20 de agosto de 2018

De Volta para Casa: ou o que acontece quando o conto de fadas termina?

A esperança machuca. É isso que você precisa aprender, e rápido, se não quiser que a esperança corte você de dentro para fora.

Meu primeiro contato com a série Wayward Child, da Seanan McGuire, foi com uma matéria da Tor.com sobre as ilustrações de Rovina Cai para as histórias. Aqueles desenhos me deixaram fascinada e bem ansiosa por deitar minhas mãos nos livros. Coincidentemente, enquanto pesquisava mais sobre as novelas, descobri que os direitos delas já tinham sido adquiridos aqui no Brasil pela Morro Branco. Coloquei o primeiro volume, Every Heart is a Doorway nos desejados e deixei passar o tempo. Aí, tio Fafa veio passar uns dias lá em casa em junho e ganhei a edição brasileira de presente (infelizmente, as ilustrações só foram publicadas no site, não na edição impressa…).


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16 de agosto de 2018

Uma aula de anatomia literária: Como Funciona a Ficção


A casa da ficção tem muitas janelas, mas só duas ou três portas. Posso contar uma história na primeira ou na terceira pessoa, e talvez na segunda pessoa do singular e na primeira do plural, mesmo sendo raríssimos os exemplos de casos que deram certo. E é só. Qualquer outra coisa não vai se parecer muito com uma narração, e pode estar mais perto da poesia ou do poema em prosa.

Não sei como foi que descobri esse título, mas desconfio que foi por indicação em algum outro título sobre crítica literária que li ou talvez numa daquelas listas de melhores livros sobre determinado assunto... Seja como for, ele entrou na minha lista de desejos, só que numa época em que ele estava fora de catálogo, por conta do fim da Cosac Naif. Era possível encontrá-lo em sebos, mas por preços exorbitantes; e eu não me empolgara tanto assim a ponto de ir atrás de uma edição em inglês. E aí, visitando a Bienal do Livro em São Paulo, descobri que Como Funciona a Ficção fora relançado pela SESI-SP. Não tive dúvidas em imediatamente colocar o livro debaixo do braço e começar a lê-lo quase imediatamente após chegar no hotel.


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10 de agosto de 2018

Sobre Pássaros e Silêncios: O Diário de Myriam


Alepo é uma cidade fantasma. Não tem mais ninguém. Às vezes, há senhoras de preto que correm do lado de fora, ou pessoas armadas. Mas só isso. Quando a gente abre as janelas, não tem um barulho de vida sequer. Não existem flores, não existem cores e até os pássaros já nos deixaram.

Quando recebi O Diário de Myriam e olhei a sinopse, saltou-me aos olhos a comparação com O Diário de Anne Frank. Eu tinha onze anos quando li pela primeira vez a história de Anne e digo sem exagerar que ela marcou minha vida. Foi daí que começou meu interesse em história das guerras, fosse em livros e documentários sobre acontecimentos reais, fosse em ficção que se passasse no período.


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9 de agosto de 2018

Empilhando no Escaninho #31 (Os Links da Coruja)


Voltei essa semana de São Paulo, depois de passar um fim de semana bem corrido, tendo ido passear na Bienal, visitar meu irmão e outros amigos que moram na cidade. Voltei de pés doloridos, mas bem feliz, ainda que tenha sido uma viagem bem curta.


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8 de agosto de 2018

Desafio Corujesco 2018 - Uma História em Tempos de Guerra || Minha Vida Fora dos Trilhos e Em Algum Lugar nas Estrelas


Nunca tinha visto ou ouvido falar de Clare Vanderpool até ela ser traduzida aqui no Brasil - e meu interesse em ler seus livros foi, de início, puramente estético: praticamente babei na capa de Em Algum Lugar nas Estrelas, fiquei quase maluca atrás dele assim que saiu a pré-venda. A Darkside tem uma tendência a criar projetos gráficos de encher os olhos para seus títulos e eles definitivamente se esmeraram nesses dois volumes da autora. Claro que aparência só não basta… Felizmente, Vanderpool não deixa nada a desejar no quesito conteúdo.


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31 de julho de 2018

Desafio Corujesco 2018 - Uma História Pós-Apocalíptica || Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?


"Por um longo tempo ele permaneceu fitando a coruja, que dormitava no poleiro. Mil pensamentos vieram à sua mente, pensamentos sobre a guerra, sobre os dias em que as corujas caíram do céu; lembrou-se de como, em sua infância, descobria-se que uma espécie após a outra era declarada extinta, e como isso era publicado todo dia nos jornais — raposas uma manhã, texugos na outra, até que as pessoas parassem de ler sobre os incessantes necrológios de animais (...) Ele também pensou sobre a sua necessidade em ter um animal de verdade; dentro dele uma efetiva repugnância se manifestou outra vez em relação à sua ovelha elétrica, a qual precisava manter, precisava cuidar, como se estivesse viva. A tirania de um objeto, pensou, que nem sabe que eu existo. Tal como os androides, não tem a menor capacidade de apreciar a existência do outro. Nunca tinha pensado nisso antes, a semelhança entre um animal elétrico e um andy. O animal elétrico, ponderou, poderia ser considerado uma subforma do outro, um tipo de robô enormemente inferior. Ou, ao contrário, o androide poderia ser qualificado como uma versão altamente desenvolvida e evoluída do animal de imitação. Ambos os pontos de vista o enojavam."

Ganhei esse livro de uma amiga que é tão fã de Blade Runner que até tatuou na perna o unicórnio que aparece no filme. Já fazia um tempinho que o volume estava na estante à espera, mas depois de duas excelentes experiências com PKD (os contos de Realidades Adaptadas e O Homem do Castelo Alto), não tinha como adiar mais a leitura desse clássico da ficção científica.


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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