já conhecia de nome a Schwab (estou com Um Tom Mais Escuro de Magia para ler aqui na estante), mas o que me chamou a atenção foi a referência a Tolkien - especialmente porque continuo às voltas com pesquisas para meu Projeto Arda. Guardei o e-mail para dar uma olhada quando tivesse mais tempo, e no fim de semana seguinte fui assistir.
2 de junho de 2018
Empilhando no Escaninho #29 (Os Links da Coruja)

Maio foi um mês corrido, confuso e dolorido, em mais de um sentido... Chegamos agora a junho, meio do ano, e aqui ficamos de dedinhos cruzados para que as coisas fiquem um pouco mais equilibradas.
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17 de maio de 2018
O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista como uma Vela no Escuro

“- O que você realmente acha?
Respondo:
- Acabei de lhe dizer o que realmente acho.
- Sim, mas qual é a sua opinião visceral?
Mas eu tento não pensar com as minhas vísceras. Se levo a sério minha tentativa de compreender o mundo, pensar com algum órgão que não seja o meu cérebro, por mais tentador que possa ser, provavelmente complicará a minha vida. Na verdade, é correto guardar a opinião para quando houver evidências.”
Em agosto de 2015, o Clube do Livro de Bolso se reuniu para debater Contato, do Carl Sagan. Em quase dez anos mediando o clube, acho que nunca houve um encontro tão… sui generis. Como o clube tem uma política de ‘porta aberta’, qualquer um pode sentar e participar, mesmo que esteja só passando pelo espaço e veja um bocado de gente reunida. Foi isso que aconteceu nesse dia: o debate era no auditório de uma livraria, dois senhores que estavam por lá acabaram entrando acho que só por ter lugar para sentar e de repente, não mais que de repente, eles começaram a compartilhar suas experiências com extraterrestres. Eles não se conheciam, tinham entrado ali cada um por acaso e, creio que pegando a discussão pelo meio, acharam talvez que éramos um grupo de apoio para raptados por OVNI’s.
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