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11 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Segunda Estrela à Direita até o Amanhecer (ou livros infantis para não perder o rumo)


Na minha última releitura de As Crônicas de Nárnia, passei um bom tempo ruminando a dedicatória do livro, a afirmação de que “um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas”. Desconfio de que, quando li essa frase pela primeira vez, não lhe dei a devida atenção, mas, quase vinte anos depois, ela se tornou uma citação que eu gostaria de pendurar na parede e ver todos os dias.


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4 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Quanto Maior a Altura, Maior a Queda


Com a criação das primeiras estrelas por Varda, despertaram na Terra-média os Primogênitos de Ilúvatar. Quando Oromë, o Vala caçador, encontrou-os pela primeira vez, eles já tinham se separado em três grandes clãs, que mais tarde seriam chamados Vanyar, "belos elfos"; Noldor, "elfos-profundos" e Teleri, "elfos-do-mar". Oromë os chamou, em sua própria língua, de eldar, ‘o povo das estrelas’.


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23 de abril de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - O Bardo é Pop


Assisti por esses dias montagens de Hamlet e Romeu e Julieta no Globe, em Londres - disponibilizadas por streaming no YouTube do teatro - e me surpreendi em como duas das mais clássicas tragédias do bardo me provocaram crises de riso. Não, eu não surtei (ainda) e virei uma pessoa sádica que se diverte com o sofrimento alheio. Ocorre que a dinâmica de palco dessas histórias foi apresentada de forma muito diferente do que vemos em filmes, que é a maneira mais comum de termos contato com as obras de Shakespeare.


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12 de março de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Albus Dumbledore: mago, mentor, manipulador


“Eis o ponto comum de todas as variantes do heroísmo concebidas pelo folclore universal: a criatura privilegiada ou eleita com vistas a tarefas sobre-humanas só pode ser um rejeitado, uma criança abandonada, sacrificada, crivada de golpes por aqueles mesmo que têm o dever de protegê-la. Não que o herói seja exaltado unicamente em virtude da resistência de que dá provas nos infortúnios de seus primórdios, sendo-o sobretudo porque, expulso de casa e assim obrigado a romper os laços de sangue, liberta-se das coerções carnais e espirituais que constituem o essencial da fatalidade para o homem comum. O mito não tem outra sabedoria a transmitir sob suas metamorfoses e prodígios, pois, embora diga claramente que ninguém é profeta em seu país, o faz sempre mostrando que só é profeta o homem sem família nem vínculos, o filho da pessoa que se engendra a si próprio em suas obras, o exilado que não conhece volta, sendo por isso mesmo escolhido para os mais elevados destinos.”

Quando li o trecho acima no livro Romance das Origens, Origens do Romance, da crítica francesa Marthe Robert, pensei na Jornada do Herói, sobre como os “escolhidos” de várias histórias começavam sempre como órfãos, a ausência de figuras parentais fortes sendo um requisito básico para a existência do Chosen One - e como quase sempre há um mentor nos bastidores bem versado nas artes da manipulação para empurrar o herói ao caminho certo; um caminho que não raro passa por auto-sacrifício.


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17 de outubro de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Um Anjo, uma Serpente e um Plano Infalível... digo, Inefável


Inefável. adj. 1. Que não se pode exprimir por palavras por ser naturalmente complexo, intenso ou belo; indescritível. 2. Que provoca grande prazer ou contentamento; inebriante. 3. Designação de Deus. Perfeição e beleza que não pertencem ao plano terreno, mas sim celestial.

Se eu tivesse de pegar um único livro para levar para uma ilha deserta, ele seria Belas Maldições. É uma escolha um pouco mais fácil do que simplesmente dizer “esse é meu livro favorito”, porque tenho preferidos em diferentes gêneros, e não há tanto como compará-los. Mas esse título junta dois dos meus escritores favoritos e é um baú do tesouro de personagens, diferentes linhas narrativas, interpretações e possibilidades imaginativas de continuação.


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8 de outubro de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Um Atlas Particular de Lugares (não tão) Imaginários


Num dos ensaios do livro Confissões de um Jovem Romancista, Umberto Eco observa como certos personagens da ficção se tornam tão verídicos para seus leitores que passamos a buscar por eles em lugares reais. São o que ele chama de ‘personagens flutuantes’, conhecidos mesmo de quem nunca pegou o livro de onde eles se originaram. É esse efeito que levou centenas de pessoas a escreverem para Conan Doyle, chamando-o de carniceiro pela morte de Sherlock Holmes (mesmo antes disso, eram aqueles que escreviam para Doyle acreditando que ele poderia encaminhar suas correspondências para o bom doutor Watson); e que deu origem ao Bloomsday, a celebração da jornada de Leopold Bloom, o protagonista do Ulisses de James Joyce.


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5 de setembro de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Dez razões para participar de um Clube de Leitura


Ano que vem, o clube do livro de bolso, do qual sou mediadora, também completa dez anos de existência. Achei justo, portanto, falar sobre ele nos ensaios de aniversário do blog, aproveitando ainda o gancho de várias discussões que venho acompanhando sobre a fomentação à leitura para compartilhar as experiências do grupo. Afinal, clubes de leitura são excelentes instrumentos para ajudar na formação de leitores; são relativamente fáceis de organizar, transformando-se em ambientes informais de aprendizado e reflexão - e é também um bom lugar para se fazer amigos.

O 'clube do livro de bolso', do qual faço parte, nasceu de um grupo de leitores de Jane Austen, mas cresceu para abarcar outros gêneros. O foco são clássicos, mas numa interpretação bem ampla (eu diria calviniana) do que sejam clássicos, pulando de Shakespeare para Bradbury, Agatha Christie para Dostoiévski, Dumas para Veríssimo. Como se percebe do nome, concentramos as escolhas em livros de bolso, até como forma de democratizar o acesso, porque essas edições costumam ser mais baratas. Essa era uma preocupação especialmente no início do clube; hoje em dia, ainda tentamos escolher livros que tenham mais de uma edição e caibam no bolso de todo mundo, mas não nos furtamos a ler títulos mais contemporâneos, que não tenham tantas opções.


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25 de maio de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Who Run the Discworld? Girls!


Comecei a ler Pratchett pelo humor; continuei pelas protagonistas femininas. Já contei essa história aqui antes: eu tinha uns dezesseis para dezessete anos e me deparei com os primeiros volumes da série Discworld numa livraria perto do colégio. As capas e sinopses me chamaram a atenção e me abolotei por lá para ler no meu intervalo entre aulas - primeiro A Cor da Magia, depois, A Luz Fantástica. Embora tenham me feito rir, fosse só pelas desventuras de Rincewind e Duasflor, talvez eu tivesse ficado por aí e perdido o interesse... não fosse por Direitos Iguais, Rituais Iguais: Eskarina e a vovó Cera do Tempo são as responsáveis por me transformar numa devota seguidora de sir Terry Pratchett.


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15 de maio de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Biblioteca Corujesca de Crítica Literária


Um tempo atrás, comentei em algum lugar o quanto gostava de livros de crítica literária, e recebi pedidos de falar sobre o assunto. Anotei na minha caderneta de pautas, mas deixei a ideia passar no meio de outras questões. Tempos depois, conversando com a Fernanda, do blog The Bookworm Scientist, comentei sobre o tanto que estava lendo de livros que falavam sobre livros e sobre o processo de escrever outros livros (não fiquem confusos!). Ela, então, disse algo como “você bem que podia escrever um resumo dessa biblioteca para dar uma ideia do que existe por aí”.


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4 de maio de 2019

Dez Anos em Dez Ensaios - Duplo Código: Adicionando Camadas de Interpretação à 'A Abadia de Northanger'

Vista da Pulteney Bridge em Bath. Acervo pessoal.

Uma característica marcante de vários dos meus escritores e livros favoritos é a presença de alusões a obras ou fatos históricos, qualquer pequena brincadeira que me passasse a impressão de estar compartilhando um segredo com o autor - uma piscadela de olho, por assim dizer. Chamava isso de ‘palavras cruzadas literárias’, ao menos até descobrir, lendo um ensaio do Umberto Eco no livro Confissões de um Jovem Romancista, que isso se tratava de uma técnica pós-moderna chamada ‘ironia intertextual’. Nas palavras dele, explica-se tal recurso como “citações diretas de outros textos famosos ou referências mais ou menos transparentes a eles”, frequentemente associada à metarrativa, “reflexões que o texto faz acerca de sua própria natureza, quando o autor fala direto ao leitor”.


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29 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte V: Problemático e Inspirador (ou conclusões narnianas)


Eu não era exatamente uma criança - supostamente, o público alvo da obra - na época em que li As Crônicas de Nárnia pela primeira vez. Mesmo assim, a história teve um profundo apelo emocional para mim. Tinha recém-entrado na faculdade, era a caçula nas minhas duas turmas (porque eu estava fazendo dois cursos pesados ao mesmo tempo), e tinha certeza de que abocanhara mais do que conseguia mastigar. Nárnia respondia à minha necessidade de histórias, de fantasia, de conforto e de esperança.


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21 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte IV: Começo e Fim


Eis então que chegamos ao começo… e também ao final de nossa saga. Porque, embora cronologicamente O Sobrinho do Mago seja a primeira das crônicas narnianas, foi o penúltimo livro a ser publicado e isso faz diferença na hora de lê-lo; trata-se de uma história que entrega respostas, que explica mistérios e, embora isso seja importante para a compreensão da mecânica do mundo criado por Lewis, também resulta numa certa perda da magia da primeira descoberta, tal como ocorre em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.


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15 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte III: Reis e Rainhas de Nárnia


Ao final de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, os irmãos Pevensie - que cresceram e passaram anos como reis e rainhas - retornam para casa, para o mundo mundano; mas retornam do ponto em que começaram a jornada, como crianças, ainda que com memórias de uma outra vida inteira passada. Um ano mais tarde, esperando na estação de trem para seguirem para o colégio em que estudam, são repentinamente chamados de volta para Nárnia. E, para seu choque, descobrem que mais de mil anos se passaram desde que sentaram nos tronos de Cair Paravel.


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9 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte II: Através do Guarda-Roupa, de Desertos de Neve e Areia


O primeiro ponto a se discutir quando começamos a leitura de As Crônicas de Nárnia é a ordem pela qual se fará a leitura. De princípio, verdade seja dita, seguir uma ordem fixa é algo desnecessário, porque os sete livros que formam a saga são aventuras independentes, capazes de fazer sentido por si só. Contudo, considerando referências feitas ao longo das histórias e o impacto de certas cenas, por onde você começa pode fazer muita diferença.


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4 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte I: Um Mago Professor


Vez que em 2018 celebramos 120 anos do nascimento de Clive Staples Lewis - mais popularmente conhecido pelas iniciais - decidi que era tempo de adentrar o guarda-roupa e explorar sua mais famosa criação. A data oficial é novembro, mas como todos aqui sabem, maio é o aniversário do Coruja e isso significa um especial quase monográfico sobre alguma obra, autor ou personagem favorito desta que vos escreve. Somando tudo, como eu poderia resistir a fazer o especial desse ano sobre Nárnia?


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8 de abril de 2018

Sobre Pratchett, traduções e como ler a série Discworld


Ano passado, quando Homens de Armas tinha sido anunciado pela Bertrand, lembro que houve um debate no grupo Discworld Brasil sobre qual seria a melhor tradução para o título. Para esse ano, a editora já confirmou a publicação de Soul Music e Wintersmith (além de The Long Earth, que não pertence à série Discworld) e a questão dos títulos voltou a surgir na comunidade.


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16 de março de 2018

Projeto Arda: O Mundo Começa com uma Canção


No início, era o vazio. Eru, o único, conhecido também como Ilúvatar, criou primeiro os Ainur, chamados ‘os Sagrados’. Existindo os Ainur, Eru lhes apresentou a Canção: três temas musicais a partir dos quais o Universo, e tudo o que nele existe, foi concebido.

O primeiro mote era uma sinfonia vibrante e repleta de transições; a música e seu eco “saíram para o Vazio e este não estava mais vazio”. Uma dissonância, porém, cortou-a: Melkor, que dos Ainur era aquele a quem fora concedido maiores dons de poder e conhecimento, entremeou à harmonia sua própria improvisação, de tal forma que não foi possível continuar.


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21 de outubro de 2017

All Hollow’s Read: Romance Gótico, Uma História


É difícil traçar as origens do Horror como gênero literário porque, sendo derivado de uma emoção primeva (talvez uma das primeiras que o Homem, saindo das Cavernas, sentiu), nossas histórias de terror têm suas raízes numa tradição oral, religiosa e folclórica. O desconhecido nos causa medo e, durante muito tempo, tudo o que nossos olhos alcançavam nos era desconhecido. Ou, como Lovecraft muito bem resume no ensaio Horror Sobrenatural em Literatura, “a mais antiga e poderosa emoção da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e forte é o medo do desconhecido”. A mitologia nasceu da necessidade de explicar o mundo ao nosso redor e é óbvio que parte dessas explicações passam pelo ciclo da morte - gerando, muitas vezes, contos de espanto e repulsa. Afinal, quantos não são os heróis mitológicos que descem ao mundo dos mortos? E não são todas essas jornadas caminhos feitos no escuro, sob forte tensão, capazes de causar lágrimas, desespero e, claro, horror?


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30 de maio de 2017

A Jornada do Herói - Parte V: Dando um Trato no Roteiro


Falei um bocado de Campbell, de histórias, dei vários exemplos bastante acessíveis, e agora é a hora de resumir tudo o que aprendemos e simplificar para entender como todos os estágios da jornada nos ajudam a criar uma história universal, histórias que geram empatia, com as quais somos capazes de nos identificar. Para isso, vou usar Vogler, que reduz e renomeia algumas das fases que já acompanhamos, trazendo a teoria de Campbell para o mundo dos roteiros e da cultura pop, fora da busca por significados místicos que está extremamente presente no professor.


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23 de maio de 2017

A Jornada do Herói - Parte IV: Retorno


Terminada a jornada e alcançado o objetivo, é o momento de o herói voltar para casa e descansar sobre seus louros, levando consigo aquilo que ganhou/aprendeu para compartilhar com a comunidade que deixou para trás no início do caminho. Ou… quem disse que seria tão fácil assim?

Na fase do retorno, espelhamos os acontecimentos da primeira parte do ciclo, iniciando com a recusa do retorno. Afinal, o herói, no mundo extraordinário em que penetrou ao atravessar aquele primeiro limiar, foi elevado de sua posição original para um status quase divino. Considerando que há grandes possibilidades de seu retorno, em vez de ser celebrado, render-lhe o apelido de “Mad Baggins”, porque voltar? Depois de tantas aventuras, tanta adrenalina e excitação, como conseguir se reacostumar à calmaria?


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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