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30 de outubro de 2020

All Hallow's Read: O Labirinto do Fauno


“Raramente o mal se mostra de imediato. A princípio, é pouco mais que um sussurro. Um olhar. Uma traição. Mas logo cresce e cria raízes, mesmo que imperceptível, despercebido. Só os contos de fada dão uma forma adequada ao mal. Os lobos maus, os vilões, os demônios, o diabo…”

O caminho, normalmente, é de um livro para uma adaptação nos cinemas. No caso de O Labirinto do Fauno, o inverso aconteceu: foi o filme que inspirou a escrita do livro, expandindo o roteiro nos espaços e entrelinhas. Sendo um dos meus livros favoritos, claro que fiquei de olho grande assim que o livro foi anunciado e devo dizer que a edição fez jus ao universo quimérico do filme, especialmente pelas ilustrações do Allen Williams que pontuam a passagem dos capítulos.


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9 de julho de 2020

Sobre guerra e pacifismo em "Nada de Novo no Front"


Quando os vejo assim, nos seus quartos, nos seus escritórios, entregues aos seus afazeres, sinto-me irresistivelmente atraído, queria ficar aqui também e esquecer a guerra; mas, ao mesmo tempo, isso também me repugna, tudo é tão mesquinho, como pode encher uma vida?... é preciso acabar com isso. Como podem ser assim, enquanto lá fora os estilhaços zunem sobre as trincheiras e os foguetes luminosos sobem, os feridos são arrastados em lonas para a retaguarda e os companheiros abaixam-se nas trincheiras?

Já tinha encontrado esse título em diversas listas de clássicos fora do eixo anglófono, e outras tantas de literatura sobre guerra; mas não foi até a viagem que fiz no final de 2018, estando na Europa em meio às celebrações e memoriais do centenário de armistício da Primeira Guerra Mundial, que coloquei-o na minha lista pessoal. Demorei um pouco para começar, mas coloquei-o como prioridade esse ano, depois de descobrir que Remarque perdeu a cidadania alemã no governo nazista por causa desse livro. Nada de Novo no Front - tanto o livro quanto o filme inspirado na obra - eram detestados por gente como Goebbels e Hitler, que os queimaram na literal fogueira de sua intolerância por apresentar uma “visão antigermânica” da guerra.


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5 de março de 2018

Sofrendo com o Menino Werther

"Deus sabe quantas vezes me deito com o desejo, e até com a esperança de não mais acordar! E, no dia crástino, de manhã, abro outra vez os olhos e vejo o sol, e me sinto novamente desgraçado! Antes fosse um demente; assim lançaria a culpa sobre o tempo, sobre um terceiro, sobre uma empresa frustrada, e o fardo incomportável de meu desgosto me oprimiria menos. Mas, ai de mim! Bem sei que a culpa é inteiramente minha - a culpa? Não! A culpa, não! Basta que no meu ser se oculte a fonte das desgraças como outrora a origem dos fortúnios. Por ventura não sou o mesmo que via um paraíso a cada passo, e cujo coração abarcava um mundo delicioso? E esse coração agora é morto, dele não mais transbordam exaltações e entusiasmos, meus olhos estão secos, e os meus sentidos, sem o refrigério dulcíssimo das lágrimas, me contraem as têmporas em rugas angustiosas."
Há muito eu estava devendo a leitura de Os Sofrimentos do Jovem Werther - é um título que está na minha lista desde que devorei Fausto, alguns meses antes de começar a faculdade. Goethe me fascinara com a história do sábio doutor e o demônio Mefistófeles e queria muito conhecer mais dele. Mais de uma década depois, peguei uma edição de bolso do Werther para afinal completar tal lacuna. Não tenho desculpas para esse atraso, além do fato de que havia muitas pilhas de livros ainda não lidos na estante...


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1 de agosto de 2015

Desafio Corujesco 2015: Livro com Título mais Diferente || A Manobra do Rei dos Elfos


– Cruzes! – disse Goethe quando uma garrafa de borgonha, ainda arrolhada, estourou na sua nuca com tamanha violência que o baque foi sentido em todo o seu corpo.

Descobri esse livro na estante de algum amigo e fiquei curiosa com o título – curiosidade que aumentou quando vi a sinopse e descobri que a história não era o relato de algum lance estratégico do eterno conflito entre Oberon e Titania. Em vez disso, tinha a ver com Goethe, Napoleão, reis perdidos e encontrados, teoria da conspiração crítica literária feita de forma física e, por vezes, com punhos.

Como eu poderia resistir a isso?


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2 de dezembro de 2010

Desafio Literário 2010 - Dezembro: Coração


“Quando você leva um livro numa viagem”, dissera Mo quando ela pôs o primeiro no baú, “acontece uma coisa estranha: o livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já está de novo no lugar onde o leu. Tudo volta, já nas primeiras palavras: as imagens, os cheiros, o sorvete que você tomou enquanto lia... Acredite, os livros são como papel pega-moscas. Não existe nada melhor para grudar lembranças do que páginas impressas.”

Das muitas coisas que gostei em Coração de Tinta - e não foram poucas – uma das minhas favoritas foram as epígrafes com que cada capítulo começa. Há pequenos tesouros ali, citações que (1) me deixaram morna e contente, como quem acaba de tomar uma caneca de chocolate num dia frio enquanto escuta suas músicas favoritas, aquelas que te tocam o coração e (2) já me fizeram adicionar novos títulos a minha interminável lista de ‘livros que quero ler’.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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