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16 de junho de 2023
Resumo da Ópera - Acelerado em 3x na Via Expressa

Fazendo um balanço do meu sabático, cheguei a conclusão de que, mesmo sem me colocar a obrigação de resenhar o que leio (e de escolher minhas leituras já pensando em resenhá-las), não houve muita diferença na quantidade de volumes que me passam pelas mãos: continuo devorando tudo de forma rápida e voraz.
Mesmo sem ter colocado oficialmente metas de leitura para o ano (“vou ler um livro por semana” ou “vou terminar a bibliografia de fulano e sicrano”), ou prazos de qualquer tipo (exceto para as leituras do clube do livro, por razões óbvias), cheguei à conclusão que estou tão ‘treinada’ em certos comportamentos que continuo a ter dificuldade de diminuir o ritmo e, bem, essa era a verdadeira meta para esse ano.
[E isso me faz lembrar uma tirinha do Raphael Salimena sobre a produtividade do lazer…]
Devo me resignar simplesmente a ser uma pessoa meio acelerada mesmo quando não estou acelerando rumo a um objetivo específico? Coisas para discutir na terapia…
Enfim, elucubrações sobre a velocidade da vida cotidiana à parte, o que não mudou (e nem faço assim tanta questão de mudar) é a vontade de trocar figurinhas sobre as coisas que leio. O que significa que… sim, estamos na época de mais um maravilhoso Resumo da Ópera por aqui no blog.
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Resumo da Ópera
sobre escrever
30 de março de 2023
Livros para ler no Outono

Enfim terminou o verão e chegou o outono, com toda a sua graça - ou talvez não tanta graça, porque, por aqui, a mudança da estação veio com tempestade, raios e trovões, após vários dias ameaçadoramente nublados. Hoje, felizmente, o sol saiu e uma brisa gostosa sopra da varanda. Olhando pela janela, para o mar de folhagem lá embaixo, fiquei pensando sobre folhas secas e páginas viradas e, uma piscadela depois, estava me sentando para escrever.
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15 de dezembro de 2022
A heroína de 1001 faces: O resgate do protagonismo feminino na jornada do herói

Como é estranho, e, ao mesmo tempo, lógico que tantas das nossas metáforas para contar histórias sejam advindas do campo discursivo da produção têxtil. Nós tecemos tramas, enovelamos histórias, compomos contos ou entrelaçamos os fios - uma lembrança de como o trabalho das nossas mãos produziu espaços sociais que promoveram o intercâmbio de histórias, primeiro, talvez, sob a forma de conversa fiada, fofocas e notícias, depois sob a forma de narrativas e outras pepitas de ouro carregadas de sabedoria divertida, transmitida de geração em geração.
Tão logo vi o título desse livro, cresci o olho para ele. Conhecia a Tatar pela coletânea anotada dos Contos de Fadas que a Zahar lançou por aqui, e a referência dupla que ele contém - à jornada do herói e Sherazade numa tacada só - é exatamente o tipo de isca que se usa para fisgar minha atenção. Convenientemente, ganhei-o de presente agora no fim do ano e ele atropelou toda a lista de leituras que tinha por fazer.
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3 de dezembro de 2022
Terry Pratchett: uma vida com notas de rodapé

Porque o trabalho sempre foi a coisa mais importante, mas agora ganhou uma nova dimensão. O trabalho é a última defesa de Terry contra esta doença cruel que o está a despojar de si mesmo. Por quanto tempo ele possa escrever, ele ainda será Terry Pratchett.
Quando Terry Pratchett faleceu em março de 2015, chorei como quem tivesse perdido um ente querido. A essa altura, já fazia mais de uma década que eu lia gulosamente seus livros, um atrás do outro; muitas das quais tocaram-me de inúmeras maneiras - foram alegria, conforto, reflexão, acolhimento, e até ponto de partida para muitas amizades. Eu admirei sua capacidade de indignação e senso de justiça, e a coragem de se expor para falar daquilo que era necessário.
14 de novembro de 2022
Toil & Trouble: uma história do Oculto pela ótica feminina

E assim, chegamos à ideia de bruxaria e ocultismo como ativismo, como rebelião. Após tudo o que vimos, o título de bruxa, com todas as suas conotações complicadas, foi reivindicado com entusiasmo.
Estiquei o olho para Toil and Trouble tão logo me dei conta de que se tratava de uma obra das mesmas autoras de Monster, She Wrote. Aqui, contudo, em vez de uma coletânea de breves biografias de escritoras pioneiras no horror/terror, Lisa Kröger e Melanie Anderson nos apresentam um apanhado histórico feminista do que chamamos, de forma genérica, de Oculto.
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7 de novembro de 2022
Presença de Antígona: o poder subversivo dos mitos antigos

Antígona foi encenada pela primeira vez em Atenas, em (supõe-se) 442 a.C. Hoje é encenada no mundo inteiro. Desde 2016 tem sido apresentada, com outro enfoque, em Ferguson, no Missouri, e em Nova York. Antigone in Ferguson foi criada por Bryan Doerries depois do assassinato de Michael Brown Jr, rapaz de dezoito anos, por um policial, em 2014. É a leitura de uma adaptação da peça de Sófocles seguida por uma discussão com integrantes da comunidade, policiais e ativistas, sobre raça e justiça social.
Por que não se limitar a escrever uma peça sobre a morte de Michael Brown? Por que recorrer a Antígona para refletir sobre essa tragédia? Parte da resposta deve ser que o mito nos permite investigar situações extremas sem cair na deselegância de dramatizar detalhes específicos da morte de um jovem. E por isso os gregos antigos tomavam a mitologia como material para as tragédias. Peças encenadas sobre eventos contemporâneos causavam muito sofrimento a quem assistia. Os mitos gregos abordam também temas difíceis, sobre abusos de poder e fraquezas humanas. A possibilidade de explorar questões como, por exemplo, o que torna boa uma liderança ou como resistir ao Estado fascista permite projetar diretamente esses temas em eventos particulares locais.
Esse livro me conquistou de cara pelo título e subtítulo - sério, adoro quando se fala no clássico subvertendo expectativas. É um volume curtinho, de leitura bem rápida e fluida, que costura referências modernas com mitologia, exploradas especialmente de um ponto de vista feminista.
1 de agosto de 2022
O Infinito em um Junco: a invenção dos livros no mundo antigo

Cresci, mas continuo mantendo uma relação muito narcisista com os livros. Quando um relato me invade, quando sou impregnada por sua chuva de palavras, quando entendo de forma quase dolorosa o que ele conta, quando tenho certeza—íntima, solitária—de que aquele autor mudou minha vida, volto a acreditar que eu, especificamente eu, sou a leitora que esse livro estava procurando. Nunca perguntei se alguém sente algo parecido. No meu caso, tudo remonta ao país da infância, e acho que há um motivo essencial: meu primeiro contato com a literatura foi em forma de leitura em voz alta; em forma de encruzilhada em que confluem todos os tempos—o presente da escrita e o passado da oralidade; de um pequeno teatro com um só espectador, de citação fiel e de prece libertadora. Se alguém lê para você, é porque deseja o seu prazer; trata-se de um ato de amor e um armistício em meio aos embates da vida. Enquanto você escuta a história, com uma atenção sonhadora, o narrador e o livro se fundem numa única presença, numa única voz.
Não tinha ouvido falar desse livro antes dele aparecer em pré-venda, mas assim que bati o olho, a poeticidade do título me chamou a atenção. E o subtítulo também, claro, afinal, se tenho uma fraqueza bem conhecida, são livros que falam de livros. Assim é que coloquei O Infinito em um Junco na minha lista de “fiquei curiosa” e esperei pela oportunidade de folheá-lo e assim determinar seu nível de prioridade de aquisição.
4 de julho de 2022
Burning Questions: as questões cruciais de Margaret Atwood

"Com tantos dispostos a morrer em seu nome, por que os cidadãos de muitos países ocidentais estão dispostos a abrir mão de suas liberdades duramente conquistadas sem dar um pio? Geralmente é medo. E o medo pode vir de várias formas: às vezes se resume ao medo de não ter um salário no fim do mês. Desde que os trens funcionem no horário e você mesmo esteja empregado, por que fazer tanto barulho se algumas pessoas aqui e ali estão sendo penduradas pelos polegares? E quando a tortura vai se tornando comum, um medo de outro tipo se instala. Você pode proteger seus polegares apenas ficando abaixo da superfície do lago dos sapos: não levante a cabeça ou coaxe muito alto, e garantem a você, contanto que você não faça nada "errado" - e errado aqui é um conceito em constante mudança -, nada de ruim lhe acontecerá. Até que acontece. E como a imprensa livre já terá sido suprimida, e como qualquer judiciário independente já terá sido desmantelado, e como quaisquer escritores, cantores e artistas independentes já terão sido esmagados, não restará ninguém para defendê-lo."
Sendo, como ela mesma reconhece num dos escritos desta coletânea, um ícone ("uma vez que você é um ícone, você está praticamente morto, e tudo o que tem a fazer é ficar parado nos parques, transformando-se em bronze enquanto pombos e outros se empoleiram em seus ombros e defecam em sua cabeça"), o novo volume de ensaios de Margaret Atwood - reunindo peças de 2004 a 2021 - era um dos lançamentos mais esperados para 2022. E, embora eu não tenha lido tanto da autora quanto gostaria, também me deixei levar pela mística e coloquei Burning Questions na minha lista de prioridades para o ano.
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20 de maio de 2022
Lendo Perigosamente: o poder subversivo da literatura em tempos difíceis

"Como lidamos com sentimentos de frustração e raiva diante do absolutismo? Como confrontamos as mentiras e as substituímos pela verdade? Como resistimos à injustiça e evitamos ficar paralisados por fantasias de vingança? Como nos tornamos justos para com aqueles que foram injustos conosco? Como lidamos com nosso inimigo sem nos tornarmos como ele ou nos rendermos a ele?
Recorro à ficção porque responder a essas perguntas e lidar com nossos adversários requer, antes de tudo, compreensão, e para isso precisamos do poder imaginativo que a ficção cultiva. Na ficção, como na vida real, o enredo avança e o personagem se desenvolve por meio de oposição e conflito. A oposição pessoal, política ou literária sempre pode encontrar uma forma. E estou interessada aqui em explorar os diferentes formatos e moldes de oposição literária e real que podem levar a uma mudança de perspectiva. Porque a mudança é difícil de efetuar, e as diferenças muitas vezes parecem intransponíveis, e a literatura nos ensina como somos compelidos a agir de certas maneiras, levando-nos a perguntar “Como podemos mudar o mundo?” seguido por "Como podemos mudar a nós mesmos?""
Na newsletter mensal que recebo do Goodreads sou informada dos lançamentos de autores que já li e registrei no sistema. Foi assim que descobri que descobri Read Dangerously, da Azar Nafisi - que eu conhecera pelo excelente Lendo Lolita em Teerã (e bem merecia uma reedição).
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14 de abril de 2022
O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe

Em meio à pandemia de Covid-19 que assolou o mundo em 2020, Fernanda Medeiros e Liana de Camargo Leão lançaram a seguinte pergunta a atores, diretores, escritores, críticos e professores de várias partes do Brasil e do mundo: o que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe? A proposta era que os convidados tentassem, da maneira mais verdadeira possível, responder a essa provocação e que o fizessem rápido, na urgência do momento, para que o livro ficasse impregnado da pressão de uma vivência inédita. As contribuições foram chegando, somando as 57 “falas” que aqui estão. Há Shakespeares diversos ― locais e universais; de uma única peça ou de um único personagem; mais ou menos feministas; trágicos e cômicos; renascentistas e contemporâneos; ingleses e cosmopolitas. E há estilos diversos também. Dos textos curtíssimos aos ensaios mais longos; dos depoimentos orais às pequenas coleções de pistas. O resultado é uma obra brilhante, que sem dúvida viverá para muito além desta pandemia.
Tão logo vi o anúncio dessa publicação, fiquei ansiosa para deitar as mãos nela - mas também um pouco receosa, perguntando-me se o calhamaço (são mais de 500 páginas) seria mais voltado a uma crítica acadêmica, menos acessível ao leigo ou se seria apenas um resumo de cada obra com algum contexto histórico jogado pelo meio. Tenho alguns excelentes volumes de reflexões sobre o bardo (Mil Vezes mais Justo me vem à mente), mas também já me deparei com alguns cuja secura técnica serviu-me de remédio para insônia.
9 de dezembro de 2021
O Resumo da Ópera - Bate o Sino...

Fim de ano significa, claro, mais um resumo da ópera aqui pelo Coruja. Como de hábito, vai uma miscelânea de coisas que andei lendo pelo segundo semestre - quadrinhos, vários romances LGBTQ+, ensaios, livros sobre escrita e sobre astronomia, e até poesia.
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4 de novembro de 2021
A Terra Inabitável: Uma História do Futuro

Um modo de ver basicamente deliberado, ainda que com frequência travestido de impotência, é o tema da formidável obra em duas partes de William Vollmann, Carbon Ideologies [Ideologias do carbono], que abre—fora a epígrafe, “Um crime é algo que algum outro comete”, de Steinbeck—da seguinte forma: “Um dia, num futuro talvez não muito distante, os habitantes de um planeta mais quente, mais perigoso e biologicamente diminuído do que esse em que vivi talvez se perguntem o que você e eu tínhamos na cabeça, se é que havia alguma coisa”. Na maior parte do prólogo, ele escreve sobre o passado de um futuro imaginado e devastado. “Claro que fizemos isso conosco; sempre fomos intelectualmente preguiçosos e quanto menos era exigido de nós, menos fizemos”, escreve. “Vivemos todos em função do dinheiro e foi em seu nome que morremos.”
Esse livro me chamou a atenção pelo título, que é uma daquelas sacadas que te pega numa passada de olho nas estantes da livraria. Ele nasceu como um ensaio para a revista New York, publicado em julho de 2017. Para quem lê em inglês, é possível ver a íntegra de forma gratuita e ter uma boa ideia dos argumentos do autor. O livro, contudo, não apenas expande o artigo, como traz uma rica bibliografia. Pelo conteúdo e pela coleção de notícias e outras obras de estudo, A Terra Inabitável é um bom volume de referência para se ter a mão.
21 de outubro de 2021
The Five: a história não contada das mulheres assassinadas por Jack, o Estripador

Insistir que Jack, o Estripador, matou prostitutas também torna a história de uma série grotesca de assassinatos um pouco mais palatável. Assim como ocorria no século XIX, a noção de que as vítimas eram "apenas prostitutas" procura perpetuar a crença de que há mulheres boas e más; madonas e prostitutas. Sugere que existe um padrão aceitável de comportamento feminino e que as que se desviam dele devem ser punidas. Igualmente, ajuda a reafirmar o duplo padrão, exonerando os homens dos erros cometidos contra essas mulheres.
Lembro-me vagamente de quando estive em Londres sozinha, em 2014, descer do ônibus em Whitechapel a caminho de algum outro lugar, olhar as placas pelo caminho e pensar com meus botões "então foi por aqui que Jack andou fazendo das suas". Não cheguei a explorar nada no caminho, mas fiquei com o personagem na cabeça um bom tempo. Até cheguei a pensar em fazer um daqueles passeios guiados, mas não tinha tempo dentro da minha programação.
14 de setembro de 2021
Square Haunting: Cinco Mulheres, Liberdade e Londres Entreguerras

A sala de estar, escreveu Harrison, foi designada território da esposa, mas permaneceu um espaço público, como 'a sala em que os “visitantes são introduzidos” - uma sala na qual você não pode se acomodar para pensar, porque qualquer pessoa pode entrar a qualquer momento'. O escritório do marido, ao contrário, era "um lugar inviolado, guardado por tabus imemoriais", onde o homem da casa "pensa, aprende e sabe"; havia, Harrison notou, "raramente duas cadeiras" na sala. A presença em quase todas as casas desses dois cômodos polarizados, ela sugeriu, servia como alegoria para a recusa da sociedade em levar as mulheres a sério. "A casa onde você não pode e não deve sentar no escritório não é para mim um lar", escreveu Harrison. ‘Mas, então, há muito sei que não sou uma "mulher verdadeira". Um dos sinais mais nefastos dos tempos é que as mulheres estão começando a exigir um estúdio para si.'
Começo hoje dizendo que não faço a menor ideia de como esse livro veio parar na minha mão. Eu jurava que o tinha visto recomendado no perfil do Literatura Inglesa Brasil, mas antes de me sentar para começar essa resenha, fui tirar a prova dos nove e não encontrei lá nada sobre o livro de Francesca Wade. Enfim, eu devo tê-lo visto talvez em alguma lista, ou nas indicações do Goodreads e coloquei na lista pela referência a escritoras, Londres e o período entre a Primeira e Segunda Guerra.
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3 de agosto de 2021
Quatro Reflexões sobre o Luto: Lewis, Didion, Macdonald e Adichie

Se há uma certeza na vida, é a morte. É uma verdade inescapável e, nesse último ano e meio, provavelmente tivemos mais consciência que nunca de nossa própria mortalidade e também daqueles que amamos. Com mais de meio milhão de mortos apenas em nosso país, difícil encontrar alguém que não tenha perdido alguém próximo, parente, amigo, conhecido que seja. Através das notícias que nos chegam, vivemos diariamente o luto - um luto individual e também coletivo, um lamento pelas histórias e esperanças que se apagaram antes do tempo, pelos ídolos que se vão, por um senso de segurança que não sabíamos existir e que, agora sabemos, nunca voltará ao que era antes.
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5 de julho de 2021
Mulheres Confiantes: golpes, trapaças e outras artimanhas da persuasão feminina

O carisma de uma golpista é sua ferramenta mais importante, certeira como a faca de um chef e falsa como uma máscara de teatro. Sem carisma, ela não seria nada. Se gostar dela - e você vai gostar -, o trabalho dela ficará muito mais fácil. Acabará depressa. Você nem vai perceber.
Adorei o que a Telfer fez em Lady Killers, de forma que, quando bati o olho nesse lançamento, não resisti a colocá-lo na lista (e passá-lo à frente de um monte de outros que estavam aqui na espera…). E valeu à pena, porque foi uma leitura divertida, daquelas que passa voando, você só percebe o número de páginas quando chegou ao final e não tem mais o que ler.
Não, sério. Eu cheguei ao final e fiquei “como assim já terminou?”
17 de junho de 2021
O Resumo da Ópera - Leituras e Releituras

Chegamos ao meio do ano e, com ele, meu já tradicional balanço de leituras ainda não resenhadas e então brevemente comentadas cá no resumo da ópera. Escrevendo esse post, dei-me conta de como tenho feito releituras nos últimos tempos. Várias das análises que fiz até aqui foram de livros que andei relendo - e tenho outros tantos na fila nessa mesma situação.
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27 de maio de 2021
As Bruxas da Noite: A História não Contada do Regimento Aéreo Feminino Russo Durante a Segunda Guerra Mundial

"Toda guerra pode ser contada de duas maneiras [...] Descrevem horror, sangue, imundície, desespero, traição, repulsa, ódio, medo, dor, terror; ou então colocando tudo isso de lado, concentrando a atenção na disciplina, na ordem, nas batalhas, nas conquistas, no método, na tenacidade e, por fim, naturalmente, na vitória. [...] No primeiro caso, quando se conta a guerra com todos os seus horrores, os homens parecem submetidos a um destino maior do que eles, a uma história que os domina e os esmaga, apagando sua voz. No segundo, pelo menos em aparência, são suas ações a determinar a guerra e a conduzir os acontecimentos. Mesmo que não sejam heróis, não tenham papéis de comando e sofram ou morram, sua sorte participa de um destino mais geral que ilumina seu significado e os torna protagonistas da história."
Descobri esse livro na pré-venda da Amazon (estou sempre dando uma espiada lá para descobrir se há novidades que me interessem e assim aumentar a minha já enorme lista de desejos) e me conquistaram capa, título e sinopse. O que posso fazer, se sou fascinada pelo assunto das grandes guerras?
9 de março de 2021
Os Mortais Mais Perversos do Mundo de Lore

Yes, our world is still full of dangerously irrational people—people that allow hate and jealously and their own deep insecurities to drive them toward monstrous actions.
Descobri o podcast de Lore quando o primeiro volume da coleção derivada do programa saiu aqui pela Darkside. Adorei a prosa de Mahnke - que mantém a oralidade, o tom informal do produto original - e a forma como ela casa com as ilustrações de M. S. Corley, pelo que me empolguei para ir atrás do volume seguinte.
22 de fevereiro de 2021
A Tirania do Mérito: o que aconteceu com o bem comum?

“Vale a pena notar que o regime do mérito exerce sua tirania em duas direções ao mesmo tempo. Nas pessoas que chegam ao topo induz à ansiedade, a um debilitante perfeccionismo e à arrogância meritocrática que se esforça para esconder uma autoestima frágil. Nas pessoas que deixa para trás, ela impõe um desmoralizante, até mesmo humilhante, senso de fracasso. Essas duas tiranias compartilham de uma fonte moral comum: a permanente fé meritocrática de que somos, como indivíduos, totalmente responsáveis por nosso destino; se formos bem-sucedidos, é graças a nossas próprias ações, e se fracassarmos, não podemos culpar ninguém, a não ser nós mesmos. Apesar de soar inspirador, essa dura noção de responsabilidade individual faz com que seja difícil usar do senso de solidariedade e obrigação mútua que poderia nos suprir para enfrentarmos a crescente desigualdade de nosso tempo.”
Ganhei esse livro final do ano passado. O autor já estava no meu radar desde que eu vira críticas sobre o seu Justiça - o que é fazer a coisa certa. Nesse título, ele é excelente na forma didática e repleta de exemplos com que explica seus conceitos e teorias. Mais um daqueles muitos livros que gostaria de ter lido nos anos de faculdade.
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