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14 de novembro de 2022
Toil & Trouble: uma história do Oculto pela ótica feminina

E assim, chegamos à ideia de bruxaria e ocultismo como ativismo, como rebelião. Após tudo o que vimos, o título de bruxa, com todas as suas conotações complicadas, foi reivindicado com entusiasmo.
Estiquei o olho para Toil and Trouble tão logo me dei conta de que se tratava de uma obra das mesmas autoras de Monster, She Wrote. Aqui, contudo, em vez de uma coletânea de breves biografias de escritoras pioneiras no horror/terror, Lisa Kröger e Melanie Anderson nos apresentam um apanhado histórico feminista do que chamamos, de forma genérica, de Oculto.
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7 de novembro de 2022
Presença de Antígona: o poder subversivo dos mitos antigos

Antígona foi encenada pela primeira vez em Atenas, em (supõe-se) 442 a.C. Hoje é encenada no mundo inteiro. Desde 2016 tem sido apresentada, com outro enfoque, em Ferguson, no Missouri, e em Nova York. Antigone in Ferguson foi criada por Bryan Doerries depois do assassinato de Michael Brown Jr, rapaz de dezoito anos, por um policial, em 2014. É a leitura de uma adaptação da peça de Sófocles seguida por uma discussão com integrantes da comunidade, policiais e ativistas, sobre raça e justiça social.
Por que não se limitar a escrever uma peça sobre a morte de Michael Brown? Por que recorrer a Antígona para refletir sobre essa tragédia? Parte da resposta deve ser que o mito nos permite investigar situações extremas sem cair na deselegância de dramatizar detalhes específicos da morte de um jovem. E por isso os gregos antigos tomavam a mitologia como material para as tragédias. Peças encenadas sobre eventos contemporâneos causavam muito sofrimento a quem assistia. Os mitos gregos abordam também temas difíceis, sobre abusos de poder e fraquezas humanas. A possibilidade de explorar questões como, por exemplo, o que torna boa uma liderança ou como resistir ao Estado fascista permite projetar diretamente esses temas em eventos particulares locais.
Esse livro me conquistou de cara pelo título e subtítulo - sério, adoro quando se fala no clássico subvertendo expectativas. É um volume curtinho, de leitura bem rápida e fluida, que costura referências modernas com mitologia, exploradas especialmente de um ponto de vista feminista.
10 de junho de 2022
A Marvellous Light: uma fantasia de péssimos (e hilariantes) costumes

Edwin olhou para a cabeça de Robin, agora enterrada em suas mãos. Tinha sido, mais uma vez, um dia longo e tenso, e eles ainda tinham a noite para atravessar. Ele se aproximou e tocou a nuca de Robin, dois dedos dobrados sob a gola engomada. Robin ficou imóvel com o contato. Edwin moveu os dedos, um leve roçar para frente e para trás, em algum lugar entre conforto, convite e um pedido de desculpas. E a admissão, mesmo em sua própria cabeça: não sou nada como você, e ainda assim me sinto mais eu mesmo com você.
No começo de 2021, recebi uma newsletter da Tor editora anunciando os lançamentos esperados para o ano. Entre os títulos elencados, chamou-me a atenção A Marvellous Light, da Freya Marske, por duas razões: primeiro, a comparação de que esse título seria algo como “Vermelho, Branco e Sangue Azul encontra Jonathan Strange e Mr. Norrell” - dois livros que entraram para a minha lista de favoritos por motivos bem diversos, de tal maneira que a propaganda me deu a isca inicial para ser puxada pelo anzol.
22 de abril de 2022
O Mar sem Estrelas: poesia e metanarrativa num mundo subterrâneo de livros, abelhas, corujas e gatos

O papel é frágil, mesmo quando encadernado com barbante em tecido ou couro. A maioria das histórias no Porto do Mar Sem Estrelas foi capturada em papel. Em livros ou pergaminhos ou dobradas em pássaros de origami e suspensas nos tetos. Há histórias ainda mais frágeis: para cada conto entalhado na rocha, há outros inscritos em folhas de outono ou trançados em teias de aranha.
Quando li O Circo da Noite, a coisa que mais me impressionou foi a capacidade da Morgenstern de trazer à mente cenários deslumbrantes com suas palavras. Ainda hoje quando penso nesse romance, enxergo o salão de baile preto e branco e algo me faz perder o fôlego. Essa característica está em ainda mais evidência em Mar sem Estrelas e acho que nunca ansiei tanto por uma adaptação cinematográfica milionária que traduzisse em algo palpável todos os lugares que ela nos faz visitar aqui.
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9 de dezembro de 2021
O Resumo da Ópera - Bate o Sino...

Fim de ano significa, claro, mais um resumo da ópera aqui pelo Coruja. Como de hábito, vai uma miscelânea de coisas que andei lendo pelo segundo semestre - quadrinhos, vários romances LGBTQ+, ensaios, livros sobre escrita e sobre astronomia, e até poesia.
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9 de novembro de 2021
Por Debaixo da Porta Sussurrante: um conto pós-morte para aquecer o coração

"... qual é a razão, então? Para tudo isso? Para qualquer parte disso? Se nada do que fazemos importa, então por que devemos tentar?" Ele estava espiralando, sabia disso. Confuso e perdendo o controle. Sentia a pele como gelo, o que não tinha nada a ver com o frio ao seu redor. Cerrou os maxilares para impedir que os dentes batessem.
"Porque é a sua vida", disse Nelson, vindo para o outro lado dele. "É o que você faz com isso. Não, nem sempre é justo. Não, nem sempre é bom. Queima e rasga, e há momentos em que isso te esmaga além do que você é capaz de reconhecer. Algumas pessoas lutam contra isso. Outros ... não podem, embora eu não ache que eles possam ser responsabilizados por isso. Desistir é fácil. Levantar-se não é. Mas temos que acreditar que, se o fizermos, podemos dar outro passo."
Tendo lido e caído de amores por The House in the Cerulean Sea, tão logo esse título foi anunciado, ele entrou para a minha lista de desejos. De todos os lançamentos de 2021, Under the Whispering Door era o livro para o qual eu mais tinha expectativas e, para minha felicidade, ele correspondeu a todas elas.
29 de junho de 2021
A Vertigem das Listas: Dez Histórias para Celebrar a Diversidade

Ísis: Quem melhor que eu para apresentar o tema da vez: Dez Histórias para Celebrar a Diversidade! Bem, certeza tem inúmeras opções melhores, vez que só porque gosto de BL, não quer dizer que atenda ao critério. Ainda assim, sou fã do gênero desde criança, então minhas indicações certamente refletirão isso. Let’s go!
3 de abril de 2021
Queime Antes de Ler: entre cartas e filamentos do passado em “É assim que se perde a guerra do tempo”

Em um vão do solo arrasado, ela encontra a carta.
Está fora de lugar. Ali deveria haver corpos empilhados entre os destroços de naves que um dia percorreram as estrelas. Ali deveria haver a morte e a sujeira e o sangue de uma operação bem-sucedida. Deveria haver luas se desintegrando lá em cima, naves incendiadas em órbita.
Não deveria haver uma folha de papel cor de creme, limpo, exceto por uma única linha longa e repuxada escrita à mão: Queime antes de ler.
Esse título já me chamara a atenção há algum tempo por ter ganho os prêmios Nebula, Locus e Hugo entre 2019 e 2020. E, bem, trata-se de um romance epistolar entre viajantes no tempo, o que junta duas coisas que me fascinam: cartas e viagens temporais. Como eu poderia resistir?
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28 de dezembro de 2020
O Resumo da Ópera - Uma Salada de Títulos

Chegamos ao fim do ano e, com ele, está na hora de fazer o resumão de leituras do semestre - resenhas mais curtas e direto ao ponto (será?), passeando por vários gêneros, afinal, nada melhor do que um resumão bem eclético, não é mesmo?
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24 de novembro de 2020
Vermelho, Branco e Sangue Azul: um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham

Mas o fato é que... pular de penhascos é meio que o meu lance. É essa a escolha. Eu amo o Henry, com tudo isso, por causa de tudo isso. De propósito. Eu amo o Henry de propósito.
Vermelho, Branco e Sangue Azul entrou no meu radar quando venceu o prêmio de melhor romance e melhor livro de estreia no Goodreads Choice Awards do ano passado (eu tiro muitas das minhas leituras desse prêmio, já perceberam?). E isso sem a ajuda de uma campanha de marketing massiva: o sucesso foi todo de propaganda de boca, alguém que lia, gostava e recomendava para outras pessoas. Para além disso, esse ano eu tentei conscientemente diversificar minhas leituras (qualquer dia desses escrevo mais sobre o assunto no blog) e ele se encaixava muito bem nesse processo: a autora é bissexual, trata-se de um romance LGBTQ+, e o protagonista é birracial, de família parte americana, parte mexicana.
8 de setembro de 2020
Encontrando um Lar para Chamar de Seu: The House in The Cerulean Sea

"Adultos não pensam o tempo todo em morte”, Linus disse severamente. “Na verdade, eles mal pensam nisso. Ora, esse assunto nem passa pela minha cabeça."
“Então por que há tantos livros escritos por adultos sobre a mortalidade?” Phee perguntou.
"Eu não - é porque - isso não é nem aqui nem lá! O que estou tentando dizer é que não devemos mais falar sobre morte ou morrer! ”
Talia assentiu sabiamente enquanto acariciava sua barba. "Exatamente. Porque é melhor não saber se estamos prestes a morrer. Dessa forma, não começamos a gritar agora. Vai ser uma surpresa. Sempre podemos gritar então.”
Theodore gorjeou preocupado, escondendo a cabeça sob a asa enquanto se sentava no colo de Sal. Sal se abaixou e acariciou suas costas.
"Eu posso dizer quando você vai morrer", disse Lucy. Ele inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto da van. “Acho que poderia ver o futuro se me esforçasse o suficiente. Sr. Baker? Você quer que eu veja quando você vai morrer? Ooh, sim, está vindo para mim agora. Eu posso ver isso! Você vai morrer em uma terrível-"
"Não quero", Linus interrompeu. "E vou repetir, enquanto estivermos no vilarejo, você não pode sair por aí se oferecendo para contar às pessoas sobre o destino que as espera!"
Lucy suspirou. “Como vou fazer novos amigos se não posso contar como eles vão morrer? Qual é o ponto? ”
"Sorvete e discos", disse Arthur.
“Oh. OK!"
Descobri esse livro logo no começo da quarentena, porque ele era citado em mais de uma lista de recomendados para "sobreviver a esses tempos difíceis". O título e a capa me chamaram a atenção, assim como o fato de que era um lançamento da Tor Books, editora que tem se preocupado em trazer histórias e autores com diversidade para seu catálogo. Tudo o que li lançado por eles - incluindo os muitos contos publicados no Tor.com - me interessou e surpreendeu, de forma que coloquei The House in the Cerulean Sea na lista.
29 de maio de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Protagonista Anti-herói/Vilão || O Retrato de Dorian Gray

"Todo impulso que nos esforçamos para sufocar se multiplica em nossas mentes, nos envenenando. O corpo peca uma vez, e deixa o pecado para trás porque a ação é uma forma de purificação. Nada resta senão a lembrança de um prazer, ou a volúpia de um pesar. O único modo de se livrar de uma tentação consiste em se entregar a ela.
Meu primeiro contato com Wilde foram suas peças. O humor mordaz de comédias como A Importância de ser Prudente e O Marido Ideal vão bem ao meu gosto. Ainda não li seus poemas, mas tenho curiosidade de qualquer dia me sentar para completar essa lacuna. Quanto ao único romance do autor, até cheguei a começar a leitura de O Retrato de Dorian Gray quando mais nova, mas não consegui ir adiante. Não sei dizer se foi por falta de maturidade para entender as nuances do livro ou por alguma outra razão, mas fato é que eu conhecia mais Dorian Gray por sua participação em A Liga Extraordinária que pelo livro original.
29 de janeiro de 2015
Para ler: The Sleeper and the Spindle

Parecia, a um tempo, improvável e extremamente final. Ela se perguntou como se sentiria sendo uma mulher casada. Seria o fim de sua vida, decidiu, se a vida é um tempo de escolhas. Em uma semana a partir daquele momento, não teria escolhas. Ela iria reinar sobre o seu povo. Ela teria filhos. Talvez fosse morrer no parto, talvez morresse como uma mulher velha, ou em batalha. Mas o caminho para a sua morte, batida por batida de seu coração, seria inevitável.
Quando foi publicado, The Sleeper and the Spindle vendeu-se como polêmico pelo painel em que a Branca de Neve dá o beijo que quebra a maldição da Bela Adormecida. Lendo algumas críticas que saíram em grandes jornais pelo mundo, fiquei na impressão que de alguma forma Gaiman tinha criado um grande romance lésbico entre as duas personagens.
Aí o livro chegou nas minhas mãos, eu li e fiquei me perguntando com meus botões se os críticos que tanto teclaram nessa história do beijo leram uma versão diferente da história que eu tinha.
7 de novembro de 2013
Desafio Literário 2013: Novembro - Livros que Foram Banidos || And Tango Makes Three

A princípio, eu ia resenhar outro título completamente diferente para o Desafio Literário 2013 desse mês. Mas aí, em setembro, teve a semana dos livros banidos e dando uma olhada na lista dos títulos mais frequentemente censurados nos últimos anos – não sei se só nos Estados Unidos ou de forma mais ampla... - descobri que um volume que dei de presente para a Ísis em maio tinha liderado o rol dos dez mais por três anos consecutivos desde sua publicação, e permanecendo entre os cinco mais censurados até 2012, exceto pela lista de 2011...This tale based on a true story about a charming penguin family living in New York City's Central Park Zoo will capture the hearts of penguin lovers everywhere. Roy and Silo, two male penguins, are "a little bit different." They cuddle and share a nest like the other penguin couples, and when all the others start hatching eggs, they want to be parents, too. Determined and hopeful, they bring an egg-shaped rock back to their nest and proceed to start caring for it. They have little luck, until a watchful zookeeper decides they deserve a chance at having their own family and gives them an egg in need of nurturing. The dedicated and enthusiastic fathers do a great job of hatching their funny and adorable daughter, and the three can still be seen at the zoo today. Done in soft watercolors, the illustrations set the tone for this uplifting story, and readers will find it hard to resist the penguins' comical expressions. The well-designed pages perfectly marry words and pictures, allowing readers to savor each illustration.
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livros ilustrados
livros que gostaria de ter lido quando criança
22 de maio de 2012
Um Estudo em Sherlock – Parte V: “Quick, man, if you love me!”


A questão do relacionamento de Holmes e Watson é tão complexa que merece um inteiro capítulo dedicada apenas a ela, fora das biografias pessoais dos dois personagens – até porque, se você for procurar informações sobre o assunto e discutir com holmesianos e sherlockianos pelo mundo, vai encontrar de tudo quanto é opinião.- Você não está ferido, não, Watson? Pelo amor de Deus, diga-me que não foi atingido.
Valia bem um ferimento, ou muitos ferimentos, para saber o tamanho da lealdade e afeição que se escondiam por trás daquela máscara impassível. Aqueles olhos claros e duros embaciaram-se por um momento, e os seus lábios firmes se puseram a tremer. Pela primeira e única vez na minha vida senti bater o grande coração digno do grande cérebro. Aquela revelação compensou-me de todos os meus anos de serviço humilde e desinteressado.
- Não é nada, Holmes. É só um arranhão.
Ele rasgou as minhas calças com o canivete.
- Tem razão! - exclamou, soltando um suspiro enorme de alívio. - O ferimento é apenas superficial.
O seu rosto assumiu a dureza de pedra quando se virou para o nosso prisioneiro, que estava sentado com expressão atordoada à nossa frente.
- Por Deus, foi muita sorte de sua parte. Se Watson morresse, o senhor não sairia vivo deste aposento. Agora, o que tem a dizer em seu favor?
- Os Três Garridebs -
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21 de fevereiro de 2012
Desafio Literário: Fevereiro - Nome Próprio || Orlando
Faz já algum tempo que eu estava querendo pegar alguma coisa da Virginia Woolf. Eu a conhecia dos ensaios e crítica literária (acho-a brilhante em O Leitor Comum e Um Teto Todo Seu) e de um romance curto e bem divertido - Flush, memória de um cão, que é simplesmente adorável.Pois, uma vez que a doença da leitura se instale no organismo, enfraquece-o, tornando-o presa fácil desse outro flagelo que habita no tinteiro e apodrece na pena. O infeliz dedica-se a escrever.
20 de junho de 2011
Desafio Literário 2011: Junho - Peças Teatrais || A Importância de ser Prudente

- Gwendolen, é uma coisa terrível para um homem descobrir de repente que toda a sua vida ele esteve falando nada além da verdade. Você pode me perdoar?
Já vimos os gregos... e o bardo. Em termos de teatro, é deles que primeiro me lembro, afinal, os gregos inventaram o teatro e Shakespeare inventou o humano. Mas, para completar a lista do Desafio Literário 2011, ainda faltava um título e eu não queria me repetir.
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