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27 de abril de 2018
Censores em Ação: Como os Estados Influenciaram a Literatura

Foi em 2005 que descobri o historiador Robert Darnton. Sei disso porque me lembro de ler O Beijo de Lamourette quase que de uma sentada só, enquanto esperava para ser atendida por uma médica gastro. Quando olho para esse título na estante, consigo me lembrar com clareza daquela sala de espera, o vidro escuro que dava para a Conde da Boa Vista, o barulho do ar-condicionado antigo e as cadeiras não muito confortáveis. Não me lembro do rosto da médica, que a essa altura só sei que era japonesa, mas o resto ficou na memória e creio que isso se deve ao prazer que o livro me proporcionou à ocasião. Algum tempo atrás, tive chance de revisitar o autor, dessa vez com O Grande Massacre dos Gatos, que me deixou tão curiosa e interessada quanto aquele primeiro livro pelo qual o conheci. Por isso, quando vi mais um livro do autor em pré-venda no começo do ano, não tive dúvidas em metê-lo na lista de leituras. E começo de cara dizendo que Censores em Ação não me decepcionou, a despeito de todas as expectativas que tinha quando o comecei.
25 de abril de 2018
Empilhando no Escaninho #28 (Os Links da Coruja)

Caminhamos para fins de abril, estou hoje me preparando mentalmente para correr no teste ergométrico e enquanto perco o fôlego só de pensar na ladeira que vão me fazer subir na esteira, vamos a alguns links que separei para compartilhar com vocês!
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14 de julho de 2017
Mil Vezes mais Justo: O que as peças de Shakespeare nos ensinam sobre justiça

Em 'Mil vezes mais justo', Kenji Yoshino volta a atenção para a questão sobre o que compõe uma sociedade equitativa e justa, mergulhando numa fonte surpreendente para encontrar a resposta: as peças mais famosas de Shakespeare. Baseado em releituras criteriosas de Medida por medida, Tito Andrônico, Otelo e outros, discute perguntas fundamentais que fazemos a respeito do mundo atual e elucida algumas das questões mais preocupantes da vida contemporânea.
Nos nove ensaios que compõem Mil Vezes Mais Justo, Kenji Yoshino nos leva a percorrer os julgamentos e as diferentes noções de justiça retratadas pelo bardo: da vingança pessoal em Tito Andrônico ao processo legal de O Mercador de Veneza; do tribunal de Medida por Medida à corte dinamarquesa de Hamlet. Shakespeare entendia da natureza humana como poucos autores, tanto no que ela tem de mais sublime quanto de mais torpe, e por isso se presta tão bem ao debate moral e filosófico; mas também conhecia muito dos meandros da lei e das relações de poder, afinal, ele passou boa parte da vida entrando e saindo de tribunais, fosse como testemunha, querelante ou acusado.
24 de novembro de 2015
Para ler: A marquesa d'O... e outras estórias

Descobri a existência do dramaturgo alemão Heinrich Von Kleist ao ler A Manobra do Rei dos Elfos, que me levou a crises de riso quase incapacitantes. Emprestei o livro à Régis, com quem compartilho um carinho especial por humor nonsense e autores românticos alemães e ao devolver o meu volume, ela mandou junto A marquesa d’O... e outras histórias, reunindo alguns contos do Kleist – incluindo a mais famosa de suas novelas, Michael Kohlhaas.Em M..., uma importante cidade da alta Itália, a Marquesa d'O..., uma dama de excelente reputação e mãe de crianças muito bem educadas, comunicou pelos jornais que, sem saber como, havia engravidado, que o pai da criança, que estaria para nascer, deveria aparecer e que ela, por motivos familiares, estaria decidida a desposá-lo.
7 de julho de 2015
Para ler: O Conde de Monte Cristo
Tendo assistido várias diferentes versões de O Conde de Monte Cristo, imaginava que quando (finalmente) colocasse as mãos naquele que muitos consideram a obra-prima de Dumas, nada haveria de me surpreender.– Cale-se – Disse o Abade -, pois está desperdiçando suas últimas gotas de sangue… Ah, não acredita em Deus e morre golpeado por Deus! Ah, não acredita em Deus, e Deus mesmo assim pede apenas uma prece, uma palavra, uma palavra para perdoar… Deus que podia dirigir o punhal do assassino de maneira a que você expiasse na hora… Deus lhe deu quinze minutos para se arrepender… Caia em si, desgraçado, e arrependa-se!
– Não – insistiu Caderousse -, não me arrependo. Deus não existe, a providência não existe, o que existe é apenas o acaso.
Eu estava errada.
4 de novembro de 2014
Projeto Shakespeare: Medida por Medida

Essa é uma das poucas peças do bardo que eu tinha selecionado para resenhar esse ano que eu não lera em anos anteriores: minha leitura de agora foi meu primeiro contato com Medida por Medida - o que é curioso, porque eu jurava pra mim mesma que já o tinha visto, antes de começar a ler e perceber que tudo era novo ali.LÚCIO — Por que estás preso, Cláudio? Que foi isso?
CLÁUDIO — Liberdade demais, Lúcio; excessiva. Do mesmo modo que o comer à farta longo jejum engendra, a intemperança nos prazeres nos tolhe a liberdade. Tem sede a Natureza — como os ratos que em seu próprio veneno se comprazem — de algo diabólico; e, ao beber, morremos.
LÚCIO — Se eu fosse capaz de falar com tamanha sabedoria, quando preso, mandaria chamar alguns dos meus credores. Mas ainda assim, para falar franco, prefiro a loucura da liberdade à gravidade da prisão. Qual foi o teu crime, Cláudio?
Eu não sei como classificar Medida por Medida - aliás, essa é uma sempiterna dificuldade com Shakespeare. Não é uma tragédia, nem um drama histórico, obviamente, mas não vejo muito bem onde isso se classificaria como uma comédia.
22 de agosto de 2011
Desafio Literário 2011: Agosto - Clássico da literatura brasileira || O Juiz de Paz na Roça
ESCRIVÃO, lendo - Diz João de SAMPAIO que, sendo ele "senhor absoluto de um leitão que teve a porca mais velha da casa, aconteceu que o dito acima referido leitão furasse a cerca do Sr. TOMÁS pela parte de trás, e com a sem-cerimônia que tem todo o porco, fossasse a horta do mesmo senhor. Vou a respeito de dizer, Sr. JUIZ, que o leitão, carece agora advertir, não tem culpa, porque nunca vi um porco pensar como um cão, que é outra qualidade de alimária e que pensa às vezes como um homem. Para V.S.ª não pensar que minto, lhe conto uma história: a minha cadela Tróia, aquela mesma que escapou de morder a V.S.ª naquela noite, depois que lhe dei uma tunda nunca mais comeu na cuia com os pequenos. Mas vou a respeito de dizer que o Sr. TOMÁS não tem razão em querer ficar com o leitão só porque comeu três ou quatro cabeças de nabo. Assim, peço a V.S.ª que mande entregar-me o leitão. E.R.M."
JUIZ - É verdade, Sr. TOMÁS, o que o Sr. SAMPAIO diz?
TOMÁS - É verdade que o leitão era dele, porém agora é meu.
SAMPAIO - Mas se era meu, e o senhor nem mo comprou, nem eu lho dei, como pode ser seu?
TOMÁS - É meu, tenho dito.
30 de abril de 2010
Movimento estudantil
Estava eu fuçando em artigos antigos perdidos em disquetes empoeirados quando dei de cara com esse texto, que escrevi junto com Felipe César, grande colega dos tempos de faculdade, para a revista experimental da nossa turma de jornalismo, a Sem Lapso no Lápis.
Republico-o aqui, uma vez que, passados cinco longos anos, a idéia dele continua atual (exceto, claro, pelas datas do Congresso da UEP e da UNE...) a julgar pelo que ouço de amigos que ainda estão na faculdade. Entre a História e a atualidade, muita coisa mudou no Movimento Estudantil...
Republico-o aqui, uma vez que, passados cinco longos anos, a idéia dele continua atual (exceto, claro, pelas datas do Congresso da UEP e da UNE...) a julgar pelo que ouço de amigos que ainda estão na faculdade. Entre a História e a atualidade, muita coisa mudou no Movimento Estudantil...
1 de março de 2010
Manifesto de apoio a Denise Bottmann
Já escrevi semana passada sobre o caso DBottmannxLandmark no post Direito ao Esquecimento. Hoje, descobri que criaram um Manifesto de Apoio a Denise Bottmann e, por óbvio, não poderia deixar de aproveitar qualquer influência que eu eventualmente tenha entre meus leitores para puxá-los pela consciência e levá-los a assinar.
25 de fevereiro de 2010
Direito ao Esquecimento
Já faz alguns dias que eu venho acompanhando o caso do blog Não gosto de plágio, e querendo escrever sobre o assunto aqui no Coruja. Por um motivo ou por outro, tive que adiar um pouco a publicação, uma vez que queria ver se encontrar mais informações... mas, enfim, estamos aqui.
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21 de fevereiro de 2010
Anedotas judiciárias
Revisitando o tema do post anterior, sobre fatos reais que mais parecem ficção, anedota, conto de carochinha, hoje lhe conto três histórias ocorridas (ou contada, no primeiro caso) nos meus tempos de estagiária da promotoria de justiça.
Sem nomes ou quaisquer meios de identificação das pessoas envolvidas, é claro. E, se você tem estômago fraco ou é um puritano, por favor, volte no próximo post.
19 de fevereiro de 2010
Deus e o Diabo na Terra do Sol
“Talvez a graça permita que algo de bom nos venha daquilo que foi criado pelo mal.”Thomas Mann
De todos os trabalhos que fiz na faculdade de direito, aquele com que mais me diverti foi um trabalho de teoria dos contratos, e que tínhamos de analisar a questão dos contratos de adesão e cláusulas abusivas à luz do Fausto de Goethe.
4 de dezembro de 2009
A monografia da Ana
Hoje em vez de escrever (ainda estou um pouquinho enrolada, mas semana que vem terei férias da pós...), farei propaganda. Hohoho...
Na verdade, estou disponibilizando aqui para os interessados a famosa monografia da Ana sobre a qual volta e meia comento. E, para quem chegou de última hora e ainda não sabe do que estou falando...
16 de novembro de 2009
Lulu em...
Notícia rápida, apenas para partilhar das boas novas...
PASSEI NA OAB!!!! AEWWWWWWWWWWWWWWWWWW!!!!!!!!!!!
Lulu agora é uma advogada. Tudo o que falta agora é vender a alma. Hohohoh...
18 de agosto de 2009
Grandes sucessos da TV...
Nos últimos dias, tenho assistido com interesse o desenrolar da mais novela protagonizada pelos senhores do Congresso Nacional. Volta e meia, a TV Senado produz grandes sucessos de Ibope - inesquecível, claro, a magnífica obra que foi a CPI do Mensalão.
Nunca me esquecerei da fala de Roberto Jefferson, sorriso de lado assim, meio sarcástico, meio galã, encarando José Dirceu: "Vossa Excelência amedronta as pessoas e muitas pessoas temem esse enfrentamento. Eu não, pelo contrário. Aliás, tenho medo, porque Vossa Excelência provoca em mim os instintos mais primitivos."
Nunca me esquecerei da fala de Roberto Jefferson, sorriso de lado assim, meio sarcástico, meio galã, encarando José Dirceu: "Vossa Excelência amedronta as pessoas e muitas pessoas temem esse enfrentamento. Eu não, pelo contrário. Aliás, tenho medo, porque Vossa Excelência provoca em mim os instintos mais primitivos."
7 de agosto de 2009
Dialetos
Se em países minúsculos da Europa e da África, existem nações com mais de dez dialetos diferentes, não é surpresa que o Brasil, com suas proporções continentais, possuam também diferentes dialetos para diferentes regiões.
Para ficar num exemplo bem pequeno, a lista do grupo Amaterasu, a qual pertenço, tem entre seus integrantes um punhado de mineiros, uma cearense, uma carioca, uma uruguaia e eu (que não sei ainda muito bem a que região pertenço, sudeste, centro-oeste ou nordeste, já que meu sotaque e cultura parece ser uma grande mistura dos três).
Para ficar num exemplo bem pequeno, a lista do grupo Amaterasu, a qual pertenço, tem entre seus integrantes um punhado de mineiros, uma cearense, uma carioca, uma uruguaia e eu (que não sei ainda muito bem a que região pertenço, sudeste, centro-oeste ou nordeste, já que meu sotaque e cultura parece ser uma grande mistura dos três).
30 de junho de 2009
Mais estranho que a ficção...
Quem acompanha os noticiários deve ter visto a história da deposição de Juan Manuel Zelaya, presidente de Honduras, no dia marcado para uma consulta popular sobre a possibilidade de se eleger uma nova assembléia constituinte a fim de mudar a Constituição do país.
Não vou entrar em detalhes sobre minha opinião do assunto, mesmo porque não conheço nem a situação política de Honduras, nem suas leis.
Não vou entrar em detalhes sobre minha opinião do assunto, mesmo porque não conheço nem a situação política de Honduras, nem suas leis.
26 de junho de 2009
Quanto vale a liberdade?
Essa pergunta foi meio que um calo no meu pé enquanto escrevia minha monografia e dediquei um bocado de tempo a pensá-la, ainda que não tenha escrito uma linha sobre o assunto no trabalho propriamente dito.
Para tudo existe uma justificativa (só depende do receptor da mensagem ser ou não crédulo) e a liberdade é uma justificativa constante para a guerra. Ela é algo como o princípio da auto-determinação dos povos. É a ideia do direito à Resistência. Da desobediência civil.
Sob a desculpa de busca da liberdade, foram perpetradas alguns dos atos mais execráveis da história humana. Dizem os teóricos que há aqui uma atitude de ponderação – um mal menor tendo em vista um grande bem.
Os fins justificam os meios.
Para tudo existe uma justificativa (só depende do receptor da mensagem ser ou não crédulo) e a liberdade é uma justificativa constante para a guerra. Ela é algo como o princípio da auto-determinação dos povos. É a ideia do direito à Resistência. Da desobediência civil.
Sob a desculpa de busca da liberdade, foram perpetradas alguns dos atos mais execráveis da história humana. Dizem os teóricos que há aqui uma atitude de ponderação – um mal menor tendo em vista um grande bem.
Os fins justificam os meios.
25 de maio de 2009
Notícias populares: e o casseta desceu no planalto...
Para terminar a monografia, só falta agora o parecer da excelentíssima orientadora, depositar as cópias no departamento e defender a bendita. No momento, estou às voltas com um trabalho de psicopatia forense (não perguntem...) para medicina legal. E depois vou trazer para vocês minhas últimas anotações dos textos de filosofia. Tudo bem que filosofia e, ainda por cima, filosofia do direito, é uma coisa meio pesada, mas eu cheguei à conclusão de que Bauman é o cara e se alguma coisa me serviu na faculdade foi ter descoberto esse autor.
Enquanto estou às voltas com os psicopatas, porém, para não deixá-los na mão, fica a notícia encontrada na Folha Online enquanto xeretava pela internet atrás de fontes para o trabalho.
Enquanto estou às voltas com os psicopatas, porém, para não deixá-los na mão, fica a notícia encontrada na Folha Online enquanto xeretava pela internet atrás de fontes para o trabalho.
24 de maio de 2009
Reformas, reformas... - Parte IV
Demorei um pouco para terminar esses artigos, mas antes de começar a escrever, precisava dar umas vistas no assunto sobre o qual estava escrevendo. É muito fácil criticar aquilo que você não conhece, dizer simplesmente “é ruim” sem sequer saber do que está falando. Assim, apesar de já ter uma opinião bastante formada sobre o assunto desde meus tempos de colégio, quando começou a discussão sobre as cotas nas universidades públicas, dediquei meia hora do meu descanso depois do almoço (quando podia estar tirando um cochilo para compensar as horas perdidas com insônia) a ler o tal...
4) Estatuto da Igualdade Racial
4) Estatuto da Igualdade Racial
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