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16 de julho de 2020
Os Livros e os Dias: o diário de leituras de Alberto Manguel

A leitura é uma conversa. Os lunáticos respondem a diálogos imaginários que ouvem ecoar em algum lugar de suas mentes; os leitores respondem a um diálogo similar provocado silenciosamente por palavras escritas numa página. Em geral a resposta do leitor não é registrada, mas em muitos momentos ele sentirá a necessidade de pegar um lápis e escrever as respostas nas margens de um texto. Esse comentário, essa glosa, essa sombra que às vezes acompanha nossos livros favoritos, estende e transporta o texto para o interior de um outro tempo e de uma outra experiência; empresta realidade à ilusão de que um livro fala a nós (seus leitores) e nos faz viver.
Entra ano, sai ano e penso comigo mesma em me dedicar a releituras de antigos favoritos e ver como eles envelheceram no meu gosto. Invariavelmente adio tal projeto, pois ainda tenho vários títulos não lidos à espera na estante e me sinto culpada em não dar prioridade a eles. A não ser que haja necessidade real - será um livro que vou debater no clube do livro, preciso dele para uma pesquisa, ou ainda, comprei uma edição ou tradução nova -, fico tentando me controlar toda vez que passo pela estante no corredor e meu olho cai em algum desses candidatos a releitura.
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Alberto Manguel
crítica literária
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livros sobre livros
memórias
não ficção
14 de maio de 2020
'Somos filhos de espíritos de tinta e papel': os Monstros Fabulosos de Alberto Manguel

Como meu pai era diplomata, passei minha infância viajando de um lugar para outro. Os quartos em que eu dormia, as palavras ditas do lado de fora, as paisagens ao meu redor mudavam constantemente. Apenas minha pequena biblioteca permaneceu a mesma, e lembro-me do intenso alívio que senti quando, novamente reclinado em uma cama desconhecida, abri meus livros e, na página esperada, havia a mesma história antiga e a mesma ilustração antiga. "Lar" era um lugar nas histórias, tanto no objeto físico que eu segurava nas mãos quanto nas palavras impressas.
Desde o primeiro livro que li de Alberto Manguel, encantei-me com seu estilo: a mistura de pessoal e acadêmico, da forma como suas memórias se misturam com as análises certeiras, por vezes surpreendentes. Confesso que os romances dele não me interessam tanto, mas não consigo resisti-lo como ensaísta - seus trabalhos como crítico e estudioso da literatura estão entre meus favoritos no gênero. Assim é que eu não tinha como resistir a Fabulous Monsters, especialmente com um título tão curioso como esse.
26 de dezembro de 2019
O Resumo da Ópera - A Década Ainda não Acabou, mas Temos mais Livros

Mais um ano vai chegando ao fim e vamos encerrando a lista de livros lidos do ano. 2019 não foi tão prolífico quanto anos passados em termos de leituras, mas estou satisfeita com o fato de que terminei quase todos os livros que comprei/ganhei esse ano. Tem sido meu objetivo há algum tempo tentar não acumular leituras (e não sair comprando livros loucamente sem dar destino ao que já tem em casa) e talvez ano que vem eu consiga zerar meu backlog *resoluções de ano novo*.
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Resumo da Ópera
shakespeare
21 de novembro de 2011
Desafio Literário 2011: Novembro - Contos || Ficções

A escritura metódica distrai-me da presente condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos fantamagoriza. Conheço distritos em que os jovens se ajoelham diante dos livros e beijam selvagemente as páginas, mas não sabem decifrar uma só letra.
Sou fã do Borges desde que folheei pela primeira vez, de queixo caído, O Livro dos Seres Imaginários uns seis, sete anos atrás. De lá pra cá, já se foram muitos contos do mestre argentino (que sempre me faz lembrar de outro mestre, esse italiano...) e minha admiração por ele só fez crescer.
16 de setembro de 2010
Sobre a história da leitura

Estou prestes a me mudar novamente. Em torno de mim, na poeira secreta de cantos insuspeitos, revelados agora pelo deslocamento dos móveis, elevam-se pilhas instáveis de livros, como rochas desgastadas pelo vento numa paisagem desértica. Enquanto ergo pilha após pilha de volumes familiares (reconheço alguns pela cor, outros pela forma, muitos por detalhes nas capas, cujos títulos tento ler de cabeça para baixo ou de um ângulo esquisito), pergunto-me, como já fiz tantas vezes, por que guardo tantos livros que sei que não lerei novamente.
Digo a mim mesmo que, sempre que me desfaço de um livro, descubro dias depois que era exatamente aquele que estava procurando. Digo a mim mesmo que, não existem livros (ou poucos, muito poucos) em que eu não tenha achado alguma coisa que me interessasse. Digo a mim mesmo que os trouxe para dentro de casa por algum motivo e que esse motivo pode surgir novamente no futuro. Invoco desculpas: meticulosidade, raridade, uma vaga erudição. Mas sei que a razão principal de me apegar a esse tesouro sempre crescente é uma espécie de ganância voluptuosa.
Adoro olhar para minhas prateleiras lotadas, cheias de nomes mais ou menos familiares. Delicio-me ao saber que estou cercado por uma espécie de inventário da minha vida, com indicações do meu futuro. Gosto de descobrir, em volumes quase esquecidos, traços do leitor que já fui - rabiscos, passagens de ônibus, pedaços de papel com nomes e números misteriosos, às vezes uma data e um local na guarda do livro, levando-me de volta a um certo café, a um quarto de hotel distante, a um verão longínquo.
Eu poderia, se precisasse, abandonar esses livros e começar de novo, em outro lugar; já fiz isso antes, várias vezes, por necessidade. Mas então tive de reconhecer também uma perda grave, irreparável. Sei que algo morre quando abandono meus livros e que minha memória insiste em voltar a eles com uma nostalgia pesarosa. E agora, com os anos, minha memória relembra cada vez menos e parece-me uma biblioteca saqueada: muitas das salas foram fechadas, e, nas que ainda continuam abertas para consulta, há enormes vazios nas estantes. Pego um dos livros remanescentes e percebo que várias páginas foram arrancadas por vândalos. Quanto mais decrépita minha memória, mais quero proteger esse repositório do que li, essa coleção de texturas, vozes e odores. A posse desses livros tornou-se fundamental para mim, porque agora sinto ciúme do passado.
Eu não me lembro agora exatamente quem me indicou o autor; ou se li algum comentário em algum lugar que me deixou curiosa - o caso é que estava com esse livro para na estante há alguns dias e, terminada a prova do MPU, acabei por resgatá-lo na frente de vários outros que estavam com preferência na fila...
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Alberto Manguel
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24 de julho de 2009
Pensamentos sobre Borges
Olá, pessoas... sentiram minha falta em dois dias sem postar? Acho que não, né, do jeito que eu escrevo feito louca, eu quase não dou tempo para vocês lerem tudo por aqui.
Bem, esse é, provavelmente, meu último post até agosto. Hoje tenho a Aula da Saudade, amanhã viajo para Alagoas para o casamento de um primo, volto domingo de tarde para casa, segunda tem o culto ecumênico, terça tem a colação de grau, quarta tem um grande jantar da turma e Ísis chega ao Recife, quinta eu provavelmente dedicarei a andar com Ísis para cima e para baixo, sexta é o baile e sábado é dia de dormir, dormir, dormir...
Bem, esse é, provavelmente, meu último post até agosto. Hoje tenho a Aula da Saudade, amanhã viajo para Alagoas para o casamento de um primo, volto domingo de tarde para casa, segunda tem o culto ecumênico, terça tem a colação de grau, quarta tem um grande jantar da turma e Ísis chega ao Recife, quinta eu provavelmente dedicarei a andar com Ísis para cima e para baixo, sexta é o baile e sábado é dia de dormir, dormir, dormir...
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