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30 de dezembro de 2022
Babel, ou a Necessidade de Violência: uma História Arcana da Revolução dos Tradutores de Oxford

Ele sentiu uma dor aguda no peito enquanto Cantão desaparecia no horizonte, e então um vazio posto em carne viva, como se um gancho tivesse arrancado seu coração de seu corpo. Não havia registrado até agora que ele não pisaria em sua terra natal novamente por muitos anos, se é que voltaria. Ele não tinha certeza do que fazer com esse fato. A palavra perda era inadequada. A perda significava apenas uma falta, significava que algo estava ausente, mas não abrangia a totalidade dessa separação, esse desancorar aterrorizante de tudo o que ele já havia conhecido.
Babel: an Arcane History apareceu em uma série de listas de melhores livros desse ano, ganhou o prêmio de ficção especulativa da Barnes & Noble e foi também um dos nomeados para melhor fantasia do Prêmio Goodreads Choice. Normalmente, fico com um pouco de pé atrás com unanimidades desse tipo; mas a Kuang estava na minha lista por já ter sido indicada como autora de uma das melhores fantasias do século (a trilogia A Guerra da Papoula). Eu ainda não a li, porque tenho relutado muito para iniciar séries, mas Babel era um volume único e ainda tinha algo a ver com linguagem e interpretação pelo que percebi da sinopse. Como eu poderia resistir?
1 de julho de 2020
O Resumo da Ópera - O Ano Já Pode Acabar?

O primeiro semestre acabou e isso significa que é hora de fazer o balanço de meio do ano - ou o resumo da ópera do que andei lendo por esses meses. A despeito da quarentena - ou talvez por causa dela - até consegui dar uma boa baixada na lista de livros não lidos que estavam à espera na estante, incluindo alguns que estavam há mais de quatro anos esperando… Enfim, nesse apanhado do que andei lendo tem de tudo um pouco: clássicos, romance, policial, não ficção…
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30 de novembro de 2018
Desafio Corujesco 2018 - Uma História com Teoria da Conspiração || Cama de Gato

– Às vezes me pergunto se ele não nasceu morto. Nunca conheci um homem menos interessado nos vivos. Às vezes acho que esse é o problema do mundo: muitas pessoas em cargos importantes estão mortas, frias como pedra.
Muito tempo atrás li Matadouro 5 e fiquei tonta e fascinada com o estilo de Kurt Vonnegut - a narrativa meio fragmentada e o tom burlesco, misturando ficção científica, memória e guerra, desafiando convenções de gênero de forma brilhante e alucinada. Lembro de comentar sobre isso com um amigo e dele me dizer que eu deveria ler Cama de Gato, porque era um livro que conseguia ser ainda melhor. Tendo finalmente me desincumbido da leitura desse título, cheguei à conclusão que deveria dar prioridade a tudo que esse amigo me indica, porque ele normalmente acerta na mosca.
16 de novembro de 2017
O Homem do Castelo Alto: arte, espionagem e realidades alternativas

Considerado por muitos a obra-prima de Philip K. Dick, O Homem do Castelo Alto estava na minha lista há mais tempo do que consigo me lembrar e finalmente tive a oportunidade de lê-lo esse ano, após ele ter sido indicado para debate no Clube do Livro. Comecei a leitura repleta de expectativas, crente que sabia exatamente o que iria acontecer - uma realidade alternativa em que as forças do Eixo tinham ganho a Segunda Guerra, com a narrativa acontecendo num Estados Unidos dividido entre Japão e Alemanha, parecia-me óbvio que eu estaria em breve no meio de uma resistência de bravos americanos, prestes a encabeçar uma revolução e assim salvar o mundo dos nazistas (olá, Indiana Jones! Opa, não, filme errado...).O homem não devorou Deus; Deus devorou o homem.
O que não compreendem é a impotência do homem. Eu sou fraco, pequeno, sem a menor importância diante do universo. Não sou notado dentro dele; vivo sem ser visto. Mas por que isso é ruim? Não é melhor assim? Os deuses destroem quem atrai a atenção deles. Seja pequeno… e escape à inveja dos grandes.
Não demorou muito para perceber que eu poderia esperar tudo de O Homem do Castelo Alto... exceto pelo óbvio.
21 de setembro de 2011
Desafio Literário 2011: Setembro - Autores regionais || Romance da Pedra do Reino

Para ser mais exato, preciso explicar ainda que meu "romance" é, mais, um Memorial que dirijo à Nação Brasileira, à guisa de defesa e apelo, no terrível processo em que me vejo envolvido. Para que ninguém julgue que sou um impostor vulgar, devo finalmente esclarecer que, infeliz e desgraçado como estou agora, preso aqui nesta velha Cadeia da nossa Vila, sou, nada mais, nada menos, do que descendente, em linha masculina e direta, de Dom João Ferreira-Quaderna, mais conhecido como El-Rei Dom João II, 0 Execrável, homem sertanejo que, há um século, foi Rei da Pedra Bonita, no Sertão do Pajeú, na fronteira da Paraíba com Pernambuco. Isto significa que sou descendente, não daqueles reis e imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança, mencionados com descabida insistência na História Geral do Brasil, de Varnhagen; mas sim dos legítimos e verdadeiros Reis brasileiros, os Reis castanhos e cabras da Pedra do Reino do Sertão, que cingiram, de uma vez para sempre, a sagrada Coroa do Brasil, de 1835 a 1838, transmitindo-a assim a seus descendentes, por herança de sangue e decreto divino.
Por diversas vezes tive de interromper a leitura desse livro com a cabeça girando, demorando-me uma meia hora em esquemas mentais para conseguir interpretar todas as referências e simbolismos que se entrecruzavam nas mais de setecentas páginas do romance.
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21 de maio de 2009
Para ler: Jonathan Strange & Mr. Norrell

A Inglaterra parece ser, por excelência, a terra da literatura de ficção fantástica - Tolkien, Lewis, Gaiman, Pratchett, Rowling, para ficar só em alguns dos nomes mais conhecidos, são todos ingleses (ou deviam à Inglaterra suas raízes, como Tolkien, que nasceu na África do Sul, de pais ingleses).“Estendi a minha mão, o sangue dos meus inimigos se congelou nas veias;
Estendi a minha mão; pensamento e memória saíram voando da cabeça dos inimigos como um bando de estorninhos;
Os inimigos se encolheram como sacos vazios
Fui até eles saído da névoa e da chuva;
Fui até eles em sonhos à meia-noite;
Fui até eles num bando de corvos que enchiam um céu do norte na aurora;
Quando se acharam seguros, fui até eles com um grito que quebrou o silêncio de uma floresta invernal...
(...)
Dois magos surgirão na Inglaterra...
O primeiro irá me temer; o segundo desejará me ver;
O primeiro será mandado por ladrões e assassinos; o segundo conspirará para a sua própria destruição;
O primeiro enterrará o próprio coração numa escura floresta sob a neve e, ainda assim, sentirá a própria dor;
O segundo verá o seu mais caro bem na mão do inimigo...
O primeiro passará a vida sozinho, será seu próprio carcereiro;
O segundo seguirá por estradas solitárias, a tempestade sobre sua cabeça, em busca de uma torre escura no alto de uma encosta...”
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