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5 de outubro de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Uma Releitura || Semente de Bruxa

Ele inspeciona a sala. Rostos familiares, veteranos de suas peças anteriores: esses acenam para ele com a cabeça, oferecem-lhe esboços de sorrisos. Rostos novos, inexpressivos ou apreensivos: não sabem o que esperar. Todos eles garotos perdidos, embora não sejam garotos: a idade deles varia de dezenove a quarenta e cinco. Têm muitos tons de pele: do branco ao negro, passando pelo amarelo, vermelho e marrom; são de muitas etnias. Os crimes pelos quais foram condenados são variados. A única coisa que têm em comum, além de sua condição de detentos, é o desejo de estar na trupe de arte dramática de Felix. Suas motivações, ele prevê, são variadas.
Como esse é o mês do Halloween, não tive nem dúvidas em escolher qual seria o título para esse tema do Desafio Corujesco (é, eu sei, tô atrasada com os temas anteriores, mas coisas andaram meio corridas por aqui…) assim que registrei o título: Semente de Bruxa me fez brilhar os olhinhos tão logo foi anunciado. Afinal, tratava-se de uma releitura de Shakespeare - um dos maiores escritores de língua inglesa na História - feita por Margaret Atwood - uma das mais admiradas autoras em tempos modernos. A Tempestade não é uma das minhas peças favoritas do bardo, mas outra releitura - o capítulo final da série Sandman do Gaiman - fez com que ela ganhasse um lugarzinho especial no meu coração.
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29 de maio de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Protagonista Anti-herói/Vilão || O Retrato de Dorian Gray

"Todo impulso que nos esforçamos para sufocar se multiplica em nossas mentes, nos envenenando. O corpo peca uma vez, e deixa o pecado para trás porque a ação é uma forma de purificação. Nada resta senão a lembrança de um prazer, ou a volúpia de um pesar. O único modo de se livrar de uma tentação consiste em se entregar a ela.
Meu primeiro contato com Wilde foram suas peças. O humor mordaz de comédias como A Importância de ser Prudente e O Marido Ideal vão bem ao meu gosto. Ainda não li seus poemas, mas tenho curiosidade de qualquer dia me sentar para completar essa lacuna. Quanto ao único romance do autor, até cheguei a começar a leitura de O Retrato de Dorian Gray quando mais nova, mas não consegui ir adiante. Não sei dizer se foi por falta de maturidade para entender as nuances do livro ou por alguma outra razão, mas fato é que eu conhecia mais Dorian Gray por sua participação em A Liga Extraordinária que pelo livro original.
30 de abril de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Adaptação a ser Lançada esse Ano || Mulherzinhas

Era mesmo um lindo quadrinho, porque as irmãs estavam sentadas juntas, na penumbra daquele recesso, com sol e sombra bruxuleando sobre elas, o perfumado vento a despentear-lhes os cabelos e a refrescar-lhes as faces coradas, e toda a pequena população do bosque prosseguia com suas atividades, como se elas não fossem estranhas, mas velhas amigas. Meg estava sentada em sua almofada, costurando delicadamente com suas mãos brancas, cheia de frescor, doce como uma rosa, com seu vestido cor-de-rosa no meio do verde. Beth separava as pinhas que se acumulavam debaixo de um grande pinheiro próximo, porque fazia coisas bonitas com elas. Amy desenhava um grupo de avencas e Jo tricotava e lia em voz alta, ao mesmo tempo. Uma sombra passou pelo rosto do rapaz, ao observá-las, sentindo que devia ir embora, porque não fora convidado; mas permaneceu ali, porque sua casa lhe parecia muito solitária e aquele tranquilo grupo no bosque era extremamente atraente para seu espírito inquieto.
Embora o novo filme ainda não tenha estreado, permitindo-me comparações com o livro, escolhi Mulherzinhas para o tema do mês no Desafio Corujesco porque tinha de lê-lo de qualquer maneira para o debate do clube do livro de bolso (que também foi agora em abril). Engraçado que tinha praticamente certeza de que apenas assistira a adaptação de 1994, com Winona Ryder no papel de Jo March, mas descobri que já tinha até escrito resenha do livro cá no blog, em 2013... exceto que naquela ocasião, simplesmente detestei a história. Seis anos depois, minha reação a ela foi completamente diferente.
20 de março de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro sobre Música || Dreams Underfoot

I don't think the world is the way we like to think it is. I don't think it's one solid world, but many, thousands upon thousands of them--as many as there are people--because each person perceives the world in his or her own way; each lives in his or her own world. Sometimes they connect, for a moment, or more rarely, for a lifetime, but mostly we are alone, each living in our own world, suffering our small deaths.
Quando decidimos por esse tema no Desafio Corujesco, pensei com meus botões que não fazia nem ideia que título escolher para ele… e, logo em seguida, lembrei do Charles de Lint e da minha promessa pessoal de ler mais da bibliografia do autor. Como muitos dos seus personagens trabalham com música, imaginei que seria simples encontrar um título que coubesse para o desafio. De fato, lendo as sinopses, havia várias possibilidades… Então, decidi-me por Dreams Underfoot, o primeiro volume da série Newford, que é a obra mais famosa do Lint.
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14 de dezembro de 2018
Desafio Corujesco 2019

Lulu: Como de hábito, dezembro no Coruja significa a lista do Desafio Corujesco para o ano vindouro. De uns dois anos pra cá, o desafio tem sido feito em colaboração com a Tatá, do Randomicidades e claro que mantivemos a parceria esse ano!
Tatá: Apesar de eu ter falhado miseravelmente nas leituras desse ano (QUE ANO!), seguimos firme e fortes na parceria! <3 A intenção importa SIM! ;-)
30 de novembro de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História com Teoria da Conspiração || Cama de Gato

– Às vezes me pergunto se ele não nasceu morto. Nunca conheci um homem menos interessado nos vivos. Às vezes acho que esse é o problema do mundo: muitas pessoas em cargos importantes estão mortas, frias como pedra.
Muito tempo atrás li Matadouro 5 e fiquei tonta e fascinada com o estilo de Kurt Vonnegut - a narrativa meio fragmentada e o tom burlesco, misturando ficção científica, memória e guerra, desafiando convenções de gênero de forma brilhante e alucinada. Lembro de comentar sobre isso com um amigo e dele me dizer que eu deveria ler Cama de Gato, porque era um livro que conseguia ser ainda melhor. Tendo finalmente me desincumbido da leitura desse título, cheguei à conclusão que deveria dar prioridade a tudo que esse amigo me indica, porque ele normalmente acerta na mosca.
8 de agosto de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História em Tempos de Guerra || Minha Vida Fora dos Trilhos e Em Algum Lugar nas Estrelas
Nunca tinha visto ou ouvido falar de Clare Vanderpool até ela ser traduzida aqui no Brasil - e meu interesse em ler seus livros foi, de início, puramente estético: praticamente babei na capa de Em Algum Lugar nas Estrelas, fiquei quase maluca atrás dele assim que saiu a pré-venda. A Darkside tem uma tendência a criar projetos gráficos de encher os olhos para seus títulos e eles definitivamente se esmeraram nesses dois volumes da autora. Claro que aparência só não basta… Felizmente, Vanderpool não deixa nada a desejar no quesito conteúdo.
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31 de julho de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História Pós-Apocalíptica || Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?

"Por um longo tempo ele permaneceu fitando a coruja, que dormitava no poleiro. Mil pensamentos vieram à sua mente, pensamentos sobre a guerra, sobre os dias em que as corujas caíram do céu; lembrou-se de como, em sua infância, descobria-se que uma espécie após a outra era declarada extinta, e como isso era publicado todo dia nos jornais — raposas uma manhã, texugos na outra, até que as pessoas parassem de ler sobre os incessantes necrológios de animais (...) Ele também pensou sobre a sua necessidade em ter um animal de verdade; dentro dele uma efetiva repugnância se manifestou outra vez em relação à sua ovelha elétrica, a qual precisava manter, precisava cuidar, como se estivesse viva. A tirania de um objeto, pensou, que nem sabe que eu existo. Tal como os androides, não tem a menor capacidade de apreciar a existência do outro. Nunca tinha pensado nisso antes, a semelhança entre um animal elétrico e um andy. O animal elétrico, ponderou, poderia ser considerado uma subforma do outro, um tipo de robô enormemente inferior. Ou, ao contrário, o androide poderia ser qualificado como uma versão altamente desenvolvida e evoluída do animal de imitação. Ambos os pontos de vista o enojavam."
Ganhei esse livro de uma amiga que é tão fã de Blade Runner que até tatuou na perna o unicórnio que aparece no filme. Já fazia um tempinho que o volume estava na estante à espera, mas depois de duas excelentes experiências com PKD (os contos de Realidades Adaptadas e O Homem do Castelo Alto), não tinha como adiar mais a leitura desse clássico da ficção científica.
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1 de junho de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História de Família || Os Maias

Carlos recordava-se bem que nessa tarde, depois da melancólica conversa com o avô, devia ele experimentar uma égua inglesa: e ao jantar não se falou senão da égua, que se chamava Sultana. E a verdade era que daí a dias tinha esquecido a mamã. Nem lhe era possível sentir por esta tragédia senão um interesse vago e como literário. Isto passara-se havia vinte e tantos anos, numa sociedade quase desaparecida. Era como o episódio histórico de uma velha crônica de família, um antepassado morto em Alcácer-Quibir,239 ou uma das suas avós dormindo num leito real. Aquilo não lhe dera uma lágrima, não lhe pusera um rubor na face. Decerto, preferiria poder orgulhar-se de sua mãe, como de uma rara e nobre flor de honra: mas não podia ficar toda a vida a amargurar-se com os seus erros. E por quê? A honra dele não dependia dos impulsos falsos ou torpes que tivera o coração dela. Pecara, morrera, acabou-se. Restava, sim, aquela ideia do pai, findando numa poça de sangue, no desespero dessa traição. Mas não conhecera seu pai: tudo o que possuía dele e da sua memória, para amar, era uma fria tela mal pintada, pendurada no quarto de vestir, representando um moço moreno, de grandes olhos, com luvas de camurça amarelas e um chicote na mão… De sua mãe não ficara nem um daguerreótipo, nem sequer um contorno a lápis. O avô tinha-lhe dito que era loura. Não sabia mais nada. Não os conhecera; não lhes dormira nos braços; nunca recebera o calor da sua ternura. Pai, mãe, eram para ele como símbolos de um culto convencional. O papá, a mamã, os seres amados, estavam ali todos — no avô.”
Eça de Queiroz foi um dos indicados deste ano para as leituras do Clube do Livro de Bolso e, não fosse tal indicação, eu talvez tivesse passado a vida sem ler nada do português. Não porque tivesse algum particular preconceito contra Eça, mas porque tem tanta coisa na minha lista de leituras, que ele nunca me chamou suficiente atenção para se tornar prioridade. Assim é que devo um agradecimento especial a turma do clube por ter eleito esse título, porque essa leitura foi um verdadeiro deleite. E ainda encaixou num dos temas do Desafio Corujesco desse ano, o que me deixou feita na vida...
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12 de abril de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História Oriental || Do que Eu Falo quando Eu Falo de Corrida

Como o Desafio Corujesco é um projeto em parceria com a Tatá, lá do Randomicidades, isso significa que nos dividimos em escolher metas para os meses da brincadeira. O de março - uma história oriental - foi uma das minhas indicações e eu tinha grandes planos para ele. Queria ler algum daqueles grandes clássicos russos, que de tão grandes e complexos bem poderiam servir como artilharia pesada em combate. E aí eu passaria metade da resenha comentando como a Rússia é um país tão peculiar que não se pode exatamente classificá-lo como ocidente ou oriente: eles são, simplesmente, russos."Sou o tipo de sujeito que gosta de estar sozinho consigo mesmo. Para dizer de um modo mais agradável, sou o tipo de pessoa que não acha um sofrimento ficar só. Não acho que passar uma ou duas horas correndo sozinho todos os dias, sem falar com ninguém, além de passar quatro ou cinco horas sozinho em minha mesa, seja difícil nem chato. Tenho essa tendência desde que era mais novo, quando, caso tivesse escolha, preferia ficar sozinho lendo um livro ou concentrado ouvindo música a estar na companhia de alguém. Sempre fui capaz de pensar em coisas para fazer quando estou sozinho."
2 de março de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Um Livro, Uma Estação || O Conto do Covarde

O tema desse mês para o Desafio Corujesco era ‘um livro, uma estação’. Depois de subir e descer a estante, dei-me conta de que o único livro que eu tinha com o nome de uma estação diretamente no título era Conto de Inverno, que já li e já resenhei aqui no blog (por sinal, tenho que retomar meu projeto Shakespeare…). Contudo, quando estávamos estabelecendo os temas do desafio para esse ano, deixei claro que a estação poderia estar implícita no livro, fosse no título ou na escolha da capa. Assim é que O Conto do Covarde saiu da prateleira para a leitura do desafio.- Meu nome é Laddy Merridew. Eu sou um chorão. Sinto muito.
– E meu nome é Ianto Jenkins. Sou um covarde. O que é pior.
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1 de fevereiro de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma Aventura no Mar || Nós, os Afogados

Embora seja escrito em prosa, não tenho dúvidas de que o romance dinamarquês Nós, os Afogados mereça a classificação de epopéia - no sentido de ‘uma extensa narrativa heróica que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários’. No espaço de um século, acompanhamos a história de três homens - Laurids Madsen, seu filho, Albert e Knud Erik, um órfão que Albert acaba ajudando a criar -, confundidas com a história da cidade de Marstal, na Dinamarca, e dos conflitos em que os homens de Marstal se envolvem, incluindo as duas guerras mundiais. Sendo Marstal uma terra de portos e navegadores, essa é também uma narrativa de marinheiros, da evolução dos veleiros para os barcos a vapor e, claro, de ‘histórias de pescador’ - um pé, pois, no realismo fantástico.As nuvens acima do mar congelado mudavam, mas ele já as conhecia todas. Havia muito com que os olhos se refestelassem, mas nada para a alma. Albert tinha fome de algo que o céu não era capaz de satisfazer. Em algum lugar do planeta, precisava existir um tipo diferente de luz. Um mar que espelhasse novas constelações. Uma lua maior. Um sol mais quente.
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1 de dezembro de 2017
Desafio Corujesco 2018

Chegou a época de resolver os temas do Desafio Corujesco para o ano que vem – algo que, a essa altura, já virou uma tradição do blog, não é mesmo? E, como esse ano, fizemos os temas em parceria com a Tábata, lá do Randomicidades – de forma que temos uma segunda edição do Desafio Corujesco Mistério Randômico... ou não tão misterioso, já que não estabelecemos um tema... ou talvez o tenhamos feito, porque *olha a lista de temas* vários deles são uma viagem por tempo e espaço.
Mas, hei, ler é sempre uma viagem por tempo e espaço, não é mesmo?
20 de novembro de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro de um Autor Brasileiro || As Águas-Vivas não Sabem de Si

Não lembro exatamente quando foi que esse título primeiro me chamou a atenção - talvez a capa, numa visita à livraria, talvez de ouvir o título. Mas foi na época em que estávamos trabalhando na Antologia Valquírias, quando a Aline Valek foi convidada para escrever o prefácio, que acabei indo atrás de descobrir do que se tratava As Águas-Vivas não Sabem de Si.A relação que os azúlis estabeleceram com as outras espécies era algo inédito: pela primeira vez, uma espécie se enxergava como superior às outras; nem pela força, nem pelas posições hierárquicas de uma cadeia alimentar, mas pela profunda consciência de que, por possuírem mais recursos e mais inteligência, deveriam ser responsáveis pelas outras formas de vida ao redor. Era uma época em que superioridade significava ter responsabilidade de cuidar e proteger - o que não seria fácil de ver novamente.
14 de setembro de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro de um Autor que Você Nunca Leu || O Aprendiz de Assassino

Fitz é filho bastardo do herdeiro do trono do reino de Seis Ducados. A revelação de sua existência fez com que o príncipe Cavalaria abdicasse e deixasse a corte e assim, o garoto, que foi abandonado pela família da mãe e é considerado um estorvo pela família do pai, é criado pelo mestre-cavalariço dos estábulos reais - até o rei Sagaz se interessar pela sua existência e decidir que o jovem deve ser treinado na arte do assassinato. Entre intrigas palacianas, ameaças de além-mar e poderes desconhecidos, Fitz tem muito a aprender e superar.Você é um bastardo, garoto. Somos sempre um risco e uma vulnerabilidade. Somos sempre dispensáveis. Exceto quando nos tornamos uma necessidade absoluta para a segurança deles. Eu te ensinei bastante durante os últimos anos. Mas mantenha esta lição mais próxima de você e mais presente do que qualquer outra na sua vida. Porque se alguma vez você fizer algo que os leve a não precisarem mais de você, eles vão te matar.
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Robin Hobb
8 de agosto de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Fazer um Diário de Contos || De Repente, uma Batida na Porta

Descobri esse livro ouvindo o Xadrez Verbal, podcast especializado em política internacional. Não me lembro o exato contexto em que Keret foi indicado - provavelmente em alguma conversa sobre o conflito Israel-Palestina -, mas fato é que o coloquei na lista de desejados do Skoob, algum tempo depois ele apareceu para troca e mais que rapidamente, solicitei o livro. E aí ele chegou e ficou na estante parado por um tempo, até me saltar aos olhos quando estava procurando uma leitura rápida para fazer entre conexões e aeroportos.Yonatan teve uma ideia brilhante para um documentário. Bateria às portas das pessoas. Apenas ele, sem equipe de filmagem, com uma pequena câmara na mão, e perguntaria: "Se vocês encontrassem um peixe dourado falante que lhes concedesse três desejos, o que pediriam?"
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10 de julho de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro que seja uma Indicação de Alguém Conhecido || A Man Called Ove

Conheci a Steph uns dois anos atrás, quando ela me mandou uma mensagem pelo Goodreads - professora americana recém-chegada ao Recife para dar aulas de História, ainda sem falar muito bem português e sem conhecer ninguém que não fosse da escola onde começara a trabalhar. Eu a convidei para um dos encontros do Clube do Livro de Bolso e daí nasceu uma amizade regada a muito café, explorando restaurantes de comida regional e debatendo história e estórias. Agora em junho, o contrato dela com a Escola Americana terminou e ela partiu numa nova aventura, dessa vez em Portugal (se tudo der certo, ano que vem passo por lá e vou visitá-la). Assim é que, quando olhei o tema desse mês para o Desafio Corujesco, não tive dúvidas: catei um livro que a Steph indicou e fez a maior propaganda - além de me dar de presente de aniversário.A morte é algo bastante notável. As pessoas vivem a vida inteira como se ela não existisse e, no entanto, ela é um dos maiores motivos para se viver a maior parte do tempo. Alguns de nós ficam já desde cedo tão cientes da sua existência que vivemos com mais intensidade, mais teimosia, mais fúria. Outros precisam da sua presença constante para ao menos se dar conta de como é a vida. Alguns ficam tão ocupados com ela que sentam na sala de espera muito antes de ela ter anunciado sua chegada. Nós a tememos, e mesmo assim a maioria de nós tem mais medo que ela atinja outra pessoa do que a nós mesmos. Porque o maior medo com relação à morte é sempre que ela vá passar batida por nós. E nos deixar sozinhos.
21 de junho de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Uma História que se Passa no Futuro || As Melhores Histórias de Viagens no Tempo

Quando você vê uma antologia que se entitula “as melhores história de tal e tal gênero”, você sempre deve levar essa classificação com um grão de sal e uma boa dose de desconfiança: afinal, o que é bom para uns pode não ser para outros e a seleção de contos aqui passa pelo gosto pessoal dos organizadores. Não há como ser objetivo, a não ser que você decida fazer uma pesquisa global com todo mundo que já leu uma história daquele tipo na vida. A despeito disso, quando vi os autores citados na capa dessa antologia, decidi que queria lê-lo e eis então que ele aparece no nosso Desafio Corujesco de junho.Aquela coisa minúscula caiu no chão; aquela coisa insignificante que podia romper equilíbrios e derrubar uma sequência de pequenos dominós, depois grandes dominós e finalmente gigantescos dominós ao longo dos anos e através do Tempo. Aquilo poderia alterar o mundo.
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2 de maio de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro que Você Tem mas Nunca Leu || O Sol é para Todos

Publicado no início da década de 60, no auge do movimento por direitos civis nos Estados Unidos, O Sol é para Todos é considerado um dos mais importantes romances do século XX e um pilar da própria identidade americana. É um livro que estava há bastante tempo na minha estante e ao qual vim dar prioridade mês passado, vez que ele foi indicado para debate no Clube do Livro - tendo rendido um dos melhores debates do grupo, com direito a risos nostálgicos e olhos embargados. E que também me fez criar uma nova categoria de livros na minha cabeça: a de “títulos que eu gostaria de ter lido na faculdade”, pois o romance de Harper Lee ensina mais sobre ética e justiça que muitos dos seminários que tive de assistir sobre o assunto quando estudante.“- Talvez quisesse mesmo me bater. - concordou Atticus. - Mas, filho, quando você for mais velho, vai entender melhor as pessoas. Uma multidão, qualquer que seja ela, é sempre formada por pessoas. Na noite passada, o sr. Cunningham fazia parte de um grupo, mas continuava sendo uma pessoa. Todo grupo em toda cidadezinha do sol é sempre formado por pessoas que a gente conhece. O que não diz muito a favor dessas pessoas, não é?
- Eu diria que não - concordou Jem.
- Foi preciso uma menina de oito anos para fazer eles recobrarem o bom senso, não foi? - perguntou Atticus. - Isso prova que um bando de homens ensandecidos pode ser contido, simplesmente porque eles continuam sendo humanos. Hum, talvez precisássemos de uma força policial formada por crianças… Na noite passada, vocês crianças fizeram Walter Cunningham se colocar no meu lugar por um minuto. Foi o suficiente.”
18 de abril de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Uma História Baseada em Fatos Reais || O Homem que Amava Muito os Livros

Sou uma colecionadora de livros. Com isso digo que não apenas compro livros para ler, mas às vezes também compro livros porque eles são bonitos, porque são edições com capa dura, ou ilustradas ou mesmo autografadas - e o faço mesmo tendo outras edições da mesma história. Por exemplo, tenho duas edições completas dos romances de Austen - uma em inglês outra em francês - uma edição em francês de Emma e uma em alemão de Orgulho e Preconceito, essa última uma verdadeira preciosidade de tão lindo que é o livro. De Persuasão, que é o meu favorito dela, tenho quatro edições, uma das quais comentadas, todas de diferentes editoras. Neil Gaiman também se repete na minha estante, com edições em português e suas contrapartes em inglês: Odd e os Gigantes de Gelo é repetido porque a segunda edição é toda maravilhosamente ilustrada por Chris Riddell; meu volume em inglês de Stardust é uma edição de colecionador extremamente delicada; O Oceano no Fim do Caminho é uma impressão limitada, numerada e autografada que veio de uma pequena editora britânica. A edição de Belas Maldições da Discworld Library foi minha última aquisição nesse sentido e meu único arrependimento é ter que me virar para achar mais espaço na estante para expôr todas essas pequenas preciosidades.O impenitente ladrão bibliófilo Gilkey roubou uma fortuna em livros raros. Porém, diferentemente da maioria dos ladrões que roubam para auferir lucro, Gilkey rouba por amor: amor aos livros. Talvez igualmente obsessivo seja Ken Sanders, o autointitulado “bibliodetetive”, que dedica-se a capturá-lo. Com um misto de suspense, intuição e humor, a jornalista Allison Hoover Bartlett teceu sua narrativa acerca da perseguição ao estilo “gato e rato”, que revela precisamente não apenas como Gilkey cometeu seus crimes e o modo como Sanders conseguiu capturá-lo, mas, também, explora o aspecto romântico dos livros, do anseio por colecioná-los e da tentação de roubá-los.
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