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15 de dezembro de 2022
A heroína de 1001 faces: O resgate do protagonismo feminino na jornada do herói

Como é estranho, e, ao mesmo tempo, lógico que tantas das nossas metáforas para contar histórias sejam advindas do campo discursivo da produção têxtil. Nós tecemos tramas, enovelamos histórias, compomos contos ou entrelaçamos os fios - uma lembrança de como o trabalho das nossas mãos produziu espaços sociais que promoveram o intercâmbio de histórias, primeiro, talvez, sob a forma de conversa fiada, fofocas e notícias, depois sob a forma de narrativas e outras pepitas de ouro carregadas de sabedoria divertida, transmitida de geração em geração.
Tão logo vi o título desse livro, cresci o olho para ele. Conhecia a Tatar pela coletânea anotada dos Contos de Fadas que a Zahar lançou por aqui, e a referência dupla que ele contém - à jornada do herói e Sherazade numa tacada só - é exatamente o tipo de isca que se usa para fisgar minha atenção. Convenientemente, ganhei-o de presente agora no fim do ano e ele atropelou toda a lista de leituras que tinha por fazer.
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12 de maio de 2021
Lugar Nenhum: sobre marginalizados, compaixão e diferentes significados de heroísmo

"(...) Nesse ponto, faltou uma boa metáfora. Havia muito que deixara para trás o mundo das metáforas e comparações, passando para o lugar das coisas que são, e isso o estava transformando."
Mais uma releitura, embora esta estivesse prevista há tempos na minha lista: a primeira vez que li Lugar Nenhum foi numa edição da Conrad (tanto tempo atrás que não tenho nem o registro de quando o li), texto que foi editado por Gaiman, com vários cortes e acréscimos, saindo por aqui pela Intrínseca em 2016, com nova tradução e o aviso de ser o “texto preferido do autor”.
2 de dezembro de 2020
A Jornada da Heroína: em busca de conexão

"To get us started on the right path, so to speak:
HERE IS THE HERO’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly isolated protagonist stomps around prodding evil with pointy bits, eventually fatally prods baddie, gains glory and honor.
HERE IS THE HEROINE’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly networked protagonist strides around with good friends, prodding them and others on to victory, together."
Descobri a Gail Carriger através da série O Protetorado da Sombrinha, lá nos idos de 2011 e, desde então, sou fã da autora. Carriger tem um humor que muito me agrada, de protagonistas deliciosamente sarcásticas e melhores amigos fabulosamente purpurinados (lá se vão quase dez anos e Lorde Akeldama ainda é um favorito); casais que começam a trama às turras, intrigas palacianas, inventores loucos, vampiros, lobisomens, tudo isso num cenário vitoriano steampunk. Assino a newsletter dela há tempos e vinha acompanhando seus comentários sobre estar escrevendo um livro de não ficção com extrema curiosidade. Mais ainda por se tratar de um livro com o esquema paralelo ao da Jornada do Herói.
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30 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte V: Dando um Trato no Roteiro

Falei um bocado de Campbell, de histórias, dei vários exemplos bastante acessíveis, e agora é a hora de resumir tudo o que aprendemos e simplificar para entender como todos os estágios da jornada nos ajudam a criar uma história universal, histórias que geram empatia, com as quais somos capazes de nos identificar. Para isso, vou usar Vogler, que reduz e renomeia algumas das fases que já acompanhamos, trazendo a teoria de Campbell para o mundo dos roteiros e da cultura pop, fora da busca por significados místicos que está extremamente presente no professor.
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23 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte IV: Retorno

Terminada a jornada e alcançado o objetivo, é o momento de o herói voltar para casa e descansar sobre seus louros, levando consigo aquilo que ganhou/aprendeu para compartilhar com a comunidade que deixou para trás no início do caminho. Ou… quem disse que seria tão fácil assim?
Na fase do retorno, espelhamos os acontecimentos da primeira parte do ciclo, iniciando com a recusa do retorno. Afinal, o herói, no mundo extraordinário em que penetrou ao atravessar aquele primeiro limiar, foi elevado de sua posição original para um status quase divino. Considerando que há grandes possibilidades de seu retorno, em vez de ser celebrado, render-lhe o apelido de “Mad Baggins”, porque voltar? Depois de tantas aventuras, tanta adrenalina e excitação, como conseguir se reacostumar à calmaria?
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16 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte III: O Caminho das Provas

Tendo atravessado o limiar, o herói se vê num mundo completamente diferente do seu, um mundo em que ele deverá passar por testes e provações para demonstrar seu valor. Esse estágio da jornada, que costuma ser o momento em que se constrói tensão dentro da narrativa e se desenvolve o caráter do herói, é chamado por Campbell de o caminho das provas. Os doze trabalhos de Hércules ou ainda a história de Psique, descendo ao Mundo Inferior sob as ordens de Afrodite para ter oportunidade de reencontrar Eros ao fim de suas tribulações, são bons exemplos dessa etapa.
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12 de maio de 2017
The Great (Owl) Game - Sorteio de Oito Anos do Blog
Era para eu ter postado isso já há alguns dias, mas por razões várias, acabei só conseguindo me sentar com calma para resolver os detalhes do sorteio de aniversário dos oito anos do Coruja agora. E sim, se vocês acompanham o blog por esse tempo todo, devem estar estranhando o fato de eu só falar em sorteio, mas... esse ano começou brutal, continua na mesma veia e por isso faltou tempo para pesquisar e organizar a tradicional gincana, nosso grande jogo corujesco...
9 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte II: O Chamado da Aventura

A jornada do herói pensada por Joseph Campbell é, reduzida a sua essência, um ciclo em três partes, sendo a primeira delas a separação ou partida. Nessa fase da narrativa somos apresentados ao herói, que vive uma existência mundana, comum, até receber o chamado da aventura - o estágio introdutório do monomito.
Frequentemente, um arauto anuncia a aventura. Essa é a figura que empurra o herói a avançar na história: ele não é necessariamente um personagem, podendo ser apenas um acontecimento, um marco que dá o impulso inicial para o que acontecerá a seguir. A figura do arauto também pode se confundir com a do mentor e do vilão - facetas arquetípicas possíveis num mesmo personagem, sobre os quais falaremos em outra parte desse especial.“Pequeno ou grande, e pouco importando o estágio ou grau da vida, o chamado sempre descerra as cortinas de um mistério de transfiguração - um ritual ou momento de passagem espiritual que, quando completo, equivale a uma morte seguida de um nascimento. O horizonte familiar da vida foi ultrapassado; os velhos conceitos, ideais e padrões emocionais, já não são adequados; está próximo o momento de passagem para um limiar.”
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4 de maio de 2017
A Jornada do Herói - Parte I: Mito, Sonhos e Estruturas Narrativas

O Coruja está hoje completando oito anos de existência e é claro que a data não poderia passar em branco: é tempo de um novo especial-quase-monografia e o tema deste ano é um que me é muito caro e sobre o qual há tempos eu queria escrever: a Jornada do Herói, ou monomito, a sopa primeira que experimentamos do caldeirão de histórias. Acredito que todo mundo que goste de fantasia seja razoavelmente familiar com os conceitos que vamos trabalhar por aqui, mas de toda maneira, comecemos pelo começo.
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12 de maio de 2016
Lumos - Parte II: A Jornada dos Heróis

Por que Harry Potter fez e faz tanto sucesso? Há três bons motivos para isso: a criatividade com que Rowling ergue o mundo mágico, incorporando folclore e mitologia, nos dando, com isso, a ilusão de realidade; um enredo envolvente, e personagens não apenas carismáticos, mas com quem podemos nos identificar.
O Beco Diagonal, Hogwarts, Hogsmead, o Ministério da Magia, a casa dos Weasley, centauros e sereianos e aranhas gigantes, feitiços e poções, política e sociedade - a cada novo item que adicionamos à lista, a sopa vai ficando mais saborosa. Sem entrar na questão de Os Livros da Magia ou Crestomanci, a verdade é que muito do que aparece nas páginas de Rowling nos é de alguma forma familiar.
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