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15 de dezembro de 2022
A heroína de 1001 faces: O resgate do protagonismo feminino na jornada do herói

Como é estranho, e, ao mesmo tempo, lógico que tantas das nossas metáforas para contar histórias sejam advindas do campo discursivo da produção têxtil. Nós tecemos tramas, enovelamos histórias, compomos contos ou entrelaçamos os fios - uma lembrança de como o trabalho das nossas mãos produziu espaços sociais que promoveram o intercâmbio de histórias, primeiro, talvez, sob a forma de conversa fiada, fofocas e notícias, depois sob a forma de narrativas e outras pepitas de ouro carregadas de sabedoria divertida, transmitida de geração em geração.
Tão logo vi o título desse livro, cresci o olho para ele. Conhecia a Tatar pela coletânea anotada dos Contos de Fadas que a Zahar lançou por aqui, e a referência dupla que ele contém - à jornada do herói e Sherazade numa tacada só - é exatamente o tipo de isca que se usa para fisgar minha atenção. Convenientemente, ganhei-o de presente agora no fim do ano e ele atropelou toda a lista de leituras que tinha por fazer.
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7 de novembro de 2022
Presença de Antígona: o poder subversivo dos mitos antigos

Antígona foi encenada pela primeira vez em Atenas, em (supõe-se) 442 a.C. Hoje é encenada no mundo inteiro. Desde 2016 tem sido apresentada, com outro enfoque, em Ferguson, no Missouri, e em Nova York. Antigone in Ferguson foi criada por Bryan Doerries depois do assassinato de Michael Brown Jr, rapaz de dezoito anos, por um policial, em 2014. É a leitura de uma adaptação da peça de Sófocles seguida por uma discussão com integrantes da comunidade, policiais e ativistas, sobre raça e justiça social.
Por que não se limitar a escrever uma peça sobre a morte de Michael Brown? Por que recorrer a Antígona para refletir sobre essa tragédia? Parte da resposta deve ser que o mito nos permite investigar situações extremas sem cair na deselegância de dramatizar detalhes específicos da morte de um jovem. E por isso os gregos antigos tomavam a mitologia como material para as tragédias. Peças encenadas sobre eventos contemporâneos causavam muito sofrimento a quem assistia. Os mitos gregos abordam também temas difíceis, sobre abusos de poder e fraquezas humanas. A possibilidade de explorar questões como, por exemplo, o que torna boa uma liderança ou como resistir ao Estado fascista permite projetar diretamente esses temas em eventos particulares locais.
Esse livro me conquistou de cara pelo título e subtítulo - sério, adoro quando se fala no clássico subvertendo expectativas. É um volume curtinho, de leitura bem rápida e fluida, que costura referências modernas com mitologia, exploradas especialmente de um ponto de vista feminista.
9 de março de 2022
Circe: uma resposta a silenciamentos e violências
“Eu escuto sua respiração, morna no ar noturno, e de alguma forma isso me consola. Ele não está dizendo que não dói. Ele não está dizendo que não sentimos medo. Só que estamos aqui. É isso que significa nadar na maré, caminhar na terra e senti-la tocar seus pés. É isso que significa estar vivo.”
Quando estive em Londres em 2018, quase comprei esse livro na Waterstones. Havia uma mesa inteira com edições diferentes dele, além de informações sobre prêmios a que fora indicado ou que já vencera. Problema é que ainda nem chegara na última etapa da viagem e já estava me preocupando com a possibilidade de excesso de peso na bagagem… Mas, enfim, Circe foi um dos mais comentados livros no ano de seu lançamento, e não me surpreendeu muito que se anunciasse sua publicação em português rapidamente.
2 de dezembro de 2020
A Jornada da Heroína: em busca de conexão

"To get us started on the right path, so to speak:
HERE IS THE HERO’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly isolated protagonist stomps around prodding evil with pointy bits, eventually fatally prods baddie, gains glory and honor.
HERE IS THE HEROINE’S JOURNEY IN ONE PITHY SENTENCE:
Increasingly networked protagonist strides around with good friends, prodding them and others on to victory, together."
Descobri a Gail Carriger através da série O Protetorado da Sombrinha, lá nos idos de 2011 e, desde então, sou fã da autora. Carriger tem um humor que muito me agrada, de protagonistas deliciosamente sarcásticas e melhores amigos fabulosamente purpurinados (lá se vão quase dez anos e Lorde Akeldama ainda é um favorito); casais que começam a trama às turras, intrigas palacianas, inventores loucos, vampiros, lobisomens, tudo isso num cenário vitoriano steampunk. Assino a newsletter dela há tempos e vinha acompanhando seus comentários sobre estar escrevendo um livro de não ficção com extrema curiosidade. Mais ainda por se tratar de um livro com o esquema paralelo ao da Jornada do Herói.
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5 de novembro de 2020
Pandora's Jar: uma perspectiva feminina (e feminista) dos mitos gregos

É uma pena, porque significa que a versão da história com a qual tantos de nós crescemos marginaliza seu personagem mais interessante. Também nos permite acreditar que heróis em jornadas fazem tudo sozinhos, quando raramente é assim que a história foi originalmente contada. Cada narrativa de um mito é tão válida quanto qualquer outra, é claro, mas as mulheres são retiradas da equação com uma frequência monótona. E isso fornece munição para aqueles que optam por acreditar que é assim que as histórias sempre foram e serão.
Fui atrás desse livro porque vi uma entrevista do Gaiman dizendo que era uma das leituras atuais dele. Aliás, eu deveria ter uma tag aqui no blog: “livros que li por recomendação do Gaiman”, porque considero essa sempre uma boa razão para somar mais um título à lista de leituras - e, até hoje, não me arrependo de ter seguido nenhuma das indicações dele. Enfim, cheguei à Haynes por causa do Gaiman, fiquei porque ela acerta todos os alvos para despertar meu interesse: já coloquei todo o restante da bibliografia dela na lista de desejos.
1 de julho de 2020
O Resumo da Ópera - O Ano Já Pode Acabar?

O primeiro semestre acabou e isso significa que é hora de fazer o balanço de meio do ano - ou o resumo da ópera do que andei lendo por esses meses. A despeito da quarentena - ou talvez por causa dela - até consegui dar uma boa baixada na lista de livros não lidos que estavam à espera na estante, incluindo alguns que estavam há mais de quatro anos esperando… Enfim, nesse apanhado do que andei lendo tem de tudo um pouco: clássicos, romance, policial, não ficção…
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4 de junho de 2020
Dez Anos em Dez Ensaios - Quanto Maior a Altura, Maior a Queda

Com a criação das primeiras estrelas por Varda, despertaram na Terra-média os Primogênitos de Ilúvatar. Quando Oromë, o Vala caçador, encontrou-os pela primeira vez, eles já tinham se separado em três grandes clãs, que mais tarde seriam chamados Vanyar, "belos elfos"; Noldor, "elfos-profundos" e Teleri, "elfos-do-mar". Oromë os chamou, em sua própria língua, de eldar, ‘o povo das estrelas’.
27 de fevereiro de 2020
Mythos: As melhores histórias de heróis, deuses e titãs

Atualmente, a origem do universo é explicada pelo big bang, um evento isolado que fez aparecer instantaneamente toda a matéria da qual tudo e todos são feitos.
Os gregos antigos tinham uma ideia diferente. Eles diziam que tudo começou não com uma explosão, mas com o CAOS.
Será que o Caos era um deus – um ser divino – ou simplesmente um estado de inexistência? Ou seria o Caos, exatamente como a palavra é usada hoje, um tipo de bagunça terrível, como um quarto de adolescente, só que pior?
Pense no Caos como, talvez, algum tipo de grande bocejo cósmico. Como um abismo ou um vácuo que boceja, no vazio da existência.
Se o Caos fez surgir vida e substâncias do nada, ou se o Caos bocejou vida, ou se a sonhou, ou a invocou de alguma outra maneira, eu não sei. Eu não estava lá. Nem você. No entanto, de algum modo, estávamos, porque todas as partes que nos compõem hoje estavam lá. Basta dizer que os gregos achavam que foi o Caos que, com um suspiro intenso, ou um grande encolher de ombros, ou um soluço, vômito ou tosse, começou a longa cadeia da criação que terminou com pelicanos e penicilina e sapotis e sapos, leões-marinhos, leões, mar, seres humanos e narcisos e assassinato e arte e amor e confusão e morte e loucura e biscoitos.
Comprei esse livro na Black Friday ano passado, por nenhum outro motivo especial além de “está em promoção”. Melhor dizendo, eu até estava atrás de algum volume de mitologia grega para ter como referência na estante, mas o escolhido era uma edição ilustrada da Zahar escrita por Nathaniel Hawthorne (o autor de A Letra Escarlate). O livro do Stephen Fry nem tinha entrado no meu radar. Mas tudo bem, fato é que estava num preço excelente, era um livro em capa dura, eu sempre podia guardá-lo para dar de presente depois.
28 de dezembro de 2019
A Vertigem das Listas: Mais Dez Mitos Heróicos

Ísis: Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, ou seja lá qual for o horário de seja lá onde você estiver! Brasil, Portugal, EUA, Turquia, Cazaquistão, Austrália, Quênia, Malawi, Júpiter, Saturno… Plutão…
Se estiver conseguindo ler isso em Plutão, deve ter WiFi muito boa aí, hein?! Parabéns aos trabalhadores plutonenes…. plutônicos… plutarcos?
Enfim, enfrentando Plutão, Hades, Afrodite, Seth, Odin ou seja lá quem for, preparem-se para…
Lulu: Encrenca?
Ísis: Não, mas boa tentativa. Preparem-se para Mais Dez Mitos Heróicos!
E não, eu não bebi, só não dormi (direito) mais de 5hs nas últimas 40 e blá horas….
Lulu: Deu para perceber… E sempre bom lembrar de quando abordamos primeiro esse tema, olha o link aqui.
29 de junho de 2019
A Vertigem das Listas: Mais Dez Vilões que Roubaram a Cena

Ísis:Olá, leitores! Estamos de volta com os mais dez de 2019. Dessa vez, voltaremos a apontar vilões! Porque alguém alguma vez disse que as histórias só são tão boas quanto os vilões… Eu não concordo 100% com isso, mas ignoremos minha opinião sobre essa ideia por hora e comecemos a lista dos (Mais) Dez Vilões que Roubaram a Cena, baseada na de Fevereiro de 2016, aqui!
30 de março de 2019
A Vertigem das Listas: Dez (outras) Grandes Histórias de Amor

Lulu: Continuando com nosso revival de temas passados do Vertigem, hoje trago um que gostei bastante de escrever e que ficou na memória como um dos mais divertidos - e que tinha muitas outras opções que não deu então para colocar na lista. Então, é, hoje é dia de termos Dez (outras) Grandes Histórias de Amor.
Ísis, aviso por antecipação que se você escolher Romeu e Julieta, eu te deserdo.
Ísis: Mas você é mãe da Dani, não minha…. õO
Also, pergunte a qualquer um, falou em grande história de amor, pensa-se em Romeu e Julieta. Por mais que você não goste, é o básico desse tipo de lista… >.>
1 de julho de 2018
Empilhando no Escaninho #30 (Os Links da Coruja)

Já passamos da metade do ano, e se piscar, vamos estar em dezembro... Antes disso, porém, ainda tem muita coisa para acontecer; Copa do Mundo está pela metade; agosto vai ter bienal do livro (eu vou!), outubro finalmente tem férias e também eleições... Dá cansaço só de imaginar...
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2 de junho de 2018
Empilhando no Escaninho #29 (Os Links da Coruja)

Maio foi um mês corrido, confuso e dolorido, em mais de um sentido... Chegamos agora a junho, meio do ano, e aqui ficamos de dedinhos cruzados para que as coisas fiquem um pouco mais equilibradas.
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Tolkien
25 de abril de 2018
Empilhando no Escaninho #28 (Os Links da Coruja)

Caminhamos para fins de abril, estou hoje me preparando mentalmente para correr no teste ergométrico e enquanto perco o fôlego só de pensar na ladeira que vão me fazer subir na esteira, vamos a alguns links que separei para compartilhar com vocês!
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27 de fevereiro de 2018
A Vertigem das Listas: Dois Mentirosos Incuráveis

Lulu: O Carnaval já passou, mas como estamos no mês da festa, escolhi um tema tangencialmente carnavalesco. Vejam bem, Carnaval é tempo de folia, de fantasias, de poder brincar e esquecer a vida real; quiçá até inventar uma nova vida, uma persona para fazer par com a máscara. Assim é que o vertigem de fevereiro traz para vocês Dois Mentirosos Incuráveis - mas, prestem atenção, não estamos a falar de psicopatas e estelionatários, mas de contadores de causos que até Deus duvida e que terminam no estilo “não sei, só sei que foi assim.
28 de julho de 2017
A Vertigem das Listas: Sete Cavalos de Presença

Lulu: Animais estão sempre bastante presentes na ficção, e há uma miríade de fiéis companheiros que poderíamos homenagear em listas aqui no Vertigem. Decidi me restringir hoje a apenas um tipo de animal, porque se expandir demais, vamos esgotar a lista do mês e continuar jogando nomes nela… Mas acho que com isso vamos inaugurar uma leva de listas animalescas no Coruja…
Caramba, considerando que somos um zoológico, porque ainda não tínhamos feito uma lista dessas?
Enfim, o tema de julho vai para um animal que, até a invenção do carro, era nosso principal transporte terrestre. Com ele íamos à guerra, e vivíamos nos tempos de paz. Ele é sempre um fiel companheiro dos príncipes dos contos de fadas. Sim, meus caros, hoje vamos falar de Sete Cavalos de Presença!
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19 de junho de 2017
#AmericanGods || Diário de Viagem Episódio 08: Venha para Jesus

Adaptar uma história de uma mídia para outra não é uma tarefa fácil. Embora isso signifique que você já começa de pronto com uma audiência base, você precisa lidar com o fato de que essa audiência, fãs da obra original, têm expectativas. E aí você precisa responder à ansiedade desses fãs e ampliar seu público fazendo o roteiro compreensível para quem não conhece o original. American Gods, em sua primeira temporada, conseguiu fazer isso e ir mais além: permanecer fiel ao espírito do livro e ainda adicionar cenas e personagens e surpreender quem achava que já sabia tudo o que ia acontecer.
16 de junho de 2017
#AmericanGods || Diário de Viagem Episódio 07: Uma Prece para Mad Sweeney

O ano é 1721 e Essie MacGowan atravessa o mar rumo à América num navio de prisioneiros, trazendo consigo não apenas um bebê na barriga e um passado repleto de mentiras, mas também a crença absoluta nas lendas que ouviu da avó quando ainda era criança, dos Sídhe que dançam sob os montes verdes de sua Irlanda natal até o terrível leprechaun.
O sétimo episódio de American Gods é tudo o que você não esperaria de um penúltimo episódio de temporada, uma hora inteira em que nem por um momento temos um vislumbre do nosso suposto protagonista ou se avança no roteiro para conhecermos os planos de Wednesday. Uma escolha arriscada sem dúvida, mas a série tem sido como um todo uma história de escolhas arriscadas… e acertadas. A Prayer for Mad Sweeney pode parecer não avançar muito no plot, mas nos traz tanto em explicações, não apenas de fatos relacionados à narrativa principal, mas ao caráter dos personagens…
8 de junho de 2017
#AmericanGods || Diário de Viagem Episódio 06: Uma Revoada de Deuses

A essa altura dos acontecimentos, vou desistir de tentar só ler os capítulos correspondentes ao episódio da semana e terminar de vez minha releitura de Deuses Americanos, porque estamos nos distanciando cada vez mais do romance e, francamente? Isso é ótimo, porque significa que estamos sendo continuamente surpreendidos. O novo episódio é completamente de material novo, incluindo aí Vulcan, o deus das armas, do fogo e da metalurgia, criado especialmente para a série.
1 de junho de 2017
#AmericanGods || Diário de Viagem Episódio 05: Um Você com Cheiro de Limão

A primeira temporada acaba e o bendito carrossel não aparece… Sério, estou obcecada em ver a cena do carrossel… mas, ok, se não chegamos ainda a House on the Rock e se mais uma vez desviamos bastante do livro (e começo a desconfiar que o carrossel talvez não aconteça nessa primeira temporada?), ainda assim, esse episódio veio repleto de alguns ótimos desenvolvimentos e explicações.
O episódio abre com mais uma das vinhetas de vinda à América, dessa vez em forma de animação, com uma tribo nômade fugindo da fome, atravessando das planícies frias da Sibéria para o Novo Mundo, trazendo consigo seu desu mamute, Nunyunnini. A cena, em forma de animação, é inspirada na travessia pelo Estreito de Bering, que é uma teoria científica bem aceita para explicar como o homem chegou às Américas, vez que, na última era do gelo, o nível do mar teria baixado, criando uma ponte natural entre a Ásia e as Américas nesse ponto, onde Rússia e Alasca quase se tocam.
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