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13 de julho de 2022
Robinson Crusoé e o mito do individualismo

Resumindo, depois de sérias reflexões, a natureza e a experiência me ensinaram que todas as coisas boas do mundo deixam de ser boas para nós quando não nos são mais úteis; e que tudo o que podemos acumular, e um dia deixar para os outros, só nos dá prazer na medida em que podemos usar, e não mais do que isso. O avarento mais sovina e ambicioso do mundo teria se curado do vício da cobiça se estivesse em minha situação, porque eu possuía infinitamente mais do que podia imaginar o que fazer com tanto.
Após deixar a casa paterna e passar por várias aventuras e infortúnios, o marinheiro amador Robinson Crusoé naufraga na região do Caribe e termina sozinho numa ilha deserta. Ali ele vai passar os próximos vinte e oito anos buscando sobreviver em seu isolamento, até a maré da sorte virar a seu favor, o que começa quando ele salva um indígena da tribo de canibais da região, a quem dará o nome de Sexta-Feira.
6 de abril de 2022
Projeto Agatha Christie: Por que não pediram a Evans?

Bobby seguiu caminhando devagar. Havia, ele sabia bem, um ponto por onde se podia descer com relativa facilidade. Os caddies faziam isso, lançando-se por sobre a borda e reaparecendo, triunfantes e ofegantes, com a bola perdida.
De súbito, Bobby enrijeceu o corpo e chamou seu companheiro.
– Doutor, venha ver uma coisa. O que pode ser aquilo?
Pouco mais de dez metros abaixo se via uma forma escura amontoada, parecendo uma pilha de roupas velhas.
O médico prendeu a respiração.
– Meu Deus... – ele disse. – Alguém caiu no penhasco. Precisamos chegar até lá.
Por que não pediram a Evans? foi publicado originalmente em 1934 no Reino Unido; no ano seguinte saiu nos Estados Unidos com o título alternativo A Pista do Bumerangue. É um romance aventuresco, e, embora não o considere um dos melhores mistérios criados por Agatha Christie, é certamente um dos mais divertidos, num espírito parecido com o de O Segredo de Chimneys.
28 de setembro de 2021
A Vertigem das Listas: Dez Intrépidos Aventureiros

Lulu: Engraçado que eu imaginava com meus botões que já tinha feito alguma lista no vertigem sobre aventureiros de várias marcas… mas, aparentemente, eu não tinha usado exatamente esse tema, apenas alguns tipos de aventureiros específicos (como piratas, por exemplo).
Enfim, eu gosto muito daquele ideal de personagem que nunca diz não para uma boa aventura, disposto a explorar lugares nunca antes vistos, ir até onde pessoa alguma foi. E assim é que chegamos ao vertigem desse mês, meu aniversário, um presente para mim mesma: Dez Intrépidos Aventureiros, aqueles que ousaram seguir adiante!
3 de junho de 2021
A Ilha Misteriosa: um triunfo do espírito empreendedor e inventivo

— Nos livramos de tudo?
— Não! Ainda temos dez mil francos em ouro!
Um saco pesado caiu imediatamente no mar.
— O balão subiu?
— Um pouco, mas não tardará a descer de novo!
— O que restou para jogar fora?
— Nada.
— Esperem…! O cesto!
— Agarremo-nos à rede! E sacrifiquemos o cesto ao mar!
Era, com efeito, o único e último meio de prolongar a vida do aeróstato. As cordas que o prendiam ao aro foram cortadas e o balão, após a queda do cesto, subiu aproximadamente seiscentos metros.
Os cinco passageiros haviam se içado para a rede, acima do aro, e, agarrando-se à trama das malhas, contemplavam o abismo.
Se algum dia eu me descobrir numa ilha deserta, esse é um dos (muitos) livros que desejaria ter comigo. Pode parecer um desejo estapafúrdio, mas do que me lembro de Crusoé e também com o grupo que Verne nos apresenta aqui, todo náufrago pode esperar a sobrevivência afortunada de alguns volumes para ajudá-lo nos dias que virão (ou até o aparecimento surpreendente de um baú repleto de itens de primeira necessidade, incluindo, claro, livros). Digo isso não apenas por A Ilha Misteriosa ser uma leitura das mais prazerosas - as setecentas páginas da minha edição passaram meio que voando - mas porque ele é, basicamente, uma manual de como ser um náufrago bem sucedido (e, no processo, começar uma nova civilização nas terras que vocês acabou de “colonizar”).
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18 de fevereiro de 2019
Um Império de Gelo: a Idade Heroica da Ciência na Antártica

Wilson era tão decidido quanto Scott e juntos eles ditavam o tom da expedição. Um dia depois que a equipe Crozier partiu, Scott abriu um caderno novo citando Thomas Henry Huxley: "O maior objetivo que os seres humanos podem determinar para si mesmos não é a busca de nenhuma quimera como a aniquilação do desconhecido, mas é simplesmente a tentativa incansável de mover suas fronteiras um pouco adiante". Alguns dias depois, acrescentou seu próprio aforismo: "O fato é que a ciência não pode ser servida por métodos 'diletantes', mas exige uma mente estimulada pela ambição ou pela satisfação de ideais". Essas palavras refletiam tanto a visão de Scott sobre a Jornada de Inverno de Wilson quanto uma perspectiva sobre a ciência, a exploração e a vida que esses dois camaradas compartilhavam.
Tempos atrás, lendo Ex-libris: Confissões de uma Leitora Comum, deparei-me com um capítulo em que a autora falava de sua devoção a histórias acerca de expedições polares. Lembro de ter ficado impressionada com a empolgação dela e de me decidir a procurar também livros no tema. Foi assim que cheguei a No Reino do Gelo, que me deixou impressionada e foi por isso também que Um Império de Gelo entrou na minha lista de desejados. Acabei ganhando ele de presente da Tatá, lá do Randomicidades, no fim do ano passado e o resto, como se diz por aí, é história.
11 de dezembro de 2018
O Resumo da Ópera - Outros (Vários) Títulos que Passaram por Aqui no Segundo Semestre

Quando escrevi essa coluna pela primeira vez, pensei em ter uma periodicidade mensal. Pelo visto, contudo, só estou dando conta de escrever a cada seis meses. Ok, não, isso é mentira, mas vamos com o exagero por razões estéticas… ou, não tão exagero, porque tempo anda de fato apertado por aqui e existiam outros posts na lista de prioridades.
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25 de junho de 2018
O Resumo da Ópera - Alguns Vários Títulos que Passaram por Aqui esse Primeiro Semestre

Faz tempo que estava pensando em começar uma coluna cá no Coruja para juntar várias pequenas opiniões sobre leituras feitas, interessantes, mas que não renderiam resenhas completas. Afinal, nem sempre dá para escrever cinco páginas desfiando o simbolismo das escolhas de um autor, mas isso não significa que aquele volume não tenha me tocado de alguma forma. Ou talvez eu já tenha falado daquele escritor e ir para além da própria narrativa signifique me repetir ad nauseam. Às vezes um ou dois parágrafos é suficiente para dar minha opinião, mas isso acaba não rendendo um post para o blog.
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13 de maio de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História sobre Livros || A Biblioteca Invisível

Assim que bati o olho nesse título e na sinopse dele, imediatamente me interessei por lê-lo. Afinal, tratava-se de um livro sobre livros; ou, mais exatamente, sobre uma biblioteca fora do tempo e do espaço que preserva livros de várias dimensões e que funciona como uma espécie de quartel-general de super agentes especializados em infiltração, espionagem, roubos, magia… e preservação de histórias. No enredo desse primeiro volume - sim, trata-se de uma série - temos ainda Grandes Detetives, seres feéricos prenunciando Caos, dragões guardiões da Ordem, vampiros, zepelins, lobisomens, sociedades secretas e uma edição especial dos Contos de Fadas dos Irmãos Grimm.A acusação implícita de mentira, ou no mínimo de omissão, a atingiu com um tapa na cara. Não ajudou em nada o fato de, sob alguns aspectos, ser verdade. Ela baixou os olhos e não conseguiu responder. Pior de tudo, pela primeira vez em anos só estamos fazendo isso para salvar os livros soou mesquinho, e escolher não saber mais pareceu infantilidade.
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21 de fevereiro de 2018
Dando a Volta ao Mundo em 80 Dias

Quando completei dez anos, D. Mãe me levou para conhecer a famosa ‘Livro 7’, livraria no centro do Recife que foi um marco cultural da cidade e, entre as décadas de 70 e 80, a maior da América Latina (de acordo com o Guinness). Nós tínhamos nos mudado para Pernambuco naquele ano e essa foi a primeira e última vez que visitei o espaço. A Livro 7 já estava em declínio à época, mas lembro de ter me apaixonado de cara assim que entrei na loja.Tipicamente inglês, Phileas Fogg talvez não fosse londrino. Nunca foi visto na Bolsa, nem no Banco, nem em nenhuma das repartições da City. Tampouco as marinas ou as docas de Londres haviam recebido navio cujo armador fosse Phileas Fogg. Esse gentleman não figurava em nenhum conselho de administração. Seu nome nunca ecoara numa banca de advogados, nem no Temple, nem em Lincoln’s Inn, nem em Gray’s Inn. Nunca sofrera nenhum processo nem no Tribunal do Chanceler, nem no da Rainha, nem no Exchequer, ou qualquer tribunal eclesiástico. Não era nem industrial, nem negociante, nem comerciante, nem agricultor. Não fazia parte nem do Instituto Real da Grã-Bretanha, nem do Instituto de Londres, nem do Instituto dos Manufatureiros, nem do Instituto Russell, nem do Instituto Literário do Ocidente, nem do Instituto dos Advogados, nem tampouco do Instituto de Artes e Ciências Reunidas, patrocinado diretamente por Sua Graciosa Majestade. Não pertencia enfim a nenhuma das incontáveis agremiações que pululam na capital da Inglaterra, desde a Sociedade de l’Armonica até a Sociedade Entomológica, criada com a finalidade precípua de dar cabo dos insetos nocivos.
Phileas Fogg era membro do Reform Club, ponto-final.
31 de março de 2016
1 Ano, 365 Contos - Março

Março foi um mês complicado para esse desafio - na verdade, março foi um mês complicado de uma maneira geral para leituras, porque passei por uma fase de cansaço mental que não tenho certeza se foi causada pela quantidade de trabalho ou se pelo calor que só dá vontade de dormir e ficar debaixo do chuveiro.
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3 de março de 2016
Desafio Corujesco 2016 - Um Livro de uma Lista || Trilogia Thrawn
Quando coloquei esse tema no Desafio Corujesco desse ano, não tinha dúvidas que ia puxar algum título da Lista de 100 Melhores Livros de Fantasia e Ficção Científica da NPR (que traduzi aqui) - e eu tinha vários deles na estante, sob medida para a ocasião. Mas claro que como eu sou de opinião que a sarna que tenho é pouco com que me coçar, em vez de escolher um único título, terminei decidindo por ler e resenhar uma trilogia inteira.– E eu quero o velho Império de volta – ela retorquiu. - Nem sempre temos o que queremos, não é?
Luke balançou a cabeça.
- Não. Não temos.
Cá entre nós? Eu culpo o BB-8 por esse acesso de loucura...
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30 de janeiro de 2016
A Vertigem das Listas: Um Personagem Viajante

Dani: Olá, amados leitores do Coruja!!! Estamos de volta nesse 2016 com mais um Vertigem das Listas!!!
Ísis: É ano novo!!! Como foram de passagem? (Dani: eu dormi u.u) Que 2016 seja um excelente ano para o Brasil, para você, para mim, para o Coruja, e para o mundo!
Lulu: Que os anjos te ouçam!
12 de novembro de 2015
Desafio Corujesco 2015: Um Passeio que Fiz || Outlander - A Viajante do Tempo

O Desafio Corujesco desse mês era um livro que fosse também uma viagem, um ‘roteiro turístico’ que eu já tivesse feito ou tinha vontade de fazer. Considerando que elaborei minha lista de títulos para o Desafio pouco após ter voltado da Escócia, é alguma surpresa que eu tenha escolhido um romance que se passa naquelas pairagens?"Não incomoda você que eu não seja mais virgem?"
Ele hesitou por um momento antes de responder.
"Bem, não." ele falou devagar. "Desde que não importe que eu seja." ele sorriu a minha expressão de queixo caído e voltou para a porta. "Acredito que pelo menos um de nós deveria saber o que está fazendo."
Outlander – A Viajante do Tempo estava na minha mira já fazia algum tempo – é um dos títulos indicados na lista de 100 melhores livros de fantasia e ficção científica da NPR – lista essa que tem sido uma das minhas principais influências toda vez que me perguntou “qual vai ser o próximo?”. Para completar, ele foi relançado recentemente em português pela Saída de Emergência – embora, sendo bastante sincera, eu ache a capa da Rocco muito mais bonita.
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7 de julho de 2015
Para ler: O Conde de Monte Cristo
Tendo assistido várias diferentes versões de O Conde de Monte Cristo, imaginava que quando (finalmente) colocasse as mãos naquele que muitos consideram a obra-prima de Dumas, nada haveria de me surpreender.– Cale-se – Disse o Abade -, pois está desperdiçando suas últimas gotas de sangue… Ah, não acredita em Deus e morre golpeado por Deus! Ah, não acredita em Deus, e Deus mesmo assim pede apenas uma prece, uma palavra, uma palavra para perdoar… Deus que podia dirigir o punhal do assassino de maneira a que você expiasse na hora… Deus lhe deu quinze minutos para se arrepender… Caia em si, desgraçado, e arrependa-se!
– Não – insistiu Caderousse -, não me arrependo. Deus não existe, a providência não existe, o que existe é apenas o acaso.
Eu estava errada.
4 de junho de 2015
Para ler: Os Goonies
Essa semana (dia 07, para ser exata) marca os trinta anos de estréia do filme Os Goonies e é claro que eu não poderia deixar a data passar em branco...Eu jamais trairei meus amigos das Docas Goon; juntos ficaremos até o mundo inteiro acabar; no céu e no inferno e na guerra nuclear, grudados feito piche, como bons amigos iremos ficar; no campo ou na cidade, na floresta, onde for; eu me declaro um companheiro Goony, para sempre, sem temor.
Os Goonies foi um dos filmes da minha infância, um clássico da Sessão da Tarde que toda uma geração relembra com nostalgia. Foi um tanto surpreendente descobrir que era também livro – mas essa tem sido uma nota constante pra mim, que nos últimos anos vim descobrir as versões escritas de História sem Fim e O Feitiço de Áquila.
12 de agosto de 2014
Desafio Corujesco: Os Três Mosqueteiros

Dumas é um personagem que está tão ligado às minhas leituras de infância e adolescência – junto com outro francês, o Verne – que não consigo me lembrar exatamente de quando tive meu primeiro contato com D’Artagnan e companhia. Sei que li a edição integral pelos meus quatorze anos, porque foi quando ganhei uma coleção chamada “clássicos da juventude” que para além de Os Três Mosqueteiros, também tinha Vinte Anos Depois e O Visconde de Braguelone, que completam o ciclo de histórias iniciado com a chegada do gascão a Paris.É com bravura, preste atenção, e com bravura apenas, que um fidalgo abre caminho nos dias de hoje. Aquele que vacila um segundo talvez esteja deixando escapar o anzol que, justamente durante aquele segundo, a fortuna lhe estendia. Você é jovem, e deve ser um bravo por duas razões: a primeira é por ser gascão, e a segunda, por ser meu filho. Não se furte às oportunidades e procure as aventuras. Ensinei-lhe o manejo da espada; você tem um jarrete de ferro, um punho de aço. Bata-se por qualquer motivo, ainda mais que os duelos estão proibidos, havendo, por conseguinte, duas vezes mais coragem em se bater. Só tenho para lhe dar, meu filho, quinze escudos, meu cavalo e os conselhos que acaba de ouvir. A isto sua mãe acrescentará a receita de certa pomada que ela recebeu de uma cigana, cuja virtude milagrosa pode curar qualquer ferida que não seja do oração. Faça bom uso de tudo, viva alegremente e por muito tempo.
22 de janeiro de 2010
Meu autor, meu herói: Umberto Eco

Finalmente tive uma folga do trabalho, passou o efeito do antialérgico (e por isso, não estou mais bêbada de sono) e eu consegui me concentrar por tempo suficiente em uma única coisa para sentar e escrever.
Assim, decidi começar a cumprir minha promessa de meses, e explicar o porquê dos meus autores favoritos estarem na minha lista de autores favoritos, começando numa ordem não alfabética e totalmente aleatória por um dos meus grandes amores literários: Umberto Eco.
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