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4 de julho de 2022
Burning Questions: as questões cruciais de Margaret Atwood

"Com tantos dispostos a morrer em seu nome, por que os cidadãos de muitos países ocidentais estão dispostos a abrir mão de suas liberdades duramente conquistadas sem dar um pio? Geralmente é medo. E o medo pode vir de várias formas: às vezes se resume ao medo de não ter um salário no fim do mês. Desde que os trens funcionem no horário e você mesmo esteja empregado, por que fazer tanto barulho se algumas pessoas aqui e ali estão sendo penduradas pelos polegares? E quando a tortura vai se tornando comum, um medo de outro tipo se instala. Você pode proteger seus polegares apenas ficando abaixo da superfície do lago dos sapos: não levante a cabeça ou coaxe muito alto, e garantem a você, contanto que você não faça nada "errado" - e errado aqui é um conceito em constante mudança -, nada de ruim lhe acontecerá. Até que acontece. E como a imprensa livre já terá sido suprimida, e como qualquer judiciário independente já terá sido desmantelado, e como quaisquer escritores, cantores e artistas independentes já terão sido esmagados, não restará ninguém para defendê-lo."
Sendo, como ela mesma reconhece num dos escritos desta coletânea, um ícone ("uma vez que você é um ícone, você está praticamente morto, e tudo o que tem a fazer é ficar parado nos parques, transformando-se em bronze enquanto pombos e outros se empoleiram em seus ombros e defecam em sua cabeça"), o novo volume de ensaios de Margaret Atwood - reunindo peças de 2004 a 2021 - era um dos lançamentos mais esperados para 2022. E, embora eu não tenha lido tanto da autora quanto gostaria, também me deixei levar pela mística e coloquei Burning Questions na minha lista de prioridades para o ano.
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ensaios
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Margaret Atwood
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3 de abril de 2021
Queime Antes de Ler: entre cartas e filamentos do passado em “É assim que se perde a guerra do tempo”

Em um vão do solo arrasado, ela encontra a carta.
Está fora de lugar. Ali deveria haver corpos empilhados entre os destroços de naves que um dia percorreram as estrelas. Ali deveria haver a morte e a sujeira e o sangue de uma operação bem-sucedida. Deveria haver luas se desintegrando lá em cima, naves incendiadas em órbita.
Não deveria haver uma folha de papel cor de creme, limpo, exceto por uma única linha longa e repuxada escrita à mão: Queime antes de ler.
Esse título já me chamara a atenção há algum tempo por ter ganho os prêmios Nebula, Locus e Hugo entre 2019 e 2020. E, bem, trata-se de um romance epistolar entre viajantes no tempo, o que junta duas coisas que me fascinam: cartas e viagens temporais. Como eu poderia resistir?
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epistolar
ficção científica
lgbtq
lit. americana
lit. canadense
romance
viagens no tempo
12 de novembro de 2020
Livros de Cabeceira para se Desconectar

Fiz agora em novembro o curso de Escrita Criativa da Sílvia Oliveira, lá do Matraqueando. Num dos módulos, que tratava de criatividade, ela falou da importância de ter livros de cabeceira: livros com que você pode se desconectar um pouco das redes, leituras leves, daquelas que você pode até abrir num capítulo de forma aleatória e ler sem perder o fio da meada.
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Alberto Manguel
C. S. Lewis
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metalinguagem
quadrinhos
16 de julho de 2020
Os Livros e os Dias: o diário de leituras de Alberto Manguel

A leitura é uma conversa. Os lunáticos respondem a diálogos imaginários que ouvem ecoar em algum lugar de suas mentes; os leitores respondem a um diálogo similar provocado silenciosamente por palavras escritas numa página. Em geral a resposta do leitor não é registrada, mas em muitos momentos ele sentirá a necessidade de pegar um lápis e escrever as respostas nas margens de um texto. Esse comentário, essa glosa, essa sombra que às vezes acompanha nossos livros favoritos, estende e transporta o texto para o interior de um outro tempo e de uma outra experiência; empresta realidade à ilusão de que um livro fala a nós (seus leitores) e nos faz viver.
Entra ano, sai ano e penso comigo mesma em me dedicar a releituras de antigos favoritos e ver como eles envelheceram no meu gosto. Invariavelmente adio tal projeto, pois ainda tenho vários títulos não lidos à espera na estante e me sinto culpada em não dar prioridade a eles. A não ser que haja necessidade real - será um livro que vou debater no clube do livro, preciso dele para uma pesquisa, ou ainda, comprei uma edição ou tradução nova -, fico tentando me controlar toda vez que passo pela estante no corredor e meu olho cai em algum desses candidatos a releitura.
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Alberto Manguel
crítica literária
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14 de maio de 2020
'Somos filhos de espíritos de tinta e papel': os Monstros Fabulosos de Alberto Manguel

Como meu pai era diplomata, passei minha infância viajando de um lugar para outro. Os quartos em que eu dormia, as palavras ditas do lado de fora, as paisagens ao meu redor mudavam constantemente. Apenas minha pequena biblioteca permaneceu a mesma, e lembro-me do intenso alívio que senti quando, novamente reclinado em uma cama desconhecida, abri meus livros e, na página esperada, havia a mesma história antiga e a mesma ilustração antiga. "Lar" era um lugar nas histórias, tanto no objeto físico que eu segurava nas mãos quanto nas palavras impressas.
Desde o primeiro livro que li de Alberto Manguel, encantei-me com seu estilo: a mistura de pessoal e acadêmico, da forma como suas memórias se misturam com as análises certeiras, por vezes surpreendentes. Confesso que os romances dele não me interessam tanto, mas não consigo resisti-lo como ensaísta - seus trabalhos como crítico e estudioso da literatura estão entre meus favoritos no gênero. Assim é que eu não tinha como resistir a Fabulous Monsters, especialmente com um título tão curioso como esse.
26 de dezembro de 2019
O Resumo da Ópera - A Década Ainda não Acabou, mas Temos mais Livros

Mais um ano vai chegando ao fim e vamos encerrando a lista de livros lidos do ano. 2019 não foi tão prolífico quanto anos passados em termos de leituras, mas estou satisfeita com o fato de que terminei quase todos os livros que comprei/ganhei esse ano. Tem sido meu objetivo há algum tempo tentar não acumular leituras (e não sair comprando livros loucamente sem dar destino ao que já tem em casa) e talvez ano que vem eu consiga zerar meu backlog *resoluções de ano novo*.
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100NPR
Borges
Connie Willis
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horror
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nerdices
poesia
Pullman
quadrinhos
Resumo da Ópera
shakespeare
5 de outubro de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Uma Releitura || Semente de Bruxa

Ele inspeciona a sala. Rostos familiares, veteranos de suas peças anteriores: esses acenam para ele com a cabeça, oferecem-lhe esboços de sorrisos. Rostos novos, inexpressivos ou apreensivos: não sabem o que esperar. Todos eles garotos perdidos, embora não sejam garotos: a idade deles varia de dezenove a quarenta e cinco. Têm muitos tons de pele: do branco ao negro, passando pelo amarelo, vermelho e marrom; são de muitas etnias. Os crimes pelos quais foram condenados são variados. A única coisa que têm em comum, além de sua condição de detentos, é o desejo de estar na trupe de arte dramática de Felix. Suas motivações, ele prevê, são variadas.
Como esse é o mês do Halloween, não tive nem dúvidas em escolher qual seria o título para esse tema do Desafio Corujesco (é, eu sei, tô atrasada com os temas anteriores, mas coisas andaram meio corridas por aqui…) assim que registrei o título: Semente de Bruxa me fez brilhar os olhinhos tão logo foi anunciado. Afinal, tratava-se de uma releitura de Shakespeare - um dos maiores escritores de língua inglesa na História - feita por Margaret Atwood - uma das mais admiradas autoras em tempos modernos. A Tempestade não é uma das minhas peças favoritas do bardo, mas outra releitura - o capítulo final da série Sandman do Gaiman - fez com que ela ganhasse um lugarzinho especial no meu coração.
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All Hallow's Read
desafio da coruja
desafio literário
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Margaret Atwood
releitura
shakespeare
20 de março de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro sobre Música || Dreams Underfoot

I don't think the world is the way we like to think it is. I don't think it's one solid world, but many, thousands upon thousands of them--as many as there are people--because each person perceives the world in his or her own way; each lives in his or her own world. Sometimes they connect, for a moment, or more rarely, for a lifetime, but mostly we are alone, each living in our own world, suffering our small deaths.
Quando decidimos por esse tema no Desafio Corujesco, pensei com meus botões que não fazia nem ideia que título escolher para ele… e, logo em seguida, lembrei do Charles de Lint e da minha promessa pessoal de ler mais da bibliografia do autor. Como muitos dos seus personagens trabalham com música, imaginei que seria simples encontrar um título que coubesse para o desafio. De fato, lendo as sinopses, havia várias possibilidades… Então, decidi-me por Dreams Underfoot, o primeiro volume da série Newford, que é a obra mais famosa do Lint.
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Charles de Lint
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música
18 de julho de 2018
Fashion Victims - Quando a Fogueira das Vaidades se torna uma expressão literal...

From insidious murder weapons to blaze-igniting crinolines, clothing has been the cause of death, disease and madness throughout history, by accident and design. Clothing is designed to protect, shield and comfort us, yet lurking amongst seemingly innocuous garments we find hats laced with mercury, frocks laden with arsenic and literally 'drop-dead gorgeous' gowns.
Fabulously gory and gruesome, Fashion Victims takes the reader on a fascinating journey through the lethal history of women's, men's and children's dress, in myth and reality. Drawing upon surviving fashion objects and numerous visual and textual sources, encompassing louse-ridden military uniforms, accounts of the fiery deaths of Oscar Wilde's half-sisters and dancer Isadora Duncan's accidental strangulation by entangled scarf; the book explores how garments have tormented those who made and wore them, and harmed animals and the environment in the process. Vividly chronicling evidence from Greek mythology to the present day, Matthews David puts everyday apparel under the microscope and unpicks the dark side of fashion.
Descobri esse livro por indicação da Fernanda, lá do The Bookworm Scientist, que comentou comigo algumas das histórias coletadas pela autora neste estudo. Devorei-o em dois dias e terminei tanto querendo mais, quanto observando as portas do meu guarda-roupa com certo sentimento de paranóia.
11 de agosto de 2016
Para ler: Estação Onze

Vinte anos após a ‘Gripe da Geórgia’ ter quase obliterado a humanidade da face da terra, um grupo de atores e músicos percorre as comunidades remanescentes, apresentando concertos e peças de Shakespeare. É a Sinfonia Itinerante e esse é o mundo pós-apocalipse.Todos os trailers da Sinfonia Itinerante estão assinalados com esse nome, SINFONIA ITINERANTE grafado em letras brancas dos dois lados, mas o trailer da frente leva dizeres adicionais: Porque sobreviver não é suficiente.
15 de dezembro de 2015
Para ler: O Manual da Garota Geek
Essa foi uma leitura bem a propósito no meu cronograma de atividades nesse fim de ano - especialmente a se considerar que o comecei na véspera de viajar para ir à Comic Con Experience. Bem-humorado, sincero, prático e cheio de dicas legais, a minha reação ao terminar de ler O Manual da Garota Geek foi 'quero comprar uma centena dele e sair distribuindo por aí para todo mundo de que gosto'. Como não sou um gênio bilionário, minha filantropia terá de se limitar a um sorteio cá no blog. Mas falaremos disso mais abaixo.Eu sou uma garota geek.
É muito comum as pessoas dirigirem essa expressão a mim em um sentido pejorativo. Para eu me sentir desvalorizada, burra e imatura. E quer saber? Eles não poderiam estar mais errados.
Ser uma garota geek é a melhor coisa que já me aconteceu. Minha nerdice me rendeu amigos por todo o mundo, mulheres que são as pessoas mais inteligentes, articuladas e maravilhosas que conheço. Os fandoms me deram voz para defender as coisas pelas quais sou apaixonada. E ser uma garota geek é sempre animador - mais ninguém curte tanto assim as coisas que ama. Novo videogame? Surte com meses de antecedência por causa da arte da capa! Esperando por uma nova temporada de Sherlock? Crie vários GIFs para aplacar a dor! Brava pelo jeito que colocaram a pose da Viúva Negra no novo pôster? Mulher-Hulk esmaga o patriarcado! Além do mais, independentemente de seu fandom particular, meninas nerds estão dedicadas a apoiar as mulheres na mídia, sempre forçando uma meta de aceitação, diversidade e representação justa. E nós conseguimos fazer tudo isso contendo nossos gritinhos de satisfação. Pelo menos, na maior parte do tempo.
26 de março de 2013
Clube do Livro (março): Um Livro por Dia

- Sabe, isso é o que eu sempre quis que este lugar fosse – disse. – Eu olho para a Notre-Dame do outro lado e algumas vezes penso que a livraria é um anexo da igreja. Um lugar para as pessoas que não se encaixam lá.
Eu entendi. Nós bebemos nossas cervejas até o sol se pôr e então ficamos mais um pouco sentados. Quando George começou a cabecear de sono, prmeti vê-lo novamente e deixei a livraria.
O livro desse mês do Clube do Livro era um que fazia tempo que eu queria ler – na verdade, queria ter lido no ano passado antes de viajar, mas agora tá valendo também, porque descobri que estarei em Paris de novo esse ano (ISSO!!!), em agosto, de forma que poderei visitar mais uma vez a livraria, dessa vez conhecendo a história por trás dela.
16 de setembro de 2010
Sobre a história da leitura

Estou prestes a me mudar novamente. Em torno de mim, na poeira secreta de cantos insuspeitos, revelados agora pelo deslocamento dos móveis, elevam-se pilhas instáveis de livros, como rochas desgastadas pelo vento numa paisagem desértica. Enquanto ergo pilha após pilha de volumes familiares (reconheço alguns pela cor, outros pela forma, muitos por detalhes nas capas, cujos títulos tento ler de cabeça para baixo ou de um ângulo esquisito), pergunto-me, como já fiz tantas vezes, por que guardo tantos livros que sei que não lerei novamente.
Digo a mim mesmo que, sempre que me desfaço de um livro, descubro dias depois que era exatamente aquele que estava procurando. Digo a mim mesmo que, não existem livros (ou poucos, muito poucos) em que eu não tenha achado alguma coisa que me interessasse. Digo a mim mesmo que os trouxe para dentro de casa por algum motivo e que esse motivo pode surgir novamente no futuro. Invoco desculpas: meticulosidade, raridade, uma vaga erudição. Mas sei que a razão principal de me apegar a esse tesouro sempre crescente é uma espécie de ganância voluptuosa.
Adoro olhar para minhas prateleiras lotadas, cheias de nomes mais ou menos familiares. Delicio-me ao saber que estou cercado por uma espécie de inventário da minha vida, com indicações do meu futuro. Gosto de descobrir, em volumes quase esquecidos, traços do leitor que já fui - rabiscos, passagens de ônibus, pedaços de papel com nomes e números misteriosos, às vezes uma data e um local na guarda do livro, levando-me de volta a um certo café, a um quarto de hotel distante, a um verão longínquo.
Eu poderia, se precisasse, abandonar esses livros e começar de novo, em outro lugar; já fiz isso antes, várias vezes, por necessidade. Mas então tive de reconhecer também uma perda grave, irreparável. Sei que algo morre quando abandono meus livros e que minha memória insiste em voltar a eles com uma nostalgia pesarosa. E agora, com os anos, minha memória relembra cada vez menos e parece-me uma biblioteca saqueada: muitas das salas foram fechadas, e, nas que ainda continuam abertas para consulta, há enormes vazios nas estantes. Pego um dos livros remanescentes e percebo que várias páginas foram arrancadas por vândalos. Quanto mais decrépita minha memória, mais quero proteger esse repositório do que li, essa coleção de texturas, vozes e odores. A posse desses livros tornou-se fundamental para mim, porque agora sinto ciúme do passado.
Eu não me lembro agora exatamente quem me indicou o autor; ou se li algum comentário em algum lugar que me deixou curiosa - o caso é que estava com esse livro para na estante há alguns dias e, terminada a prova do MPU, acabei por resgatá-lo na frente de vários outros que estavam com preferência na fila...
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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais. Para saber mais, clique aqui.



