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20 de setembro de 2022
Projeto Agatha Christie: Um Destino Ignorado

O homem sentado atrás da mesa moveu um pesa-papéis em vidro alguns centímetros para a direita. Seu semblante parecia mais sem expressão do que pensativo ou disperso. Tinha a tez pálida de quem passa a maior parte do dia sob luz artificial. Dava para ver que vivia enfurnado entre mesas e arquivos. Parecia natural que, para chegar à sua sala, fosse necessário atravessar longos corredores subterrâneos. Seria difícil precisar sua idade. Não parecia nem velho nem novo. No rosto liso e sem rugas, os olhos denotavam um grande cansaço.
O outro homem na sala era mais velho. Moreno, com um pequeno bigode militar, emanava vivacidade e energia. Não conseguia ficar parado. Andava de um lado para o outro, soltando observações bruscas aqui e ali.
– Relatórios! – exclamou de modo explosivo. – Relatórios e mais relatórios para quê?
O homem sentado à mesa olhou para os papéis à sua frente. Sobre eles havia um cartão oficial onde se lia “Betterton, Thomas Charles”. Depois do nome havia um ponto de interrogação.
Um Destino Ignorado é um dos romances isolados de Christie - menos história de detetives e mais thriller político mergulhado no contexto da Guerra Fria. Publicado originalmente em 1954, começa com uma série de cientistas desaparecendo misteriosamente na Europa Ocidental, para então nos apresentar Hilary Craven, uma mulher que não tem nada a perder, anseia pela morte, e é convidada a uma missão potencialmente suicida que talvez ajude a identificar quem está por trás dos sumiços.
29 de agosto de 2022
Projeto Agatha Christie: Morte nas Nuvens

— Pura esperteza — retrucou Japp. — E quanto à tal zarabatana que ele apresentou hoje, quem pode afirmar que é a mesma que comprou há dois anos atrás? A coisa toda me parece suspeitíssima. Não acho muito saudável alguém andar sempre às voltas com histórias de crime e detetives, imaginando tudo quanto é espécie de caso. Acaba metendo idéias na cabeça.
— Não há dúvida que um escritor tem que ter idéias na cabeça — concordou Poirot.
Publicado em 1935, primeiro nos Estados Unidos com o título de Death in the Air e logo depois no Reino Unido com o título original, Morte nas Nuvens foi um dos romances de Christie que mais me surpreendeu dos últimos que li (uma impressão que ficará até começar o próximo e descobrir que o tapete sumiu sob meus pés).
26 de julho de 2022
Projeto Agatha Christie: O Caso do Hotel Bertram

No coração do West End, há diversos lugares tranquilos, desconhecidos de quase todo mundo, à excção dos motoristas de táxi, que os atravessam com a habilidade de especialistas, chegando triunfantemente a Park Lane, Berkeley Square ou South Audley Street.
Se você se afastar de uma despretensiosa rua que sai do parque e virar à esquerda e depois à direita uma ou duas vezes, irá se encontrar numa rua tranquila, onde fica o Hotel Bertram, do lado direito. O Hotel Bertram está ali há muito tempo. Durante a guerra, algumas casas foram demolidas à direita e, um pouco adiante, à esquerda. Só o Bertram se manteve intocado.
Quando Miss Marple decide tirar umas férias em Londres, ela tem oportunidade de se hospedar no hotel Bertram, que visitara em sua juventude e lhe deixara uma forte impressão. Contudo, após um misterioso desaparecimento e um assassinato, ela descobrirá que a reputação do local não é tão imaculada quanto se poderia pensar.
29 de junho de 2022
Projeto Agatha Christie: Morte na Mesopotâmia

"Ela era temperamental. Muitos altos e baixos. Querida com a gente num dia, e no outro não se dignava a nos dirigir a palavra."
Publicado originalmente em 1936, Morte na Mesopotâmia se passa como um manuscrito da enfermeira Amy Leatheran, em que ela reconta os fatos que a levaram a uma escavação arqueológica no Iraque, o crime em que se viu envolvida quando sua paciente é assassinada, e a investigação que se segue, capitaneada pelo detetive Hercule Poirot - que, convenientemente, andava viajando pelas redondezas, a caminho de embarcar no Expresso do Oriente.
6 de abril de 2022
Projeto Agatha Christie: Por que não pediram a Evans?

Bobby seguiu caminhando devagar. Havia, ele sabia bem, um ponto por onde se podia descer com relativa facilidade. Os caddies faziam isso, lançando-se por sobre a borda e reaparecendo, triunfantes e ofegantes, com a bola perdida.
De súbito, Bobby enrijeceu o corpo e chamou seu companheiro.
– Doutor, venha ver uma coisa. O que pode ser aquilo?
Pouco mais de dez metros abaixo se via uma forma escura amontoada, parecendo uma pilha de roupas velhas.
O médico prendeu a respiração.
– Meu Deus... – ele disse. – Alguém caiu no penhasco. Precisamos chegar até lá.
Por que não pediram a Evans? foi publicado originalmente em 1934 no Reino Unido; no ano seguinte saiu nos Estados Unidos com o título alternativo A Pista do Bumerangue. É um romance aventuresco, e, embora não o considere um dos melhores mistérios criados por Agatha Christie, é certamente um dos mais divertidos, num espírito parecido com o de O Segredo de Chimneys.
29 de março de 2022
Projeto Agatha Christie: Depois do Funeral

– Ainda assim, o segredo foi bem mantido, não foi? – falou Cora.
Todos a encararam, e ela pareceu um pouco perturbada.
– Acho que vocês estão bastante certos – continuou Cora apressadamente. – Quero dizer, certos mesmo. Não ajudaria em nada tornar pública a história. Muito desagradável para todos. Deve ser mantida estritamente em família.
Os rostos voltados para ela pareciam ainda mais inexpressivos.
O sr. Entwhistle inclinou-se para frente:
– Na verdade, Cora, temo não entender bem o que você quer dizer.
Cora Lansquenet olhou em volta para sua família com os olhos arregalados. Ela inclinou a cabeça para um lado, como um pássaro.
– Mas ele foi assassinado, não foi? – disse ela.
Dia de trazer mais um título para o Projeto Agatha Christie, e, dessa vez, um que eu não tinha lido antes (ou, pelo menos, não tenho memória alguma de já ter lido). Escolhi para agora Depois do Funeral por ser também indicação do Read Christie 2022 no tema ‘Agatha escreveu no exterior’.
10 de fevereiro de 2022
Projeto Agatha Christie: Morte no Nilo
– Amor? É isso? Amor? Mas a senhorita não sabe. Talvez ela tenha se casado só pelo dinheiro que tem!
– O senhor não viu a forma como ele olhava para ela?
– Oh, sim, mademoiselle. Vi tudo o que havia para ver. Vi até algo que a senhorita não viu.
– O quê?
Poirot respondeu vagarosamente:
– Vi, mademoiselle, linhas escuras sob os olhos de uma mulher. Vi mãos apertando uma sombrinha com tanta força que as articulações dos dedos ficaram brancas...
Rosalie olhava fixo para ele.
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que nem tudo que reluz é ouro. Quero dizer que, embora aquela moça seja rica, bela e amada, alguma coisa não está bem.
Publicado originalmente em 1937, Morte no Nilo é um dos mais célebres romances da Agatha. Inspirado em suas próprias viagens pelo Egito, e aproveitando o embalo da ‘egiptomania” que tomara o mundo - especialmente após a descoberta por Howard Carter do túmulo de Tutancâmon em 1922 -, o livro traz em seu âmago um triângulo amoroso fatal e um elenco de personagens repleto de segredos e agendas próprias, muitos ligados ao crime que acaba sendo cometido.
17 de dezembro de 2021
Projeto Agatha Christie: O Natal de Poirot
Ouviu-se um suspiro longo e trêmulo e depois duas vozes falaram sucessivamente. Por singular coincidência, ambas proferiram citações.
David Lee murmurou:
— Os moinhos de Deus moem devagar...
E a voz de Lydia acrescentou, num sussurro trêmulo:
— Quem pensaria que o velho tinha tanto sangue em si?
Para fechar esse ano no Projeto Agatha Christie, não pude resistir a encaixar na vez O Natal de Poirot, publicado primeiro de forma serializada em 1938, com o título Murder for Christmas na Collier’s Week. Trata-se de um típico mistério-de-sala-trancada, quando um crime aparentemente impossível ocorre - ou, pelo menos, impossível até que o autor te dê a resposta do enigma.
20 de maio de 2021
Projeto Agatha Christie: Noite sem Fim

Publicado originalmente no Reino Unido, em 1967, um dos favoritos da autora e considerado pela crítica sua última obra-prima, Noite sem Fim é uma daquelas histórias sutis sobre a natureza do mal e dá bastante no que pensar. Seu título deriva do poema de William Blake, Augúrios de Inocência, cantada a determinada altura por uma das personagens:
Toda Noite, todo Dia,
Há quem nasce à Agonia
Todo Dia, toda Noite
Há quem nasce à Alegria
Há quem nasce ao Festim
Há quem nasce à Noite sem Fim
Narrado em primeira pessoa pelo jovem Michael Rogers, o livro conta a história de sua fascinação com um terreno aparentemente amaldiçoado, seu romance com uma herdeira americana, os primeiros dias idílicos na casa construída com a fortuna de Ellie e a tragédia anunciada pela maldição da cigana, que não se demora a consumar. Pelo meio, há ainda os advogados e administradores de Ellie, sua família de aproveitadores, uma governanta extremamente eficiente, um arquiteto genial e muito doente e a sociedade em que o casal começa a se integrar após o rápido casamento.
28 de dezembro de 2020
O Resumo da Ópera - Uma Salada de Títulos

Chegamos ao fim do ano e, com ele, está na hora de fazer o resumão de leituras do semestre - resenhas mais curtas e direto ao ponto (será?), passeando por vários gêneros, afinal, nada melhor do que um resumão bem eclético, não é mesmo?
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crítica literária
gaiman
graphic novel
história
Julia Quinn
lgbtq
lit. americana
lit. brasileira
lit. britânica
lit. francesa
pratchett
Resumo da Ópera
romance de banca
suspense
24 de outubro de 2018
All Hallow’s Read - Edgar Allan Poe como um personagem de Poe

Edgar Allan Poe teve uma vida quase tão movimentada e misteriosa quanto o enredo de suas obras. Os pais eram atores - o pai, David, era americano e a mãe, Eliza, inglesa. Os dois se casaram em 1806 e tiveram o primeiro filho, William, em 1807. Edgar nasceu em janeiro de 1809, numa época em que a família passava por dificuldades financeiras, causadas, sobretudo, pelo alcoolismo de David Poe, que os abandonou quando o escritor ainda era um bebê. Eliza estava mais uma vez grávida quando o marido desapareceu, e em dezembro de 1810 nasceu Rosalie Poe. Um ano depois, Eliza faleceu, de tuberculose.
14 de junho de 2018
Agência nº1 de Mulheres Detetives

Mma Ramotswe tinha uma agência de detetives na África, no sopé da colina Kgale. O patrimônio da agência era: uma pequenina van branca, duas escrivaninhas, duas cadeiras e uma velha máquina de escrever. Havia ainda um bule em que Mma Ramotswe - a única mulher detetive em Botsuana - preparava seu chá de rooibos, uma erva nativa. E três canecas - uma para ela própria, uma para a secretária e uma para o cliente. Uma agência de detetive precisa de mais alguma coisa? Agências dependem de intuição e inteligências humanas, ambas bem presentes em Mma Ramotswe. Mas esses são itens que ninguém jamais pensa em incluir num inventário, é claro.
Descobri Agência n. 1 de Mulheres Detetives por acaso, num passeio ao sebo. O título fez-me lembrar de uma amiga que é fã de romances policiais e comprei-o com a vaga intenção de enviá-lo para ela. Antes que isso acontecesse, porém, comecei a folheá-lo e logo me perdi na leitura.
16 de agosto de 2016
Para ler: O Mistério dos Sete Relógios

Um grupo de jovens hospedado na mansão Chimney, alugada por Lady Coote e Sir Oswald, magnata da indústria de aço, decide pregar uma peça em um de seus membros. Gerry, que tem o hábito de se levantar para o café extraordinariamente tarde, mesmo para os padrões relaxados de sua turma, tem se mostrado uma inconveniência para sua anfitriã e, por isso, eles decidem lhe dar uma lição.- Não queremos um relógio de boa qualidade — declarou Nancy.
- Basta que funcione uma vez, e chega — apoiou Helen.
- Não queremos um que seja sutil — reforçou Soquete. — Queremos apenas que toque bem forte.
- Nós queremos... — começou Bill, mas não conseguiu ir adiante porque Jimmy, que tinha o dom de examinar mecanismos, pôs finalmente o relógio a funcionar. Durante cinco minutos, a loja ficou insuportável com o barulho ensurdecedor de vários despertadores tocando ao mesmo tempo.
4 de agosto de 2016
Para ler: Cem Gramas de Centeio

Um punhado de centeio é encontrado no bolso de um empresário envenenado após o chá com a família. A investigação que se segue vai revelando uma série de possibilidades - fraude, problemas de herança, adultério -, de tal forma que parece ser quase impossível desvendar quem é o verdadeiro assassino - ao menos até uma senhorinha do interior aparecer para se meter na investigação e nos revelar as pistas que faltavam para apontar o verdadeiro acusado.Reparem que canção mais singela:
Com cem gramas de centeio
E vinte melros de recheio
Basta fechar a panela
E esperar que se ponham a cantar
Uma torta tão bonita não faria o rei vibrar?
Enquanto ele no escritório, o dia inteiro,
Pensa só em ganhar dinheiro,
A rainha na sala sozinha
Come o pão com mel que lhe trazem da cozinha.
A criada, no quintal, estende a roupa, feliz,
Até que um passarinho safado lhe morde o nariz.
31 de março de 2016
1 Ano, 365 Contos - Março

Março foi um mês complicado para esse desafio - na verdade, março foi um mês complicado de uma maneira geral para leituras, porque passei por uma fase de cansaço mental que não tenho certeza se foi causada pela quantidade de trabalho ou se pelo calor que só dá vontade de dormir e ficar debaixo do chuveiro.
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1 Ano 365 Contos
aventura
clássicos
contos
desafio literário
disney
fantasia
infanto-juvenil
literatura
suspense
terror
29 de fevereiro de 2016
1 Ano, 365 Contos - Fevereiro

Fevereiro, mês de Carnaval… eu passei o feriadão enfiada em casa, assistindo série e pondo leitura em dia, acompanhada de vários tampões de ouvido para evitar ouvir os ‘sucessos’ da temporada. Felizmente, onde moro é relativamente tranquilo e nem precisei dos tampões para manter meu retiro espiritual literário...
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1 Ano 365 Contos
antologias
bradbury
contos
fantasia
ficção científica
gaiman
latino-americano
literatura
romance
suspense
TAG - Experiências Literárias
terror
4 de julho de 2015
Livros para Ler no Inverno

Moro num lugar onde não existe mudança visível nas estações – aqui é seco ou chuvoso, com calor o ano todo. Mas algumas coisas (para além do noticiário mostrando povo só de nariz de fora lá para o sul) me fazem perceber que, sim, estamos no inverno: os dias estão um pouco mais curtos e anoitece mais cedo; a chuva traz consigo um vento mais frio e dá até para usar um cardigã leve para sair; e meu consumo de leite quente com canela acompanhando um prato de cookies quentinhos aumentou.
Feitas essas constatações, fiquei pensando com meus botões: que tipo de livro é ideal para se ler no inverno? Livros para aqueles dias em que não dá a menor vontade de sair de debaixo do cobertor, com o vento uivando contra a janela, acompanhados de uma boa xícara de sua bebida quente preferencial?
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estações
fantasia
folclore
história
inverno
literatura
mitologia
policial
suspense
Tolkien
21 de maio de 2015
Para ler: O Nome da Rosa
A primeira vez que tentei ler O Nome da Rosa, eu tinha uns doze anos e terminei largando o livro de lado, traumatizada e complexada pela quantidade de vocabulário que não conseguia compreender. Isso me gerou uma bizarra aversão a Umberto Eco, que terminei por reencontrar pouco menos de dez anos depois, na faculdade... e aí foi amor à segunda vista.“Preciso pensar sobre isso. Quem sabe tenha que ler outros livros.”
“Como assim? Para saber o que diz um livro deveis ler outros?”
“Às vezes pode-se proceder assim. Frequentemente os livros falam de outros livros. Frequentemente um livro inócuo é como uma semente, que florescerá num livro perigoso, ou, ao contrário, é o fruto doce de uma raiz amarga. Não poderia, lendo Alberto, saber o que poderia ter dito Tomás? Ou lendo Tomás saber o que tinha dito Averroes?”
“É verdade”, disse admirado. Até então pensara que todo livro falasse das coisas, humanas ou divinas, que estão fora dos livros. Percebia agora que não raro os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si. À luz dessa reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era então o lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminho e pergaminho, uma coisa viva, um receptáculo de forças não domáveis por uma mente humana, tesouro de segredos emanados de muitas mentes, e sobrevividos à morte daqueles que os produziram, ou os tinham utilizado.
“Mas então”, eu disse, “de que serve esconder os livros, se pelos livros acessíveis se pode chegar aos ocultos?”
“No decorrer dos séculos não serve para nada. No arco dos anos e dos dias serve para alguma coisa. Vê como nos encontramos de fato perdidos.”
“E então uma biblioteca não é um instrumento para divulgar a verdade, mas para retardar sua aparição?” perguntei estupefato.
“Não sempre e não necessariamente. Neste caso é”.
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filosofia
história
histórias de detetive
lit. italiana
livros sobre livros
religião
suspense
umberto eco
24 de março de 2015
Para ler: A Décima Terceira História
Não tenho muita idéia de porque comprei esse livro, considerando que não conhecia a autora ou a história. Acho que foi uma daquelas compras impulsivas em que você olha para um livro em promoção e decide colocá-lo debaixo do braço. Mais tarde vim descobrir que ele estava em várias listas de clássicos modernos e tinha sido recebido muito bem pela crítica e pelo público.Todo munda tem uma história.
Quando é que você vai me contar a sua?
A décima terceira história contém os três ingredientes essenciais a uma história clássica: enredo forte, exploração original de um relacionamento apaixonado e fora do comum (uma sinfonia de irmãos e gêmeos) e uma narradora cuja busca incansável da verdade é sedutora. Uma heroína improvável, sem filhos, eternamente ligada à literatura — uma paixão absoluta pelos livros permeia a trama. Assim como um ligeiro senso de implausibilidade e de esqueletos dentro de armários, ansiando por libertação. A escritora Vida Winter passou quase seis décadas cuidadosamente arquitetando respostas para a imprensa. Iludir jornalistas e admiradores acerca de sua origem, afastá-los de seu passado enigmático — tão enigmático quanto sua primeira obra, intitulada Treze contos de mudança e desespero, mas que só continha 12 — é como uma segunda natureza.
Porém, tudo isto está prestes a mudar quando Margaret Lea, biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa autora convidando-a a redigir suas memórias. Pela primeira vez, Vida Winter, reclusa e doente, vai contar a verdade. Uma verdade com certo quê de Irmãs Brontë: uma casa isolada em prados enevoados, gêmeos com sua própria linguagem, governantas sisudas. Uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret, acostumada a cuidar dos livros no velho antiquário do pai, confiar totalmente em Vida? E terá sido eleita depositária das confidências por mero acaso?
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literatura
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28 de agosto de 2014
Livros Para Assistir: O Aprendiz
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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.




