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10 de agosto de 2020
A Filha do Rei de Elfland: um conto de fadas sobre o Tempo

Durante todo o dia, Alveric viajou com o vigor que aguarda no início das jornadas, e isso o ajudou, embora estivesse sobrecarregado com tantas provisões e um grande cobertor que usava como uma capa pesada sobre os ombros; além disso, carregava um pacote de lenha e uma vara na mão direita. Ele era uma figura disparatada com sua vara, sua sacola e sua espada; mas seguia uma ideia, uma inspiração, uma esperança; e assim compartilhava algo da estranheza que têm todos os homens que fazem isso.
A primeira vez que li The King of Elfland’s Daughter, de Lorde Dunsany, foi dez anos atrás, em inglês, e devo dizer que não foi uma leitura fácil. Por mais fluente que eu fosse, o estilo repleto de volteios e o vocabulário bastante formal foram um desafio. Isso não me impediu de achar o enredo fascinante, mas interferiu na experiência de leitura. Assim é que, quando vi que a Wish ia lançá-lo traduzido, empolguei-me. A editora costuma ter grande esmero com a tradução, introduções escritas por especialistas e projetos gráficos lindíssimos. Tinha certeza que essa seria uma oportunidade para apreciar a prosa de Dunsany como ela deve ser apreciada, deixando-se levar pelo lirismo em vez de arfar com o esforço de compreensão.
2 de agosto de 2019
O Mais Longo dos Dias: a história do desembarque na Normandia

"A guerra será ganha ou perdida nessas praias. Teremos só uma chance para interromper o avanço do inimigo, ou seja, o momento em que ele ainda estiver dentro d'água, patinando para chegar à praia. As reservas nunca terão tempo de chegar ao ponto de ataque, e sequer cogitar essa hipótese é uma refinada tolice. A Hauptkampflinie [principal linha de resistência] será aqui. Tudo o que temos deverá ser disposto ao longo dessas margens. Pode acreditar em mim, Lang,as primeiras vinte e quatro horas da invasão serão decisivas... O destino da Alemanha depende desse resultado... Para os Aliados, do mesmo modo que para a Alemanha, será o mais longo dos dias."
Marechal de Campo Erwin Rommel ao seu ajudante de ordens, em 22 de abril de 1944.
Fui atrás de O Mais Longo dos Dias logo após ter chegado de viagem ano passado - quando passei um dia perambulando pela Normandia, seus museus e memoriais da Segunda Guerra. As coisas que vi por lá fizeram com que eu me desse conta de quão pouco eu de fato sabia sobre o que tinha acontecido naquele 06 de junho de 1944. Houvera o desembarque, com dezenas de milhares de baixas dos dois lados e os acontecimentos daquele único dia definiram a Segunda Guerra. Mas o que viera antes? E as histórias pessoais dos que tinham estado lá? Porque, em fatos gerais, indivíduos viram apenas estatísticas, e é difícil você se sentir realmente emocionado só com números.
23 de julho de 2019
Os Quatro Amores

A afeição, como já disse, é o amor mais humilde, pois não procura impressionar. [...] Vive com coisas humildes e despojadas: pantufas e roupas velhas, piadas antigas, o batuque do rabo do cachorro dormindo no chão da cozinha, o som de uma máquina de costura, uma boneca esquecida no gramado. [...] Quando seu amigo se torna um velho amigo, todas as coisas sobre ele, que originalmente nada tinham a ver com a amizade, tornam-se familiares, e uma familiaridade querida.
Comecei a me interessar por esse livro após ler biografias de Tolkien e Lewis e ver várias referências a Os Quatro Amores - especialmente ao capítulo sobre amizade. Deixei-o na lista de desejados por um tempo, até que aproveitei uma promoção no começo do ano para comprar a bela edição em capa dura da Thomas Nelson (por sinal, eles estão relançando toda a obra de apologética do Lewis nesse projeto gráfico). O livro estava a caminho lá de casa quando viajei para Minas, para participar do VII Encontro Nacional da JASBRA e, numa das palestras, lá estava ele de novo, dessa vez com referências a Austen. Foram tantas aparições do bendito num curto espaço de tempo que foi só tirá-lo da caixa para começar a ler - e ler ‘em dupla’, num combinado com uma amiga, cada capítulo dando vez ao debate.
29 de maio de 2019
Desafio Corujesco 2019 - Um Livro com Protagonista Anti-herói/Vilão || O Retrato de Dorian Gray

"Todo impulso que nos esforçamos para sufocar se multiplica em nossas mentes, nos envenenando. O corpo peca uma vez, e deixa o pecado para trás porque a ação é uma forma de purificação. Nada resta senão a lembrança de um prazer, ou a volúpia de um pesar. O único modo de se livrar de uma tentação consiste em se entregar a ela.
Meu primeiro contato com Wilde foram suas peças. O humor mordaz de comédias como A Importância de ser Prudente e O Marido Ideal vão bem ao meu gosto. Ainda não li seus poemas, mas tenho curiosidade de qualquer dia me sentar para completar essa lacuna. Quanto ao único romance do autor, até cheguei a começar a leitura de O Retrato de Dorian Gray quando mais nova, mas não consegui ir adiante. Não sei dizer se foi por falta de maturidade para entender as nuances do livro ou por alguma outra razão, mas fato é que eu conhecia mais Dorian Gray por sua participação em A Liga Extraordinária que pelo livro original.
29 de maio de 2018
Por Nárnia! || Parte V: Problemático e Inspirador (ou conclusões narnianas)

Eu não era exatamente uma criança - supostamente, o público alvo da obra - na época em que li As Crônicas de Nárnia pela primeira vez. Mesmo assim, a história teve um profundo apelo emocional para mim. Tinha recém-entrado na faculdade, era a caçula nas minhas duas turmas (porque eu estava fazendo dois cursos pesados ao mesmo tempo), e tinha certeza de que abocanhara mais do que conseguia mastigar. Nárnia respondia à minha necessidade de histórias, de fantasia, de conforto e de esperança.
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21 de maio de 2018
Por Nárnia! || Parte IV: Começo e Fim

Eis então que chegamos ao começo… e também ao final de nossa saga. Porque, embora cronologicamente O Sobrinho do Mago seja a primeira das crônicas narnianas, foi o penúltimo livro a ser publicado e isso faz diferença na hora de lê-lo; trata-se de uma história que entrega respostas, que explica mistérios e, embora isso seja importante para a compreensão da mecânica do mundo criado por Lewis, também resulta numa certa perda da magia da primeira descoberta, tal como ocorre em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
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15 de maio de 2018
Por Nárnia! || Parte III: Reis e Rainhas de Nárnia

Ao final de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, os irmãos Pevensie - que cresceram e passaram anos como reis e rainhas - retornam para casa, para o mundo mundano; mas retornam do ponto em que começaram a jornada, como crianças, ainda que com memórias de uma outra vida inteira passada. Um ano mais tarde, esperando na estação de trem para seguirem para o colégio em que estudam, são repentinamente chamados de volta para Nárnia. E, para seu choque, descobrem que mais de mil anos se passaram desde que sentaram nos tronos de Cair Paravel.
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9 de maio de 2018
Por Nárnia! || Parte II: Através do Guarda-Roupa, de Desertos de Neve e Areia

O primeiro ponto a se discutir quando começamos a leitura de As Crônicas de Nárnia é a ordem pela qual se fará a leitura. De princípio, verdade seja dita, seguir uma ordem fixa é algo desnecessário, porque os sete livros que formam a saga são aventuras independentes, capazes de fazer sentido por si só. Contudo, considerando referências feitas ao longo das histórias e o impacto de certas cenas, por onde você começa pode fazer muita diferença.
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4 de maio de 2018
Por Nárnia! || Parte I: Um Mago Professor

Vez que em 2018 celebramos 120 anos do nascimento de Clive Staples Lewis - mais popularmente conhecido pelas iniciais - decidi que era tempo de adentrar o guarda-roupa e explorar sua mais famosa criação. A data oficial é novembro, mas como todos aqui sabem, maio é o aniversário do Coruja e isso significa um especial quase monográfico sobre alguma obra, autor ou personagem favorito desta que vos escreve. Somando tudo, como eu poderia resistir a fazer o especial desse ano sobre Nárnia?
2 de junho de 2015
Para ler: Contos Maravilhosos

Meu primeiro contato com Lorde Dunsany foi um comentário de Neil Gaiman, que me levou até The King of Elfland’s Daughter, o terrivelmente belo (sim, é um paradoxo) conto que serviu de base para Stardust. Desde então, o nome ficou no meu radar e quando apareceu a tradução de Contos Maravilhosos, não hesitei nem por um momento antes de sair correndo atrás do volume.Havia um pequeno arquipélago que ele conhecia, no lado errado do Mar de Sargaços; existiam cerca de trinta ilhas lá, ilhas desocupadas e comuns, mas uma delas flutuava. Ela a havia notado anos atrás, desembarcara e nunca contara a ninguém, mas a ancorara em silêncio com a âncora do seu navio ao fundo do mar, que naquele ponto era incrivelmente profundo, e fez da coisa toda o segredo de sua vida, determinado a se casar e se estabelecer lá caso algum dia se tornasse impossível ganhar a vida do modo costumeiro no mar.
19 de abril de 2012
Para ler: Drácula

Esse ano marca o centenário de morte de Bram Stoker – e que forma melhor de marcar tal acontecimento do que reler aquela que é considerada não apenas sua obra-prima, mas um clássico do gênero do horror? Mesmo quem nunca pensou em lê-lo conhece o sombrio e sedutor Conde Drácula – e, se vampiros já existiam na mitologia e já tinham aparecido na literatura antes, ainda assim, não podemos deixar de sentir que, de verdade, tudo começou ali.Seu rosto não era agradável. Era duro, cruel e lascivo, e seus grandes dentes brancos, que pareciam mais brancos ainda porque seus lábios eram muito vermelhos, eram aguçados como os de um animal.
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30 de setembro de 2010
Clube do Livro (Setembro) - P.S.: Eu te amo

Guarde nossas maravilhosas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de construir mais algumas.
Cecelia Ahern - P.S.: Eu te amo
Setembro foi mês de romances açucarados no Clube do Livro e a escolha na votação ficou por conta de P.S.: Eu te amo da Cecelia Ahern.
Passei a leitura me alternando em ficar com os olhos cheios d'água e rir sozinha das trapalhadas dos personagens. A história emociona, é aquela coisa açucarada, mas também pungente, por conta da questão da perda - o final é um pouco bocado diferente do que estamos acostumados nesse tipo de literatura, e isso é bom.
27 de agosto de 2010
Clube do Livro (Agosto) - O Menino do Pijama Listrado

O aniversário do pai estava chegando, e, embora ele tivesse dito que não queria estardalhaço nenhum, a mãe preparou uma festa para todos os oficiais que estavam servindo em Haja-Vista, e houve grande estardalhaço nos preparativos. Toda vez que ela se sentava para fazer mais planos para a festa, o tenente Kotler estava ao seu lado para auxiliá-la, e os dois pareciam fazer listas e mais listas, muito mais do que seriam necessárias.
Bruno decidiu fazer sua própria lista. Uma lista de todos os motivos pelos quais ele não gostava do tenente Kotler.
Antes de tudo, havia o fato de que ele nunca sorria e sempre parecia procurar alguém para esfaquear de acordo com sua vontade.
Eu geralmente vou muito pelos detalhes dos livros que leio - serei sincera: sou uma leitora chata, do tipo que presta atenção em cada mínimo ponto e gosta de fazer referências cruzadas e teorizar sobre as idéias originais do autor.
Obviamente que faço o mesmo aqui.
2 de julho de 2009
Vampiros Por Trás da Máscara || Parte II - Origens Antediluvianas

Não há como traçar exatamente a origem do mito vampírico; da mesma forma como não se pode colocar data de nascimento para a invenção da escrita; trabalhamos sempre com aproximações.
De qualquer forma, não é como se a data da origem do mito fizesse alguma diferença. O que se pode dizer é que a figura do vampiro realmente se popularizou após Bram Stoker publicar seu Drácula.
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