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18 de agosto de 2022

Para viajar no tempo e voltar "Antes que o Café Esfrie"


A água escorre dos lugares altos para os mais baixos. Sempre. É a natureza da gravidade. As emoções também parecem agir de acordo com a gravidade. Na presença de alguém com quem se tem laços, a quem você já confiou seus sentimentos, fica difícil mentir sem que o outro perceba. A verdade simplesmente quer fluir, se libertar. Assim é, especialmente quando alguém tenta esconder alguma tristeza ou vulnerabilidade. É muito mais fácil disfarçar a tristeza de um desconhecido ou até mesmo de alguém em quem não se confia.

Num café retrô em Tóquio é possível, sentando-se numa determinada cadeira e pelo intervalo de tempo em que uma xícara de café esfria, viajar ao passado ou ao futuro. Há uma série de regras a seguir, contudo, que se resumem ao preceito de que, no instante dado para vislumbrar esse momento no tempo, é impossível mudar o que aconteceu (ou acontecerá). Considerando tantas restrições, é difícil entender as razões de quem decide encarar a viagem. Mas aqueles que se submetem descobrem lições valiosas para a própria vida, têm uma segunda chance de encontrar coragem para dizer o que precisa ser dito.


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27 de abril de 2021

A Vertigem das Listas: Dez Momentos que Gostaríamos de Ver no Futuro


Ísis: Gostaram da viagem ao passado em março? Vimos muitas coisas e momentos históricos marcantes, não? Sempre achei engraçado como o passado pode fascinar tanto quanto o futuro, e ambos estão cobertos de enigmas. Dito isso, é também interessante como a história traz bastante revolta, enquanto o futuro traz esperanças...

Eu sou doida pra saber sobre Atlantis, Pompéia, dar uma surra nos turcos que destruíram o Parthenon, e esmurrar todos os “cruzados” que saíram destruindo inúmeras obras de arte do mundo antigo…


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3 de abril de 2021

Queime Antes de Ler: entre cartas e filamentos do passado em “É assim que se perde a guerra do tempo”


Em um vão do solo arrasado, ela encontra a carta.

Está fora de lugar. Ali deveria haver corpos empilhados entre os destroços de naves que um dia percorreram as estrelas. Ali deveria haver a morte e a sujeira e o sangue de uma operação bem-sucedida. Deveria haver luas se desintegrando lá em cima, naves incendiadas em órbita.

Não deveria haver uma folha de papel cor de creme, limpo, exceto por uma única linha longa e repuxada escrita à mão:
Queime antes de ler.

Esse título já me chamara a atenção há algum tempo por ter ganho os prêmios Nebula, Locus e Hugo entre 2019 e 2020. E, bem, trata-se de um romance epistolar entre viajantes no tempo, o que junta duas coisas que me fascinam: cartas e viagens temporais. Como eu poderia resistir?


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27 de março de 2021

A Vertigem das Listas: Dez Lugares para Visitar no Passado quando Inventarem uma Máquina do Tempo


Lulu: Terminei por esses dias É assim que se perde a guerra do tempo, uma leitura que fora precedida por contos de Ray Bradbury que também continham viagens temporais. Entre uma reflexão e outra, isso me levou a lembrar da série dos historiadores viajantes do tempo da Connie Willis (gostaria de aproveitar o espaço que estou extremamente contente e ansiosa agora que descobri que ela está escrevendo mais um livro nesse universo) e quando me dei conta, tinha começado a fazer uma lista dos lugares em determinados períodos históricos que eu visitaria se tivesse uma máquina do tempo à disposição.

Gosto de História. Gosto de livros com viajantes no tempo. Gosto da complexidade paradoxal de viajar ao passado, de refletir sobre o quanto as ações de um possível viajante poderiam alterar a História ao ponto de transformar sua realidade - ou ser pego numa teia em que tudo o que ele faz age de forma inexorável para o resultado que já se esperava.


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31 de julho de 2020

A Vertigem das Listas: Dez Meios de Transportes Inusitados


Ísis: Olá, listeiros! Ou seríamos lististas? Enfim, bem vindos de volta a mais um vertigem! Já fizemos listas de personagens, de comidas, de bebidas, de músicas etc. Já fizemos alguma sobre mundos, e dentro desses mundos diferentes, muitas vezes temos meios de transportes inusitados. Portanto, o tema da vez é Dez Meios de Transportes Inusitados. Vem conosco?

Lulu: Não sei porque ainda me surpreendo com os temas estrambólicos que a Ísis acha que colocar no vertigem… mas, ok, vamos lá!


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25 de maio de 2020

Night Watch: tiranos, uma Revolução Gloriosa e a banalidade do mal


'Você gostaria de Liberdade, Verdade e Justiça, não gostaria, camarada Sargento?' perguntou Reg encorajador.

'Eu gostaria de um ovo cozido,' respondeu Vimes, sacudindo a caixa de fósforos.

Houve algum riso nervoso, mas Reg pareceu ofendido.

'Nas circunstâncias, Sargento, eu penso que poderíamos focar um pouco mais alto--'

'Bem, sim, nós poderíamos' retrucou Vimes, descendo os degraus. Ele lançou um olhar para os papéis na frente de Reg. O homem se importava. Ele realmente se importava. E ele estava sério. Realmente estava. 'Mas... bem, Reg, amanhã o sol virá de novo, e eu tenho bastante certeza que o que quer que aconteça não teremos encontrado Liberdade, e não haverá muita Justiça, e tenho absoluta certeza que não teremos encontrado a Verdade. Mas é possível, talvez, que eu consiga um ovo cozido.'

Night Watch abre com uma cena de perseguição policial pelos becos e telhados de Ankh-Morpork, envolvendo Samuel Vimes, Comandante da Guarda, e Carcer, um psicopata que prefere policiais como suas vítimas. Vimes consegue encurralar o assassino no telhado da Universidade Invisível, mas, em meio a uma tempestade mágica, os dois despencam não apenas no espaço, mas através do tempo, até trinta anos no passado, às vésperas do que ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e a República da Estrada Mina de Melaço - um breve e sangrento momento na história da cidade.


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14 de abril de 2020

A História como um Sistema Caótico: Lendo Blackout/All Clear


"I’m not studying the heroes who lead navies—and armies—and win wars. I’m studying ordinary people who you wouldn’t expect to be heroic, but who, when there’s a crisis, show extraordinary bravery and self-sacrifice. Like Jenna Geidel, who gave her life vaccinating people during the Pandemic. And the fishermen and retired boat owners and weekend sailors who rescued the British Army from Dunkirk. And Wells Crowther, the twenty-four-year-old equities trader who worked in the World Trade Center. When it was hit by terrorists, he could have gotten out, but instead he went back and saved ten people, and died. I’m going to observe six different sets of heroes in six different situations to try to determine what qualities they have in common."

Polly é uma historiadora interessada em estudar o efeito dos bombardeios diários sobre as pessoas comuns durante a Blitz - campanha militar que faz parte da Batalha da Grã-Bretanha entre 1940 e 1941, quando a Luftwaffe e a RAF combatiam nos ares numa escala nunca antes imaginada. Michael, também um historiador, deseja entender o heroísmo das pessoas comuns em tempos de desastre; para tanto ele pretende estudar Pearl Harbor e os civis que atenderam ao chamado de resgate das tropas em Dunkirk. Merope está em seu primeiro estudo de campo, observando crianças evacuadas de Londres para escapar dos bombardeios. Em comum, todos eles são alunos do professor Dunworthy em Oxford, num mundo em que viagens no tempo são possíveis e utilizadas principalmente por estudantes de História. Cada um deles viaja para sua época de estudo e, por diferentes razões, descobrem que o caminho de volta ao seu presente está barrado. Eles estão sozinhos e presos no passado, num dos períodos mais turbulentos da História.


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18 de março de 2019

To Say Nothing of the Dog (ou Como Finalmente Foi Achado o Vaso do Bispo)


Porque em torno de um ponto de crise, até mesmo a menor ação pode assumir importância desproporcional ao seu tamanho. As consequências se multiplicam e se transformam em cascata, e qualquer coisa - uma ligação telefônica perdida, uma coincidência durante um blecaute, um pedaço de papel solto, um único momento - pode ter efeitos ruinosos. O motorista do arquiduque Ferdinand faz uma curva errada para a rua Franz-Josef e inicia uma guerra mundial. O guarda-costas de Abraham Lincoln sai para fumar e destrói a paz. Hitler deixa ordens para não ser perturbado porque ele tem uma enxaqueca e descobre sobre a invasão do Dia D dezoito horas mais tarde. Um tenente não consegue marcar um telegrama "urgente" e o almirante Kimmel não é avisado do iminente ataque japonês. “Por falta de um prego, a ferradura foi perdida. Por falta de uma ferradura, o cavalo foi perdido. Por falta de um cavalo, o cavaleiro se perdeu."

Desde que tive meu primeiro contato com Connie Willis, cheguei à rápida conclusão de que queria ler tudo o que essa (incrível) mulher tinha escrito. Comecei pelos contos - cada um melhor que o outro - segui pela monta-russa emocional de O Livro do Juízo Final e no ritmo frenético de Interferências e agora cheguei a To Say Nothing of the Dog que, hilariantemente, foi o primeiro livro que o Enrique (a pessoa que abençoadamente me apresentou à obra dessa criatura) me indicou.


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5 de outubro de 2017

O Livro do Juízo Final: Viagens no Tempo, Empatia e Religião


- "Deus enviou o Seu filho único ao mundo."

Deus nunca teria feito isso se soubesse o que aconteceria, pensou Dunworthy. Herodes e o Massacre dos Inocentes e o Getsêmani.

- Leia para mim alguma passagem de são Mateus - pediu ele. - Capítulo 26, versículo 39.

A sra. Gaddson parou, pareceu irritada, mas folheou as páginas até o Evangelho de Mateus.

- "E, indo um pouco adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: 'Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice'".

Deus não fazia ideia de onde estava seu filho, pensou Dunworthy. Ele enviara seu único filho para o mundo, mas alguma coisa tinha dado errado com o fix, e alguém desligara a rede, de modo que Ele não pôde mais alcançá-lo, e então as pessoas prenderam o filho, puseram uma coroa de espinhos em sua cabeça e o pregaram numa cruz.

- Capítulo 27 - disse ele. - Versículo 46.

Ela contraiu os lábios e virou a página.

- Eu realmente não acho que estes sejam trechos da Escritura apropriados para...

- Leia - interrompeu ele.

- "Por volta da hora nona, Jesus deu um grande grito: '
Eli, Eli lamá sabachtáni?', isto é: 'Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?'".

Kivrin não faria nenhuma ideia do que podia ter acontecido. Pensaria que havia escolhido o local errado, ou o dia errado, que tinha perdido a noção do tempo de algum modo, que alguma coisa dera errado com o salto. Pensaria que tinha sido abandonada.

O que você faria se pudesse estudar História viajando pela História? É isso que acontece no futuro não-tão-distante de 2054, no Departamento de História de Oxford, cenário que abre O Livro do Juízo Final e que eu estava extremamente ansiosa para ler desde que tive o prazer de descobrir Connie Willis, em duas antologias de contos, no ano passado. Se bem que muito antes disso, meu amigo Enrique já tinha feito a indicação de To Say Nothing of the Dog, que se passa no mesmo universo, de forma que preciso dedicar o texto de hoje a ele. Sério, Enrique, muito obrigada por ter me apresentado à Willis.


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21 de junho de 2017

Desafio Corujesco 2017 - Uma História que se Passa no Futuro || As Melhores Histórias de Viagens no Tempo

Aquela coisa minúscula caiu no chão; aquela coisa insignificante que podia romper equilíbrios e derrubar uma sequência de pequenos dominós, depois grandes dominós e finalmente gigantescos dominós ao longo dos anos e através do Tempo. Aquilo poderia alterar o mundo.
Quando você vê uma antologia que se entitula “as melhores história de tal e tal gênero”, você sempre deve levar essa classificação com um grão de sal e uma boa dose de desconfiança: afinal, o que é bom para uns pode não ser para outros e a seleção de contos aqui passa pelo gosto pessoal dos organizadores. Não há como ser objetivo, a não ser que você decida fazer uma pesquisa global com todo mundo que já leu uma história daquele tipo na vida. A despeito disso, quando vi os autores citados na capa dessa antologia, decidi que queria lê-lo e eis então que ele aparece no nosso Desafio Corujesco de junho.


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29 de abril de 2017

A Vertigem das Listas: Quatro Viajantes do Tempo


Ísis: Olá caros leitores! Como vai 2017 para vocês? Se estiver ruim, já ficam desde já desejos para que tempos melhores lhes cheguem!

E por falar em tempo, esse é o tema da vez. Quatro Personagens que Manipulam o Tempo... E fizeram alguma burrada utilizando-se desses poderes.


Lulu: Sério, Ísis? Tinha nenhum tema menos bizarro, não? Por que você insiste em me fazer sofrer? Vou ali chorar no cantinho enquanto tento descobrir se tenho alguma indicação para esse mês.


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6 de agosto de 2016

Para ler: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

DUMBLEDORE: You ask me, of all people, how to protect a boy in terrible danger? We cannot protect the young from harm. Pain must and will come.

HARRY: So I’m supposed to stand and watch?

DUMBLEDORE: No. You’re supposed to teach him how to meet life.
Iniciando do exato momento que o epílogo de Harry Potter e as Relíquias da Morte nos mostra, Harry Potter and the Cursed Child nos apresenta um futuro em que Harry é um funcionário assoberbado do Ministério da Magia, enquanto seu filho, Albus, tem de lidar com o peso da fama e das expectativas advindas de ser filho de quem é.

Para tentar encontrar seu próprio lugar e valor, independente do pai, Albus toma algumas decisões bastante impulsivas e quase destrói seu próprio futuro, além de mudar toda a história da sociedade bruxa no processo. Entre desencontros e falta de comunicação, Harry e Albus terão de pôr suas diferenças de lado para lidar com o ressurgimento de um antigo inimigo.


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12 de novembro de 2015

Desafio Corujesco 2015: Um Passeio que Fiz || Outlander - A Viajante do Tempo

"Não incomoda você que eu não seja mais virgem?"

Ele hesitou por um momento antes de responder.

"Bem, não." ele falou devagar. "Desde que não importe que eu seja." ele sorriu a minha expressão de queixo caído e voltou para a porta. "Acredito que pelo menos um de nós deveria saber o que está fazendo."
O Desafio Corujesco desse mês era um livro que fosse também uma viagem, um ‘roteiro turístico’ que eu já tivesse feito ou tinha vontade de fazer. Considerando que elaborei minha lista de títulos para o Desafio pouco após ter voltado da Escócia, é alguma surpresa que eu tenha escolhido um romance que se passa naquelas pairagens?

Outlander – A Viajante do Tempo estava na minha mira já fazia algum tempo – é um dos títulos indicados na lista de 100 melhores livros de fantasia e ficção científica da NPR – lista essa que tem sido uma das minhas principais influências toda vez que me perguntou “qual vai ser o próximo?”. Para completar, ele foi relançado recentemente em português pela Saída de Emergência – embora, sendo bastante sincera, eu ache a capa da Rocco muito mais bonita.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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