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13 de julho de 2022

Robinson Crusoé e o mito do individualismo


Resumindo, depois de sérias reflexões, a natureza e a experiência me ensinaram que todas as coisas boas do mundo deixam de ser boas para nós quando não nos são mais úteis; e que tudo o que podemos acumular, e um dia deixar para os outros, só nos dá prazer na medida em que podemos usar, e não mais do que isso. O avarento mais sovina e ambicioso do mundo teria se curado do vício da cobiça se estivesse em minha situação, porque eu possuía infinitamente mais do que podia imaginar o que fazer com tanto.

Após deixar a casa paterna e passar por várias aventuras e infortúnios, o marinheiro amador Robinson Crusoé naufraga na região do Caribe e termina sozinho numa ilha deserta. Ali ele vai passar os próximos vinte e oito anos buscando sobreviver em seu isolamento, até a maré da sorte virar a seu favor, o que começa quando ele salva um indígena da tribo de canibais da região, a quem dará o nome de Sexta-Feira.


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3 de junho de 2021

A Ilha Misteriosa: um triunfo do espírito empreendedor e inventivo


— Nos livramos de tudo?

— Não! Ainda temos dez mil francos em ouro!

Um saco pesado caiu imediatamente no mar.

— O balão subiu?

— Um pouco, mas não tardará a descer de novo!

— O que restou para jogar fora?

— Nada.

— Esperem…! O cesto!

— Agarremo-nos à rede! E sacrifiquemos o cesto ao mar!

Era, com efeito, o único e último meio de prolongar a vida do aeróstato. As cordas que o prendiam ao aro foram cortadas e o balão, após a queda do cesto, subiu aproximadamente seiscentos metros.

Os cinco passageiros haviam se içado para a rede, acima do aro, e, agarrando-se à trama das malhas, contemplavam o abismo.

Se algum dia eu me descobrir numa ilha deserta, esse é um dos (muitos) livros que desejaria ter comigo. Pode parecer um desejo estapafúrdio, mas do que me lembro de Crusoé e também com o grupo que Verne nos apresenta aqui, todo náufrago pode esperar a sobrevivência afortunada de alguns volumes para ajudá-lo nos dias que virão (ou até o aparecimento surpreendente de um baú repleto de itens de primeira necessidade, incluindo, claro, livros). Digo isso não apenas por A Ilha Misteriosa ser uma leitura das mais prazerosas - as setecentas páginas da minha edição passaram meio que voando - mas porque ele é, basicamente, uma manual de como ser um náufrago bem sucedido (e, no processo, começar uma nova civilização nas terras que vocês acabou de “colonizar”).


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18 de fevereiro de 2019

Um Império de Gelo: a Idade Heroica da Ciência na Antártica


Wilson era tão decidido quanto Scott e juntos eles ditavam o tom da expedição. Um dia depois que a equipe Crozier partiu, Scott abriu um caderno novo citando Thomas Henry Huxley: "O maior objetivo que os seres humanos podem determinar para si mesmos não é a busca de nenhuma quimera como a aniquilação do desconhecido, mas é simplesmente a tentativa incansável de mover suas fronteiras um pouco adiante". Alguns dias depois, acrescentou seu próprio aforismo: "O fato é que a ciência não pode ser servida por métodos 'diletantes', mas exige uma mente estimulada pela ambição ou pela satisfação de ideais". Essas palavras refletiam tanto a visão de Scott sobre a Jornada de Inverno de Wilson quanto uma perspectiva sobre a ciência, a exploração e a vida que esses dois camaradas compartilhavam.

Tempos atrás, lendo Ex-libris: Confissões de uma Leitora Comum, deparei-me com um capítulo em que a autora falava de sua devoção a histórias acerca de expedições polares. Lembro de ter ficado impressionada com a empolgação dela e de me decidir a procurar também livros no tema. Foi assim que cheguei a No Reino do Gelo, que me deixou impressionada e foi por isso também que Um Império de Gelo entrou na minha lista de desejados. Acabei ganhando ele de presente da Tatá, lá do Randomicidades, no fim do ano passado e o resto, como se diz por aí, é história.


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14 de janeiro de 2019

Projeto Pratchett: Nation



“Somewhere out there, flying to him from the edge of the world, was tomorrow. He had no idea what shape it would be, but he was wary of it. They had food and fire, but that wasn’t enough. You had to find water and food and shelter and a weapon, people said. And they thought that was all you had to have, because they took for granted the most important thing. You had to have a place where you belonged.”

Mau está no mar, voltando para casa após superar os desafios da Ilha dos Meninos, quando a grande onda surge, deixando em seu caminho um rastro de destruição quase apocalíptico. Levada à Nação - a ilha da tribo de Mau - pela mesma onda, Ermintrude (ou Daphne, como ela prefere ser chamada) é a única sobrevivente do navio Sweet Judy, que a levava para encontrar o pai na sede das colônias britânicas na região. E, embora ainda não saiba, ela acaba de se tornar princesa herdeira do trono inglês, após a peste dizimar boa parte da família real do outro lado do mundo. E é assim que começa Nation, livro que Pratchett considerava o melhor que já escrevera: dois jovens sobreviventes numa ilha deserta, após um cataclisma que eles bem poderiam considerar o fim do mundo.


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28 de julho de 2018

A Vertigem das Listas: Sete Piratas dos Sete Mares


Lulu: Talvez eu nunca tenha dito isso antes por aqui, mas o declaro agora: sou fascinada por piratas. Gosto da ambiguidade moral que eles têm como personagens reais ou da ficção, como corsários servindo sob as ordens de uma rainha (estou olhando para você, Elizabeth) ou como homens livres fazedores das próprias leis. Aliás, ler os códigos piratas é um exercício surpreendente: vários deles são bastante democráticos - todos os homens têm direito a voto, inclusive para eleger seu capitão; todos têm direito a parcela justa das riquezas capturadas; aqueles feridos e incapacitados no curso de sua vida no navio recebem seguro e podem continuar a bordo, de acordo com sua escolha; o casamento gay (chamado a bordo de matelotage) era aceito e um parceiro era inclusive herdeiro universal do outro.


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1 de fevereiro de 2018

Desafio Corujesco 2018 - Uma Aventura no Mar || Nós, os Afogados

As nuvens acima do mar congelado mudavam, mas ele já as conhecia todas. Havia muito com que os olhos se refestelassem, mas nada para a alma. Albert tinha fome de algo que o céu não era capaz de satisfazer. Em algum lugar do planeta, precisava existir um tipo diferente de luz. Um mar que espelhasse novas constelações. Uma lua maior. Um sol mais quente.
Embora seja escrito em prosa, não tenho dúvidas de que o romance dinamarquês Nós, os Afogados mereça a classificação de epopéia - no sentido de ‘uma extensa narrativa heróica que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários’. No espaço de um século, acompanhamos a história de três homens - Laurids Madsen, seu filho, Albert e Knud Erik, um órfão que Albert acaba ajudando a criar -, confundidas com a história da cidade de Marstal, na Dinamarca, e dos conflitos em que os homens de Marstal se envolvem, incluindo as duas guerras mundiais. Sendo Marstal uma terra de portos e navegadores, essa é também uma narrativa de marinheiros, da evolução dos veleiros para os barcos a vapor e, claro, de ‘histórias de pescador’ - um pé, pois, no realismo fantástico.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.

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