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29 de dezembro de 2022
O Fantasma de Cora: uma investigação de além-morte

A carruagem deixou a estação, e Francine pôde vislumbrar pela primeira vez o que era estar em uma cidade grande. A capital jamais se equipararia ao esplendor e sofisticação dos reinos continentais (ou pelo menos era o que Lady Bibi dizia), mas ainda assim era infinitas vezes mais desenvolvida que o ajuntamento de vilas, pastos e fazendas onde Francine crescera. Maravilhada, debruçou-se sobre a janelinha, incapaz de conter a empolgação.
Francine acaba de chegar a Portomar vinda do interior, armada de muitas expectativas para seu debute e do Livro de Etiqueta e Manual de Cortesia Continental para Ladies da Srta. Hartley. Não demora, contudo, para que suas fantasias com bailes, pretendentes e uma vida de liberdade inspirada na ‘carreira’ de sua tia, Lady Bibi Tulli, sejam arrastadas pela tragédia da morte de sua jovem e frágil prima, Coraline, em plena noite de núpcias - uma morte que não demora a se revelar como assassinato. Para completar, Francine passa a se ver literalmente assombrada pelo fantasma de Cora, e embarca numa investigação perigosa para desvendar o que realmente aconteceu.
14 de abril de 2022
O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe

Em meio à pandemia de Covid-19 que assolou o mundo em 2020, Fernanda Medeiros e Liana de Camargo Leão lançaram a seguinte pergunta a atores, diretores, escritores, críticos e professores de várias partes do Brasil e do mundo: o que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe? A proposta era que os convidados tentassem, da maneira mais verdadeira possível, responder a essa provocação e que o fizessem rápido, na urgência do momento, para que o livro ficasse impregnado da pressão de uma vivência inédita. As contribuições foram chegando, somando as 57 “falas” que aqui estão. Há Shakespeares diversos ― locais e universais; de uma única peça ou de um único personagem; mais ou menos feministas; trágicos e cômicos; renascentistas e contemporâneos; ingleses e cosmopolitas. E há estilos diversos também. Dos textos curtíssimos aos ensaios mais longos; dos depoimentos orais às pequenas coleções de pistas. O resultado é uma obra brilhante, que sem dúvida viverá para muito além desta pandemia.
Tão logo vi o anúncio dessa publicação, fiquei ansiosa para deitar as mãos nela - mas também um pouco receosa, perguntando-me se o calhamaço (são mais de 500 páginas) seria mais voltado a uma crítica acadêmica, menos acessível ao leigo ou se seria apenas um resumo de cada obra com algum contexto histórico jogado pelo meio. Tenho alguns excelentes volumes de reflexões sobre o bardo (Mil Vezes mais Justo me vem à mente), mas também já me deparei com alguns cuja secura técnica serviu-me de remédio para insônia.
17 de junho de 2021
O Resumo da Ópera - Leituras e Releituras

Chegamos ao meio do ano e, com ele, meu já tradicional balanço de leituras ainda não resenhadas e então brevemente comentadas cá no resumo da ópera. Escrevendo esse post, dei-me conta de como tenho feito releituras nos últimos tempos. Várias das análises que fiz até aqui foram de livros que andei relendo - e tenho outros tantos na fila nessa mesma situação.
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28 de dezembro de 2020
O Resumo da Ópera - Uma Salada de Títulos

Chegamos ao fim do ano e, com ele, está na hora de fazer o resumão de leituras do semestre - resenhas mais curtas e direto ao ponto (será?), passeando por vários gêneros, afinal, nada melhor do que um resumão bem eclético, não é mesmo?
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22 de dezembro de 2020
Lágrimas de Carne

Para a quase mulher que é também coruja, o trabalho de Mãe é uma forma de arte. Mãe sempre sabe escolher as palavras certas para os momentos certos; conforta viúvas e órfãos, e sua voz sempre soa gentil quando ela canta suas orações. Suindara fica sempre tão enfeitiçada, tentando absorver cada porção daquele trabalho divino, que acaba deixando passar os olhares de lado, as críticas sussurradas, as crianças que são afastadas pelo ombro para que fiquem um passinho mais distantes da mulher de preto. Mãe costuma dizer que ser uma carpideira é percorrer uma trilha de dualidade. Fala que as pessoas só querem uma carpideira por perto quando alguém morre, quando precisam que ela segure suas mãos e garanta que tudo ficará bem e voltará a parecer normal um dia. Pelo resto do tempo, ninguém deseja uma velha encarquilhada ao lado para lembrar sobre a sina inevitável de todo ser vivente.
Numa cidadezinha do sertão nordestino, em meio a uma corrida pelo ouro, Mãe e seus dois filhos - parte humanos, parte pássaros - trabalham com a morte e a condução de almas para o outro mundo - e também com pactos, segredos e traições. Dizer muito mais do que isso sobre o enredo de Lágrimas de Carne seria entregar a jazida: destilado até suas partes fundamentais, o impacto das escolhas e consequências - do passado e do presente - da tríade de protagonistas é muito potente.
15 de agosto de 2020
A Rainha do Ignoto: uma romance à frente de seu tempo

— Tu que tens viajado muito — disse o moço gracejando —, diz-me o que é aquilo ali, na linha do horizonte, para o lado do nascente?
— Ali, Sr. Edmundo? — apontou Valentim. — É a serra das Antas.
— É fértil aquela serra? — tornou ele.
— Assim, assim — volveu o campônio —, fazem roçados nas quebradas e plantam alguma cana, mas coisa pouca.
— Aqui, deste outro lado, vejo outra serra muito alta — disse o Dr. Edmundo.
— Qual? Aquele serrote? Parece alto porque está mais perto — volveu o menino —, aquela é a Serra do Areré; mas é encantada, ninguém vai lá.
— Ninguém! Por quê? — disse Edmundo, com espanto.
— Porque, se for, não voltará mais; dizem que tem uma gruta onde mora uma moça encantada numa cobra, que à noite sai pelos arredores a fazer distúrbios.
— E acreditas nessas bruxarias, Valentim?
— Ora, se acredito; minha avó também não acreditava, assim como o senhor, mas agora está certa e mais que certa da verdade. Uma noite destas, viu, ela mesma, descer da serra e passar cantando pela estrada uma moça bonita, vestida de branco. E o senhor quer saber? Ia seguida pelo diabo, um moleque preto de olhos de fogo, com uma cauda comprida que arrastava no chão!
Não me lembro quando foi a primeira vez que ouvi falar em A Rainha do Ignoto, mas foi sempre num tom de elogio e curiosidade por seu pioneirismo no cenário de literatura especulativa cá no Brasil. Assim é que, quando a Wish anunciou que ia lançá-lo numa campanha do Catarse, não tive dúvidas em ir atrás de apoiar. Aí a Andrielle, do Biblioteca Híbrida, anunciou uma leitura coletiva da obra e me empolguei para participar, de forma que o romance de Emília Freitas pulou para a frente da lista de leituras cá no Coruja.
1 de julho de 2020
O Resumo da Ópera - O Ano Já Pode Acabar?

O primeiro semestre acabou e isso significa que é hora de fazer o balanço de meio do ano - ou o resumo da ópera do que andei lendo por esses meses. A despeito da quarentena - ou talvez por causa dela - até consegui dar uma boa baixada na lista de livros não lidos que estavam à espera na estante, incluindo alguns que estavam há mais de quatro anos esperando… Enfim, nesse apanhado do que andei lendo tem de tudo um pouco: clássicos, romance, policial, não ficção…
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14 de fevereiro de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Clássico Brasileiro || Esaú e Jacó

- Mas o que é que há? Perguntou Aires.
- A república está proclamada.
- Já há governo?
- Penso que já; mas diga-me V.Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto, uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. —‘Confeitaria do Império’, à tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V.Ex.ª crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?
- Isso não sei.
- Pessoalmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo…
- Mas pode por ‘Confeitaria da República’…
- Lembrou-me isso a caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje e perco outra vez o dinheiro.
- Tem razão… sente-se.
- Estou bem.
- Sente-se e fume um charuto.
Custódio recusou o charuto, não fumava. Aceitou a cadeira. Estava no gabinete de trabalho, em que algumas curiosidades lhe chamariam a atenção, se não fosse o atordoamento do espírito. Continuou a implorar o socorro do vizinho. S. Exª. com a grande inteligência que Deus lhe dera, podia salvá-lo. Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses — ‘Confeitaria do Governo’.
- Tanto serve para um regime como para outro.
- Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida… Há, porém, uma razão contra. V.Exª. sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem a tabuleta; entretanto o que eu procuro é o respeito de todos.
Escolhi esse título para o tema do mês no Desafio Corujesco porque, com ele, eu faria um verdadeiro massacre de coelhinhos com uma só cajadada (nada contra coelhos, a culpa é do ditado popular). Primeiro, esse é um dos poucos romances de Machado que eu ainda não tinha lido (na época de colégio li todos que eram indicados em vestibular e mais alguns por conta…); segundo, ele seria um dos livros debatidos esse ano no Clube do Livro de Bolso e, terceiro, pela sinopse, era um livro que tratava da política na virada da monarquia para a república e questões de política em romances sempre me interessam.
20 de novembro de 2017
Desafio Corujesco 2017 - Um Livro de um Autor Brasileiro || As Águas-Vivas não Sabem de Si

Não lembro exatamente quando foi que esse título primeiro me chamou a atenção - talvez a capa, numa visita à livraria, talvez de ouvir o título. Mas foi na época em que estávamos trabalhando na Antologia Valquírias, quando a Aline Valek foi convidada para escrever o prefácio, que acabei indo atrás de descobrir do que se tratava As Águas-Vivas não Sabem de Si.A relação que os azúlis estabeleceram com as outras espécies era algo inédito: pela primeira vez, uma espécie se enxergava como superior às outras; nem pela força, nem pelas posições hierárquicas de uma cadeia alimentar, mas pela profunda consciência de que, por possuírem mais recursos e mais inteligência, deveriam ser responsáveis pelas outras formas de vida ao redor. Era uma época em que superioridade significava ter responsabilidade de cuidar e proteger - o que não seria fácil de ver novamente.
9 de junho de 2016
Para ler: A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

A primeira coisa que gostaria de dizer sobre esse livro é que volume gostoso de ler! Foi uma surpresa muito agradável e agradeço a oportunidade que a CCPX 2015 me deu de conhecer o autor e a obra. Eu talvez não tivesse ido atrás do livro se não me visse presa da curiosidade ao ver o grupo vestido de trajes steampunk.Porto Alegre. Dirigíveis gigantescos dominam o céu. Abaixo, o vapor cinzento dos bondes, das fábricas e dos estaleiros ao redor soma-se à fumaça dos charutos, dos cachimbos e das cigarrilhas. Vozes robóticas, barulho de hélices e maquinários misturam-se ao alarido do povo. De um Zepelin, desembarca Isaías Caminha, um jornalista carioca enviado à cidade para escrever uma matéria sobre o assassino em série Antoine Louison, que há poucos dias assombrava o local com um verdadeiro show de horrores - a exposição dos órgãos de suas vítimas. A aventura começa depois que o Dr. Louison, finalmente capturado e preso no hospício, desaparece misteriosamente de sua cela de segurança máxima sem deixar vestígios. Nesta busca pelo paradeiro do assassino, Isaías e um grupo de investigadores ainda vão topar com conhecidos do Dr. Louison, pertencentes a uma sociedade secreta de intelectuais, chamada Parthenon Místico, que estão dispostos a tudo para defendê-lo e desmascarar os criminosos. Esses amigos de Louison são alguns aclamados personagens da literatura brasileira, em reinvenção - Rita Baiana e Pombinha, de Aluísio Azevedo, Simão Bacamarte, de Machado de Assis, Solfieri, Álvares de Azevedo, entre outros.
19 de abril de 2016
Para ler: Meus Desacontecimentos || Cadeia: Relatos sobre Mulheres

Não sei dizer com exatidão quem me indicou esse livro (isso tem acontecido com uma frequência preocupante…) - o fato é que um belo dia ele surgiu para troca no skoob e eu imediatamente o solicitei. Terminou que ele foi minha segunda leitura do ano (a primeira, claro, foi Pratchett, com Troll Bridge); uma leitura rápida que comecei na noite do dia 01º e concluí na manhã seguinte.
Meus Desacontecimentos é um volume nostálgico, mas também permeado de certo humor negro. Fala de perdas e de identidade, e do papel que as palavras tiveram no crescimento da autora, uma jornalista brasileira conhecida.
1 de novembro de 2014
Gazeta de Longbourn Apresenta: Para Celebrar Jane Austen

Os textos críticos reunidos neste livro são resultado de uma pesquisa financiada pelo CNPQ, através de bolsa de produtividade em pesquisa.
Os textos abordam questões fundamentais dos romances de Jane Austen, publicados entre 1811 e 1818, como a relevância das protagonistas-mulheres e a necessidade de tornar seus anseios e suas subjetividades visíveis, bem como o uso inovador que Austen faz dos recursos metalinguísticos e metaficcionais, a exemplo da paródia.
A discussão também aproveita a relação contemporânea entre Austen e a adaptação audiovisual, sobretudo aquela realizada pelo cinema.
As frequentes adaptações de romances da autora atestam a atualidade das questões que ela aborda, a exemplo do autocontrole da emoção, da necessidade do discernimento crítico, mas também de experiências, ainda que sutilmente expressas, ligadas à sexualidade, ao erotismo; também de questões mais amplamente políticas, como a crítica ferrenha à hipocrisia e ao imperialismo da sociedade inglesa pré-vitoriana.
Acho que descobri esse livro por um comentário feito pela Lílian, da JASBRA/PB na comunidade da Jane Austen pelo Facebook ou em alguma conversa em algum dos encontros da sociedade. Fiquei curiosa (obviamente), pois não apenas se tratava de um livro de crítica e análise literária – gênero de que gosto muito – como também era uma produção nacional.
19 de novembro de 2013
Clube do Livro (Booktour): Ficção de Polpa - volume 3

Nestas páginas, tudo é possível: de prédios que ganham vida a inocentes bonecos possuídos, dos sinistros poderes da comida congelada, passando pelo segredo da macaca Monga, pragas de gnomos e anões vingativos, o terceiro volume da coleção Ficção de polpa traz 22 contos inéditos, uma história em quadrinhos e o primeiro mistério de um clássico detetive do sobrenatural.
Dos quatro volumes que li até aqui da série Ficção de Polpa, esse terceiro volume, com foco na fantasia, foi o que considerei mais fraquinho. Ainda é surpreendente e surrealmente interessante, mas em comparação com os outros volumes, foi o que menos fez sentido pra mim.
16 de novembro de 2013
Clube do Livro (Booktour): Ficção de Polpa - Volume 2

De robôs em crise de consciência a astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural que se escondem onde menos se espera, experiências científicas que dão errado, um golem descontrolado e um detetive do imaginário. Em 20 contos inéditos, os autores reunidos em Ficção de polpa 2 exploram os temas da ficção científica, do horror e da fantasia.
Comecei esse segundo volume da série Ficção de Polpa logo após terminar de ler o especial “Crime”, de que já falei anteriormente. Ficou um pouco fora de ordem, porque depois que fui me dar conta que estava lendo o quarto título e depois voltando para o segundo, mas quem se importa com a ordem, não é verdade?
22 de outubro de 2013
Clube do Livro (Booktour): Ficção de Polpa - Crime

Um assassinato. Um roubo. Uma suspeita levantada. Onde há um crime, há alguem tentando resolvê-lo – e outro desejando que nada seja descoberto. Em páginas intensas de emoção, suspense e aventura, Ficção de Polpa resgata o prazer das histórias de crime e mistério.
Esse título foi indicado para o Booktour do Clube do Livro e depois de ter lido o primeiro volume no ano passado, estávamos todos bastante empolgados para começar esse aqui.
Então, a primeira coisa que tenho a dizer é que Ficção de Polpa – Crime não foi tão legal e surreal quanto o primeiro volume que a turma do clube encheu de post-its com comentários sem noção para as narrativas igualmente sem noção do livro. O que não significa que ele tenha sido ruim – muito pelo contrário, eu me diverti bastante com o livro.
22 de janeiro de 2013
Para ler: Protocolo Bluehand - Zumbis

Regras Básicas
Regra nº 1 > O apocalipse zumbi não é um passeio no parque. Quanto pior está, pior fica.
Regra nº 2 > Tenha cuidado com os mortos e, não se engane, mais ainda com os vivos!
Regra nº 3 > Se tiver que lutar, escolha sua arma, mire na cabeça e não erre!
Regra nº 4 > Localize e proteja o Bluehand.
O mundo não acabou no dia 21 de dezembro... mas isso não significa que estamos salvos. Pelo contrário: o pior ainda está por vir, espalhando-se como uma doença silenciosa, apenas esperando pelo momento certo para se manifestar, eclodindo em meio ao pânico e horror do começo do fim dos dias.
Ou, pelo menos, essa é a premissa (embasada de farta documentação, testemunhos e provas científicas) de Protocolo Bluehand: Zumbis.
16 de fevereiro de 2012
Para ler: Protocolo Bluehand - Alienígenas

Regra nº 1 -> os extraterrestres não são nossos amigos. Se fossem, eles nos deixariam em paz. Mesmo os mais 'evoluídos' alienígenas têm interesses escusos na Terra. Nunca confie neles.
Regra nº 2 -> em caso de avistamento ou contato, não entre em pânico. Se você está lendo isto, tem 85% mais chances do que uma pessoa normal de escapar de um encontro imediato.
Regra nº 3 -> mantenha a calma e fuja! Nunca tente 'investigar a luz' ou se comunicar com esses seres. Procure a rota mais segura e dê o fora.
Regra nº 4 -> quando tiver de lutar, respire fundo e use as técnicas recomendadas neste manual.
Regra nº 5 -> em caso de invasão, localize e proteja o Bluehand.
26 de dezembro de 2011
Clube do Livro (Dezembro) - Uma Idéia Toda Azul

Estremece a água do lago. A princesa arma o arco, retesa a corda, crava a seta de ouro no peito do cisne. Mas é do peito dela que o sangue espirra. E filete, e jorro, banhando a roupa, desfazendo a seda por onde passa, transforma seu corpo em penas, negras penas de veludo.
O dia adormece. No lago dois cisnes negros deslizam lado a lado. Brilha esquecido o arco de ouro.
A prosa quase poema da Colasanti nos faz mergulhar num mundo de contos de fadas - um mundo que nos cala fundo no coração, repleto de recordações de coisas eternas, de uma beleza inefável, difícil de traduzir nessa tentativa de resenha... Mas que uma idéia, esse livro nos deixa repletos de... repletos de sentimentos, acho que essa é a maneira mais simples de explicar. É um livro tão pequeno, mas contém tanta alma, tanta docura... e uma doçura que às vezes é agridoce, que não termina simplesmente num 'felizes para sempre', mas num sono eterno de sonhos ternos...
21 de setembro de 2011
Desafio Literário 2011: Setembro - Autores regionais || Romance da Pedra do Reino

Para ser mais exato, preciso explicar ainda que meu "romance" é, mais, um Memorial que dirijo à Nação Brasileira, à guisa de defesa e apelo, no terrível processo em que me vejo envolvido. Para que ninguém julgue que sou um impostor vulgar, devo finalmente esclarecer que, infeliz e desgraçado como estou agora, preso aqui nesta velha Cadeia da nossa Vila, sou, nada mais, nada menos, do que descendente, em linha masculina e direta, de Dom João Ferreira-Quaderna, mais conhecido como El-Rei Dom João II, 0 Execrável, homem sertanejo que, há um século, foi Rei da Pedra Bonita, no Sertão do Pajeú, na fronteira da Paraíba com Pernambuco. Isto significa que sou descendente, não daqueles reis e imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança, mencionados com descabida insistência na História Geral do Brasil, de Varnhagen; mas sim dos legítimos e verdadeiros Reis brasileiros, os Reis castanhos e cabras da Pedra do Reino do Sertão, que cingiram, de uma vez para sempre, a sagrada Coroa do Brasil, de 1835 a 1838, transmitindo-a assim a seus descendentes, por herança de sangue e decreto divino.
Por diversas vezes tive de interromper a leitura desse livro com a cabeça girando, demorando-me uma meia hora em esquemas mentais para conseguir interpretar todas as referências e simbolismos que se entrecruzavam nas mais de setecentas páginas do romance.
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Ariano Suassuna
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18 de julho de 2011
Desafio Literário 2011: Julho - Novos Autores || Relações de Sangue

Quero você – sentir meus lábios sem seu pescoço, seu gosto em minha boca, seu sangue quente. Alto e sensual, quero fazer parte de sua vida, e fazer você sonhar o que nunca sonhou. CP 832.
Descobri Martha Argel ano passado, justamente no Desafio Literário, quando li O Livro dos Contos Enfeitiçados. Ela me cativou de cara com o bom humor com que consegue juntar fantasia e cotidiano, com uma ambientação totalmente nacional – nunca vou me esquecer de quanto me acabei de rir com a história das bruxas que apagam o futebol da face da terra para darem jeito nos maridos... e vêem o feitiço virar contra o feiticeiro...
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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.



