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30 de dezembro de 2022
Babel, ou a Necessidade de Violência: uma História Arcana da Revolução dos Tradutores de Oxford

Ele sentiu uma dor aguda no peito enquanto Cantão desaparecia no horizonte, e então um vazio posto em carne viva, como se um gancho tivesse arrancado seu coração de seu corpo. Não havia registrado até agora que ele não pisaria em sua terra natal novamente por muitos anos, se é que voltaria. Ele não tinha certeza do que fazer com esse fato. A palavra perda era inadequada. A perda significava apenas uma falta, significava que algo estava ausente, mas não abrangia a totalidade dessa separação, esse desancorar aterrorizante de tudo o que ele já havia conhecido.
Babel: an Arcane History apareceu em uma série de listas de melhores livros desse ano, ganhou o prêmio de ficção especulativa da Barnes & Noble e foi também um dos nomeados para melhor fantasia do Prêmio Goodreads Choice. Normalmente, fico com um pouco de pé atrás com unanimidades desse tipo; mas a Kuang estava na minha lista por já ter sido indicada como autora de uma das melhores fantasias do século (a trilogia A Guerra da Papoula). Eu ainda não a li, porque tenho relutado muito para iniciar séries, mas Babel era um volume único e ainda tinha algo a ver com linguagem e interpretação pelo que percebi da sinopse. Como eu poderia resistir?
4 de julho de 2022
Burning Questions: as questões cruciais de Margaret Atwood

"Com tantos dispostos a morrer em seu nome, por que os cidadãos de muitos países ocidentais estão dispostos a abrir mão de suas liberdades duramente conquistadas sem dar um pio? Geralmente é medo. E o medo pode vir de várias formas: às vezes se resume ao medo de não ter um salário no fim do mês. Desde que os trens funcionem no horário e você mesmo esteja empregado, por que fazer tanto barulho se algumas pessoas aqui e ali estão sendo penduradas pelos polegares? E quando a tortura vai se tornando comum, um medo de outro tipo se instala. Você pode proteger seus polegares apenas ficando abaixo da superfície do lago dos sapos: não levante a cabeça ou coaxe muito alto, e garantem a você, contanto que você não faça nada "errado" - e errado aqui é um conceito em constante mudança -, nada de ruim lhe acontecerá. Até que acontece. E como a imprensa livre já terá sido suprimida, e como qualquer judiciário independente já terá sido desmantelado, e como quaisquer escritores, cantores e artistas independentes já terão sido esmagados, não restará ninguém para defendê-lo."
Sendo, como ela mesma reconhece num dos escritos desta coletânea, um ícone ("uma vez que você é um ícone, você está praticamente morto, e tudo o que tem a fazer é ficar parado nos parques, transformando-se em bronze enquanto pombos e outros se empoleiram em seus ombros e defecam em sua cabeça"), o novo volume de ensaios de Margaret Atwood - reunindo peças de 2004 a 2021 - era um dos lançamentos mais esperados para 2022. E, embora eu não tenha lido tanto da autora quanto gostaria, também me deixei levar pela mística e coloquei Burning Questions na minha lista de prioridades para o ano.
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22 de abril de 2022
O Mar sem Estrelas: poesia e metanarrativa num mundo subterrâneo de livros, abelhas, corujas e gatos

O papel é frágil, mesmo quando encadernado com barbante em tecido ou couro. A maioria das histórias no Porto do Mar Sem Estrelas foi capturada em papel. Em livros ou pergaminhos ou dobradas em pássaros de origami e suspensas nos tetos. Há histórias ainda mais frágeis: para cada conto entalhado na rocha, há outros inscritos em folhas de outono ou trançados em teias de aranha.
Quando li O Circo da Noite, a coisa que mais me impressionou foi a capacidade da Morgenstern de trazer à mente cenários deslumbrantes com suas palavras. Ainda hoje quando penso nesse romance, enxergo o salão de baile preto e branco e algo me faz perder o fôlego. Essa característica está em ainda mais evidência em Mar sem Estrelas e acho que nunca ansiei tanto por uma adaptação cinematográfica milionária que traduzisse em algo palpável todos os lugares que ela nos faz visitar aqui.
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2 de dezembro de 2020
A Jornada da Heroína: em busca de conexão

"To get us started on the right path, so to speak:
HERE IS THE HERO’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly isolated protagonist stomps around prodding evil with pointy bits, eventually fatally prods baddie, gains glory and honor.
HERE IS THE HEROINE’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly networked protagonist strides around with good friends, prodding them and others on to victory, together."
Descobri a Gail Carriger através da série O Protetorado da Sombrinha, lá nos idos de 2011 e, desde então, sou fã da autora. Carriger tem um humor que muito me agrada, de protagonistas deliciosamente sarcásticas e melhores amigos fabulosamente purpurinados (lá se vão quase dez anos e Lorde Akeldama ainda é um favorito); casais que começam a trama às turras, intrigas palacianas, inventores loucos, vampiros, lobisomens, tudo isso num cenário vitoriano steampunk. Assino a newsletter dela há tempos e vinha acompanhando seus comentários sobre estar escrevendo um livro de não ficção com extrema curiosidade. Mais ainda por se tratar de um livro com o esquema paralelo ao da Jornada do Herói.
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12 de novembro de 2020
Livros de Cabeceira para se Desconectar

Fiz agora em novembro o curso de Escrita Criativa da Sílvia Oliveira, lá do Matraqueando. Num dos módulos, que tratava de criatividade, ela falou da importância de ter livros de cabeceira: livros com que você pode se desconectar um pouco das redes, leituras leves, daquelas que você pode até abrir num capítulo de forma aleatória e ler sem perder o fio da meada.
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27 de fevereiro de 2020
Mythos: As melhores histórias de heróis, deuses e titãs

Atualmente, a origem do universo é explicada pelo big bang, um evento isolado que fez aparecer instantaneamente toda a matéria da qual tudo e todos são feitos.
Os gregos antigos tinham uma ideia diferente. Eles diziam que tudo começou não com uma explosão, mas com o CAOS.
Será que o Caos era um deus – um ser divino – ou simplesmente um estado de inexistência? Ou seria o Caos, exatamente como a palavra é usada hoje, um tipo de bagunça terrível, como um quarto de adolescente, só que pior?
Pense no Caos como, talvez, algum tipo de grande bocejo cósmico. Como um abismo ou um vácuo que boceja, no vazio da existência.
Se o Caos fez surgir vida e substâncias do nada, ou se o Caos bocejou vida, ou se a sonhou, ou a invocou de alguma outra maneira, eu não sei. Eu não estava lá. Nem você. No entanto, de algum modo, estávamos, porque todas as partes que nos compõem hoje estavam lá. Basta dizer que os gregos achavam que foi o Caos que, com um suspiro intenso, ou um grande encolher de ombros, ou um soluço, vômito ou tosse, começou a longa cadeia da criação que terminou com pelicanos e penicilina e sapotis e sapos, leões-marinhos, leões, mar, seres humanos e narcisos e assassinato e arte e amor e confusão e morte e loucura e biscoitos.
Comprei esse livro na Black Friday ano passado, por nenhum outro motivo especial além de “está em promoção”. Melhor dizendo, eu até estava atrás de algum volume de mitologia grega para ter como referência na estante, mas o escolhido era uma edição ilustrada da Zahar escrita por Nathaniel Hawthorne (o autor de A Letra Escarlate). O livro do Stephen Fry nem tinha entrado no meu radar. Mas tudo bem, fato é que estava num preço excelente, era um livro em capa dura, eu sempre podia guardá-lo para dar de presente depois.
10 de outubro de 2019
Mulheres que Correm com Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem

As histórias são bálsamos medicinais. Achei as histórias interessantes desde que ouvi minha primeira. Elas têm uma força! Não exigem que se faça nada, que se seja nada, que se aja de nenhum modo — basta que prestemos atenção. A cura para qualquer dano ou para resgatar algum impulso psíquico perdido está nas histórias. Elas suscitam interesse, tristeza, perguntas, anseios e compreensões que fazem aflorar o arquétipo, nesse caso o da Mulher Selvagem.
Faz muito, muito tempo que esse livro estava na minha lista de leituras. Várias pessoas me indicaram ele, com elogios rasgados, incluindo gente com gostos literários muito próximos do meu. Suspirei de amores quando vi que ele estava sendo relançado numa edição em capa dura, e depois de muito colocá-lo e tirá-lo da cesta de compras, afinal encomendei o bendito esse ano.
Não me arrependo de nada, exceto do tempo que levei para finalmente começar a lê-lo.
15 de maio de 2019
Dez Anos em Dez Ensaios - Biblioteca Corujesca de Crítica Literária

Um tempo atrás, comentei em algum lugar o quanto gostava de livros de crítica literária, e recebi pedidos de falar sobre o assunto. Anotei na minha caderneta de pautas, mas deixei a ideia passar no meio de outras questões. Tempos depois, conversando com a Fernanda, do blog The Bookworm Scientist, comentei sobre o tanto que estava lendo de livros que falavam sobre livros e sobre o processo de escrever outros livros (não fiquem confusos!). Ela, então, disse algo como “você bem que podia escrever um resumo dessa biblioteca para dar uma ideia do que existe por aí”.
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30 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte V: Dando um Trato no Roteiro

Falei um bocado de Campbell, de histórias, dei vários exemplos bastante acessíveis, e agora é a hora de resumir tudo o que aprendemos e simplificar para entender como todos os estágios da jornada nos ajudam a criar uma história universal, histórias que geram empatia, com as quais somos capazes de nos identificar. Para isso, vou usar Vogler, que reduz e renomeia algumas das fases que já acompanhamos, trazendo a teoria de Campbell para o mundo dos roteiros e da cultura pop, fora da busca por significados místicos que está extremamente presente no professor.
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23 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte IV: Retorno

Terminada a jornada e alcançado o objetivo, é o momento de o herói voltar para casa e descansar sobre seus louros, levando consigo aquilo que ganhou/aprendeu para compartilhar com a comunidade que deixou para trás no início do caminho. Ou… quem disse que seria tão fácil assim?
Na fase do retorno, espelhamos os acontecimentos da primeira parte do ciclo, iniciando com a recusa do retorno. Afinal, o herói, no mundo extraordinário em que penetrou ao atravessar aquele primeiro limiar, foi elevado de sua posição original para um status quase divino. Considerando que há grandes possibilidades de seu retorno, em vez de ser celebrado, render-lhe o apelido de “Mad Baggins”, porque voltar? Depois de tantas aventuras, tanta adrenalina e excitação, como conseguir se reacostumar à calmaria?
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16 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte III: O Caminho das Provas

Tendo atravessado o limiar, o herói se vê num mundo completamente diferente do seu, um mundo em que ele deverá passar por testes e provações para demonstrar seu valor. Esse estágio da jornada, que costuma ser o momento em que se constrói tensão dentro da narrativa e se desenvolve o caráter do herói, é chamado por Campbell de o caminho das provas. Os doze trabalhos de Hércules ou ainda a história de Psique, descendo ao Mundo Inferior sob as ordens de Afrodite para ter oportunidade de reencontrar Eros ao fim de suas tribulações, são bons exemplos dessa etapa.
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9 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte II: O Chamado da Aventura

A jornada do herói pensada por Joseph Campbell é, reduzida a sua essência, um ciclo em três partes, sendo a primeira delas a separação ou partida. Nessa fase da narrativa somos apresentados ao herói, que vive uma existência mundana, comum, até receber o chamado da aventura - o estágio introdutório do monomito.
Frequentemente, um arauto anuncia a aventura. Essa é a figura que empurra o herói a avançar na história: ele não é necessariamente um personagem, podendo ser apenas um acontecimento, um marco que dá o impulso inicial para o que acontecerá a seguir. A figura do arauto também pode se confundir com a do mentor e do vilão - facetas arquetípicas possíveis num mesmo personagem, sobre os quais falaremos em outra parte desse especial.“Pequeno ou grande, e pouco importando o estágio ou grau da vida, o chamado sempre descerra as cortinas de um mistério de transfiguração - um ritual ou momento de passagem espiritual que, quando completo, equivale a uma morte seguida de um nascimento. O horizonte familiar da vida foi ultrapassado; os velhos conceitos, ideais e padrões emocionais, já não são adequados; está próximo o momento de passagem para um limiar.”
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4 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte I: Mito, Sonhos e Estruturas Narrativas

O Coruja está hoje completando oito anos de existência e é claro que a data não poderia passar em branco: é tempo de um novo especial-quase-monografia e o tema deste ano é um que me é muito caro e sobre o qual há tempos eu queria escrever: a Jornada do Herói, ou monomito, a sopa primeira que experimentamos do caldeirão de histórias. Acredito que todo mundo que goste de fantasia seja razoavelmente familiar com os conceitos que vamos trabalhar por aqui, mas de toda maneira, comecemos pelo começo.
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30 de novembro de 2016
Diário #NaNoWriMo - The Good, the Bad and the Ugly

Novembro acabou. Tinha um milhão de planos para esse mês, dentre os quais, fazer o NaNoWriMo e manter um diário semanal da escrita. Mas, no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho e acabei não conseguindo fazer nenhum dos dois.
Eu já comentei mais de uma vez cá no blog que 2016 tem sido um ano difícil, com perdas e doenças graves entre amigos próximos e familiares. Novembro entrou com o início de um tratamento pesado de uma tia que já sabemos, a essa altura, ser apenas um paliativo; um susto no preventivo da D. Mãe (que, pelo menos essa graça, foi apenas um susto); uma gripe pesada que me nocauteou; bombas no trabalho para desarmar e a revisão de todo o trabalho do semestre para escrever o relatório de metas.
6 de novembro de 2016
Diário #NaNoWriMo - Primeira Semana

Eu disse antes, na página do Coruja no Facebook, mas me esqueci de informar por aqui: cometi esse ano a loucura de me inscrever no National Novel Writing Month ou NaNoWriMo para os íntimos - uma maratona de escrita em que o objetivo é terminar o mês de novembro com 50.000 palavras e um romance escrito.
3 de outubro de 2016
Desafio Corujesco 2016 - Um Livro com Título de uma Palavra Só || Possessão

De início, Roland trabalhava com aquela curiosidade concentrada com que sempre lia qualquer coisa escrita por Randolph Ash. Esta curiosidade era um misto de familiaridade e adivinhação; ele sabia como funcionava a mente de Ash, lera as coisas que ele lera, sentia-se como se possuído pelas características da sintaxe e da prosódia do autor. Enquanto lia, ia raciocinando antecipadamente, ouvindo o ritmo do que ainda não lera como se fosse ele que tinha escrito aquele texto, ouvindo no cérebro os ritmos espectrais do que ainda estava por escrever.
Primeira coisa a dizer sobre esse livro: a despeito do título e de algumas referências bastante discretas que têm mais a ver com o estado de espírito de certos personagens que cenas no estilo O Exorcista, o romance mais celebrado de A. S. Byatt não é uma história em que fantasmas de autores mortos possuem o corpo de estudiosos especialistas em suas obras para darem conclusão a sua história de amor (ou talvez seja exatamente isso que tenha acontecido, dependendo da sua escolha de interpretação dos fatos).
21 de agosto de 2016
#LendoSandman: Despertar

No último arco de Sandman damos um adeus definitivo a Morpheus e as boas-vindas a um novo aspecto de Sonho, encarnado pela parte imortal da alma de Daniel Hall. Celebramos a vida do Rei dos Sonhos, revemos muitos rostos familiares e lembramos que o outro lado da destruição é a criação - e que o final de uns representa o início de outros.
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16 de junho de 2016
Meu Autor, meu Herói - notas sobre leitura e escrevinhações
As duas citações com que abrimos este artigo revelam duas visões, duas abordagens diferentes: a primeira refere-se ao que chamamos na semiótica (estudo da linguagem, dos sinais) de emitente e a outra, ao destinatário da mensagem.O escritor é o duelista que jamais luta na hora marcada, que guarda um insulto como qualquer outro objeto curioso, um item de colecionador, despeja-o mais tarde sobre sua mesa e empenha-se verbalmente num duelo com ele. Algumas pessoas chamam isso de fraqueza. Eu chamo de adiamento... Pois ele preserva, coleciona o que depois vai explodir em sua obra.
- Anaïs Nin
Agrada-me concordar com o leitor comum, pois pelo senso comum dos leitores, não corrompidos por preconceitos literários, após todos os refinamentos da sutileza e do dogmatismo do aprendizado, são finalmente decididas todas as honras poéticas.
- Samuel Johnson
É exatamente sobre esses dois pontos de vista que versa esse ensaio, duas experiências completamente diferentes, ainda que complementares.
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14 de abril de 2016
#LendoSandman: Terra dos Sonhos

Entre um ato e outro de uma peça ou uma ópera, por vezes o teatro apresentava pequenas esquetes ou números musicais - uma forma de manter o público entretido no intervalo necessário à mudança de cenários e trajes. Embora seja um costume que tenha caído em desuso, o entreatos foi incorporado de forma satisfatória na tradição shakesperiana no que chamamos de peça dentro de uma peça: é o que ocorre, por exemplo, em Sonho de Uma Noite de Verão e A Megera Domada.
1 de agosto de 2015
Desafio Corujesco 2015: Livro com Título mais Diferente || A Manobra do Rei dos Elfos

– Cruzes! – disse Goethe quando uma garrafa de borgonha, ainda arrolhada, estourou na sua nuca com tamanha violência que o baque foi sentido em todo o seu corpo.
Descobri esse livro na estante de algum amigo e fiquei curiosa com o título – curiosidade que aumentou quando vi a sinopse e descobri que a história não era o relato de algum lance estratégico do eterno conflito entre Oberon e Titania. Em vez disso, tinha a ver com Goethe, Napoleão, reis perdidos e encontrados, teoria da conspiração crítica literária feita de forma física e, por vezes, com punhos.
Como eu poderia resistir a isso?
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