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10 de junho de 2022

A Marvellous Light: uma fantasia de péssimos (e hilariantes) costumes


Edwin olhou para a cabeça de Robin, agora enterrada em suas mãos. Tinha sido, mais uma vez, um dia longo e tenso, e eles ainda tinham a noite para atravessar. Ele se aproximou e tocou a nuca de Robin, dois dedos dobrados sob a gola engomada. Robin ficou imóvel com o contato. Edwin moveu os dedos, um leve roçar para frente e para trás, em algum lugar entre conforto, convite e um pedido de desculpas. E a admissão, mesmo em sua própria cabeça: não sou nada como você, e ainda assim me sinto mais eu mesmo com você.

No começo de 2021, recebi uma newsletter da Tor editora anunciando os lançamentos esperados para o ano. Entre os títulos elencados, chamou-me a atenção A Marvellous Light, da Freya Marske, por duas razões: primeiro, a comparação de que esse título seria algo como “Vermelho, Branco e Sangue Azul encontra Jonathan Strange e Mr. Norrell” - dois livros que entraram para a minha lista de favoritos por motivos bem diversos, de tal maneira que a propaganda me deu a isca inicial para ser puxada pelo anzol.


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7 de maio de 2015

Desafio Corujesco 2015: Livros que Gostaria de Ter Lido na Infância || Mary Poppins


- Como foi que você chegou aqui? – perguntou Jane. – Parece que o vento soprou você pra cá.

- E soprou – respondeu Mary Poppins, brevemente.

Há livros que, independente da idade em que você os encontra, são capazes de encantá-lo e transportá-lo para outro mundo mais jovem e mais inocente, nostálgico. Outras histórias, ainda que você reconheça o poder por trás delas, elas parecem perder parte da magia à medida que vamos nos distanciando dos anos de infância. Mary Poppins ficou nessa segunda opção para mim.


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7 de novembro de 2013

Para ler: Conversando com Mrs. Dalloway

Celia Blue Johnson apresenta nesse maravilhoso livro as histórias por trás de 50 clássicos. O que inspirou e fez cada uma ganhar corpo e tornar-se um sucesso da literatura. Autores como J.R.R. Tolkien, Gabriel García Márquez e Lewis Carroll tiveram inspiração em frases aleatórias, lugares ou fatos corriqueiros para compor verdadeiras obras-primas.

Os clássicos da literatura universal tratam não só da crítica e pensamento da época em que foram escritos, mas da universalidade dos sentimentos humanos no decorrer do tempo, tornando-os imortais. Conhecer mais do processo criativo dos grandes escritores nos aproxima tanto dessas histórias como de nossas próprias vidas.
Gosto muito de saber a inspiração por trás de minhas histórias favoritas – de enxergar como algumas experiências moldaram certas narrativas, certos personagens, certas ideias. Assim é que quando bati o olho nesse livro, já saí com ele debaixo do braço e quase que imediatamente me pus a lê-lo.


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15 de dezembro de 2012

Para ler: Contos de Lugares Distantes


Você já se perguntou o que acontece com todos os poemas que as pessoas escrevem?
Aqueles poemas que elas não deixam ninguém ler?
Talvez eles sejam pessoais e particulares demais
Talvez só não sejam bons o bastante
Talvez a mera sensação de que alguém possa ler uma manifestação tão sincera
seja vista como
deselegante frívola boba pretensiosa melosa banal sentimental trivial tediosa excessiva obscura estúpida inútil ou apenas vergonhosa]
É o suficiente para dar a qualquer aspirante a poeta
Boa razão para esconder sua obra dos olhos do público para sempre.
Naturalmente muitos poemas são destruídos imediatamente
Queimados rasgados jogados na privada
Vez por outra eles são dobrados em quadradinhos
E enfiados sob o canto de um móvel bambo
(e assim se tornam muito úteis)
Outros ficam escondidos atrás de um tijolo solto ou num cano
ou lacrados no verso de um antigo despertador
ou colocados entre as páginas de um livro obscuro
que tem poucas chances de vir a ser aberto
Algum dia alguém pode encontrá-los
Mas provavelmente não.
A verdade é que a poesia não lida quase sempre não passará disto
Condenada a juntar-se ao rio vasto e invisível de refugo que aflui dos lugares distantes.
Bom
Quase sempre.
Em raras ocasiões
Alguns escritos particularmente insistentes vão fugir para um quintal ou uma viela
Soprados pelo vento ao longo de um aterro na beira da estrada
E descansar enfim num estacionamento de shopping center
assim como tantas outras coisas.
É aqui que algo extraordinário tem lugar
Dois ou mais escritos poéticos vagam até se encontrar
Devido a uma estranha força de atração que a ciência desconhece
E vagarosamente grudam até formar uma bolinha disforme
Se deixada em paz, essa bola gradualmente fica maior e mais redonda pois
confissões segredos versos livres reflexões desejos e cartas de amor não enviadas
também se prendem uma a uma.

Não lembro exatamente como esse livro veio a atrair minha atenção... mas o caso é que ele já estava sob o meu radar quando, na minha última visita à Shakespeare and Company em Paris, dei de encontro com ele e me sentei para folheá-lo. Foi por muito, muito pouco que não o levei comigo.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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