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1 de novembro de 2022

Desaparecidos em Luz da Lua e outros mistérios a desvendar


— Não podemos simplesmente nos permitir sermos inimigos — interrompeu Thorn. — Você complica minha vida com seu rancor, precisamos imperativamente nos reconciliar. Não tenho o direito de entrar no Gineceu: me encontre na Intendência, me ofenda, me estapeie, quebre um prato na minha cabeça se quiser, e depois deixemos isso para trás. Seu dia será o meu. Essa quinta seria bom. Digamos... — Um som de páginas reviradas com pressa ressoou no telefone. — Entre onze e meia e meio-dia. Posso marcar na minha agenda?

Sem ar, Ophélie desligou o telefone com toda a raiva com a qual o bateria na cabeça de Thorn.

— Esse sol não vale de nada! — declarou tia Roseline, ao vê-la voltar. — Os lençóis são mais inteligentes que nós, eles entenderam perfeitamente que o sol é falsificado. Assim nem os ratos vão querer roer as roupas úmidas do rei.

Peguei a série A Passa-Espelhos por indicação de uma amiga - a Fernanda fez tanta propaganda que superei minha corrente aversão por histórias que se dividem em vários volumes e embarquei na aventura. Tenho de dizer que, de fato, Os Noivos do Inverno superou todas as minhas expectativas com sua engenhosa construção de mundo - da mitologia aos cenários deslumbrantes -, e bem sacado uso de tropes de romance - como o casamento arranjado - num cenário de fantasia. Assim é que parti para esse segundo volume com uma boa dose de empolgação.


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24 de outubro de 2022

Explorando relacionamentos subterrâneos com “O Fantasma da Ópera”


“A voz sem corpo voltou a cantar, e Raoul nunca ouvira nada no mundo – voz unindo ao mesmo tempo respiração e alcance – mais suave e heroico, mais vitoriosamente insidioso, mais delicado na força, mais forte na delicadeza, em suma, mais triunfante e irresistível. Havia nela trinados definitivos que reinavam soberanos e que decerto deviam, exclusivamente em virtude de sua audição, gerar trinados sublimes nos mortais que sentem, amam e traduzem a música. Havia nela uma fonte tranquila e pura de harmonia na qual os fiéis podiam devotamente beber, certos de que nela bebiam a graça musical. E sua arte, assim, tendo tocado o divino, transfigurara-se. Raoul, extasiado, escutava aquela voz e começava a compreender como Christine Daaé pudera se apresentar aquela noite para um público estupefato, com gorjeios de uma beleza desconhecida, de uma exaltação sobre-humana, sem dúvida ainda sob a influência do misterioso e invisível mestre! E compreendia mais ainda aquele prodígio, escutando a voz excepcional, que, por sua vez, justamente não cantava nada de excepcional: do barro, fazia ouro.”

Do primeiro acorde grandioso que parece vibrar nos ossos, é difícil não se deixar cativar pelo romance e tragédia de O Fantasma da Ópera. Desde sua estreia em 1986 (o mais longínquo em cartaz), o musical é um dos maiores sucessos da Broadway, importado para todos os cantos do mundo, com a trilha sonora vertida em 17 línguas.


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3 de junho de 2021

A Ilha Misteriosa: um triunfo do espírito empreendedor e inventivo


— Nos livramos de tudo?

— Não! Ainda temos dez mil francos em ouro!

Um saco pesado caiu imediatamente no mar.

— O balão subiu?

— Um pouco, mas não tardará a descer de novo!

— O que restou para jogar fora?

— Nada.

— Esperem…! O cesto!

— Agarremo-nos à rede! E sacrifiquemos o cesto ao mar!

Era, com efeito, o único e último meio de prolongar a vida do aeróstato. As cordas que o prendiam ao aro foram cortadas e o balão, após a queda do cesto, subiu aproximadamente seiscentos metros.

Os cinco passageiros haviam se içado para a rede, acima do aro, e, agarrando-se à trama das malhas, contemplavam o abismo.

Se algum dia eu me descobrir numa ilha deserta, esse é um dos (muitos) livros que desejaria ter comigo. Pode parecer um desejo estapafúrdio, mas do que me lembro de Crusoé e também com o grupo que Verne nos apresenta aqui, todo náufrago pode esperar a sobrevivência afortunada de alguns volumes para ajudá-lo nos dias que virão (ou até o aparecimento surpreendente de um baú repleto de itens de primeira necessidade, incluindo, claro, livros). Digo isso não apenas por A Ilha Misteriosa ser uma leitura das mais prazerosas - as setecentas páginas da minha edição passaram meio que voando - mas porque ele é, basicamente, uma manual de como ser um náufrago bem sucedido (e, no processo, começar uma nova civilização nas terras que vocês acabou de “colonizar”).


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28 de dezembro de 2020

O Resumo da Ópera - Uma Salada de Títulos


Chegamos ao fim do ano e, com ele, está na hora de fazer o resumão de leituras do semestre - resenhas mais curtas e direto ao ponto (será?), passeando por vários gêneros, afinal, nada melhor do que um resumão bem eclético, não é mesmo?


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21 de abril de 2020

Os Noivos do Inverno: Intrigas, Casamentos Arranjados e um Mundo em Pedaços


Suspensa no meio da noite, suas torres afogadas na Via Láctea, uma formidável cidadela flutuava sobre a floresta sem que qualquer coisa a prendesse ao resto do mundo. Era um espetáculo completamente louco, uma enorme colmeia expulsa pela terra, um entrelaçado tortuoso de masmorras, pontes, nichos, escadas, arcobotantes e chaminés.

Da primeira vez que bati o olho na capa desse livro, já me apaixonei. O título, as cores, a ilustração: algo naquilo tudo me chamava. Coloquei na lista de desejos e no All Hallow's Read do ano passado, ganhei ele de presente (obrigada de novo, Fernanda!). Coincidentemente, comecei a leitura ao mesmo tempo em que revia os filmes do Estúdio Ghibli na Netflix e por isso me dei conta de que a razão de ter ficado fascinada com a capa é que ela me fazia lembrar O Castelo Animado. E, quanto mais eu lia, mais a Dabos me remetia às histórias do Miyazaki: visualmente falando, eu imaginei o livro inteiro como uma das animações dele, dos cenários aos personagens.


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21 de fevereiro de 2018

Dando a Volta ao Mundo em 80 Dias

Tipicamente inglês, Phileas Fogg talvez não fosse londrino. Nunca foi visto na Bolsa, nem no Banco, nem em nenhuma das repartições da City. Tampouco as marinas ou as docas de Londres haviam recebido navio cujo armador fosse Phileas Fogg. Esse gentleman não figurava em nenhum conselho de administração. Seu nome nunca ecoara numa banca de advogados, nem no Temple, nem em Lincoln’s Inn, nem em Gray’s Inn. Nunca sofrera nenhum processo nem no Tribunal do Chanceler, nem no da Rainha, nem no Exchequer, ou qualquer tribunal eclesiástico. Não era nem industrial, nem negociante, nem comerciante, nem agricultor. Não fazia parte nem do Instituto Real da Grã-Bretanha, nem do Instituto de Londres, nem do Instituto dos Manufatureiros, nem do Instituto Russell, nem do Instituto Literário do Ocidente, nem do Instituto dos Advogados, nem tampouco do Instituto de Artes e Ciências Reunidas, patrocinado diretamente por Sua Graciosa Majestade. Não pertencia enfim a nenhuma das incontáveis agremiações que pululam na capital da Inglaterra, desde a Sociedade de l’Armonica até a Sociedade Entomológica, criada com a finalidade precípua de dar cabo dos insetos nocivos.

Phileas Fogg era membro do Reform Club, ponto-final.
Quando completei dez anos, D. Mãe me levou para conhecer a famosa ‘Livro 7’, livraria no centro do Recife que foi um marco cultural da cidade e, entre as décadas de 70 e 80, a maior da América Latina (de acordo com o Guinness). Nós tínhamos nos mudado para Pernambuco naquele ano e essa foi a primeira e última vez que visitei o espaço. A Livro 7 já estava em declínio à época, mas lembro de ter me apaixonado de cara assim que entrei na loja.


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18 de janeiro de 2017

O Essencial é Invisível aos Olhos ou Lições sobre Luto com O Pequeno Príncipe

“ [...] Vê, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. Para mim, o trigo é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E isso, sim, é triste! Mas seus cabelos são dourados. Então será maravilhoso quando tiver me cativado! O trigo, que é da cor do ouro, evocará sua lembrança. E me deliciarei com o rumor do vento no trigo...

[...]

Assim, o pequeno príncipe cativou a raposa. E quando chegou a hora da partida:
- Ah! – disse a raposa – Vou chorar.
- Culpa sua. – disse o pequeno príncipe -, eu não lhe queria mal, mas você quis que eu a cativasse...
- Naturalmente – disse a raposa.
- Mas você vai chorar! – disse o pequeno príncipe.
- Naturalmente – disse a raposa.
- Então não ganha nada com isso?
- Ganho – disse a raposa -, por causa da cor do trigo.”
Havia uma edição de O Pequeno Príncipe na estante de D. Mãe antes mesmo de eu nascer. Não sei quando o li pela primeira vez, mas fato é que ele sobreviveu a várias mudanças de apartamento e muitas leituras, até a capa descolar, folhas se soltarem e eu ter de comprar um novo volume que não se desmanchasse nas mãos se tentássemos ler. Por essas coincidências que gostamos de chamar de destino, retirei a edição nova da prateleira - que ainda não tinha sequer folheado - na véspera do fim de ano e encontrei nele as exatas palavras que precisava para lidar com a perda da tia que era uma querida companheira de aventuras, cujo entusiasmo e vibração me inspiravam.


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2 de agosto de 2016

Desafio Corujesco 2016 - Um Livro com Número no Título || O Leitor do Trem das 6h27

Para todos os passageiros presentes na composição, ele era o leitor, um sujeito estranho que todos os dias de semana, lia em voz alta e inteligível as poucas páginas tiradas de sua bolsa. Eram fragmentos de livros sem qualquer relação uns com os outros. O trecho de uma receita podia estar ao lado da página quarenta e oito do último vencedor do Goncourt; um parágrafo de romance policial podia seguir-se a uma página de um livro de história. Para Guylain, pouco importava o conteúdo. Só o ato de ler tinha importância a seus olhos. Ele expelia todos os textos com a mesma dedicação obstinada. E, a cada vez, a magia se operava. As palavras, ao sair de seus lábios, levavam com elas um pouco da náusea que o sufocava ao se aproximar da usina.
Peguei esse livro numa troca, única e exclusivamente pelo fato de que tinha a palavra ‘leitor’ no título – gosto muito de livros sobre livros, livros sobre leitores, livros sobre o prazer da leitura. É meio que uma reafirmação de que não estou sozinha no mundo em meu vício (bem, faz algum sentido na minha cabeça, não sei na de vocês).


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7 de julho de 2015

Para ler: O Conde de Monte Cristo

– Cale-se – Disse o Abade -, pois está desperdiçando suas últimas gotas de sangue… Ah, não acredita em Deus e morre golpeado por Deus! Ah, não acredita em Deus, e Deus mesmo assim pede apenas uma prece, uma palavra, uma palavra para perdoar… Deus que podia dirigir o punhal do assassino de maneira a que você expiasse na hora… Deus lhe deu quinze minutos para se arrepender… Caia em si, desgraçado, e arrependa-se!

– Não – insistiu Caderousse -, não me arrependo. Deus não existe, a providência não existe, o que existe é apenas o acaso.
Tendo assistido várias diferentes versões de O Conde de Monte Cristo, imaginava que quando (finalmente) colocasse as mãos naquele que muitos consideram a obra-prima de Dumas, nada haveria de me surpreender.

Eu estava errada.


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12 de agosto de 2014

Desafio Corujesco: Os Três Mosqueteiros

É com bravura, preste atenção, e com bravura apenas, que um fidalgo abre caminho nos dias de hoje. Aquele que vacila um segundo talvez esteja deixando escapar o anzol que, justamente durante aquele segundo, a fortuna lhe estendia. Você é jovem, e deve ser um bravo por duas razões: a primeira é por ser gascão, e a segunda, por ser meu filho. Não se furte às oportunidades e procure as aventuras. Ensinei-lhe o manejo da espada; você tem um jarrete de ferro, um punho de aço. Bata-se por qualquer motivo, ainda mais que os duelos estão proibidos, havendo, por conseguinte, duas vezes mais coragem em se bater. Só tenho para lhe dar, meu filho, quinze escudos, meu cavalo e os conselhos que acaba de ouvir. A isto sua mãe acrescentará a receita de certa pomada que ela recebeu de uma cigana, cuja virtude milagrosa pode curar qualquer ferida que não seja do oração. Faça bom uso de tudo, viva alegremente e por muito tempo.
Dumas é um personagem que está tão ligado às minhas leituras de infância e adolescência – junto com outro francês, o Verne – que não consigo me lembrar exatamente de quando tive meu primeiro contato com D’Artagnan e companhia. Sei que li a edição integral pelos meus quatorze anos, porque foi quando ganhei uma coleção chamada “clássicos da juventude” que para além de Os Três Mosqueteiros, também tinha Vinte Anos Depois e O Visconde de Braguelone, que completam o ciclo de histórias iniciado com a chegada do gascão a Paris.


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4 de fevereiro de 2014

Desafio Corujesco: O Corcunda de Notre Dame

Por outro lado, é preciso fazer-lhe essa justiça, a maldade talvez não fosse inata nele. Desde os seus primeiros passos entre os homens, ele havia sentido a si mesmo, depois havia visto a si mesmo sendo cuspido, criticado, rejeitado. A fala humana para ele era uma zombaria ou uma maldição. Ao crescer, só tinha descoberto ódio à sua volta. Ele o havia tomado para si. Ganhara a maldade geral. Tinha se apossado da arma com que o haviam ferido.

Na primeira rodada do meu desafio corujesco de tentar limpar minhas estantes e prateleiras de livros ainda não lidos e à espera, vou com um clássico. Há tempos que estava querendo ler O Corcunda de Notre Dame - especialmente depois que visitei a casa do mestre Victor Hugo e descobri que a história original não tem nada a ver com a do filme da Disney.


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23 de março de 2013

Para ler: A Elegância do Ouriço


Meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petit fours da casa Ladurée à sra. de Broglie, conta a si mesma história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma o café e lê o jornal, contempla-se num espelho do gênero manual de autoconvencimento; quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e quando as pessoas passam diante do concierge, só vêem o vazio porque ali não se reconhecem.

Do meu lado suplico meu destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém.

Quando dei uma olhada na lista da Retrospectiva Literária 2012 do blog Pensamento Tangencial, que é o organizador da brincadeira, deparei-me com dois volumes que, pela empolgação da anfitriã, logo me chamaram a atenção. Um, eu consegui através de troca pelo Skoob e ainda não pude começar a ler; o outro foi-me gentilmente emprestado pela Mi, do Bibliophile.


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18 de agosto de 2012

Do Gênesis ao Apocalipse: Cândido


Em qualquer lista que eu faça de livros favoritos, Cândido, ou o Otimismo certamente aparecerá entre os dez mais. Com esse livro, descobri a filosofia – muito antes de começar a faculdade e meu professor começar uma litania de nomes e nenhuma idéia – pois ao terminar este volume, fui atrás de xeretar mais Voltaire e acabei mergulhada até o pescoço no Iluminismo.


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24 de março de 2012

Do Gênesis ao Apocalipse: A Saga de Ramsés


Após termos assistido o começo do mundo e acompanhado o nascimento do primeiro herói e das primeiras cidades – o início da civilização ocidental – vamos hoje visitar o Império Egípcio e dar uma olhada na vida de um dos meus governantes/personagens históricos favoritos! Preparem-se e apertem os cintos, porque hoje vamos conhecer o grande Faraó do Baixo e Alto Egito, Ramsés II, o Grande.


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25 de julho de 2011

Clube do Livro (Julho) - 20.000 Léguas Submarinas


- Desça, desça com os seus companheiros!

- Vai atacar aquele navio, capitão?

- Vou afundá-lo!

- O senhor não fará tal coisa!

- Farei - respondeu-me friamente. - Não se arrogue o direito de me julgar, professor! A fatalidade lhe mostra o que não deveria ver. Fui atacado e minha resposta será terrível. Agora desçam!

- Que navio é aquele? - insisti.

- Se não sabe, tanto melhor. Pelo menos a sua nacionalidade continuará a ser um segredo para vocês. Desçam! - gritou irado.

Não pudemos fazer nada mais do que obedecê-lo. Mas antes de deixar a plataforma eu ainda fiz um gesto de quem ia falar. Ele me impôs silêncio e usou mais uma vez da palavra.

- Eu sou o direito, eu sou a justiça! Sou o oprimido e ali está o opressor! Foi por causa dele que vi morrer tudo que eu amava e venerava: pátria, mulher, filhos, pai e mãe! Tudo o que odeio está ali. Cale-se e desça!

Jules Verne foi um dos heróis da minha infância. Eu era profundamente fascinada por seus livros e até hoje posso incluí-lo em minha lista de favoritos – seus livros envelhecem bem conosco, podendo ser lidos e relidos com a mesma excitação, o mesmo encanto da primeira vez.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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