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24 de outubro de 2022
Explorando relacionamentos subterrâneos com “O Fantasma da Ópera”

“A voz sem corpo voltou a cantar, e Raoul nunca ouvira nada no mundo – voz unindo ao mesmo tempo respiração e alcance – mais suave e heroico, mais vitoriosamente insidioso, mais delicado na força, mais forte na delicadeza, em suma, mais triunfante e irresistível. Havia nela trinados definitivos que reinavam soberanos e que decerto deviam, exclusivamente em virtude de sua audição, gerar trinados sublimes nos mortais que sentem, amam e traduzem a música. Havia nela uma fonte tranquila e pura de harmonia na qual os fiéis podiam devotamente beber, certos de que nela bebiam a graça musical. E sua arte, assim, tendo tocado o divino, transfigurara-se. Raoul, extasiado, escutava aquela voz e começava a compreender como Christine Daaé pudera se apresentar aquela noite para um público estupefato, com gorjeios de uma beleza desconhecida, de uma exaltação sobre-humana, sem dúvida ainda sob a influência do misterioso e invisível mestre! E compreendia mais ainda aquele prodígio, escutando a voz excepcional, que, por sua vez, justamente não cantava nada de excepcional: do barro, fazia ouro.”
Do primeiro acorde grandioso que parece vibrar nos ossos, é difícil não se deixar cativar pelo romance e tragédia de O Fantasma da Ópera. Desde sua estreia em 1986 (o mais longínquo em cartaz), o musical é um dos maiores sucessos da Broadway, importado para todos os cantos do mundo, com a trilha sonora vertida em 17 línguas.
9 de agosto de 2018
Empilhando no Escaninho #31 (Os Links da Coruja)

Voltei essa semana de São Paulo, depois de passar um fim de semana bem corrido, tendo ido passear na Bienal, visitar meu irmão e outros amigos que moram na cidade. Voltei de pés doloridos, mas bem feliz, ainda que tenha sido uma viagem bem curta.
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21 de outubro de 2017
All Hallow’s Read: Romance Gótico, Uma História

É difícil traçar as origens do Horror como gênero literário porque, sendo derivado de uma emoção primeva (talvez uma das primeiras que o Homem, saindo das Cavernas, sentiu), nossas histórias de terror têm suas raízes numa tradição oral, religiosa e folclórica. O desconhecido nos causa medo e, durante muito tempo, tudo o que nossos olhos alcançavam nos era desconhecido. Ou, como Lovecraft muito bem resume no ensaio Horror Sobrenatural em Literatura, “a mais antiga e poderosa emoção da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e forte é o medo do desconhecido”. A mitologia nasceu da necessidade de explicar o mundo ao nosso redor e é óbvio que parte dessas explicações passam pelo ciclo da morte - gerando, muitas vezes, contos de espanto e repulsa. Afinal, quantos não são os heróis mitológicos que descem ao mundo dos mortos? E não são todas essas jornadas caminhos feitos no escuro, sob forte tensão, capazes de causar lágrimas, desespero e, claro, horror?
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10 de novembro de 2014
Para ler: Jane Eyre

É um tanto surpreendente, considerando meus gostos literários, que eu nunca tenha lido Jane Eyre até esse ano. Eu tinha meus motivos para tanto: em parte certo despeito pelo desprezo por Jane Austen que ela demonstrou em algumas cartas e de outra parte, o temor de me ver às voltas com um novo O Morro dos Ventos Uivantes. A intensidade egoísta e irracional de Heathcliff e Catherine é algo que me deu arrepios e uma inteira bagagem de angústia e eu não ando num bom humor para protagonistas tão mesquinhos quanto os dois.O coração humano tem tesouros ocultos. No segredo mantido, no silêncio selado… Os pensamentos, as esperanças, os sonhos, os prazeres… Cujo charme se romperia se revelado.
O curioso é que terminei me decidindo por desbravar os campos de Thornfield Hall por querer ler outro livro... Eu estava ansiosa para tirar da estante The Eyre Affair de Jasper Fford e acreditava com meus botões que para entender o Fford, eu precisaria primeiro ler a Brönte.
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4 de junho de 2013
Desafio Literário 2013: Junho - Romance Psicológico || O Morro dos Ventos Uivantes

Começo hoje com uma observação bem sincera: não consigo entender como é que vendem O Morro dos Ventos Uivantes como uma das maiores histórias de amor da literatura. Concordo bem mais com a idéia que li em algumas críticas e ensaios que esse é um livro sobre a natureza do mal; sobre o egoísmo, a inveja, a avareza, a ira; sobre todos os recônditos mais escuros que possa ter a alma humana.Ele nunca saberá como eu o amo; e não é por ele ser bonito, mas por ser mais parecido comigo do que eu própria. Seja qual for à matéria de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais.
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31 de outubro de 2010
Clube do Livro (Outubro) - Frankenstein

No mês das bruxas, não podíamos nos furtar a ler algum clássico de horror e sobrenatural. Após uma votação acirrada, o escolhi do Clube do Livro foi Frankenstein e assim que nos debruçamos sobre a história do bom doutor que brinca com os poderes da criação. Eu gostaria de começar dizendo que não vejo a história como um conto de terror, de medos e fobias; que “falasse aos misteriosos medos de nossa natureza e despertasse um espantoso horror”, conforme a autora desejava.Incapaz de suportar aquela visão apavorante, precipitei-me pela porta e corri para o meu dormitório, onde fiquei, por longo tempo, a andar de um lado para o outro, incapaz de controlar-me e deitar-me para tentar o esquecimento pelo sono. Por fim, o cansaço prevaleceu sobre meu tumulto interior, e atirei-me à cama mesmo vestido. Acabei por adormecer, mas antes não o fizesse, tais os pesadelos que me assaltaram.
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