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4 de julho de 2022

Burning Questions: as questões cruciais de Margaret Atwood


"Com tantos dispostos a morrer em seu nome, por que os cidadãos de muitos países ocidentais estão dispostos a abrir mão de suas liberdades duramente conquistadas sem dar um pio? Geralmente é medo. E o medo pode vir de várias formas: às vezes se resume ao medo de não ter um salário no fim do mês. Desde que os trens funcionem no horário e você mesmo esteja empregado, por que fazer tanto barulho se algumas pessoas aqui e ali estão sendo penduradas pelos polegares? E quando a tortura vai se tornando comum, um medo de outro tipo se instala. Você pode proteger seus polegares apenas ficando abaixo da superfície do lago dos sapos: não levante a cabeça ou coaxe muito alto, e garantem a você, contanto que você não faça nada "errado" - e errado aqui é um conceito em constante mudança -, nada de ruim lhe acontecerá. Até que acontece. E como a imprensa livre já terá sido suprimida, e como qualquer judiciário independente já terá sido desmantelado, e como quaisquer escritores, cantores e artistas independentes já terão sido esmagados, não restará ninguém para defendê-lo."

Sendo, como ela mesma reconhece num dos escritos desta coletânea, um ícone ("uma vez que você é um ícone, você está praticamente morto, e tudo o que tem a fazer é ficar parado nos parques, transformando-se em bronze enquanto pombos e outros se empoleiram em seus ombros e defecam em sua cabeça"), o novo volume de ensaios de Margaret Atwood - reunindo peças de 2004 a 2021 - era um dos lançamentos mais esperados para 2022. E, embora eu não tenha lido tanto da autora quanto gostaria, também me deixei levar pela mística e coloquei Burning Questions na minha lista de prioridades para o ano.


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5 de outubro de 2019

Desafio Corujesco 2019 - Uma Releitura || Semente de Bruxa


Ele inspeciona a sala. Rostos familiares, veteranos de suas peças anteriores: esses acenam para ele com a cabeça, oferecem-lhe esboços de sorrisos. Rostos novos, inexpressivos ou apreensivos: não sabem o que esperar. Todos eles garotos perdidos, embora não sejam garotos: a idade deles varia de dezenove a quarenta e cinco. Têm muitos tons de pele: do branco ao negro, passando pelo amarelo, vermelho e marrom; são de muitas etnias. Os crimes pelos quais foram condenados são variados. A única coisa que têm em comum, além de sua condição de detentos, é o desejo de estar na trupe de arte dramática de Felix. Suas motivações, ele prevê, são variadas.

Como esse é o mês do Halloween, não tive nem dúvidas em escolher qual seria o título para esse tema do Desafio Corujesco (é, eu sei, tô atrasada com os temas anteriores, mas coisas andaram meio corridas por aqui…) assim que registrei o título: Semente de Bruxa me fez brilhar os olhinhos tão logo foi anunciado. Afinal, tratava-se de uma releitura de Shakespeare - um dos maiores escritores de língua inglesa na História - feita por Margaret Atwood - uma das mais admiradas autoras em tempos modernos. A Tempestade não é uma das minhas peças favoritas do bardo, mas outra releitura - o capítulo final da série Sandman do Gaiman - fez com que ela ganhasse um lugarzinho especial no meu coração.


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