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16 de junho de 2023
Resumo da Ópera - Acelerado em 3x na Via Expressa

Fazendo um balanço do meu sabático, cheguei a conclusão de que, mesmo sem me colocar a obrigação de resenhar o que leio (e de escolher minhas leituras já pensando em resenhá-las), não houve muita diferença na quantidade de volumes que me passam pelas mãos: continuo devorando tudo de forma rápida e voraz.
Mesmo sem ter colocado oficialmente metas de leitura para o ano (“vou ler um livro por semana” ou “vou terminar a bibliografia de fulano e sicrano”), ou prazos de qualquer tipo (exceto para as leituras do clube do livro, por razões óbvias), cheguei à conclusão que estou tão ‘treinada’ em certos comportamentos que continuo a ter dificuldade de diminuir o ritmo e, bem, essa era a verdadeira meta para esse ano.
[E isso me faz lembrar uma tirinha do Raphael Salimena sobre a produtividade do lazer…]
Devo me resignar simplesmente a ser uma pessoa meio acelerada mesmo quando não estou acelerando rumo a um objetivo específico? Coisas para discutir na terapia…
Enfim, elucubrações sobre a velocidade da vida cotidiana à parte, o que não mudou (e nem faço assim tanta questão de mudar) é a vontade de trocar figurinhas sobre as coisas que leio. O que significa que… sim, estamos na época de mais um maravilhoso Resumo da Ópera por aqui no blog.
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Resumo da Ópera
sobre escrever
17 de janeiro de 2023
Só Você Pode Salvar a Humanidade: uma história sobre guerra e jogos, na pena de sir Pratchett

“Como vocês podem ser os mocinhos se estão jogando bombas inteligentes na chaminé das pessoas? E explodindo as pessoas só porque elas estão sendo governadas por um maluco?"
Tenho por tradição começar o ano com uma primeira leitura pratchettiana. Não tenho mais volumes do Discworld para ler (não que isso seja um problema, releituras também são válidas), mas há algumas séries e volumes únicos de histórias fora do mundo do Disco.
30 de dezembro de 2022
Babel, ou a Necessidade de Violência: uma História Arcana da Revolução dos Tradutores de Oxford

Ele sentiu uma dor aguda no peito enquanto Cantão desaparecia no horizonte, e então um vazio posto em carne viva, como se um gancho tivesse arrancado seu coração de seu corpo. Não havia registrado até agora que ele não pisaria em sua terra natal novamente por muitos anos, se é que voltaria. Ele não tinha certeza do que fazer com esse fato. A palavra perda era inadequada. A perda significava apenas uma falta, significava que algo estava ausente, mas não abrangia a totalidade dessa separação, esse desancorar aterrorizante de tudo o que ele já havia conhecido.
Babel: an Arcane History apareceu em uma série de listas de melhores livros desse ano, ganhou o prêmio de ficção especulativa da Barnes & Noble e foi também um dos nomeados para melhor fantasia do Prêmio Goodreads Choice. Normalmente, fico com um pouco de pé atrás com unanimidades desse tipo; mas a Kuang estava na minha lista por já ter sido indicada como autora de uma das melhores fantasias do século (a trilogia A Guerra da Papoula). Eu ainda não a li, porque tenho relutado muito para iniciar séries, mas Babel era um volume único e ainda tinha algo a ver com linguagem e interpretação pelo que percebi da sinopse. Como eu poderia resistir?
23 de dezembro de 2022
O Resumo da Ópera: preparem as cortinas!

Fim do ano chegou e também aquela última rodada de resenhas em que faço um apanhado das leituras do semestre que não ganharam análises mais longas, mas sobre os quais ainda quero falar.
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15 de dezembro de 2022
A heroína de 1001 faces: O resgate do protagonismo feminino na jornada do herói

Como é estranho, e, ao mesmo tempo, lógico que tantas das nossas metáforas para contar histórias sejam advindas do campo discursivo da produção têxtil. Nós tecemos tramas, enovelamos histórias, compomos contos ou entrelaçamos os fios - uma lembrança de como o trabalho das nossas mãos produziu espaços sociais que promoveram o intercâmbio de histórias, primeiro, talvez, sob a forma de conversa fiada, fofocas e notícias, depois sob a forma de narrativas e outras pepitas de ouro carregadas de sabedoria divertida, transmitida de geração em geração.
Tão logo vi o título desse livro, cresci o olho para ele. Conhecia a Tatar pela coletânea anotada dos Contos de Fadas que a Zahar lançou por aqui, e a referência dupla que ele contém - à jornada do herói e Sherazade numa tacada só - é exatamente o tipo de isca que se usa para fisgar minha atenção. Convenientemente, ganhei-o de presente agora no fim do ano e ele atropelou toda a lista de leituras que tinha por fazer.
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14 de novembro de 2022
Toil & Trouble: uma história do Oculto pela ótica feminina

E assim, chegamos à ideia de bruxaria e ocultismo como ativismo, como rebelião. Após tudo o que vimos, o título de bruxa, com todas as suas conotações complicadas, foi reivindicado com entusiasmo.
Estiquei o olho para Toil and Trouble tão logo me dei conta de que se tratava de uma obra das mesmas autoras de Monster, She Wrote. Aqui, contudo, em vez de uma coletânea de breves biografias de escritoras pioneiras no horror/terror, Lisa Kröger e Melanie Anderson nos apresentam um apanhado histórico feminista do que chamamos, de forma genérica, de Oculto.
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7 de novembro de 2022
Presença de Antígona: o poder subversivo dos mitos antigos

Antígona foi encenada pela primeira vez em Atenas, em (supõe-se) 442 a.C. Hoje é encenada no mundo inteiro. Desde 2016 tem sido apresentada, com outro enfoque, em Ferguson, no Missouri, e em Nova York. Antigone in Ferguson foi criada por Bryan Doerries depois do assassinato de Michael Brown Jr, rapaz de dezoito anos, por um policial, em 2014. É a leitura de uma adaptação da peça de Sófocles seguida por uma discussão com integrantes da comunidade, policiais e ativistas, sobre raça e justiça social.
Por que não se limitar a escrever uma peça sobre a morte de Michael Brown? Por que recorrer a Antígona para refletir sobre essa tragédia? Parte da resposta deve ser que o mito nos permite investigar situações extremas sem cair na deselegância de dramatizar detalhes específicos da morte de um jovem. E por isso os gregos antigos tomavam a mitologia como material para as tragédias. Peças encenadas sobre eventos contemporâneos causavam muito sofrimento a quem assistia. Os mitos gregos abordam também temas difíceis, sobre abusos de poder e fraquezas humanas. A possibilidade de explorar questões como, por exemplo, o que torna boa uma liderança ou como resistir ao Estado fascista permite projetar diretamente esses temas em eventos particulares locais.
Esse livro me conquistou de cara pelo título e subtítulo - sério, adoro quando se fala no clássico subvertendo expectativas. É um volume curtinho, de leitura bem rápida e fluida, que costura referências modernas com mitologia, exploradas especialmente de um ponto de vista feminista.
27 de outubro de 2022
A Vertigem das Listas: Dez Grandes Estadistas

Lulu: Como estamos esse mês em período de eleições, decidi celebrar esse evento cívico em que exercemos mais que nunca nossa cidadania com um vertigem que traz Dez Grandes Estadistas.
Eu poderia passar algumas horas aqui tratando do que é ser um estadista, sobre cidadania e democracia (o que é um tanto irônico a se considerar que nem todos os estadistas da minha lista são exatamente o que se chamaria de democratas…), mas acho que isso fará mais sentido nas explicações das escolhas.
1 de agosto de 2022
O Infinito em um Junco: a invenção dos livros no mundo antigo

Cresci, mas continuo mantendo uma relação muito narcisista com os livros. Quando um relato me invade, quando sou impregnada por sua chuva de palavras, quando entendo de forma quase dolorosa o que ele conta, quando tenho certeza—íntima, solitária—de que aquele autor mudou minha vida, volto a acreditar que eu, especificamente eu, sou a leitora que esse livro estava procurando. Nunca perguntei se alguém sente algo parecido. No meu caso, tudo remonta ao país da infância, e acho que há um motivo essencial: meu primeiro contato com a literatura foi em forma de leitura em voz alta; em forma de encruzilhada em que confluem todos os tempos—o presente da escrita e o passado da oralidade; de um pequeno teatro com um só espectador, de citação fiel e de prece libertadora. Se alguém lê para você, é porque deseja o seu prazer; trata-se de um ato de amor e um armistício em meio aos embates da vida. Enquanto você escuta a história, com uma atenção sonhadora, o narrador e o livro se fundem numa única presença, numa única voz.
Não tinha ouvido falar desse livro antes dele aparecer em pré-venda, mas assim que bati o olho, a poeticidade do título me chamou a atenção. E o subtítulo também, claro, afinal, se tenho uma fraqueza bem conhecida, são livros que falam de livros. Assim é que coloquei O Infinito em um Junco na minha lista de “fiquei curiosa” e esperei pela oportunidade de folheá-lo e assim determinar seu nível de prioridade de aquisição.
13 de julho de 2022
Robinson Crusoé e o mito do individualismo

Resumindo, depois de sérias reflexões, a natureza e a experiência me ensinaram que todas as coisas boas do mundo deixam de ser boas para nós quando não nos são mais úteis; e que tudo o que podemos acumular, e um dia deixar para os outros, só nos dá prazer na medida em que podemos usar, e não mais do que isso. O avarento mais sovina e ambicioso do mundo teria se curado do vício da cobiça se estivesse em minha situação, porque eu possuía infinitamente mais do que podia imaginar o que fazer com tanto.
Após deixar a casa paterna e passar por várias aventuras e infortúnios, o marinheiro amador Robinson Crusoé naufraga na região do Caribe e termina sozinho numa ilha deserta. Ali ele vai passar os próximos vinte e oito anos buscando sobreviver em seu isolamento, até a maré da sorte virar a seu favor, o que começa quando ele salva um indígena da tribo de canibais da região, a quem dará o nome de Sexta-Feira.
3 de junho de 2022
O Resumo da Ópera: perdida na biblioteca

Chegamos ao meio do ano e, como de praxe, é tempo de fazer um apanhado geral das leituras que não ganharam análises mais completas cá no blog. Sim, sim, vamos a mais um Resumo da Ópera!
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20 de maio de 2022
Lendo Perigosamente: o poder subversivo da literatura em tempos difíceis

"Como lidamos com sentimentos de frustração e raiva diante do absolutismo? Como confrontamos as mentiras e as substituímos pela verdade? Como resistimos à injustiça e evitamos ficar paralisados por fantasias de vingança? Como nos tornamos justos para com aqueles que foram injustos conosco? Como lidamos com nosso inimigo sem nos tornarmos como ele ou nos rendermos a ele?
Recorro à ficção porque responder a essas perguntas e lidar com nossos adversários requer, antes de tudo, compreensão, e para isso precisamos do poder imaginativo que a ficção cultiva. Na ficção, como na vida real, o enredo avança e o personagem se desenvolve por meio de oposição e conflito. A oposição pessoal, política ou literária sempre pode encontrar uma forma. E estou interessada aqui em explorar os diferentes formatos e moldes de oposição literária e real que podem levar a uma mudança de perspectiva. Porque a mudança é difícil de efetuar, e as diferenças muitas vezes parecem intransponíveis, e a literatura nos ensina como somos compelidos a agir de certas maneiras, levando-nos a perguntar “Como podemos mudar o mundo?” seguido por "Como podemos mudar a nós mesmos?""
Na newsletter mensal que recebo do Goodreads sou informada dos lançamentos de autores que já li e registrei no sistema. Foi assim que descobri que descobri Read Dangerously, da Azar Nafisi - que eu conhecera pelo excelente Lendo Lolita em Teerã (e bem merecia uma reedição).
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31 de janeiro de 2022
Conversas Sobre o Tempo #10 - Aquele em que fazemos muito barulho por alguma coisa

No conto Ado, da Connie Willis, uma professora de literatura tenta encontrar uma das peças de Shakespeare para ensinar em sua classe. Várias injunções protocoladas por organizações diversas - como a Real Sociedade para a Restauração do Direito Divino dos Reis, a Aliança das Mulheres Furiosas, a Liga Anti-Difamação e os Agentes Funerários Internacionais - proíbem o debate de palavras, falas ou peças inteiras, extirpando tudo o que possa haver de minimamente ofensivo nas histórias até que sobre pouco mais que algumas frases soltas em Hamlet.
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30 de novembro de 2021
A Vertigem das Listas: Dez Separações Dramáticas

Lulu: Passei os últimos tempos assistindo documentários sobre desastres naturais e depois de vários capítulos sobre super terremotos causados pela placas tectônicas, o tema do vertigem desse mês é totalmente bizarro e a Ísis vai me matar, mas tudo bem! Apresento-lhes assim… Dez Separações Dramáticas (e Traumáticas)!
Prometo não ser completamente óbvia com as minhas escolhas. Vamos ver o que achamos no baú de pensamentos desencontrados da Coruja… Ah, sim, e antes que eu me esqueça, alerta para spoilers a seguir (afinal, algumas das separações aconteceram no final de suas respectivas histórias…)
21 de outubro de 2021
The Five: a história não contada das mulheres assassinadas por Jack, o Estripador

Insistir que Jack, o Estripador, matou prostitutas também torna a história de uma série grotesca de assassinatos um pouco mais palatável. Assim como ocorria no século XIX, a noção de que as vítimas eram "apenas prostitutas" procura perpetuar a crença de que há mulheres boas e más; madonas e prostitutas. Sugere que existe um padrão aceitável de comportamento feminino e que as que se desviam dele devem ser punidas. Igualmente, ajuda a reafirmar o duplo padrão, exonerando os homens dos erros cometidos contra essas mulheres.
Lembro-me vagamente de quando estive em Londres sozinha, em 2014, descer do ônibus em Whitechapel a caminho de algum outro lugar, olhar as placas pelo caminho e pensar com meus botões "então foi por aqui que Jack andou fazendo das suas". Não cheguei a explorar nada no caminho, mas fiquei com o personagem na cabeça um bom tempo. Até cheguei a pensar em fazer um daqueles passeios guiados, mas não tinha tempo dentro da minha programação.
30 de setembro de 2021
Conversas Sobre o Tempo #06 - Aquele em que falamos de tempos interessantes

Eu tinha acabado de completar quinze anos. Ganhei um monte de anéis (nunca entendi exatamente de onde vinha essa tradição…) e também O Senhor dos Anéis, que comecei a ler no dia seguinte. Fazia parte de um programa da escola que estendia minhas aulas em período integral por metade da semana - naqueles dias, estava às voltas com a preparação que o grupo de física faria na Feira de Ciências. Estava também ensaiando para o Festival de Setembro, um evento grandioso do colégio, que juntava todos os departamentos de artes - eu era membro do coral.
28 de setembro de 2021
A Vertigem das Listas: Dez Intrépidos Aventureiros

Lulu: Engraçado que eu imaginava com meus botões que já tinha feito alguma lista no vertigem sobre aventureiros de várias marcas… mas, aparentemente, eu não tinha usado exatamente esse tema, apenas alguns tipos de aventureiros específicos (como piratas, por exemplo).
Enfim, eu gosto muito daquele ideal de personagem que nunca diz não para uma boa aventura, disposto a explorar lugares nunca antes vistos, ir até onde pessoa alguma foi. E assim é que chegamos ao vertigem desse mês, meu aniversário, um presente para mim mesma: Dez Intrépidos Aventureiros, aqueles que ousaram seguir adiante!
14 de setembro de 2021
Square Haunting: Cinco Mulheres, Liberdade e Londres Entreguerras

A sala de estar, escreveu Harrison, foi designada território da esposa, mas permaneceu um espaço público, como 'a sala em que os “visitantes são introduzidos” - uma sala na qual você não pode se acomodar para pensar, porque qualquer pessoa pode entrar a qualquer momento'. O escritório do marido, ao contrário, era "um lugar inviolado, guardado por tabus imemoriais", onde o homem da casa "pensa, aprende e sabe"; havia, Harrison notou, "raramente duas cadeiras" na sala. A presença em quase todas as casas desses dois cômodos polarizados, ela sugeriu, servia como alegoria para a recusa da sociedade em levar as mulheres a sério. "A casa onde você não pode e não deve sentar no escritório não é para mim um lar", escreveu Harrison. ‘Mas, então, há muito sei que não sou uma "mulher verdadeira". Um dos sinais mais nefastos dos tempos é que as mulheres estão começando a exigir um estúdio para si.'
Começo hoje dizendo que não faço a menor ideia de como esse livro veio parar na minha mão. Eu jurava que o tinha visto recomendado no perfil do Literatura Inglesa Brasil, mas antes de me sentar para começar essa resenha, fui tirar a prova dos nove e não encontrei lá nada sobre o livro de Francesca Wade. Enfim, eu devo tê-lo visto talvez em alguma lista, ou nas indicações do Goodreads e coloquei na lista pela referência a escritoras, Londres e o período entre a Primeira e Segunda Guerra.
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8 de setembro de 2021
Hibisco Roxo: Encontrando a Própria Voz

Naquele instante, percebi que era isso que tia Ifeoma fazia com os meus primos, obrigando-os a ir cada vez mais alto graças à forma como falava com eles, graças ao que esperava deles. Ela fazia isso o tempo todo, acreditando que eles iam conseguir saltar. E eles saltavam. Comigo e com Jaja, era diferente. Nós não saltávamos por acreditarmos que podíamos; saltávamos porque tínhamos pânico de não conseguir.
Já tinha lido antes alguns dos volumes de não-ficção da Chimamanda - Sejamos Todos Feministas, O Perigo de uma História Única e Notas sobre o Luto - mas ainda não tinha pego em nenhuma das obras de ficção dela. Estava na lista, mas sempre ia aparecendo outras prioridades e ia deixando para depois. Até Hibisco Roxo ser indicado para o clube do livro e virar meu mundo de cabeça pra baixo.
31 de maio de 2021
A Vertigem das Listas: Dez Verborrágicos Personagens

Lulu: Sabe aqueles personagens que falam, falam, falam, às vezes até nos momentos mais inconvenientes? Eles falam quando estão nervosos, quando estão empolgados, dão verdadeiras preleções quando vão explicar alguma coisa (quando um sim ou não seria suficiente para responder à questão), costumam sair-se por tangentes cada vez mais prolixas de livre associações e possivelmente monologam mesmo quando estão sozinhos, tentando fazer sentido da torrentes de pensamentos que passam por suas cabeças?
Não, eu não estou me descrevendo. Bem, talvez um pouquinho. Ok, bem mais que um pouquinho. Pelo menos por escrito (não sou tão falante de viva voz. Pelo menos, acho que não?), sei que falo demais.
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