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16 de junho de 2023
Resumo da Ópera - Acelerado em 3x na Via Expressa

Fazendo um balanço do meu sabático, cheguei a conclusão de que, mesmo sem me colocar a obrigação de resenhar o que leio (e de escolher minhas leituras já pensando em resenhá-las), não houve muita diferença na quantidade de volumes que me passam pelas mãos: continuo devorando tudo de forma rápida e voraz.
Mesmo sem ter colocado oficialmente metas de leitura para o ano (“vou ler um livro por semana” ou “vou terminar a bibliografia de fulano e sicrano”), ou prazos de qualquer tipo (exceto para as leituras do clube do livro, por razões óbvias), cheguei à conclusão que estou tão ‘treinada’ em certos comportamentos que continuo a ter dificuldade de diminuir o ritmo e, bem, essa era a verdadeira meta para esse ano.
[E isso me faz lembrar uma tirinha do Raphael Salimena sobre a produtividade do lazer…]
Devo me resignar simplesmente a ser uma pessoa meio acelerada mesmo quando não estou acelerando rumo a um objetivo específico? Coisas para discutir na terapia…
Enfim, elucubrações sobre a velocidade da vida cotidiana à parte, o que não mudou (e nem faço assim tanta questão de mudar) é a vontade de trocar figurinhas sobre as coisas que leio. O que significa que… sim, estamos na época de mais um maravilhoso Resumo da Ópera por aqui no blog.
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23 de dezembro de 2022
O Resumo da Ópera: preparem as cortinas!

Fim do ano chegou e também aquela última rodada de resenhas em que faço um apanhado das leituras do semestre que não ganharam análises mais longas, mas sobre os quais ainda quero falar.
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romance histórico
20 de maio de 2022
Lendo Perigosamente: o poder subversivo da literatura em tempos difíceis

"Como lidamos com sentimentos de frustração e raiva diante do absolutismo? Como confrontamos as mentiras e as substituímos pela verdade? Como resistimos à injustiça e evitamos ficar paralisados por fantasias de vingança? Como nos tornamos justos para com aqueles que foram injustos conosco? Como lidamos com nosso inimigo sem nos tornarmos como ele ou nos rendermos a ele?
Recorro à ficção porque responder a essas perguntas e lidar com nossos adversários requer, antes de tudo, compreensão, e para isso precisamos do poder imaginativo que a ficção cultiva. Na ficção, como na vida real, o enredo avança e o personagem se desenvolve por meio de oposição e conflito. A oposição pessoal, política ou literária sempre pode encontrar uma forma. E estou interessada aqui em explorar os diferentes formatos e moldes de oposição literária e real que podem levar a uma mudança de perspectiva. Porque a mudança é difícil de efetuar, e as diferenças muitas vezes parecem intransponíveis, e a literatura nos ensina como somos compelidos a agir de certas maneiras, levando-nos a perguntar “Como podemos mudar o mundo?” seguido por "Como podemos mudar a nós mesmos?""
Na newsletter mensal que recebo do Goodreads sou informada dos lançamentos de autores que já li e registrei no sistema. Foi assim que descobri que descobri Read Dangerously, da Azar Nafisi - que eu conhecera pelo excelente Lendo Lolita em Teerã (e bem merecia uma reedição).
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3 de abril de 2021
Queime Antes de Ler: entre cartas e filamentos do passado em “É assim que se perde a guerra do tempo”

Em um vão do solo arrasado, ela encontra a carta.
Está fora de lugar. Ali deveria haver corpos empilhados entre os destroços de naves que um dia percorreram as estrelas. Ali deveria haver a morte e a sujeira e o sangue de uma operação bem-sucedida. Deveria haver luas se desintegrando lá em cima, naves incendiadas em órbita.
Não deveria haver uma folha de papel cor de creme, limpo, exceto por uma única linha longa e repuxada escrita à mão: Queime antes de ler.
Esse título já me chamara a atenção há algum tempo por ter ganho os prêmios Nebula, Locus e Hugo entre 2019 e 2020. E, bem, trata-se de um romance epistolar entre viajantes no tempo, o que junta duas coisas que me fascinam: cartas e viagens temporais. Como eu poderia resistir?
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7 de outubro de 2020
Os Infinitos Corredores e Significados de Piranesi

"Houve um tempo em que homens e mulheres eram capazes de se transformar em águias e voar distâncias imensas. Eles comungaram com rios e montanhas, e receberam a sabedoria deles. Eles sentiram o giro das estrelas dentro de suas próprias mentes. Meus contemporâneos não entenderam isso. Eles estavam enamorados pela ideia de progresso e acreditavam que tudo o que era novo seria superior ao antigo. Como se mérito funcionasse em torno de cronologia! Mas me pareceu que a sabedoria dos antigos não poderia simplesmente ter desaparecido. Nada simplesmente desaparece. Isso não é realmente possível."
Esse era o livro para o qual eu mais tinha expectativas esse ano. Comprei-o em pré-venda em fevereiro, sete meses antes do lançamento, numa edição especial da Waterstones que vinha autografada pela autora e esperei ainda mais um mês até os correios entregarem o bendito: quase uma gestação. Mas, bem, dificilmente terei chance de encontrar a Susanna Clarke por aí, e ela é uma das mais importantes figuras do meu panteão particular de autores.
5 de março de 2018
Sofrendo com o Menino Werther

Há muito eu estava devendo a leitura de Os Sofrimentos do Jovem Werther - é um título que está na minha lista desde que devorei Fausto, alguns meses antes de começar a faculdade. Goethe me fascinara com a história do sábio doutor e o demônio Mefistófeles e queria muito conhecer mais dele. Mais de uma década depois, peguei uma edição de bolso do Werther para afinal completar tal lacuna. Não tenho desculpas para esse atraso, além do fato de que havia muitas pilhas de livros ainda não lidos na estante..."Deus sabe quantas vezes me deito com o desejo, e até com a esperança de não mais acordar! E, no dia crástino, de manhã, abro outra vez os olhos e vejo o sol, e me sinto novamente desgraçado! Antes fosse um demente; assim lançaria a culpa sobre o tempo, sobre um terceiro, sobre uma empresa frustrada, e o fardo incomportável de meu desgosto me oprimiria menos. Mas, ai de mim! Bem sei que a culpa é inteiramente minha - a culpa? Não! A culpa, não! Basta que no meu ser se oculte a fonte das desgraças como outrora a origem dos fortúnios. Por ventura não sou o mesmo que via um paraíso a cada passo, e cujo coração abarcava um mundo delicioso? E esse coração agora é morto, dele não mais transbordam exaltações e entusiasmos, meus olhos estão secos, e os meus sentidos, sem o refrigério dulcíssimo das lágrimas, me contraem as têmporas em rugas angustiosas."
3 de outubro de 2016
Desafio Corujesco 2016 - Um Livro com Título de uma Palavra Só || Possessão

De início, Roland trabalhava com aquela curiosidade concentrada com que sempre lia qualquer coisa escrita por Randolph Ash. Esta curiosidade era um misto de familiaridade e adivinhação; ele sabia como funcionava a mente de Ash, lera as coisas que ele lera, sentia-se como se possuído pelas características da sintaxe e da prosódia do autor. Enquanto lia, ia raciocinando antecipadamente, ouvindo o ritmo do que ainda não lera como se fosse ele que tinha escrito aquele texto, ouvindo no cérebro os ritmos espectrais do que ainda estava por escrever.
Primeira coisa a dizer sobre esse livro: a despeito do título e de algumas referências bastante discretas que têm mais a ver com o estado de espírito de certos personagens que cenas no estilo O Exorcista, o romance mais celebrado de A. S. Byatt não é uma história em que fantasmas de autores mortos possuem o corpo de estudiosos especialistas em suas obras para darem conclusão a sua história de amor (ou talvez seja exatamente isso que tenha acontecido, dependendo da sua escolha de interpretação dos fatos).
21 de julho de 2016
Para ler: Pamela
À primeira vista, Pamela, de Samuel Richardson, não é o tipo de livro com o qual o leitor moderno sentiria muita identificação: trata-se de um romance epistolar que acompanha as desventuras de uma jovem de beleza incomum, a qual se aferra com unhas a dentes a sua virgindade como símbolo máximo de seu próprio valor contra um patrão aristocrata que, continuamente, tenta violentá-la, mas acaba mudando frente ao exemplo da moça e pelo amor que ela lhe inspira e, de libertino consumado, se torna marido piedoso.Oh, coração traiçoeiro! Como pudeste me tratar dessa maneira? Sem me dar sequer um aviso das brincadeiras de mau gosto que ias fazer comigo! Como pudeste te curvar tão facilmente ao invasor impetuoso, sem ao menos consultar tua pobre dona? Mas teu castigo será o primeiro e o maior de todos, e bem merecido, pérfido traidor.
27 de maio de 2016
Índice - Heróis de Papel
Índice completo das cartas trocadas entre David e Alex ao longo da Guerra, documentando a busca por Alice, o início da amizade entre os dois, e a incansável capacidade humana de ter esperança.
26 de janeiro de 2016
Desafio Corujesco 2016 - Um Livro Escrito em Cartas || As Relações Perigosas

Para abrir meu Desafio Corujesco desse ano, decidi ler As Relações Perigosas, clássico francês que causou furor à época em que foi publicado e que alguns críticos reputam ser parte da razão de ter eclodido a Revolução Francesa – o retrato de uma aristocracia indolente e perversa que se compraz em jogos de poder sem se importar sobre em quem estão pisando teria inflamado muitos descontentes com o regime.Sejamos sinceros: em nossos arranjos, tão frios quanto fáceis, o que chamamos de felicidade não passa de mero prazer.
11 de dezembro de 2015
Heróis de Papel - Epílogo
Epílogo
30 Anos Depois...
Caro Lex,
Amanhã faz exatos 30 anos desde que lhe enviei a primeira carta. O que eu esperava ser apenas um serviço para me ocupar, e para ajudar um jovem soldado, acabou por progredir numa troca de experiências que, eventualmente, transformar-se-ia na amizade que temos hoje. Você tem sido tão bom companheiro em pessoa quanto foi em escrito, e ainda mais.
4 de dezembro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 30
Capítulo 30
Final de Junho (Ano 5)
David,
Acabou. A guerra acabou, nós ganhamos, e estou finalmente de volta. É estranho, não? Você volta para um lugar, depois de passar anos fora, e espera que as coisas estejam diferentes. Você mudou, e é razoável pensar que o resto tenha mudado também.
27 de novembro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 29
Capítulo 29
Meados de Maio (Ano 5)
Caro Alex,
Ler sua potencial declaração de guerra fez-me sentir mais leve. Muito, muito obrigado, meu amigo. De fato, evitemos uma terceira guerra. Já cansei delas.
Agradeço-lhe, ainda, a consideração ao responder minha carta anterior, apesar da indubitável falta de tempo quando a recebeu.
20 de novembro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 28
Capítulo 28
Início de Março (Ano 5)
Kal,
Essa talvez seja a última carta que lhe escreverei durante algum tempo: amanhã atravessaremos Remagen e a última fronteira antes de adentrarmos de fato o território inimigo. Sua carta chegou-me às vésperas dos preparativos para a invasão, e não me deixou tempo suficiente para responder. Assim, como não sei quando poderei mais uma vez sentar e escrever; ou quando as comunicações estarão suficientemente organizadas para que eu possa despachar essa missiva, preferi dar-lhe agora uma resposta breve em vez de deixá-lo esperando sem termos em vista.
13 de novembro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 27
Capítulo 27
Fim de Janeiro (Ano 5)
Caro Alex,
Primeiro, peço que me perdoe a demora em respondê-lo. Sua carta chegou há algum tempo, mas, por não crer ser justo com você, não queria sequer a ler enquanto ainda estivesse naquele péssimo humor no qual me encontrava imerso. Não que tenha me recuperado, mas, pelo menos, não estou mais tão desesperado para me atirar em frente a um automóvel de bombeiros disparado em direção a uma emergência.
Nunca mais quero passar por um Natal desses...
6 de novembro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 26
Capítulo 26
Início de Dezembro (Ano 4)
David,
Precisei ler e reler várias vezes sua última carta para digerir tudo o que decidiu me contar, antes de me atrever a responder. Não desejo lhe causar mais mágoa, ou oferecer palavras de consolo vazias. Acredite em mim quando digo que me sinto honrado por merecer sua confiança, e a única coisa que deploro em toda essa miserável situação é o fato de que não posso fazer muito mais além de lhe escrever.
30 de outubro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 25
Capítulo 25
Início de Outubro (Ano 4)
Alex,
Há tanto a se encaixar nessa carta, que não sei por onde iniciá-la...
Então será pela notícia mais leve, a de Galahad. Tínhamos uma grande leva de cães em nosso pelotão também. Não no início já que trabalhávamos primordialmente com missões silenciosas, muitas vezes secretas,. Mais para o fim da guerra, contudo, fomos reposicionados, e recebemos uma das matilhas. São excelentes criaturas, e tive a oportunidade de ver o treinador transformá-los em soldados corajosos.
23 de outubro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 24
Capítulo 24
Meados de Agosto (Ano 4)
Kal,
Peço desculpas pela demora nesta carta. Como você já deve saber, seu vizinho Eric tinha razão. Ao longo dos últimos dois meses, houve um desembarque maciço de tropas aliadas e, mesmo estando longe do principal teatro de operações no momento, houve um acirramento das tensões em nossa área.
16 de outubro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 23
Capítulo 23
Meados de Maio (Ano 4)
Alex,
Antes de mais nada, preciso que saiba que não tenho problemas com detalhes. Se quiser ou mesmo precisar escrever a próxima carta contando quantos fios tem os lençóis ou quantos grãos de areia conseguiu contar numa hora, fique à vontade. Dizem que tamanho não é tudo, mas também não é insignificante. Mais detalhes, e mais carta significa mais coisas a dividir, e mais escoamento de pensamentos negativos. É um excelente escape; fique à vontade em usar. Tenha certeza, farei o mesmo, vez que já me disseste inúmeras vezes que o poderia fazer. Para minha absoluta insatisfação, tive de me resignar a usá-lo como ouvidos... (É nesse momento que você deveria rir, porque eu tentei fazer uma piada. Juro que sou melhor nisso ao vivo...)
9 de outubro de 2015
Heróis de Papel - Capítulo 22
Capítulo 22
Meados de Março (Ano 4)
Kal,
Como de hábito, começo esta carta com meus agradecimentos. De fato, as meias não estão ganhando muito uso no momento – o clima não é exatamente propício para lã. Mas gosto das cores, e como estou cansado do ambiente monocromático que parece predominar em qualquer acampamento militar, decidi pendurá-las em minha cabeceira. São a primeira coisa que vejo quando acordo, e creio que elas ajudam a tornar os dias mais toleráveis. Seus desenhos também estão espalhados pelas paredes do meu lado da barraca – cercar-me de minha coleção de arte faz com que eu me sinta mais confortável agora que estou de volta a campo.
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