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10 de junho de 2020
As Intermitências da Morte: uma sátira sobre a imortalidade

Apesar de tudo, a morte que agora se está levantando da cadeira é uma imperatriz. Não deveria estar nesta gelada sala subterrânea, como se fosse uma enterrada viva, mas sim no cimo da mais alta montanha presidindo aos destinos do mundo, olhando com benevolência o rebanho humano, vendo como ele se move e agita em todas as direções sem perceber que todas elas vão dar ao mesmo destino, que um passo atrás o aproximará tanto da morte como um passo em frente, que tudo é igual a tudo porque tudo terá um único fim, esse em que uma parte de ti sempre terá de pensar e que é a marca escura da tua irremediável humanidade.
Li esse livro pela primeira vez quando ainda estava na faculdade, acho que logo na época em que ele foi publicado por aqui. Não sei dizer exatamente o que me fez ir atrás do Saramago ou desse título - desconfio que tenha sido por indicação de alguém (talvez a Régis que é muito fã do autor?) -, mas lembro de ter brigado bastante no início com o estilo “estou nem aí para pontuações” do Saramago, mas persistido por achar a história fascinante.
8 de fevereiro de 2020
As Várias Facetas de ‘E o Vento Levou’

Para indignação de Mammy, os companheiros favoritos de brincadeira da menina não eram as recatadas irmãs ou as garotas Wilkes, tão bem criadas, mas as crianças negras da fazenda e os meninos da vizinhança, e ela sabia subir em uma árvore ou atirar uma pedra tão bem quanto qualquer um deles. Era um motivo de grande preocupação para Mammy que a filha de Ellen exibisse tais traços, e frequentemente a intimava a “agir que nem uma daminha”. Mas Ellen assumia uma atitude mais tolerante e fazia vista grossa em relação ao problema. Ela sabia que os amiguinhos de infância seriam pretendentes no futuro, e o primeiro dever de uma moça era se casar. Ela se convencia de que a criança era simplesmente cheia de vida e ainda havia tempo para lhe ensinar as artes e graças de se tornar atraente para um homem.
Com essa finalidade, Ellen e Mammy reuniam seus esforços, e, à medida que Scarlett crescia, tornava-se uma pupila apta no assunto, embora aprendesse pouco do resto.
Começo a resenha confessando que essa foi a segunda vez que peguei E o Vento Levou para ler: quando comprei o livro uns anos atrás, li a primeira parte e abandonei, porque criei ojeriza a Scarlett O’Hara. Desconfio que o problema era meu humor à época, que me deixou sem paciência para o poço de egoísmo que Scarlett se revela logo no começo - tive tanta raiva da protagonista que larguei-a sem peso na consciência. Ok, ela é uma adolescente no início, mas ainda assim, tive uma reação muito visceral ao egocentrismo da mocinha. Esse ano, na minha incansável jornada para conquistar os livros não lidos da estante, decidi dar uma nova chance ao calhamaço de Margaret Mitchell: pensei que começando-o no começo do ano, estaria num humor melhor e conseguiria avançar.
29 de maio de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Protagonista Anti-herói/Vilão || O Retrato de Dorian Gray

"Todo impulso que nos esforçamos para sufocar se multiplica em nossas mentes, nos envenenando. O corpo peca uma vez, e deixa o pecado para trás porque a ação é uma forma de purificação. Nada resta senão a lembrança de um prazer, ou a volúpia de um pesar. O único modo de se livrar de uma tentação consiste em se entregar a ela.
Meu primeiro contato com Wilde foram suas peças. O humor mordaz de comédias como A Importância de ser Prudente e O Marido Ideal vão bem ao meu gosto. Ainda não li seus poemas, mas tenho curiosidade de qualquer dia me sentar para completar essa lacuna. Quanto ao único romance do autor, até cheguei a começar a leitura de O Retrato de Dorian Gray quando mais nova, mas não consegui ir adiante. Não sei dizer se foi por falta de maturidade para entender as nuances do livro ou por alguma outra razão, mas fato é que eu conhecia mais Dorian Gray por sua participação em A Liga Extraordinária que pelo livro original.
30 de abril de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Adaptação a ser Lançada esse Ano || Mulherzinhas

Era mesmo um lindo quadrinho, porque as irmãs estavam sentadas juntas, na penumbra daquele recesso, com sol e sombra bruxuleando sobre elas, o perfumado vento a despentear-lhes os cabelos e a refrescar-lhes as faces coradas, e toda a pequena população do bosque prosseguia com suas atividades, como se elas não fossem estranhas, mas velhas amigas. Meg estava sentada em sua almofada, costurando delicadamente com suas mãos brancas, cheia de frescor, doce como uma rosa, com seu vestido cor-de-rosa no meio do verde. Beth separava as pinhas que se acumulavam debaixo de um grande pinheiro próximo, porque fazia coisas bonitas com elas. Amy desenhava um grupo de avencas e Jo tricotava e lia em voz alta, ao mesmo tempo. Uma sombra passou pelo rosto do rapaz, ao observá-las, sentindo que devia ir embora, porque não fora convidado; mas permaneceu ali, porque sua casa lhe parecia muito solitária e aquele tranquilo grupo no bosque era extremamente atraente para seu espírito inquieto.
Embora o novo filme ainda não tenha estreado, permitindo-me comparações com o livro, escolhi Mulherzinhas para o tema do mês no Desafio Corujesco porque tinha de lê-lo de qualquer maneira para o debate do clube do livro de bolso (que também foi agora em abril). Engraçado que tinha praticamente certeza de que apenas assistira a adaptação de 1994, com Winona Ryder no papel de Jo March, mas descobri que já tinha até escrito resenha do livro cá no blog, em 2013... exceto que naquela ocasião, simplesmente detestei a história. Seis anos depois, minha reação a ela foi completamente diferente.
14 de fevereiro de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Clássico Brasileiro || Esaú e Jacó

- Mas o que é que há? Perguntou Aires.
- A república está proclamada.
- Já há governo?
- Penso que já; mas diga-me V.Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto, uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. —‘Confeitaria do Império’, à tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V.Ex.ª crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?
- Isso não sei.
- Pessoalmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo…
- Mas pode por ‘Confeitaria da República’…
- Lembrou-me isso a caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje e perco outra vez o dinheiro.
- Tem razão… sente-se.
- Estou bem.
- Sente-se e fume um charuto.
Custódio recusou o charuto, não fumava. Aceitou a cadeira. Estava no gabinete de trabalho, em que algumas curiosidades lhe chamariam a atenção, se não fosse o atordoamento do espírito. Continuou a implorar o socorro do vizinho. S. Exª. com a grande inteligência que Deus lhe dera, podia salvá-lo. Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses — ‘Confeitaria do Governo’.
- Tanto serve para um regime como para outro.
- Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida… Há, porém, uma razão contra. V.Exª. sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem a tabuleta; entretanto o que eu procuro é o respeito de todos.
Escolhi esse título para o tema do mês no Desafio Corujesco porque, com ele, eu faria um verdadeiro massacre de coelhinhos com uma só cajadada (nada contra coelhos, a culpa é do ditado popular). Primeiro, esse é um dos poucos romances de Machado que eu ainda não tinha lido (na época de colégio li todos que eram indicados em vestibular e mais alguns por conta…); segundo, ele seria um dos livros debatidos esse ano no Clube do Livro de Bolso e, terceiro, pela sinopse, era um livro que tratava da política na virada da monarquia para a república e questões de política em romances sempre me interessam.
4 de junho de 2018
O Paraíso Perdido: Uma Adaptação em Quadrinhos

Meu primeiro contato com John Milton foi adolescente, através das epígrafes que abriam cada capítulo de A Luneta Âmbar. É engraçado; não acho que a ideia de religião - especialmente o cristianismo com que eu tinha crescido (família religiosa, escolas de freiras até quase meu último ano...) - tivesse entrado na minha cabeça como uma ferramenta disponível, possível de fazer ficção. Talvez por isso, a obra de Pullman tenha me fascinado tanto - pela qualidade da escrita, pela forma de escrever fantasia (e ele foi um dos meus primeiros autores de ficção fantástica madura, para além do faz-de-conta infantil) e pela contínua quebra de dogmas.
1 de junho de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História de Família || Os Maias

Carlos recordava-se bem que nessa tarde, depois da melancólica conversa com o avô, devia ele experimentar uma égua inglesa: e ao jantar não se falou senão da égua, que se chamava Sultana. E a verdade era que daí a dias tinha esquecido a mamã. Nem lhe era possível sentir por esta tragédia senão um interesse vago e como literário. Isto passara-se havia vinte e tantos anos, numa sociedade quase desaparecida. Era como o episódio histórico de uma velha crônica de família, um antepassado morto em Alcácer-Quibir,239 ou uma das suas avós dormindo num leito real. Aquilo não lhe dera uma lágrima, não lhe pusera um rubor na face. Decerto, preferiria poder orgulhar-se de sua mãe, como de uma rara e nobre flor de honra: mas não podia ficar toda a vida a amargurar-se com os seus erros. E por quê? A honra dele não dependia dos impulsos falsos ou torpes que tivera o coração dela. Pecara, morrera, acabou-se. Restava, sim, aquela ideia do pai, findando numa poça de sangue, no desespero dessa traição. Mas não conhecera seu pai: tudo o que possuía dele e da sua memória, para amar, era uma fria tela mal pintada, pendurada no quarto de vestir, representando um moço moreno, de grandes olhos, com luvas de camurça amarelas e um chicote na mão… De sua mãe não ficara nem um daguerreótipo, nem sequer um contorno a lápis. O avô tinha-lhe dito que era loura. Não sabia mais nada. Não os conhecera; não lhes dormira nos braços; nunca recebera o calor da sua ternura. Pai, mãe, eram para ele como símbolos de um culto convencional. O papá, a mamã, os seres amados, estavam ali todos — no avô.”
Eça de Queiroz foi um dos indicados deste ano para as leituras do Clube do Livro de Bolso e, não fosse tal indicação, eu talvez tivesse passado a vida sem ler nada do português. Não porque tivesse algum particular preconceito contra Eça, mas porque tem tanta coisa na minha lista de leituras, que ele nunca me chamou suficiente atenção para se tornar prioridade. Assim é que devo um agradecimento especial a turma do clube por ter eleito esse título, porque essa leitura foi um verdadeiro deleite. E ainda encaixou num dos temas do Desafio Corujesco desse ano, o que me deixou feita na vida...
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5 de março de 2018
Sofrendo com o Menino Werther

Há muito eu estava devendo a leitura de Os Sofrimentos do Jovem Werther - é um título que está na minha lista desde que devorei Fausto, alguns meses antes de começar a faculdade. Goethe me fascinara com a história do sábio doutor e o demônio Mefistófeles e queria muito conhecer mais dele. Mais de uma década depois, peguei uma edição de bolso do Werther para afinal completar tal lacuna. Não tenho desculpas para esse atraso, além do fato de que havia muitas pilhas de livros ainda não lidos na estante..."Deus sabe quantas vezes me deito com o desejo, e até com a esperança de não mais acordar! E, no dia crástino, de manhã, abro outra vez os olhos e vejo o sol, e me sinto novamente desgraçado! Antes fosse um demente; assim lançaria a culpa sobre o tempo, sobre um terceiro, sobre uma empresa frustrada, e o fardo incomportável de meu desgosto me oprimiria menos. Mas, ai de mim! Bem sei que a culpa é inteiramente minha - a culpa? Não! A culpa, não! Basta que no meu ser se oculte a fonte das desgraças como outrora a origem dos fortúnios. Por ventura não sou o mesmo que via um paraíso a cada passo, e cujo coração abarcava um mundo delicioso? E esse coração agora é morto, dele não mais transbordam exaltações e entusiasmos, meus olhos estão secos, e os meus sentidos, sem o refrigério dulcíssimo das lágrimas, me contraem as têmporas em rugas angustiosas."
21 de fevereiro de 2018
Dando a Volta ao Mundo em 80 Dias

Quando completei dez anos, D. Mãe me levou para conhecer a famosa ‘Livro 7’, livraria no centro do Recife que foi um marco cultural da cidade e, entre as décadas de 70 e 80, a maior da América Latina (de acordo com o Guinness). Nós tínhamos nos mudado para Pernambuco naquele ano e essa foi a primeira e última vez que visitei o espaço. A Livro 7 já estava em declínio à época, mas lembro de ter me apaixonado de cara assim que entrei na loja.Tipicamente inglês, Phileas Fogg talvez não fosse londrino. Nunca foi visto na Bolsa, nem no Banco, nem em nenhuma das repartições da City. Tampouco as marinas ou as docas de Londres haviam recebido navio cujo armador fosse Phileas Fogg. Esse gentleman não figurava em nenhum conselho de administração. Seu nome nunca ecoara numa banca de advogados, nem no Temple, nem em Lincoln’s Inn, nem em Gray’s Inn. Nunca sofrera nenhum processo nem no Tribunal do Chanceler, nem no da Rainha, nem no Exchequer, ou qualquer tribunal eclesiástico. Não era nem industrial, nem negociante, nem comerciante, nem agricultor. Não fazia parte nem do Instituto Real da Grã-Bretanha, nem do Instituto de Londres, nem do Instituto dos Manufatureiros, nem do Instituto Russell, nem do Instituto Literário do Ocidente, nem do Instituto dos Advogados, nem tampouco do Instituto de Artes e Ciências Reunidas, patrocinado diretamente por Sua Graciosa Majestade. Não pertencia enfim a nenhuma das incontáveis agremiações que pululam na capital da Inglaterra, desde a Sociedade de l’Armonica até a Sociedade Entomológica, criada com a finalidade precípua de dar cabo dos insetos nocivos.
Phileas Fogg era membro do Reform Club, ponto-final.
2 de maio de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro que Você Tem mas Nunca Leu || O Sol é para Todos

Publicado no início da década de 60, no auge do movimento por direitos civis nos Estados Unidos, O Sol é para Todos é considerado um dos mais importantes romances do século XX e um pilar da própria identidade americana. É um livro que estava há bastante tempo na minha estante e ao qual vim dar prioridade mês passado, vez que ele foi indicado para debate no Clube do Livro - tendo rendido um dos melhores debates do grupo, com direito a risos nostálgicos e olhos embargados. E que também me fez criar uma nova categoria de livros na minha cabeça: a de “títulos que eu gostaria de ter lido na faculdade”, pois o romance de Harper Lee ensina mais sobre ética e justiça que muitos dos seminários que tive de assistir sobre o assunto quando estudante.“- Talvez quisesse mesmo me bater. - concordou Atticus. - Mas, filho, quando você for mais velho, vai entender melhor as pessoas. Uma multidão, qualquer que seja ela, é sempre formada por pessoas. Na noite passada, o sr. Cunningham fazia parte de um grupo, mas continuava sendo uma pessoa. Todo grupo em toda cidadezinha do sol é sempre formado por pessoas que a gente conhece. O que não diz muito a favor dessas pessoas, não é?
- Eu diria que não - concordou Jem.
- Foi preciso uma menina de oito anos para fazer eles recobrarem o bom senso, não foi? - perguntou Atticus. - Isso prova que um bando de homens ensandecidos pode ser contido, simplesmente porque eles continuam sendo humanos. Hum, talvez precisássemos de uma força policial formada por crianças… Na noite passada, vocês crianças fizeram Walter Cunningham se colocar no meu lugar por um minuto. Foi o suficiente.”
29 de abril de 2017
A Vertigem das Listas: Quatro Viajantes do Tempo

Ísis: Olá caros leitores! Como vai 2017 para vocês? Se estiver ruim, já ficam desde já desejos para que tempos melhores lhes cheguem!
E por falar em tempo, esse é o tema da vez. Quatro Personagens que Manipulam o Tempo... E fizeram alguma burrada utilizando-se desses poderes.
Lulu: Sério, Ísis? Tinha nenhum tema menos bizarro, não? Por que você insiste em me fazer sofrer? Vou ali chorar no cantinho enquanto tento descobrir se tenho alguma indicação para esse mês.
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21 de julho de 2016
Para ler: Pamela
À primeira vista, Pamela, de Samuel Richardson, não é o tipo de livro com o qual o leitor moderno sentiria muita identificação: trata-se de um romance epistolar que acompanha as desventuras de uma jovem de beleza incomum, a qual se aferra com unhas a dentes a sua virgindade como símbolo máximo de seu próprio valor contra um patrão aristocrata que, continuamente, tenta violentá-la, mas acaba mudando frente ao exemplo da moça e pelo amor que ela lhe inspira e, de libertino consumado, se torna marido piedoso.Oh, coração traiçoeiro! Como pudeste me tratar dessa maneira? Sem me dar sequer um aviso das brincadeiras de mau gosto que ias fazer comigo! Como pudeste te curvar tão facilmente ao invasor impetuoso, sem ao menos consultar tua pobre dona? Mas teu castigo será o primeiro e o maior de todos, e bem merecido, pérfido traidor.
30 de abril de 2016
A Vertigem das Listas: Quatro Grandes Mentirosos

Dé: Olá a todos! Como foram de semana santa? Comeram muito chocolate? Eu sei que EU comi, e tenho um quilo a mais para provar! Mas passado março, chega abril, mês da mentira…
É engraçado como abril ganhou essa fama. Acontece que antigamente, abril era o PRIMEIRO mês do ano, não o quarto; mas após uma reforma no calendário por motivos que estou com muita preguiça de pesquisar agora, três novos meses foram adicionados… E assim começou-se a tradição de mentir e pregar peças. Claro, que eu posso estar completamente enganado e repassando uma história errada. Como sempre, consultem a Lu.
Lulu: Por que sempre sobra pra mim???
Dé: Mas enfim, vamos ao tema deste mês: QUATRO GRANDES MENTIROSOS!!!
Lulu: Ei, eu gostei desse tema! Boa, Dé!
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31 de março de 2016
1 Ano, 365 Contos - Março

Março foi um mês complicado para esse desafio - na verdade, março foi um mês complicado de uma maneira geral para leituras, porque passei por uma fase de cansaço mental que não tenho certeza se foi causada pela quantidade de trabalho ou se pelo calor que só dá vontade de dormir e ficar debaixo do chuveiro.
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23 de fevereiro de 2016
Gazeta de Longbourn: Razão e Sentimento

Primeiro romance publicado por Jane Austen, Razão e Sentimento traz como protagonistas duas irmãs que são a personificação do título: Elinor, a mais velha, que serve de esteio à família, contida e racional e Marianne, impulsiva, romântica e intensa em todas as suas emoções."E afinal Marianne, por mais fascinante que seja a ideia de um único e constante amor e apesar de tudo o que se possa dizer sobre a felicidade de alguém depender completamente de uma pessoa determinada, as coisas não devem ser assim, nem é adequado ou possível que seja"
16 de fevereiro de 2016
Para ler: Shirley

É curioso como esse livro, a princípio, fazia perder-me em comparações. As primeiras 50 páginas, que contam dos esforços de Robert Moore com sua fábrica, imediatamente me lembraram a incansável dedicação de Mr. Thornton, de Norte e Sul. Quando surge em cena Miss Caroline Helstone (e esse sobrenome também é familiar para quem leu o romance de Gaskell), sua imagem de quase perfeição me remeteu para Evelina. Caroline, contudo, destaca-se lá pela página 100, quando demostra admirável autoconhecimento e dá os primeiros passos para escapar do que enxerga como perigoso sentimentalismo e um amor fadado a partir seu coração. A suposta real protagonista, que dá seu nome ao título, só surge na página 138.“O amor pode desculpar qualquer coisa, exceto a maldade. A maldade mata o amor, aleija a afeição natural e, sem estima, o amor verdadeiro não pode existir.”
26 de janeiro de 2016
Desafio Corujesco 2016 - Um Livro Escrito em Cartas || As Relações Perigosas

Para abrir meu Desafio Corujesco desse ano, decidi ler As Relações Perigosas, clássico francês que causou furor à época em que foi publicado e que alguns críticos reputam ser parte da razão de ter eclodido a Revolução Francesa – o retrato de uma aristocracia indolente e perversa que se compraz em jogos de poder sem se importar sobre em quem estão pisando teria inflamado muitos descontentes com o regime.Sejamos sinceros: em nossos arranjos, tão frios quanto fáceis, o que chamamos de felicidade não passa de mero prazer.
7 de novembro de 2015
Para ler: Villette
Levei quase dois meses para conseguir vencer as quase seiscentas páginas de Villette. Parte da culpa é minha: comecei o livro justo na semana da mudança de apartamento e para além do caos natural que se segue mesmo após todas as caixas terem sido desocupadas – você sempre acha alguma coisa nova para arrumar e trocar de lugar – teve férias, viagem, aniversários e confraternizações. Em suma, toda vez que eu me sentava e achava que ia conseguir avançar mais que uma ou duas páginas de vez, alguém me chamava para ajudar em alguma coisa."Eu sofria de novo a dor que corroía a alma, longamente, por causa de uma grande expectativa. Essa cruel agonia da ruptura final; essa angústia muda e mortal, que, de uma só vez, arranca a esperança e planta a dúvida, abala a vida, enquanto a mão que comete a violência não pode ser aplacada por carícias, pois a ausência interpõe sua barreira."
13 de outubro de 2015
Para ler: Frankenstein
Uma erupção vulcânica na Indonésia, em 1815, bagunçou o clima do mundo até o ano seguinte – 1816 ficou conhecido como ‘o ano em que não houve verão’. Um grupo de amigos que tinha se encontrado por acaso numa região de veraneio na Suíça viu seus planos de aproveitar o verão irem por água abaixo com a chuva incessante causada pelo acontecimento do ano anterior – em vez de revigorantes caminhadas pelos Alpes, tiveram de ficar em seus bangalôs, lendo histórias de fantasmas para passar o tempo.Por que não morri? Por que não mergulhei no esquecimento e no repouso, eu que era mais miserável do que qualquer outro homem antes de mim? A morte arrebata tantas crianças na flor da idade, que são a única esperança de seus pais idosos; quantas noivas e jovens amantes estiveram um dia no auge da saúde e da esperança, e no outro tornaram-se comida para os vermes, apodrecendo num túmulo! De que materiais eu havia sido fabricado para poder resistir dessa forma a tantos golpes que, como o girar da roda, renovavam sem cessar minha tortura?
11 de agosto de 2015
Para ler: Norte e Sul

Clássicos são livros para os quais passamos a vida retornando e, a cada releitura, acrescentam algo novo: eles dialogam conosco em diferentes épocas de nossas vidas, ensinando e nos confortando. Eles são universais por apelarem a temas e princípios comuns a todos e, ao mesmo tempo, são bastante pessoais, no sentido de que sua história acaba se misturando com a nossa.- Tenha cuidado... Se você não falar nada eu irei considerar de um modo estranho e presunçoso que você me pertence. Se quiser que eu parta, mande-me embora imediatamente, Margaret!
Quando ele a chamou pela terceira vez, ela virou o rosto ainda coberto pelas mãos alvas na direção dele, e colocou-o no seu ombro, escondendo-o ali. E era delicioso sentiro rosto macio dela contra o seu. Ele a cingiu nos braços e ambos ficaram em silêncio.
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