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3 de junho de 2022
O Resumo da Ópera: perdida na biblioteca

Chegamos ao meio do ano e, como de praxe, é tempo de fazer um apanhado geral das leituras que não ganharam análises mais completas cá no blog. Sim, sim, vamos a mais um Resumo da Ópera!
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3 de março de 2022
Bellwether: romance, teoria do caos e comportamento de manada com Connie Willis
"Avanços científicos já foram desencadeados pelo mais ínfimo dos eventos: a visão da água do banho subindo, o movimento de uma brisa, a pressão de um pé em um degrau. Eu, contudo, nunca tinha ouvido falar de um deles ser desencadeado por um beijo. Mas esse foi um beijo com todo o peso de cinco semanas de turbulência caótica por trás dele, mudando os padrões de pensamento de suas posições habituais, agitando as variáveis, separando-as e misturando-as novamente em novas conjunções, novas possibilidades."
Sandra Foster, uma cientista social especializada em estatística, está examinando o modismo dos cabelos curtos, tentando descobrir como a mania começou e assim compreender os mecanismos de comportamentos de consumo e imitação. Bennet O’Reily está estudando teoria do caos - ou estava, até sua bolsa ser retirada e ele ir parar nos laboratórios da Hi-Tek, uma firma de pesquisa que é também um pesadelo em termos de administração e burocracia.
31 de janeiro de 2022
Conversas Sobre o Tempo #10 - Aquele em que fazemos muito barulho por alguma coisa

No conto Ado, da Connie Willis, uma professora de literatura tenta encontrar uma das peças de Shakespeare para ensinar em sua classe. Várias injunções protocoladas por organizações diversas - como a Real Sociedade para a Restauração do Direito Divino dos Reis, a Aliança das Mulheres Furiosas, a Liga Anti-Difamação e os Agentes Funerários Internacionais - proíbem o debate de palavras, falas ou peças inteiras, extirpando tudo o que possa haver de minimamente ofensivo nas histórias até que sobre pouco mais que algumas frases soltas em Hamlet.
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12 de julho de 2021
Dois Livros (três novelas e um conto) de Connie Willis

Hoje vamos de resenha dupla, dois livros da Connie Willis, sendo o primeiro uma novela natalina lançada no final do ano passado e outro uma coletânea com três histórias de ficção científica que exploram a ideia de terras desconhecidas!
14 de abril de 2020
A História como um Sistema Caótico: Lendo Blackout/All Clear

"I’m not studying the heroes who lead navies—and armies—and win wars. I’m studying ordinary people who you wouldn’t expect to be heroic, but who, when there’s a crisis, show extraordinary bravery and self-sacrifice. Like Jenna Geidel, who gave her life vaccinating people during the Pandemic. And the fishermen and retired boat owners and weekend sailors who rescued the British Army from Dunkirk. And Wells Crowther, the twenty-four-year-old equities trader who worked in the World Trade Center. When it was hit by terrorists, he could have gotten out, but instead he went back and saved ten people, and died. I’m going to observe six different sets of heroes in six different situations to try to determine what qualities they have in common."
Polly é uma historiadora interessada em estudar o efeito dos bombardeios diários sobre as pessoas comuns durante a Blitz - campanha militar que faz parte da Batalha da Grã-Bretanha entre 1940 e 1941, quando a Luftwaffe e a RAF combatiam nos ares numa escala nunca antes imaginada. Michael, também um historiador, deseja entender o heroísmo das pessoas comuns em tempos de desastre; para tanto ele pretende estudar Pearl Harbor e os civis que atenderam ao chamado de resgate das tropas em Dunkirk. Merope está em seu primeiro estudo de campo, observando crianças evacuadas de Londres para escapar dos bombardeios. Em comum, todos eles são alunos do professor Dunworthy em Oxford, num mundo em que viagens no tempo são possíveis e utilizadas principalmente por estudantes de História. Cada um deles viaja para sua época de estudo e, por diferentes razões, descobrem que o caminho de volta ao seu presente está barrado. Eles estão sozinhos e presos no passado, num dos períodos mais turbulentos da História.
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1 de fevereiro de 2020
"Eu encontrei um viajante de uma terra antiga": uma história de livros e objetos descartados

"Lugares fechando, modas morrendo e objetos desaparecendo são parte da ordem natural das coisas. Não há motivo para lamentá-los."
“Nenhuma razão para lamentar? Então você acha razoável que uma livraria lendária como a Strand, ou Elliot's, feche as portas? Eu suponho que esteja tudo bem para você se os livros morrerem também."
“Eles não estão morrendo,” eu respondi, “mas se estivessem, então sim, porque isso significaria que a sociedade não precisa mais deles, da mesma maneira que deixou de precisar de bastões de bandeira e ascensoristas, da mesma forma que uma cobra descarta sua pele após trocá-la.”
Ele bufou escarnecendo. “Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi. Coisas necessárias desaparecem todos os dias. E o que dizer de todas as coisas que não percebemos serem necessárias até que tenham já desaparecido?"
Narrada em primeira pessoa, I Met a Traveller in an Antique Land acompanha Jim, um blogueiro que defende a ideia de descartar objetos e processos que tenham se tornado obsoletos… incluindo livros físicos (irônico, considerando que ele está em negociações para publicar seu próprio título). Não que ele não goste de livros - a despeito do que o repórter que o entrevista no início da história possa dizer -, mas porque ele acredita que tudo pode ser digitalizado, encontrado em livrarias virtuais e bibliotecas. Tudo estará armazenado em… algum lugar, que ele não sabe bem qual é, mas estará lá, dando assim espaço para o que realmente interessa.
26 de dezembro de 2019
O Resumo da Ópera - A Década Ainda não Acabou, mas Temos mais Livros

Mais um ano vai chegando ao fim e vamos encerrando a lista de livros lidos do ano. 2019 não foi tão prolífico quanto anos passados em termos de leituras, mas estou satisfeita com o fato de que terminei quase todos os livros que comprei/ganhei esse ano. Tem sido meu objetivo há algum tempo tentar não acumular leituras (e não sair comprando livros loucamente sem dar destino ao que já tem em casa) e talvez ano que vem eu consiga zerar meu backlog *resoluções de ano novo*.
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18 de março de 2019
To Say Nothing of the Dog (ou Como Finalmente Foi Achado o Vaso do Bispo)

Porque em torno de um ponto de crise, até mesmo a menor ação pode assumir importância desproporcional ao seu tamanho. As consequências se multiplicam e se transformam em cascata, e qualquer coisa - uma ligação telefônica perdida, uma coincidência durante um blecaute, um pedaço de papel solto, um único momento - pode ter efeitos ruinosos. O motorista do arquiduque Ferdinand faz uma curva errada para a rua Franz-Josef e inicia uma guerra mundial. O guarda-costas de Abraham Lincoln sai para fumar e destrói a paz. Hitler deixa ordens para não ser perturbado porque ele tem uma enxaqueca e descobre sobre a invasão do Dia D dezoito horas mais tarde. Um tenente não consegue marcar um telegrama "urgente" e o almirante Kimmel não é avisado do iminente ataque japonês. “Por falta de um prego, a ferradura foi perdida. Por falta de uma ferradura, o cavalo foi perdido. Por falta de um cavalo, o cavaleiro se perdeu."
Desde que tive meu primeiro contato com Connie Willis, cheguei à rápida conclusão de que queria ler tudo o que essa (incrível) mulher tinha escrito. Comecei pelos contos - cada um melhor que o outro - segui pela monta-russa emocional de O Livro do Juízo Final e no ritmo frenético de Interferências e agora cheguei a To Say Nothing of the Dog que, hilariantemente, foi o primeiro livro que o Enrique (a pessoa que abençoadamente me apresentou à obra dessa criatura) me indicou.
19 de outubro de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História que te Provoque Risos || Interferências

Ela olhou com expectativa para a mão dele, que estava ao lado do livro. Você não precisa disso, disse ele, e, quando viu que ela ainda hesitava: Confie em mim. Apenas ouça.
E ela ouviu, segurando com força a beirada da mesa com as mãos, e preparando-se para enfrentar, amedrontada, a onda avassaladora de vozes que viria.
Mas não veio. As vozes não tinham ido embora, mas já não vinham em turbilhão para coma dela, inundando-a. Estavam mais calmas, mais silenciosas, como o murmúrio de um córrego inofensivo. Ela olhou para C. B., espantada. Como você fez isso?
Não fiz, respondeu ele, apontando com a cabeça na direção das outras pessoas sentadas às mesas compridas. Eles fizeram.
Mas como...?
Ele sorriu. Nunca subestime o poder de um bom livro.
Descobri Connie Willis há três anos, por indicação de um amigo, e desde então a coloquei naquela lista de ‘autores que quero ler toda a bibliografia’. De seus contos às noveletas e romances, tudo dela com que já tive contato não apenas me deixou fascinada como também surpreendeu. Assim, não é à toa que, tão logo Interferências apareceu em pré-venda, saí correndo para reservar o meu (embora tenha demorado um pouco para começar a lê-lo efetivamente).
5 de outubro de 2017
O Livro do Juízo Final: Viagens no Tempo, Empatia e Religião

- "Deus enviou o Seu filho único ao mundo."
Deus nunca teria feito isso se soubesse o que aconteceria, pensou Dunworthy. Herodes e o Massacre dos Inocentes e o Getsêmani.
- Leia para mim alguma passagem de são Mateus - pediu ele. - Capítulo 26, versículo 39.
A sra. Gaddson parou, pareceu irritada, mas folheou as páginas até o Evangelho de Mateus.
- "E, indo um pouco adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: 'Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice'".
Deus não fazia ideia de onde estava seu filho, pensou Dunworthy. Ele enviara seu único filho para o mundo, mas alguma coisa tinha dado errado com o fix, e alguém desligara a rede, de modo que Ele não pôde mais alcançá-lo, e então as pessoas prenderam o filho, puseram uma coroa de espinhos em sua cabeça e o pregaram numa cruz.
- Capítulo 27 - disse ele. - Versículo 46.
Ela contraiu os lábios e virou a página.
- Eu realmente não acho que estes sejam trechos da Escritura apropriados para...
- Leia - interrompeu ele.
- "Por volta da hora nona, Jesus deu um grande grito: 'Eli, Eli lamá sabachtáni?', isto é: 'Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?'".
Kivrin não faria nenhuma ideia do que podia ter acontecido. Pensaria que havia escolhido o local errado, ou o dia errado, que tinha perdido a noção do tempo de algum modo, que alguma coisa dera errado com o salto. Pensaria que tinha sido abandonada.
O que você faria se pudesse estudar História viajando pela História? É isso que acontece no futuro não-tão-distante de 2054, no Departamento de História de Oxford, cenário que abre O Livro do Juízo Final e que eu estava extremamente ansiosa para ler desde que tive o prazer de descobrir Connie Willis, em duas antologias de contos, no ano passado. Se bem que muito antes disso, meu amigo Enrique já tinha feito a indicação de To Say Nothing of the Dog, que se passa no mesmo universo, de forma que preciso dedicar o texto de hoje a ele. Sério, Enrique, muito obrigada por ter me apresentado à Willis.
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21 de junho de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Uma História que se Passa no Futuro || As Melhores Histórias de Viagens no Tempo

Quando você vê uma antologia que se entitula “as melhores história de tal e tal gênero”, você sempre deve levar essa classificação com um grão de sal e uma boa dose de desconfiança: afinal, o que é bom para uns pode não ser para outros e a seleção de contos aqui passa pelo gosto pessoal dos organizadores. Não há como ser objetivo, a não ser que você decida fazer uma pesquisa global com todo mundo que já leu uma história daquele tipo na vida. A despeito disso, quando vi os autores citados na capa dessa antologia, decidi que queria lê-lo e eis então que ele aparece no nosso Desafio Corujesco de junho.Aquela coisa minúscula caiu no chão; aquela coisa insignificante que podia romper equilíbrios e derrubar uma sequência de pequenos dominós, depois grandes dominós e finalmente gigantescos dominós ao longo dos anos e através do Tempo. Aquilo poderia alterar o mundo.
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31 de agosto de 2016
1 Ano, 365 Contos - Agosto

Diz-se por aí que o mês antes do aniversário vem com uma boa dose de inferno astral. Francamente, não acredito em astrologia nem sou particularmente supersticiosa, mas tenho de admitir que só essa teoria explica tanta complicação e tanta dor de cabeça quanto apareceu nesse agosto que hoje se encerra.
(E já vai tarde, hein?)
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1 Ano 365 Contos
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31 de julho de 2016
1 Ano, 365 Contos - Julho

Alguém postou no twitter por esses dias que você sabe que é adulto quando julho não é mais sinônimo de férias. Eu me identifiquei com essa frase - o trânsito anda mais tranquilo, chegar no pilates de manhã não é mais um exercício de paciência (eles ficam atrás de uma escola…) e enquanto todo mundo viaja, eu estou trabalhando.
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1 Ano 365 Contos
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