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11 de junho de 2020

Dez Anos em Dez Ensaios - Segunda Estrela à Direita até o Amanhecer (ou livros infantis para não perder o rumo)


Na minha última releitura de As Crônicas de Nárnia, passei um bom tempo ruminando a dedicatória do livro, a afirmação de que “um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas”. Desconfio de que, quando li essa frase pela primeira vez, não lhe dei a devida atenção, mas, quase vinte anos depois, ela se tornou uma citação que eu gostaria de pendurar na parede e ver todos os dias.


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25 de maio de 2020

Night Watch: tiranos, uma Revolução Gloriosa e a banalidade do mal


'Você gostaria de Liberdade, Verdade e Justiça, não gostaria, camarada Sargento?' perguntou Reg encorajador.

'Eu gostaria de um ovo cozido,' respondeu Vimes, sacudindo a caixa de fósforos.

Houve algum riso nervoso, mas Reg pareceu ofendido.

'Nas circunstâncias, Sargento, eu penso que poderíamos focar um pouco mais alto--'

'Bem, sim, nós poderíamos' retrucou Vimes, descendo os degraus. Ele lançou um olhar para os papéis na frente de Reg. O homem se importava. Ele realmente se importava. E ele estava sério. Realmente estava. 'Mas... bem, Reg, amanhã o sol virá de novo, e eu tenho bastante certeza que o que quer que aconteça não teremos encontrado Liberdade, e não haverá muita Justiça, e tenho absoluta certeza que não teremos encontrado a Verdade. Mas é possível, talvez, que eu consiga um ovo cozido.'

Night Watch abre com uma cena de perseguição policial pelos becos e telhados de Ankh-Morpork, envolvendo Samuel Vimes, Comandante da Guarda, e Carcer, um psicopata que prefere policiais como suas vítimas. Vimes consegue encurralar o assassino no telhado da Universidade Invisível, mas, em meio a uma tempestade mágica, os dois despencam não apenas no espaço, mas através do tempo, até trinta anos no passado, às vésperas do que ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e a República da Estrada Mina de Melaço - um breve e sangrento momento na história da cidade.


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21 de abril de 2020

Os Noivos do Inverno: Intrigas, Casamentos Arranjados e um Mundo em Pedaços


Suspensa no meio da noite, suas torres afogadas na Via Láctea, uma formidável cidadela flutuava sobre a floresta sem que qualquer coisa a prendesse ao resto do mundo. Era um espetáculo completamente louco, uma enorme colmeia expulsa pela terra, um entrelaçado tortuoso de masmorras, pontes, nichos, escadas, arcobotantes e chaminés.

Da primeira vez que bati o olho na capa desse livro, já me apaixonei. O título, as cores, a ilustração: algo naquilo tudo me chamava. Coloquei na lista de desejos e no All Hallow's Read do ano passado, ganhei ele de presente (obrigada de novo, Fernanda!). Coincidentemente, comecei a leitura ao mesmo tempo em que revia os filmes do Estúdio Ghibli na Netflix e por isso me dei conta de que a razão de ter ficado fascinada com a capa é que ela me fazia lembrar O Castelo Animado. E, quanto mais eu lia, mais a Dabos me remetia às histórias do Miyazaki: visualmente falando, eu imaginei o livro inteiro como uma das animações dele, dos cenários aos personagens.


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5 de março de 2020

O Mundo Invisível entre Nós: poesia, decadência e estranheza


"Não faz sentido. Por que você não destrói o fóssil? Por que não destrói essa coisa?" Ela bate no vidro com força com a palma da mão. "Se é segredo, se ninguém pode saber, porque você não se livra de tudo?"

"
Você conseguiria destruir essas coisas?", pergunta o homem. "Não, achei que não. Você não fez uma espécie de juramento de buscar respostas, mesmo quando as respostas são inquietantes, mesmo quando são impossíveis? Pois é, querida, eu também."

Sabe quando você se apaixona por uma capa sem nem olhar a sinopse? Ou quando um título fica ecoando na sua cabeça e você fica imaginando a história por trás dele? Ou quando um autor te conquista de tal forma que o nome dele faz o dedo coçar antes mesmo do bendito entrar em pré-venda? Tudo isso me aconteceu quando dei de cara com O Mundo Invisível entre Nós, da Caitlín Kiernan e não hesitei em colocá-lo na lista de desejos.


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1 de fevereiro de 2020

"Eu encontrei um viajante de uma terra antiga": uma história de livros e objetos descartados


"Lugares fechando, modas morrendo e objetos desaparecendo são parte da ordem natural das coisas. Não há motivo para lamentá-los."

“Nenhuma razão para lamentar? Então você acha razoável que uma livraria lendária como a Strand, ou Elliot's, feche as portas? Eu suponho que esteja tudo bem para você se os livros morrerem também."

“Eles não estão morrendo,” eu respondi, “mas se estivessem, então sim, porque isso significaria que a sociedade não precisa mais deles, da mesma maneira que deixou de precisar de bastões de bandeira e ascensoristas, da mesma forma que uma cobra descarta sua pele após trocá-la.”

Ele bufou escarnecendo. “Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi. Coisas necessárias desaparecem todos os dias. E o que dizer de todas as coisas que não percebemos serem necessárias até que tenham já desaparecido?"

Narrada em primeira pessoa, I Met a Traveller in an Antique Land acompanha Jim, um blogueiro que defende a ideia de descartar objetos e processos que tenham se tornado obsoletos… incluindo livros físicos (irônico, considerando que ele está em negociações para publicar seu próprio título). Não que ele não goste de livros - a despeito do que o repórter que o entrevista no início da história possa dizer -, mas porque ele acredita que tudo pode ser digitalizado, encontrado em livrarias virtuais e bibliotecas. Tudo estará armazenado em… algum lugar, que ele não sabe bem qual é, mas estará lá, dando assim espaço para o que realmente interessa.


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15 de dezembro de 2019

Empilhando no Escaninho #38 (Os Links da Coruja)


Faz um tempinho que eu não publico minhas tradicionais listas de links, não é verdade? Na verdade, faz um tempo que não publico nada cá no blog - vou tratar do assunto em outro post - mas estou de volta.


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5 de junho de 2019

Os Melhores Contos de Fadas Nórdicos


O vale e a montanha se alternavam em bela sucessão sob o céu azul da Noruega de milhares de anos atrás, assim como o fazem hoje, e a Corrente do Golfo fluía então como agora, passando pelas costas escarpadas; mas era uma terra muito diferente. Nas florestas densas, nenhum machado tinha sido ouvido contra os fortes troncos que os rios noruegueses carregariam para o mar, para flutuarem até o futuro como nobres navios sobre o coração do oceano; nas baías protegidas, nenhuma casa aninhada com cercanias caprichosamente cuidadas com jardins e campinas; nenhum barco ainda singrava o mar com redes e equipamento de pesca. Os homens ainda não tinham pensado nesta bela terra ao norte como morada.

Desde que vi o primeiro anúncio da campanha no Catarse para publicação de Os Melhores Contos de Fadas Nórdicos, fiquei de olho grande. Interesso-me bastante por esse tipo de história, bem como pela mitologia e folclore nórdicos e a editora prometia alguns contos raros e nunca traduzidos cá no Brasil. Para além do conteúdo, o projeto gráfico era coisa de encher os olhos. Resultado: apoiei a campanha no primeiro dia.


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3 de abril de 2019

Empilhando no Escaninho #37 (Os Links da Coruja)


Mês de abril começando e eu só consigo pensar nos quinze dias de férias que terei, na viagem para Minas e no chocolate da Páscoa... Caramba, que estou sonhando em comer chocolate (uma gastroenterite nos últimos dias está interferindo com minha capacidade de satisfazer tais desejos)...


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20 de março de 2019

Desafio Corujesco 2019 - Um Livro sobre Música || Dreams Underfoot


I don't think the world is the way we like to think it is. I don't think it's one solid world, but many, thousands upon thousands of them--as many as there are people--because each person perceives the world in his or her own way; each lives in his or her own world. Sometimes they connect, for a moment, or more rarely, for a lifetime, but mostly we are alone, each living in our own world, suffering our small deaths.

Quando decidimos por esse tema no Desafio Corujesco, pensei com meus botões que não fazia nem ideia que título escolher para ele… e, logo em seguida, lembrei do Charles de Lint e da minha promessa pessoal de ler mais da bibliografia do autor. Como muitos dos seus personagens trabalham com música, imaginei que seria simples encontrar um título que coubesse para o desafio. De fato, lendo as sinopses, havia várias possibilidades… Então, decidi-me por Dreams Underfoot, o primeiro volume da série Newford, que é a obra mais famosa do Lint.


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14 de janeiro de 2019

Projeto Pratchett: Nation



“Somewhere out there, flying to him from the edge of the world, was tomorrow. He had no idea what shape it would be, but he was wary of it. They had food and fire, but that wasn’t enough. You had to find water and food and shelter and a weapon, people said. And they thought that was all you had to have, because they took for granted the most important thing. You had to have a place where you belonged.”

Mau está no mar, voltando para casa após superar os desafios da Ilha dos Meninos, quando a grande onda surge, deixando em seu caminho um rastro de destruição quase apocalíptico. Levada à Nação - a ilha da tribo de Mau - pela mesma onda, Ermintrude (ou Daphne, como ela prefere ser chamada) é a única sobrevivente do navio Sweet Judy, que a levava para encontrar o pai na sede das colônias britânicas na região. E, embora ainda não saiba, ela acaba de se tornar princesa herdeira do trono inglês, após a peste dizimar boa parte da família real do outro lado do mundo. E é assim que começa Nation, livro que Pratchett considerava o melhor que já escrevera: dois jovens sobreviventes numa ilha deserta, após um cataclisma que eles bem poderiam considerar o fim do mundo.


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11 de dezembro de 2018

O Resumo da Ópera - Outros (Vários) Títulos que Passaram por Aqui no Segundo Semestre


Quando escrevi essa coluna pela primeira vez, pensei em ter uma periodicidade mensal. Pelo visto, contudo, só estou dando conta de escrever a cada seis meses. Ok, não, isso é mentira, mas vamos com o exagero por razões estéticas… ou, não tão exagero, porque tempo anda de fato apertado por aqui e existiam outros posts na lista de prioridades.


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8 de outubro de 2018

All Hallow’s Read: Elfos, Bruxas, Reis e Rainhas em mais uma história de Discworld


"- (...) Mesmo um caçador, um bom caçador, pode sentir pela presa. Isso é o que faz com que seja um bom caçador. Elfos não são assim. São cruéis por diversão, e não entendem coisas como misericórdia. Não entendem que algo além deles próprios possa ter sentimentos. Eles riem muito, especialmente se pegarem um humano solitário, um anão ou um troll. Trolls podem ser feitos de rocha, Majestade, mas estou dizendo a você que um troll é seu irmão em comparação com os elfos. Na cabeça, quero dizer.

- Mas por que eu não sei de nada disso?

-
Glamour. Elfos são bonitos. Eles têm, - ela cuspiu a palavra - estilo. Beleza. Graça. Isso é o que importa. Se os gatos parecessem rãs nós perceberíamos os bastardinhos desagradáveis e cruéis que são. Estilo. Isso é o que as pessoas lembram. Elas se lembram do glamour. Todo o resto, toda a verdade vira... contos de fadas da carochinha."

Não é preciso ir muito longe para perceber que Lordes e Damas é uma paródia de Sonho de uma Noite de Verão (com algumas pitadas de A Megera Domada e até Henrique V). Está tudo lá afinal: amores trocados, casamentos reais, travessuras, elfos e encantamentos; mas temperado com alguns detalhes picantes pelo meio, um sabá de bruxas e, claro, o humor bastante afiado de Pratchett.


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9 de setembro de 2018

Tradução - Deixe que Haja Dragões


Li no começo do ano uma coletânea de artigos, discursos e ensaios produzidos por Pratchett ao longo de décadas e A Slip of the Keyboard me fez rir, chorar, refletir - não muito diferente do que a prosa do autor sempre foi capaz de me provocar. Entre os muitos (excelentes) textos desse livro, Let There be Dragons foi um dos que ficou comigo, fez com que eu me perdesse em conjecturas e referências, sendo uma defesa não apenas da fantasia, mas do poder que a fantasia tem sobre as crianças. E claro que isso me deixou com um enorme desejo de compartilhá-lo com vocês. Então cá está mais uma tradução!


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20 de agosto de 2018

De Volta para Casa: ou o que acontece quando o conto de fadas termina?

A esperança machuca. É isso que você precisa aprender, e rápido, se não quiser que a esperança corte você de dentro para fora.

Meu primeiro contato com a série Wayward Child, da Seanan McGuire, foi com uma matéria da Tor.com sobre as ilustrações de Rovina Cai para as histórias. Aqueles desenhos me deixaram fascinada e bem ansiosa por deitar minhas mãos nos livros. Coincidentemente, enquanto pesquisava mais sobre as novelas, descobri que os direitos delas já tinham sido adquiridos aqui no Brasil pela Morro Branco. Coloquei o primeiro volume, Every Heart is a Doorway nos desejados e deixei passar o tempo. Aí, tio Fafa veio passar uns dias lá em casa em junho e ganhei a edição brasileira de presente (infelizmente, as ilustrações só foram publicadas no site, não na edição impressa…).


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9 de agosto de 2018

Empilhando no Escaninho #31 (Os Links da Coruja)


Voltei essa semana de São Paulo, depois de passar um fim de semana bem corrido, tendo ido passear na Bienal, visitar meu irmão e outros amigos que moram na cidade. Voltei de pés doloridos, mas bem feliz, ainda que tenha sido uma viagem bem curta.


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25 de junho de 2018

O Resumo da Ópera - Alguns Vários Títulos que Passaram por Aqui esse Primeiro Semestre


Faz tempo que estava pensando em começar uma coluna cá no Coruja para juntar várias pequenas opiniões sobre leituras feitas, interessantes, mas que não renderiam resenhas completas. Afinal, nem sempre dá para escrever cinco páginas desfiando o simbolismo das escolhas de um autor, mas isso não significa que aquele volume não tenha me tocado de alguma forma. Ou talvez eu já tenha falado daquele escritor e ir para além da própria narrativa signifique me repetir ad nauseam. Às vezes um ou dois parágrafos é suficiente para dar minha opinião, mas isso acaba não rendendo um post para o blog.


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6 de junho de 2018

Tradução - Em Busca de Portas


Descobri o vídeo da conferência de Victoria Schwab na Pembroke College Tolkien Lecture por puro acaso: o link foi indicado pelo Charles de Lint no Goodreads e, como sigo o autor por lá, o site me fez o favor de enviar a notificação para o meu e-mail. Já conhecia de nome a Schwab (estou com Um Tom Mais Escuro de Magia para ler aqui na estante), mas o que me chamou a atenção foi a referência a Tolkien - especialmente porque continuo às voltas com pesquisas para meu Projeto Arda. Guardei o e-mail para dar uma olhada quando tivesse mais tempo, e no fim de semana seguinte fui assistir.


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29 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte V: Problemático e Inspirador (ou conclusões narnianas)


Eu não era exatamente uma criança - supostamente, o público alvo da obra - na época em que li As Crônicas de Nárnia pela primeira vez. Mesmo assim, a história teve um profundo apelo emocional para mim. Tinha recém-entrado na faculdade, era a caçula nas minhas duas turmas (porque eu estava fazendo dois cursos pesados ao mesmo tempo), e tinha certeza de que abocanhara mais do que conseguia mastigar. Nárnia respondia à minha necessidade de histórias, de fantasia, de conforto e de esperança.


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21 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte IV: Começo e Fim


Eis então que chegamos ao começo… e também ao final de nossa saga. Porque, embora cronologicamente O Sobrinho do Mago seja a primeira das crônicas narnianas, foi o penúltimo livro a ser publicado e isso faz diferença na hora de lê-lo; trata-se de uma história que entrega respostas, que explica mistérios e, embora isso seja importante para a compreensão da mecânica do mundo criado por Lewis, também resulta numa certa perda da magia da primeira descoberta, tal como ocorre em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.


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15 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte III: Reis e Rainhas de Nárnia


Ao final de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, os irmãos Pevensie - que cresceram e passaram anos como reis e rainhas - retornam para casa, para o mundo mundano; mas retornam do ponto em que começaram a jornada, como crianças, ainda que com memórias de uma outra vida inteira passada. Um ano mais tarde, esperando na estação de trem para seguirem para o colégio em que estudam, são repentinamente chamados de volta para Nárnia. E, para seu choque, descobrem que mais de mil anos se passaram desde que sentaram nos tronos de Cair Paravel.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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