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30 de março de 2023
Livros para ler no Outono

Enfim terminou o verão e chegou o outono, com toda a sua graça - ou talvez não tanta graça, porque, por aqui, a mudança da estação veio com tempestade, raios e trovões, após vários dias ameaçadoramente nublados. Hoje, felizmente, o sol saiu e uma brisa gostosa sopra da varanda. Olhando pela janela, para o mar de folhagem lá embaixo, fiquei pensando sobre folhas secas e páginas viradas e, uma piscadela depois, estava me sentando para escrever.
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5 de maio de 2022
Ghostland: em busca de um país assombrado

"Não é a casa que está assombrada. Sou eu. E eu quero ser; tenho de ser. Porque se eu desistir deles – se eu parar de olhar para trás – tudo o que já aconteceu conosco deixará de existir."
Bati o olho nesse livro em alguma lista do Goodreads e o título imediatamente me chamou a atenção. Da sinopse, fiquei com a impressão de que seria algo como The Lore of the Land ou Lugares Mágicos: os escritores e suas cidades - uma espécie de guia de viagem temático em que as recomendações de lugares a visitar passaria pela topografia de vários contos clássicos do gótico inglês.
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9 de novembro de 2021
Por Debaixo da Porta Sussurrante: um conto pós-morte para aquecer o coração

"... qual é a razão, então? Para tudo isso? Para qualquer parte disso? Se nada do que fazemos importa, então por que devemos tentar?" Ele estava espiralando, sabia disso. Confuso e perdendo o controle. Sentia a pele como gelo, o que não tinha nada a ver com o frio ao seu redor. Cerrou os maxilares para impedir que os dentes batessem.
"Porque é a sua vida", disse Nelson, vindo para o outro lado dele. "É o que você faz com isso. Não, nem sempre é justo. Não, nem sempre é bom. Queima e rasga, e há momentos em que isso te esmaga além do que você é capaz de reconhecer. Algumas pessoas lutam contra isso. Outros ... não podem, embora eu não ache que eles possam ser responsabilizados por isso. Desistir é fácil. Levantar-se não é. Mas temos que acreditar que, se o fizermos, podemos dar outro passo."
Tendo lido e caído de amores por The House in the Cerulean Sea, tão logo esse título foi anunciado, ele entrou para a minha lista de desejos. De todos os lançamentos de 2021, Under the Whispering Door era o livro para o qual eu mais tinha expectativas e, para minha felicidade, ele correspondeu a todas elas.
3 de agosto de 2021
Quatro Reflexões sobre o Luto: Lewis, Didion, Macdonald e Adichie

Se há uma certeza na vida, é a morte. É uma verdade inescapável e, nesse último ano e meio, provavelmente tivemos mais consciência que nunca de nossa própria mortalidade e também daqueles que amamos. Com mais de meio milhão de mortos apenas em nosso país, difícil encontrar alguém que não tenha perdido alguém próximo, parente, amigo, conhecido que seja. Através das notícias que nos chegam, vivemos diariamente o luto - um luto individual e também coletivo, um lamento pelas histórias e esperanças que se apagaram antes do tempo, pelos ídolos que se vão, por um senso de segurança que não sabíamos existir e que, agora sabemos, nunca voltará ao que era antes.
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22 de abril de 2021
O Terror do Isolamento: uma leitura de O Homem Invisível

- Eu posso ficar invisível! Isso transcenderia a mágica.
E contemplei, dissipadas as dúvidas mais nebulosas, uma visão magnífica de tudo o que a invisibilidade poderia significar para um homem: o mistério, o poder, a liberdade.
Esse é um daqueles livros que você começa achando que sabe tudo que vai acontecer… e aí descobre que não era nada do que você estava pensando. O Homem Invisível é, afinal, parte do nosso imaginário coletivo, sendo várias vezes adaptado ou mesmo cooptado para outras obras (Liga Extraordinária, estou olhando para você), de tal forma que, querendo ou não, temos certas expectativas para ele.
22 de dezembro de 2020
Lágrimas de Carne

Para a quase mulher que é também coruja, o trabalho de Mãe é uma forma de arte. Mãe sempre sabe escolher as palavras certas para os momentos certos; conforta viúvas e órfãos, e sua voz sempre soa gentil quando ela canta suas orações. Suindara fica sempre tão enfeitiçada, tentando absorver cada porção daquele trabalho divino, que acaba deixando passar os olhares de lado, as críticas sussurradas, as crianças que são afastadas pelo ombro para que fiquem um passinho mais distantes da mulher de preto. Mãe costuma dizer que ser uma carpideira é percorrer uma trilha de dualidade. Fala que as pessoas só querem uma carpideira por perto quando alguém morre, quando precisam que ela segure suas mãos e garanta que tudo ficará bem e voltará a parecer normal um dia. Pelo resto do tempo, ninguém deseja uma velha encarquilhada ao lado para lembrar sobre a sina inevitável de todo ser vivente.
Numa cidadezinha do sertão nordestino, em meio a uma corrida pelo ouro, Mãe e seus dois filhos - parte humanos, parte pássaros - trabalham com a morte e a condução de almas para o outro mundo - e também com pactos, segredos e traições. Dizer muito mais do que isso sobre o enredo de Lágrimas de Carne seria entregar a jazida: destilado até suas partes fundamentais, o impacto das escolhas e consequências - do passado e do presente - da tríade de protagonistas é muito potente.
15 de setembro de 2020
A Princesinha: Um conto sobre força, gentileza e amizade

"Eu suponho que deva ser muito difícil ser um rato", ela refletiu. "Ninguém gosta de você. As pessoas pulam e fogem e gritam, 'Oh, um rato horrível!' Eu não gostaria que as pessoas gritassem e pulassem e dissessem, - 'Oh, uma Sara horrível!', na hora que me vissem. E colocassem armadilhas para mim e fizessem de conta que se tratava de um jantar. É tão diferente ser um pardal. Mas ninguém perguntou a esse rato se ele queria ser um rato quando foi criado. Ninguém disse, 'Você preferia ser um pardal?'"
Esse livro está na minha lista para ler desde que descobri que a história dele se originara de um livro, e não do filme que assisti vezes sem fim na Sessão da Tarde. Não lembro quando fiz tal descoberta (talvez quando li pela primeira vez O Jardim Secreto?), e estive mais de uma vez para ir atrás da edição em inglês, mas adiei tanto que o livro afinal saiu traduzido, numa bela edição da Martin Claret. Em um caso clássico de paixão à primeira vista pela capa, coloquei ele no topo das minhas prioridades para aquisição… e aí levei quase um ano para finalmente lê-lo.
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17 de setembro de 2019
Para Toda a Eternidade - Conhecendo o Mundo de Mãos Dadas com a Morte

E então vem o luto. E luto não é sinônimo de dor. É justamente a expressão da dor. Desde sempre, é isso que nós, seres humanos, fazemos: damos sentido às coisas através da linguagem. Por isso é tão importante que o luto tenha espaço para acontecer.
Num dos capítulos finais de Sandman, conhecemos a cidade necrópole de Litargo, local em que os moradores são especialistas em ritos fúnebres. Ali nos é contado sobre vários costumes culturais acerca da morte e aquelas imagens foram a primeira coisa que me vieram à mente quando comecei esse livro da Doughty. É engraçado, porque lendo o Gaiman, imaginei que parte daqueles estranhos serviços funerários eram uma criação do autor, mas descobri em Para Toda a Eternidade que todos são verdadeiros e que há procedimentos ainda mais estranhos.
22 de novembro de 2018
Leve-me com Você: quando uma história se torna pessoal

August Shroeder é um professor de ciências desacreditado e um alcoólatra em recuperação. Todos os anos, seu destino nas férias de verão é o mesmo: a estrada. Em seu trailer, ele percorre quilômetros e mais quilômetros nas rodovias para visitar os belíssimos parques e reservas naturais. Seu plano era visitar o Parque Nacional Yellowstone com seu filho, Phillip, mas agora não há ninguém no banco do passageiro — apenas um punhado de cinzas guardado no porta-luvas, em uma garrafa de chá carregada de significado.
Quando o trailer quebra, August busca conserto na oficina mais próxima. Mas, além do motor home pronto para seguir viagem, ele sai de lá com dois garotos a tiracolo — seus novos companheiros nessa road trip — e a chance de repaginar uma viagem que tinha tudo para ser melancólica e permeada por lembranças doloridas.
Sabe quando você encontra uma história, por coincidência ou capricho do destino, no momento certo para você? Quando ela deixa de ser algo geral, para se tornar pessoal; quando ela parece conversar diretamente contigo ou com o momento em que você se descobre? Porque foi exatamente isso que Leve-me com você foi para mim: um enredo que espelhava a jornada em que eu mesma me encontrava.
8 de agosto de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História em Tempos de Guerra || Minha Vida Fora dos Trilhos e Em Algum Lugar nas Estrelas
Nunca tinha visto ou ouvido falar de Clare Vanderpool até ela ser traduzida aqui no Brasil - e meu interesse em ler seus livros foi, de início, puramente estético: praticamente babei na capa de Em Algum Lugar nas Estrelas, fiquei quase maluca atrás dele assim que saiu a pré-venda. A Darkside tem uma tendência a criar projetos gráficos de encher os olhos para seus títulos e eles definitivamente se esmeraram nesses dois volumes da autora. Claro que aparência só não basta… Felizmente, Vanderpool não deixa nada a desejar no quesito conteúdo.
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2 de março de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Um Livro, Uma Estação || O Conto do Covarde

O tema desse mês para o Desafio Corujesco era ‘um livro, uma estação’. Depois de subir e descer a estante, dei-me conta de que o único livro que eu tinha com o nome de uma estação diretamente no título era Conto de Inverno, que já li e já resenhei aqui no blog (por sinal, tenho que retomar meu projeto Shakespeare…). Contudo, quando estávamos estabelecendo os temas do desafio para esse ano, deixei claro que a estação poderia estar implícita no livro, fosse no título ou na escolha da capa. Assim é que O Conto do Covarde saiu da prateleira para a leitura do desafio.- Meu nome é Laddy Merridew. Eu sou um chorão. Sinto muito.
– E meu nome é Ianto Jenkins. Sou um covarde. O que é pior.
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18 de janeiro de 2017
O Essencial é Invisível aos Olhos ou Lições sobre Luto com O Pequeno Príncipe

Havia uma edição de O Pequeno Príncipe na estante de D. Mãe antes mesmo de eu nascer. Não sei quando o li pela primeira vez, mas fato é que ele sobreviveu a várias mudanças de apartamento e muitas leituras, até a capa descolar, folhas se soltarem e eu ter de comprar um novo volume que não se desmanchasse nas mãos se tentássemos ler. Por essas coincidências que gostamos de chamar de destino, retirei a edição nova da prateleira - que ainda não tinha sequer folheado - na véspera do fim de ano e encontrei nele as exatas palavras que precisava para lidar com a perda da tia que era uma querida companheira de aventuras, cujo entusiasmo e vibração me inspiravam.“ [...] Vê, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. Para mim, o trigo é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E isso, sim, é triste! Mas seus cabelos são dourados. Então será maravilhoso quando tiver me cativado! O trigo, que é da cor do ouro, evocará sua lembrança. E me deliciarei com o rumor do vento no trigo...
[...]
Assim, o pequeno príncipe cativou a raposa. E quando chegou a hora da partida:
- Ah! – disse a raposa – Vou chorar.
- Culpa sua. – disse o pequeno príncipe -, eu não lhe queria mal, mas você quis que eu a cativasse...
- Naturalmente – disse a raposa.
- Mas você vai chorar! – disse o pequeno príncipe.
- Naturalmente – disse a raposa.
- Então não ganha nada com isso?
- Ganho – disse a raposa -, por causa da cor do trigo.”
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5 de janeiro de 2017
Projeto Pratchett: The Shepherd’s Crown

Relutei em começar a ler The Shepherd’s Crown, o derradeiro livro da série Discworld escrito por Pratchett, publicado postumamente. Não queria me despedir desse universo, não queria terminar e depois ter a consciência de que não haveria mais um. No entanto, essa era uma dor necessária e a última homenagem que eu poderia fazer às palavras finais de um homem e autor admirável, que me inspirou, emocionou e fez refletir ao longo de toda a última década.A coroa de um pastor, não uma coroa real. Uma coroa para alguém que sabia de onde tinha vindo. Uma coroa para a luz solitária ziguezagueando pelo céu noturno, buscando uma única ovelha perdida. Uma coroa para a pastora que estava lá para afastar os predadores.
Aviso de pronto que a partir daqui discutiremos spoilers. É difícil não entrar nos detalhes para falar tudo que se tem de dizer sobre esse livro, afinal.
16 de dezembro de 2014
Para ler: O Chamado do Monstro

Creio que a primeira vez em que ouvi falar desse livro foi em alguma lista do Goodreads. Não me preocupei muito à época com a sinopse – gostei da capa, gostei do título e entendi que a história seria alguma espécie de fantasia sombria, de forma que o coloquei o título no meu inventário de futuras leituras.Histórias são criaturas selvagens. Quando você as liberta, como saber a devastação que elas podem causar?
26 de outubro de 2011
Para ler: O Vento nos Salgueiros

Breathless and transfixed the Mole stopped rowing as the liquid run of that glad piping broke on him like a wave, caught him up, and possessed him utterly. He saw the tears on his comrade's cheeks, and bowed his head and understood. For a space they hung there, brushed by the purple loose-strife that fringed the bank; then the clear imperious summons that marched hand-in-hand with the intoxicating melody imposed its will on Mole, and mechanically he bent to his oars again. And the light grew steadily stronger, but no birds sang as they were wont to do at the approach of dawn; and but for the heavenly music all was marvellously still.
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