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19 de outubro de 2022

Livros para ler no Halloween


Chegou de novo aquela época mágica do ano, quando desenterramos do túmulo as máscaras de caveira, afiamos os caninos, uivamos para a lua cheia e preparamos um bom caldeirão de… guloseimas! Sim, sim, meus caros, estou falando do Dia das Bruxas.


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21 de outubro de 2021

The Five: a história não contada das mulheres assassinadas por Jack, o Estripador


Insistir que Jack, o Estripador, matou prostitutas também torna a história de uma série grotesca de assassinatos um pouco mais palatável. Assim como ocorria no século XIX, a noção de que as vítimas eram "apenas prostitutas" procura perpetuar a crença de que há mulheres boas e más; madonas e prostitutas. Sugere que existe um padrão aceitável de comportamento feminino e que as que se desviam dele devem ser punidas. Igualmente, ajuda a reafirmar o duplo padrão, exonerando os homens dos erros cometidos contra essas mulheres.

Lembro-me vagamente de quando estive em Londres sozinha, em 2014, descer do ônibus em Whitechapel a caminho de algum outro lugar, olhar as placas pelo caminho e pensar com meus botões "então foi por aqui que Jack andou fazendo das suas". Não cheguei a explorar nada no caminho, mas fiquei com o personagem na cabeça um bom tempo. Até cheguei a pensar em fazer um daqueles passeios guiados, mas não tinha tempo dentro da minha programação.


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14 de outubro de 2021

Mais Mortais que os Homens: Obras-primas do terror de grandes escritoras do século XIX


- E o que é isto, Paul? – perguntou Evelyn, abrindo uma caixinha de ouro manchada, examinando o conteúdo com curiosidade.

– Sementes de uma desconhecida planta do Egito – respondeu Forsyth, com uma súbita expressão nublada em seu rosto escuro, ao ver os três grãos escarlates na palma da mão alva levantada na sua direção.

– Onde as conseguiu? – perguntou a moça.

– Essa é uma história estranha, que só vai assombrá-la se eu lhe contar – disse Forsyth, com uma expressão distraída que mais atiçou a curiosidade da jovem.

– Por favor, conte-me, gosto de histórias estranhas, e elas nunca me assombram. Ah, conte-me; suas histórias são sempre tão interessantes – ela exclamou, com um olhar tão persuasivo e irresistível, que seria impossível recusar seu pedido.

– Vai se arrepender disso, e eu também, provavelmente.

Às vezes é um título que te chama a atenção; em outras, a capa te captura o olhar, ou ainda, é a sinopse que te abre o apetite. Há muitas razões para tirar um livro da prateleira, dependendo até do humor do dia. Fato é que Mais Mortais que os Homens apertou todos os botões certos para me fisgar, incluindo aí a conveniência de lê-lo antes de outubro para fazer parte das minhas resenhas para o All Hallow’s Read.


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20 de outubro de 2020

All Hallow's Read: Vitorianas Macabras


"Corri para casa, de cabelo em pé, com o corpo tremendo. Fiquei fora de mim por mais de uma hora. Seria uma ilusão? Estou perdendo o juízo? Ó Deus, Deus! Estou ficando louco?."

Vou começar dizendo que assim que vi o anúncio desse livro por aqui, fiquei de queixo caído, tanto pela beleza da edição quanto pelo conteúdo. Um ano atrás li Monster, She Wrote, um fantástico volume de referência sobre autoras pioneiras no horror e na ficção científica, e, por causa dele, uma boa parte dos nomes trazidos na coletânea da Darkside me eram familiares - e tinham entrado na minha lista de futuras leituras -, de forma que não tive dúvidas de colocar Vitorianas Macabras entre meus desejados.


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18 de março de 2019

To Say Nothing of the Dog (ou Como Finalmente Foi Achado o Vaso do Bispo)


Porque em torno de um ponto de crise, até mesmo a menor ação pode assumir importância desproporcional ao seu tamanho. As consequências se multiplicam e se transformam em cascata, e qualquer coisa - uma ligação telefônica perdida, uma coincidência durante um blecaute, um pedaço de papel solto, um único momento - pode ter efeitos ruinosos. O motorista do arquiduque Ferdinand faz uma curva errada para a rua Franz-Josef e inicia uma guerra mundial. O guarda-costas de Abraham Lincoln sai para fumar e destrói a paz. Hitler deixa ordens para não ser perturbado porque ele tem uma enxaqueca e descobre sobre a invasão do Dia D dezoito horas mais tarde. Um tenente não consegue marcar um telegrama "urgente" e o almirante Kimmel não é avisado do iminente ataque japonês. “Por falta de um prego, a ferradura foi perdida. Por falta de uma ferradura, o cavalo foi perdido. Por falta de um cavalo, o cavaleiro se perdeu."

Desde que tive meu primeiro contato com Connie Willis, cheguei à rápida conclusão de que queria ler tudo o que essa (incrível) mulher tinha escrito. Comecei pelos contos - cada um melhor que o outro - segui pela monta-russa emocional de O Livro do Juízo Final e no ritmo frenético de Interferências e agora cheguei a To Say Nothing of the Dog que, hilariantemente, foi o primeiro livro que o Enrique (a pessoa que abençoadamente me apresentou à obra dessa criatura) me indicou.


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22 de março de 2016

Livros para Ler no Outono


O Verão (finalmente) terminou e eis que já estamos no Outono. Cá onde estou, não há uma enorme diferença na mudança da estação: continua muito quente, mas agora começou a cair chuva.

Independente do clima, contudo, o espírito da estação está valendo e como tal, hoje acordei pensando em que tipos de livros são bons de ler no Outono.

Os dias começam a se tornar mais curtos e mais frios, as flores começam a murchar, e o verde dá lugar às folhas queimadas, vermelhas e douradas. É uma época que convida à introspecção, a um espírito reflexivo.


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10 de novembro de 2014

Para ler: Jane Eyre

O coração humano tem tesouros ocultos. No segredo mantido, no silêncio selado… Os pensamentos, as esperanças, os sonhos, os prazeres… Cujo charme se romperia se revelado.
É um tanto surpreendente, considerando meus gostos literários, que eu nunca tenha lido Jane Eyre até esse ano. Eu tinha meus motivos para tanto: em parte certo despeito pelo desprezo por Jane Austen que ela demonstrou em algumas cartas e de outra parte, o temor de me ver às voltas com um novo O Morro dos Ventos Uivantes. A intensidade egoísta e irracional de Heathcliff e Catherine é algo que me deu arrepios e uma inteira bagagem de angústia e eu não ando num bom humor para protagonistas tão mesquinhos quanto os dois.

O curioso é que terminei me decidindo por desbravar os campos de Thornfield Hall por querer ler outro livro... Eu estava ansiosa para tirar da estante The Eyre Affair de Jasper Fford e acreditava com meus botões que para entender o Fford, eu precisaria primeiro ler a Brönte.


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24 de julho de 2014

Desafio Corujesco: Sir Richard Francis Burton


Eu costumava ridicularizar a idéia de que minha honra estivesse de alguma maneira ligada ao fato de falar a verdade. Considerava uma impertinência ser interrogado. Não conseguia entender a baixeza moral que podia haver numa mentira, a menos que fosse dita por medo das conseqüências de dizer a verdade ou que lançasse a culpa sobre uma outra pessoa. Esse sentimento continuou por muitos anos, e finalmente, como ocorre muito amiúde, tão logo entendi que a mentira é desprezível, ele se transformou no extremo oposto, um hábito desagradável de dizer escrupulosamente a verdade, fosse ou não o momento adequado.

Mais um livro para o meu desafio corujesco! E pensar que eu estava planejando ler apenas um dos calhamaços daqui de casa para o tema desse mês... mas até que estou fazendo uma boa média esse ano, então, cá está mais um volume de mais de quinhentas páginas para resenhar.

Não me lembro exatamente quando foi a primeira vez que ouvi falar no nome de Burton – provavelmente quando li As Mil e Uma Noites, vez que é graças a ele que o Ocidente conheceu Sherazade. Mas à época ele era apenas uma nota de rodapé para mim.


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8 de julho de 2014

Desafio Corujesco: O Devorador de Sonhos

A história de 'O Devorador de Sonhos' começa com um bilhete sucinto - uma carta de Roger Bascombe, noivo de Celeste Temple, escrita em papel timbrado e entregue pela criada numa bandeja de prata, dando fim ao relacionamento dos dois. Assim, sem maiores explicações e sob o clima austero da Inglaterra vitoriana, começa o romance de estreia do dramaturgo Gordon Dahlquist.

A senhorita Temple que foi para Londres em busca de um marido, e não de aventuras, não se contenta com as explicações do bilhete e, tomada a decisão de investigar o motivo, vai parar num sinistro baile de máscaras. Este é apenas o ponto de partida de uma jornada para bem longe do mundo respeitável que Temple estava acostumada. Para a jovem, a inexplicada rejeição funciona como estopim de uma busca aflita e atordoante, capaz de colocá-la em perigo iminente.

Para se proteger, Temple contará com aliados importantes. O Cardeal Chang, homem de reputação tão baixa que foi contratado para matar um homem, se vê surpreso ao descobrir que seu alvo mascarado já foi assassinado antes mesmo de ele alcançá-lo. Ao perceber que não pode mais confiar em quem o contratou, se lança à caça de quem quer que esteja se antecipando aos seus passos. E também o Doutor Svenson, que nunca pediu para ser anfitrião de um príncipe, mas se dedica ao posto da mesma forma. Até mesmo quando o gosto do príncipe pela devassidão o põe à mercê de tipos sinistros e de um processo diabólico que tem efeitos nefastos sobre a mente humana.

O caminho destes três personagens os levará até o interior de uma propriedade em ruínas - a Mansão Harschmort. Palco de violência e libertinagem, a casa evoca as lembranças mais íntimas dos personagens de 'O Devorador de Sonhos', porque exatamente ali todos eles perderem alguém muito querido.
Como esse mês é de férias (não para mim, mas...), o tema do meu desafio corujesco é (háhá) um livro grande. É, eu sei, eu sou hilariante... Enfim, diante desse tema, escolhi tirar da minha estante as 650 páginas de O Devorador de Sonhos, que consegui através de alguma troca e que peguei mais por causa do título – que me chamou a atenção – que por saber qualquer coisa da história.


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24 de junho de 2014

Para ler: A menina que não sabia ler

É uma história curiosa a que tenho que contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa. Se eu mesma digo isso, quando talvez não devesse, é que para uma menina da minha idade tenho um ótimo vocabulário.Extremamente bom, para falar com franqueza. Porém, devido às opiniões rígidas de meu tio em relação à educação das mulheres, tenho escondido minha eloquência, soterrado meu talento e mantido apenas as formas mais simples de expressão aprisionadas no cérebro. Tal dissimulação transformou-se em hábito e foi motivada pelo medo, pelo grande medo de que, se falasse como penso, ficaria evidente meu contato com os livros e eu seria banida da biblioteca. E, como expliquei para a pobre sra. Whitaker (pouco antes de sua trágica morte no lago), isso é algo que eu não acredito que possa suportar.
A primeira coisa que tenho a dizer sobre esse livro é que se eu o tivesse visto primeiro em português, eu jamais o teria comprado. Tanto o título da tradução quanto a capa totalmente genérica me fariam achar que se tratava de um romance açucarado sem nada de muito diferente ou especial.


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24 de maio de 2014

Para ler: O Jardim Secreto

Havia algum mistério no ar naquela manhã. Nada estava sendo feito na ordem habitual, e Mary tinha a impressão de que havia muito menos criados que de costume na casa. Além disso, os poucos criados que ela viu estavam se esgueirando pelos cantos ou andando às pressas de um lado para o outro, com rostos pálidos e apavorados. Mas nenhum deles lhe disse nada e sua aia não apareceu. Mary, na verdade, ficou abandonada durante boa parte da manhã e, por fim, acabou decidindo ir para o jardim e brincar sozinha debaixo de uma árvore, perto da varanda. Fingiu que estava fazendo um canteiro de flores e espetou grandes botões vermelhos de hibisco em montinhos de terra. E o tempo todo, enquanto brincava, ia ficando cada vez mais zangada, resmungando consigo mesma o que iria dizer para Saidie quando ela aparecesse e os nomes feios de que iria chamá-la.

Embora esse ano tenha sido a primeira vez que li esse livro, sua história faz parte das minhas lembranças de infância mais saudosas por causa do filme que passou infinitas vezes na Sessão da Tarde, junto com outro filme inspirado num título da mesma autora - A Princesinha. E em respeito a essa memória, foi com certa trepidação que peguei o volume para ler, temendo que reencontrar O Jardim Secreto na idade adulta de alguma forma distorcesse o encanto que senti por ele na infância.


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17 de abril de 2014

Para ler: Timeless

Escoceses, ela tivera ocasião de observar, frequentemente tinham joelhos agradáveis. Talvez fosse por isso que eles insistissem nos kilts.
E chegamos enfim ao último volume do Protetorado das Sombrinhas e, céus, devo dizer... que livro. Esse foi um daqueles volumes que uma vez que você começa a ler, é difícil fechá-lo, mesmo que seja para necessidades básicas como comer, ir ao banheiro ou dormir.


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22 de março de 2014

Para ler: Heartless

Alexia had found pregnancy relatively manageable, up to a point. That point having been some three weeks ago, at which juncture her natural reserves of control gave way to sentimentality. Only yesterday she had ended breakfast sobbing over the fried eggs because they looked at her funny. The pack had spent a good half hour trying to find a way to pacify her. Her husband was so worried he looked to start crying himself.
Acho que essa é a primeira vez que encontro um romance estilo de banca (e sim, a série do Protetorado das Sombrinhas tem um estilo de romance de banca) com uma heroína passando por todo o tipo de aventuras grávida. Normalmente nesses romances, gravidez é algo que se deixa para o felizes para sempre e apenas implícito... ou então aconteceu no passado remoto da mocinha e é algo que pode potencialmente acabar com sua reputação ou outras baboseiras do tipo.


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13 de fevereiro de 2014

Para ler: Blameless

Alguém estava tentando matar Lady Alexia Maccon. Algo muito inconveniente, vez que ela estava com uma pressa terrível. Dada sua prévia familiaridade com experiências de quase-morte e sua frequencia comparativa com relação a sua boa pessoa, Alexia provavelmente deveria ter permitido tempo extra para uma causalidade tão previsível.
No final do ano passado, lemos para o Clube do Livro o segundo volume da série Protetorado das Sombrinhas, de Gail Carriger: Metamorfose?. À ocasião, confessei que o final do segundo volume me deixara tão impressionada que eu já imediatamente emendei com o terceiro título e, ora, algum tempo se passou, mas... é justo falar da continuação ainda, não é mesmo?


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12 de dezembro de 2013

Projeto Baudelaire: O Fim

Caro Leitor,

Você provavelmente está olhando para a quarta capa deste livro, ou para o fim de O FIM. O fim de O FIM é o melhor lugar para se começar O FIM, porque, se você ler O FIM desde o começo do começo de O FIM até o fim do fim de O FIM, vai chegar ao fim do fim de suas esperanças.

Este livro é o último de uma longa Série de Desventuras, e, ainda que tenha enfrentado corajosamente os doze volumes anteriores, você não irá agüentar tanta desgraça como uma tempestade bravia, uma bebida suspeita, um bando de ovelhas selvagens, uma gaiola de passarinho gigante e ornamentada, e um segredo de fato assustador sobre os pais dos Baudelaire.

A minha mais solene ocupação tem sido investigar e narrar a história dos órfãos Baudelaire, e finalmente cheguei ao fim. Você provavelmente se dedica a outra coisa na vida, então sugiro que largue este livro imediatamente, para que O FIM não acabe com você.

Com todo o respeito,
Lemony Snicket
E eis que chegamos ao final de mais um projeto – não sei se me entristeço com o fato de que não tenho mais das desventuras dos Irmãos Baudelaire para ler ou se me alegro de conseguir fechar mais um dos meus inúmeros esquemas literários...

Enfim, há ainda outros volumes no universo criado nos treze volumes dessa coleção, mas vou lê-los e resenhar sem obrigação de colocar dentro do projeto, como fiz mensalmente desde dezembro do ano passado.


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21 de novembro de 2013

Projeto Baudelaire: O Penúltimo Perigo

Caro Leitor,

Se este é o primeiro livro que você encontrou enquanto procurava o próximo livro para ler, então a primeira coisa que precisa saber é que este livro próximo-ao-último é o que você deve pôr de lado primeiro. Infelizmente, este livro apresenta a crônica próxima-à-última da vida dos órfãos Baudelaire, e é próxima-à-primeira em sua oferta de miséria, desespero e desprazeres.

Provavelmente as coisas próximas-à-última a respeito das quais você gostaria de ler são um lançador de arpões, um salão de bronzeamento em uma cobertura, duas iniciais misteriosas, três trigêmeos não identificados, um notório vilão e um curry insípido.

As coisas próximas-à-última são as primeiras a serem evitadas, portanto permita-me recomendar que você ponha este livro próximo-ao-último de lado primeiro, e encontre alguma outra coisa para ser a próxima a ler, para que este livro próximo-ao-último não se torne o último livro que você lerá.

Respeitosamente,
Lemony Snicket
Nem acredito que estamos já quase ao final desse projeto... Vou ter de arranjar alguma coisa nova com que me preocupar no ano que vem (na verdade já arranjei, mas deixa quieto por enquanto...).


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24 de outubro de 2013

Projeto Baudelaire: A Gruta Gorgônea

Caro Leitor,

A menos que você seja uma lesma, uma anêmona-do-mar ou um fungo, provavelmente prefere não ficar úmido. Também pode ser que prefira não ler este livro, em que os irmãos Baudelaire descem para as profundezas do desespero subaquático, onde encontram bastante umidade.

Os horrores com que eles se deparam lá embaixo são tantos e tão horríveis — como uma busca desesperada por algo perdido, um monstro mecânico, cogumelos, uma perturbadora mensagem de um amigo desaparecido e uma apresentação de sapateado — que é impossível enumerar ou sequer mencionar.

Como autor dedicado que jurou registrar a deprimente história dos Baudelaire, preciso continuar me aprofundando profundamente nas profundezas cavernosas das vidas dos órfãos. Mas você pode se aprofundar na leitura de um livro mais alegre e evitar que seus olhos e seu humor se afoguem.

Respeitosamente,
Lemony Snicket
No décimo primeiro volume da série de desventuras dos órfãos Baudelaire (caramba, já estamos aqui?), os órfãos estão novamente por um fio após terem escapado do Conde Olaf no volume anterior – a ponto de se afogarem quando, milagrosamente, surge um submarino, pilotado pelo capitão Andarré e sua enteada, Fiona.


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8 de outubro de 2013

Para ler: Os Meninos Aquáticos

A water-baby? You never heard of a water-baby. Perhaps not. That is the very reason why this story was written. There are a great many things in the world which you never heard of; and a great many more which nobody ever heard of; and a great many things, too, which nobody will ever hear of, at least until the coming of the Cocqcigrues, when man shall be the measure of all things.

'But there are no such things as water-babies.'

How do you know that? Have you been there to see? And if you had been there to see, and had seen none, that would not prove that there were none. If Mr. Garth does not find a fox in Eversley Wood—as folks sometimes fear he never will—that does not prove that there are no such things as foxes.

And as is Eversley Wood to all the woods in England, so are the waters we know to all the waters in the world. And no one has a right to say that no water-babies exist, till they have seen no water-babies existing; which is quite a different thing, mind, from not seeing water-babies; and a thing which nobody ever did, or perhaps ever will do.
Mais um livro da minha lista de “mestres da fantasia antes de Tolkien” e um volume para minha estante de “definitivamente NÃO queria ter lido na infância”.

Os Meninos Aquáticos é um livro poético. Em termos de linguagem, ele tem ritmo, musicalidade. Mas a mesma métrica que o transforma em poesia também o torna repetitivo e, por conseqüência, cansativo.


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3 de outubro de 2013

Para ler: Good Night, Mr. Holmes


Miss Irene Adler, the beautiful American opera singer who once outwitted Sherlock Holmes, is here given an unexpected talent: she is a superb detective, as Oscar Wilde and Bram Stoker can attest. Even Holmes himself must admit--albeit grudgingly--that she acquits herself competently.

But in matters of the heart she encounters difficulty. The Crown Prince of Bohemia--tall, blonde, and handsome--proves to be a cad. Will dashing barrister Godfrey Norton be able to convince Irene that not all handsome men are cut from the same broadcloth?
Desde que descobri a existência de uma série literária tendo como protagonista ‘A Mulher’ que estou me coçando para ler esse título. Irene Adler aparece em um único conto das dezenas de histórias que Conan Doyle escreveu para o mais famoso detetive da ficção, e é um testemunho ao engenho do autor que com uma aparição tão rápida e passageira, ela seja uma personagem tão interessante.


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19 de setembro de 2013

Projeto Baudelaire: O Escorregador de Gelo

Caro Leitor,

Assim como apertos de mão, cães e cenouras cruas, muitas coisas são melhores quando não são escorregadias. Neste volume, receio que Violet, Klaus e Sunny Baudelaire enfrentem um amontoado de escorregadelas durante sua lamentável jornada pelas Montanhas de Mão-Morta.

Seria melhor não mencionar os desagradabilíssimos detalhes da história — em especial uma mensagem secreta, um tobogã, uma armadilha, um enxame de mosquitos da neve, um vilão maquinador de planos maléficos, um bando de jovens organizados e o sobrevivente de um terrível incêndio.

Para meu grande azar, dediquei minha vida a registrar a triste história dos Baudelaire. Mas não há razão para você também se dedicar a uma atividade tão ignóbil; seria melhor deixar este livro escorregar de suas mãos para dentro de uma lixeira ou de um poço bem fundo.

Respeitosamente,
Lemony Snicket
Embora esse seja o décimo volume da série, devo dizer que foi por causa dele que comecei a ler Desventuras em Série: a Ana, uma das minhas boas amigas, irmã siamesa nascida de outra mãe, que tem gostos literários muito parecidos com os meus, fez uma baita propaganda citando em especial esse volume - os termos que ela usou à época foram mais ou menos ‘o não beijo mais delicado e mais fofo e poético que já li na vida’.


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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