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16 de junho de 2016

Meu Autor, meu Herói - notas sobre leitura e escrevinhações

O escritor é o duelista que jamais luta na hora marcada, que guarda um insulto como qualquer outro objeto curioso, um item de colecionador, despeja-o mais tarde sobre sua mesa e empenha-se verbalmente num duelo com ele. Algumas pessoas chamam isso de fraqueza. Eu chamo de adiamento... Pois ele preserva, coleciona o que depois vai explodir em sua obra.

- Anaïs Nin

Agrada-me concordar com o leitor comum, pois pelo senso comum dos leitores, não corrompidos por preconceitos literários, após todos os refinamentos da sutileza e do dogmatismo do aprendizado, são finalmente decididas todas as honras poéticas.

- Samuel Johnson
As duas citações com que abrimos este artigo revelam duas visões, duas abordagens diferentes: a primeira refere-se ao que chamamos na semiótica (estudo da linguagem, dos sinais) de emitente e a outra, ao destinatário da mensagem.

É exatamente sobre esses dois pontos de vista que versa esse ensaio, duas experiências completamente diferentes, ainda que complementares.


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20 de dezembro de 2012

Um Panteão de Escritores (ou das estantes de Lulu)

Quem acompanha o Coruja já sabe que tenho um pequeno panteão de autores que são os meus favoritos de todos os tempos, que amo de paixão e que nunca consigo resistir a ter mais e mais volumes deles...

Na verdade, creio até que mais de uma vez falei sobre montar um altar para eles aqui em casa... E aí é que vocês já perceberam onde estou indo com essa conversa, não é verdade?


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19 de dezembro de 2011

Desafio Literário 2011: Dezembro - Lançamentos || Norte & Sul

- Eu não quero ser aliviado de qualquer obrigação - disse ele, provocado pela sua maneira tranquila. - Imaginária ou não - não me questiono a respeito disso - prefiro acreditar que devo a minha própria vida à senhorita - sim - pode sorrir e pensar que é um exagero, se quiser. Eu acredito nisso, porque acrescenta um valor àquela vida para pensar... Oh, Miss Hale! - ele continuou, baixando a voz até tal intensidade terna de paixão que ela estremeceu e agitou-se diante dele - pensar em uma circunstância tão difícil, que sempre que eu me alegrar com a existência daqui para a frente, possa dizer a mim mesmo "Toda essa alegria na vida, todo esse honesto orgulho em fazer o meu trabalho no mundo, toda essa aguda consciência de existir, eu devo a ela" E isso dobra a alegria, torna brilhante o orgulho, aguça o sentido da existência até que eu mal saiba se é dor ou prazer, pensar que eu devo tudo isso a alguém... não, deve me ouvir, vai me ouvir... - disse ele, dando um passo adiante com firme determinação - devo tudo isso a alguém que eu amo, como não acredito que um homem já tenha amado uma mulher.
Normalmente leio primeiro o livro antes de partir para uma adaptação. Norte e Sul foi um daqueles casos em que fiz o caminho inverso: primeiro (e já faz algum tempo) assisti a série e só depois (muito depois) fui atrás do livro. Mais de uma vez cheguei a colocá-lo – em inglês, pois ainda não tinha saído a tradução – na minha cesta de compras. Sei lá porque motivo eu acabava tirando ele na hora de ir para o caixa; o caso é que, no começo do ano encontrei a versão bilíngue numa promoção e comprei antes que decidisse priorizar algum outro título


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7 de dezembro de 2011

Desafio Literário 2011: Dezembro - Lançamentos || Todos os Homens são Mentirosos



Não leve a mal meus comentários: Bevilacqua não era um desses mal‑educados que sentam no sofá e depois você não consegue desgruda‑los dali nem com benzina. Ao contrário. Era uma dessas pessoas que parecem incapazes da menor grosseria, e era essa mesma qualidade que tornava tão difícil pedir a ele que fosse embora. Bevilacqua tinha uma espécie de graça natural, uma elegância simples, uma presença anônima. Magro e alto como era, movia‑se lentamente, como uma girafa. Sua voz era ao mesmo tempo rouca e tranquilizadora. Seus olhos túrgidos, latinos, eu diria, davam‑lhe um ar sonolento e se fixavam na gente de tal maneira que era impossível olhar para outro lugar quando ele falava. E quando estendia seus dedos finos, amarelos de nicotina, para segurar a manga de seu interlocutor, era preciso deixar‑se segurar, sabendo ser inútil qualquer resistência. Só na hora da despedida eu percebia que ele me fizera perder a tarde inteira.


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5 de outubro de 2011

J. R. R. Tolkien – Parte V: O Senhor da Fantasia

O sinal de uma boa história de fadas, do tipo mais elevado ou mais completo, é que, não importa quão desvairados sejam seus eventos, quão fantásticas ou terríveis as aventuras, ela pode proporcionar à criança ou ao adulto que a escuta, quando chega a “virada”, uma suspensão de fôlego, um batimento e ânimo no coração, próximos às lágrimas (ou de fato acompanhados por elas), tão penetrantes como aqueles dados por qualquer forma de arte literária, e com uma qualidade peculiar.

J. R. R. Tolkien – Sobre Histórias de Fadas
Já resenhei aqui no coruja alguns dos livros de Tolkien fora do ciclo da Terra-Média: O Cartas do Pai Natal, com as correspondências e ilustrações que Tolkien enviou para seus filhos pela época das festas natalinas; Tales from the Perilous Realms, que compreende os contos Roverandom, Mestre Gil de Ham, O Ferreiro de Wotton Major, A Folha de Niggle, bem como a série de poemas que compõem As Aventuras de Tom Bombadil e o ensaio Sobre Histórias de Fadas.


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26 de setembro de 2011

J. R. R. Tolkien – Parte IV: A Guerra do Anel (A Terceira Era)

Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo, tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.

J. R. R. Tolkien - O Hobbit
Com o fim da Segunda Era, Sauron retorna à Terra-média – e, de agora em diante, sem poder mais aparecer com uma aparência agradável, como aquela que conquistou os elfos antes de sua partida para Númenor. Agora não há mais subterfúgios e ele declara abertamente guerra a todos os reinos livres.


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19 de setembro de 2011

J. R. R. Tolkien – Parte III: Os Seguidores (A Segunda Era)

Então, os edain partiram a navegar nas águas profundas, seguindo a Estrela. E os Valar deixaram o mar em calma por muitos dias, mandaram Sol e um vento propício, de modo que as águas cintilavam diante dos olhos dos edain como um vidro ondulante, e a espuma voava como neve diante da proa de suas embarcações. Contudo, tão intenso era o brilho de Rothinzil, que mesmo pela manhã os homens conseguiam vê-la refulgindo no oeste; e, na noite sem nuvens, ela brilhava sozinha, pois nenhuma outra estrela conseguia se equiparar a ela. E, tendo fixado o rumo em sua direção, os edain finalmente transpuseram as léguas do mar e avistaram ao longe a terra que estava preparada para eles, Andor, a Terra da Dádiva, a cintilar numa névoa dourada. Aproximaram-se, então, saindo do mar para encontrar uma terra bela e produtiva, e se alegraram. E chamaram essa terra de Elenna, que significa Na Direção da Estrela; mas também Anadûnê, que significa Ponente, Númenorë no idioma alto-eldarin.

Foi esse o princípio daquele povo que na fala dos elfos-cinzentos é chamado de dúnedain: os númenorianos, reis entre os homens. Entretanto, eles não escaparam desse modo do destino da morte que Ilúvatar havia estabelecido para toda a humanidade, e ainda eram mortais, embora atingissem idade avançada e não conhecessem nenhuma enfermidade até o momento em que a sombra caísse sobre eles. Por conseguinte tornaram-se sábios e ilustres; e sob todos os aspectos eram mais semelhantes aos Primogênitos do que qualquer outra linhagem dos homens. E eram altos, mais altos do que os mais altos dos filhos da Terra-média. E a luz de seus olhos era como a das estrelas brilhantes. Contudo, era muito devagar que seu número aumentava na Terra, pois, embora lhes nascessem filhos e filhas, mais belos do que os pais, mesmo assim era pequena sua prole.


J. R. R. Tolkien - O Silmarillion
Com a derrota de Morgoth, os Valar perdoaram os elfos que tinham partido com Fëanor para a Terra-média, permitindo que eles retornassem para o Oeste – não para Valinor, contudo, mas para uma ilha de onde podiam enxergá-la: Eressëa, a Ilha Solitária.


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12 de setembro de 2011

J. R. R. Tolkien – Parte II: Os Primogênitos (A Primeira Era)

- Belo será o final – exclamou Fëanor -, embora a estrada seja longa e difícil! Digam adeus à servidão! Mas digam também adeus ao conforto! Digam adeus aos fracos! Digam adeus a seus tesouros! Faremos tesouros ainda maiores. Não carreguem peso na viagem; mas tragam suas espadas! Pois iremos muito mais longe do que Oromë, e resistiremos mais do que Tulkas.

Nunca desistiremos da perseguição. No encalço de Morgoth até os confins da Terra! Guerra terá ele, e um ódio eterno. Porém, quando tivermos vencido e reconquistado as Silmarils, nós, e somente nós, seremos os donos da Luz impoluta, senhores da felicidade e da beleza de Arda.

Nenhuma outra raça nos derrubará!

Nesse momento, Fëanor fez um juramento terrível. Seus sete filhos colocaram-se imediatamente a seu lado e fizeram juntos o mesmo voto, e vermelhas como sangue brilharam suas espadas desembainhadas à luz dos archotes. Fizeram um voto que ninguém deveria quebrar, e que ninguém deveria fazer, nem mesmo em nome de Ilúvatar, conclamando as Trevas Eternas a caírem sobre eles se não o cumprissem. E como testemunhas nomearam Manwë, Varda e a montanha abençoada de Taniquetil, jurando perseguir até o fim do Mundo com vingança e ódio qualquer Vala, demônio, elfo ou homem ainda não nascido, ou qualquer criatura, grande ou pequena, boa ou má, que o tempo fizesse surgir até o final dos tempos, quem quer que segurasse, tomasse ou guardasse uma Silmaril, impedindo que eles dela se apoderassem.


J. R. R. Tolkien - O Silmarillion
O Silmarillion é, talvez, a obra mais complicada de Tolkien. Sua linguagem é fortemente erudita, mais poética que O Hobbit e O Senhor dos Anéis; enquanto seus temas, que oscilam entre política e religião, são tratados de forma mais grandiosa e sombria, em histórias onde abundam traições, desconfiança e tragédia, mas também paixão, lealdade e coragem sem iguais.


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5 de setembro de 2011

J. R. R. Tolkien – Parte I: O Ourives do Anel

“Em ordem de tempo, crescimento e composição, esse material começou comigo – embora eu não creia que isso seja de muito interesse a alguém além de mim mesmo. Quero dizer, não me recordo de uma época na qual eu não o estivesse construindo. Muitas crianças inventam, ou começam a inventar, idiomas imaginários. Tenho feito isso desde que aprendi a escrever.

(...)

Porém, tive uma paixão igualmente básica
ab initio pelos mitos (não alegorias!) e pelos contos de fadas e, acima de tudo, pelas lendas heróicas no limiar dos contos de fadas e da história, de que há tão pouco no mundo (acessível a mim) para meu apetite. Eu era um estudante universitário antes que a reflexão e a experiência revelassem-me que esses não eram interesses divergentes – pólos opostos de ciência e romance -, mas integralmente relacionados.”


131 Para Milton Waldman, 1951
Dez anos atrás, eu estava completando quinze anos, e meu pai veio conversar comigo sobre que presente de aniversário eu queria. Ele andara conversando com a mãe e queria me dar um anel. A única questão é que eu estava interessada em outro tipo de anel; estava previsto para o final daquele ano o lançamento de A Sociedade do Anel, e depois de engolir todas as informações possíveis sobre o filme e sobre o livro em que ele era inspirado, tudo o que eu mais queria da vida era pôr minhas mãos na trilogia de Tolkien, “o livro mais lido depois da Bíblia” – ou, pelo menos, essa era a informação na época (mas acho que essa era uma pesquisa feita especificamente na Inglaterra e não em todo mundo).


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13 de novembro de 2010

Meu novo credo: "Notas para uma definição do leitor ideal"

Eu preciso dar mais algum motivo para explicar porque Alberto Manguel entrou na minha lista de autores favoritos de todos os tempos?

O leitor ideal é o escritor no exato momento que antecede a reunião das palavras na página.

O leitor ideal existe no instante que precede o momento da criação.

O leitor ideal não reconstrói uma história: ele a recria.

O leitor ideal não segue uma história: participa dela.


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5 de setembro de 2010

Ecos do Eco

"Da mesma forma, ler ficção significa jogar um jogo através do qual damos sentido à infinidade de coisas que aconteceram, estão acontecendo ou vão acontecer no mundo real. Ao lermos uma narrativa, fugimos da ansiedade que nos assalta quando tentamos dizer algo de verdadeiro a respeito do mundo.


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19 de julho de 2010

Pensamentos sobre Eco e a Literatura




Toda vez que leio Eco, fico meio atarantada. Sinto-me assim um tanto socrática, repetindo para mim mesma "só sei que nada sei". Ele exercita minha humildade ao me fazer dar conta de um mundo de coisas sobre as quais, até então, não tinha refletido; um mundo de livros que ainda não li e que, de repente, fico morrendo de vontade de conhecer.

Confesso que um dos meus grandes sonhos de consumo é assistir uma aula ou palestra de signore Eco ao vivo.


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27 de junho de 2010

Jane Austen – Parte VI: De monstros, vampiros, zumbis e outros mash-ups


Se vocês estão lendo isso é porque eu descobri certo como programar as postagens do blogger na minha ausência. Se não... nós nos vemos dia 01, com duzentos posts de uma vez só...

Depois de um mês inteiro dedicado quase que inteiramente a ela, hoje chegamos à ultima parte do nosso especial Jane Austen, e dessa vez vamos tratar de fãs, fanfics e mash-ups.


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15 de junho de 2010

Jane Austen - Parte V: a biblioteca de Austen




Vamos começar hoje de onde paramos no último tópico: a questão da educação como um dos temas centrais que perpassa toda a obra de Austen – especialmente de um ponto de vista ético-moral.

Boas maneiras e dever para com a sociedade são expressões muitas vezes utilizadas em seus romances e caracterizam o código moral interposto pela autora. Na verdade, todas as personagens de Austen passam por um processo de educação, de “iluminação”, pelo sentido de ascensão moral.


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14 de junho de 2010

Jane Austen – Parte IV: uma criatura sui generis




É engraçado que, se você for para a ponta do lápis com os livros de Austen, vai perceber que eles têm um cronograma quase perfeito. Você pode se localizar temporalmente, numa seqüência de acontecimentos bastante lógica – um detalhismo que parece se contrapor à pouquíssima descrição física que ela faz.

Há inúmeros artigos de estudiosos que montam esses calendários dia-a-dia, alguns devotando uma enorme atenção até a descobrir a exata época em que cada história se passaria, fazendo cálculos que envolvem o ano em que ela começou a escrever tal história, o ano em que a história foi publicada – tendo assim passado por uma última revisão – para depois sair catando no calendário quando nessa margem houve páscoa em março ou abril; quando o livro que determinado personagem aparece segurando foi popular, vasculhando a parca correspondência que foi preservada pela família (que preferiu queimar a maior parte) e assim por diante.

E tem gente que diz que eu sou maníaca e perfeccionista...


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9 de junho de 2010

Jane Austen – Parte III: o trabalho dignifica o homem




Não sei se vocês já perceberam, mas em geral, personagens de uma história não são mostrados trabalhando – a não ser que o trabalho deles tenha alguma coisa a ver com a narrativa ou seja absolutamente necessário para o desenrolar dos acontecimentos. Sabemos que fulano ou sicrano é médico, advogado, engenheiro, jornalista, escritor ou o raio que o parta, mas não o acompanhamos no trabalho (nem para escovar os dentes, tomar banho, fazer necessidades fisiológicas, etc).

Venhamos e convenhamos que, se queremos rotina, a gente já tem a nossa própria e não precisamos de histórias que as repitam.


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7 de junho de 2010

Jane Austen – Parte II: nos vemos em Waterloo




Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, filha do reverendo George Austen – pároco anglicano local – e sua esposa, Cassandra. Teve seis irmãos e uma irmã mais velha, Cassandra, que foi sua melhor amiga e confidente a vida inteira.

Nunca se casou – embora saibamos que tenha recebido pelo menos uma proposta, em 1802, de Harris Bigg-Wither, irmão de amigas das irmãs Austen. Jane até chegou a aceitar, imagina-se que pela possibilidade de dar um maior apoio financeiro à família, mas no dia seguinte, desfez o compromisso.


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1 de junho de 2010

Jane Austen – Parte I: e agora que estão feitas as apresentações...





A essa altura, todo mundo que freqüenta o Coruja já deve saber que depois de amanhã estarei indo para o Rio, onde participo do II Encontro Nacional do Jane Austen Sociedade do Brasil. O que talvez alguns de vocês (ainda) não saibam é que também vou apresentar uma das palestras do evento, tratando do contexto histórico do mundo à época de Austen.

Para poder apresentar esse trabalho, eu fiz o favor de reler todos os livros da tia Jane, com ajuda de um marcador de texto, um caderno de notas, várias viagens à biblioteca, uns tantos volumes de História e muito – mais muito – capuccino.


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6 de abril de 2010

Neil Gaiman – Parte Final: Além da Terra dos Sonhos


“Para eles (não importa o quanto estejam mortos; e a morte é relativa, não absoluta. Uma pessoa pode estar meio morta, como pode estar meio grávida), para meus avós, eu sempre serei um garotinho.

Eu também tenho minhas imagens mentais deles: momentos congelados do passado, nos quais os mortos são capturados em pequenos loops de movimento.

(...)

Cada imagem carrega consigo um sentimento de perda, mesmo que seja uma perda tingida, ainda que suavemente, de um certo alívio. A idade carrega estranhos fardos, e um deles, talvez, inevitavelmente, é a morte.

Mas eu não devo divagar. O caminho da memória não é reto nem seguro e viajamos correndo riscos. É mais fácil fazer viagens curtas pelo passado, lembrando em miniatura, construindo pequenas peças de marionetes em nossas cabeças.

Este é o caminho.”


(Neil Gaiman – The Tragical Comedy ou Comedy Tragedy of Mr. Punch)

Eu já comentei alguns dos grandes romances do Gaiman, bem como sua obra-prima, The Sandman, nos artigos anteriores. Talvez pudesse ter terminado após discorrer sobre a epopéia de Morpheus, mas então, meu trabalho não estaria completo – eu não poderia fechar essa longa incursão pelo mundo fantástico de Gaiman sem pelo menos um breve passeio por algumas obras menos conhecidas, mas que, ainda assim, são verdadeiras jóias literárias e artísticas.


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27 de março de 2010

Neil Gaiman – Parte VI: Dream a Little Dream of Me


“Nós fazemos o que devemos fazer, Lucien. Algumas vezes, nós podemos escolher o caminho que seguimos. Algumas vezes, nossas escolhas são feitas por nós. E, algumas vezes, nós não temos qualquer escolha.”

(Sonho, em Sandman #22: "Estação das Brumas", capítulo 1)

Ok, pessoas, hoje vamos direto ao assunto, sem as habituais enrolações de Lulu. Antes de começarmos, porém, quero avisar que este artigo em específico será cheio, completamente transbordante de spoilers.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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