10 de agosto de 2020

A Filha do Rei de Elfland: um conto de fadas sobre o Tempo


Durante todo o dia, Alveric viajou com o vigor que aguarda no início das jornadas, e isso o ajudou, embora estivesse sobrecarregado com tantas provisões e um grande cobertor que usava como uma capa pesada sobre os ombros; além disso, carregava um pacote de lenha e uma vara na mão direita. Ele era uma figura disparatada com sua vara, sua sacola e sua espada; mas seguia uma ideia, uma inspiração, uma esperança; e assim compartilhava algo da estranheza que têm todos os homens que fazem isso.

A primeira vez que li The King of Elfland’s Daughter, de Lorde Dunsany, foi dez anos atrás, em inglês, e devo dizer que não foi uma leitura fácil. Por mais fluente que eu fosse, o estilo repleto de volteios e o vocabulário bastante formal foram um desafio. Isso não me impediu de achar o enredo fascinante, mas interferiu na experiência de leitura. Assim é que, quando vi que a Wish ia lançá-lo traduzido, empolguei-me. A editora costuma ter grande esmero com a tradução, introduções escritas por especialistas e projetos gráficos lindíssimos. Tinha certeza que essa seria uma oportunidade para apreciar a prosa de Dunsany como ela deve ser apreciada, deixando-se levar pelo lirismo em vez de arfar com o esforço de compreensão.


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31 de julho de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Meios de Transportes Inusitados


Ísis: Olá, listeiros! Ou seríamos lististas? Enfim, bem vindos de volta a mais um vertigem! Já fizemos listas de personagens, de comidas, de bebidas, de músicas etc. Já fizemos alguma sobre mundos, e dentro desses mundos diferentes, muitas vezes temos meios de transportes inusitados. Portanto, o tema da vez é Dez Meios de Transportes Inusitados. Vem conosco?

Lulu: Não sei porque ainda me surpreendo com os temas estrambólicos que a Ísis acha que colocar no vertigem… mas, ok, vamos lá!


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16 de julho de 2020

Os Livros e os Dias: o diário de leituras de Alberto Manguel


A leitura é uma conversa. Os lunáticos respondem a diálogos imaginários que ouvem ecoar em algum lugar de suas mentes; os leitores respondem a um diálogo similar provocado silenciosamente por palavras escritas numa página. Em geral a resposta do leitor não é registrada, mas em muitos momentos ele sentirá a necessidade de pegar um lápis e escrever as respostas nas margens de um texto. Esse comentário, essa glosa, essa sombra que às vezes acompanha nossos livros favoritos, estende e transporta o texto para o interior de um outro tempo e de uma outra experiência; empresta realidade à ilusão de que um livro fala a nós (seus leitores) e nos faz viver.

Entra ano, sai ano e penso comigo mesma em me dedicar a releituras de antigos favoritos e ver como eles envelheceram no meu gosto. Invariavelmente adio tal projeto, pois ainda tenho vários títulos não lidos à espera na estante e me sinto culpada em não dar prioridade a eles. A não ser que haja necessidade real - será um livro que vou debater no clube do livro, preciso dele para uma pesquisa, ou ainda, comprei uma edição ou tradução nova -, fico tentando me controlar toda vez que passo pela estante no corredor e meu olho cai em algum desses candidatos a releitura.


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9 de julho de 2020

Sobre guerra e pacifismo em "Nada de Novo no Front"


Quando os vejo assim, nos seus quartos, nos seus escritórios, entregues aos seus afazeres, sinto-me irresistivelmente atraído, queria ficar aqui também e esquecer a guerra; mas, ao mesmo tempo, isso também me repugna, tudo é tão mesquinho, como pode encher uma vida?... é preciso acabar com isso. Como podem ser assim, enquanto lá fora os estilhaços zunem sobre as trincheiras e os foguetes luminosos sobem, os feridos são arrastados em lonas para a retaguarda e os companheiros abaixam-se nas trincheiras?

Já tinha encontrado esse título em diversas listas de clássicos fora do eixo anglófono, e outras tantas de literatura sobre guerra; mas não foi até a viagem que fiz no final de 2018, estando na Europa em meio às celebrações e memoriais do centenário de armistício da Primeira Guerra Mundial, que coloquei-o na minha lista pessoal. Demorei um pouco para começar, mas coloquei-o como prioridade esse ano, depois de descobrir que Remarque perdeu a cidadania alemã no governo nazista por causa desse livro. Nada de Novo no Front - tanto o livro quanto o filme inspirado na obra - eram detestados por gente como Goebbels e Hitler, que os queimaram na literal fogueira de sua intolerância por apresentar uma “visão antigermânica” da guerra.


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1 de julho de 2020

O Resumo da Ópera - O Ano Já Pode Acabar?


O primeiro semestre acabou e isso significa que é hora de fazer o balanço de meio do ano - ou o resumo da ópera do que andei lendo por esses meses. A despeito da quarentena - ou talvez por causa dela - até consegui dar uma boa baixada na lista de livros não lidos que estavam à espera na estante, incluindo alguns que estavam há mais de quatro anos esperando… Enfim, nesse apanhado do que andei lendo tem de tudo um pouco: clássicos, romance, policial, não ficção…


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29 de junho de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Bibliotecas que São o Paraíso


Lulu: O tema de hoje do vertigem deriva de uma famosa citação do de Jorge Luis Borges com a qual concordo integralmente: “sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”.

Nada me parece mais perfeito que passar a eternidade numa biblioteca, sentada numa poltrona confortável, com a possibilidade de encontrar pessoas de gostos parecidos com quem conversar ao terminar aquela história fantástica, e um estoque infinito de qualquer que seja a sua bebida favorita.

(Aziraphale provavelmente seria o bibliotecário nessa hipotética situação).


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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