21 de maio de 2018

Por Nárnia! || Parte IV: Começo e Fim


Eis então que chegamos ao começo… e também ao final de nossa saga. Porque, embora cronologicamente O Sobrinho do Mago seja a primeira das crônicas narnianas, foi o penúltimo livro a ser publicado e isso faz diferença na hora de lê-lo; trata-se de uma história que entrega respostas, que explica mistérios e, embora isso seja importante para a compreensão da mecânica do mundo criado por Lewis, também resulta numa certa perda da magia da primeira descoberta, tal como ocorre em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.

Tratemos logo da história. Tudo começa com duas crianças, vizinhas em Londres: Polly e Digory. Polly é natural da cidade, mas Digory passou a vida no campo e se mudou para a casa dos tios solteirões em razão da doença da mãe e da ausência do pai, que trabalha na Índia.

Brincando nos áticos de suas casas geminadas, Polly e Digory caem no escritório do tio do garoto, Andrew, que se acredita um poderoso mago - o que é irônico a se considerar que o homem depende da mesada paga pela irmã. Fato é que Andrew é um curioso do oculto, tendo criado anéis com uma poeira vinda de Atlântida (!!) capazes de transportar pessoas para outros mundos. Sendo, porém, um covarde, ele engana Polly para fazê-la desaparecer e assim obrigar Digory a ir atrás da amiga. Afinal, é perfeitamente aceitável usar crianças como cobaias, enviando-as para outro mundo sem saber se a viagem dará certo ou que tipo de universo encontrarão do outro lado…

Digory, que certamente não herdou a soberba ou covardia do tio, aceita os anéis criados por Andrew: um amarelo, que faz desaparecer, e o verde, que traz de volta seu usuário para o mundo do qual saíram. E segue para resgatar Polly, encontrando-a num bosque que, na verdade, é um lugar entre lugares, uma espécie de estação interdimensional a partir da qual é possível viajar para diversos outros mundos.

Isso me faz lembrar bastante de Os Mundos de Crestomanci, o que faz sentido, considerando que Diana Wynne Jones foi aluna de Lewis e com certeza leu Nárnia em algum momento da vida… Mas não vem ao caso agora... continuemos!

Curiosas e aventureiras, as crianças decidem ao se reencontrarem que, em vez de voltar de imediato para as garras de tio Andrew, devem explorar um pouco mais as possibilidades daquela viagem. E é assim que eles chegam a Charn, um mundo que está prestes a morrer. Inadvertidamente, Digory desperta a rainha daquele mundo: Jadis, cuja inveja, ressentimento e sede de poder levaram-na a condenar seu próprio povo à obliteração. Ela explica às crianças que foi à guerra contra a irmã, que teria ‘usurpado’ seu trono, e, quando percebeu que iria perder, usou uma antiga magia, ‘a Palavra Execrável’, para matar todos ao seu redor.

Quaisquer semelhanças dos efeitos da Palavra Execrável com a Bomba Atômica não são mera coincidência.

Após uma série de confusões, incluindo uma breve passagem pelo mundo de origem das crianças - para onde Jadis também segue como passageira indesejada - Digory, Polly, tio Andrew, a Rainha, e até um cavalo e seu cocheiro acabam sendo jogados para um outro universo, e isso no instante em que aquele mundo começa a se fazer existir.

"No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável. O cavalo também parecia estar gostando muito, pois relinchou como faria um cavalo de carga se, depois de anos e anos de duro trabalho, se encontrasse livre na mesma campina onde correra quando jovem e, de repente, visse um velho amigo cruzando a relva e trazendo-lhe um torrão de açúcar.

– Meu Deus! – exclamou o cocheiro. – Não é uma beleza?

E duas coisas maravilhosas aconteceram ao mesmo tempo.

Uma: outras vozes reuniram-se à primeira, e era impossível contá-las. Vozes harmonizadas à primeira, mais agudas, vibrantes, argênteas.

Outra: a escuridão em cima cintilava de estrelas. Elas não chegaram devagar, uma por uma, como fazem nas noites de verão. Um momento antes, nada havia lá em cima, só a escuridão; num segundo, milhares e milhares de pontos de luz saltaram, estrelas isoladas, constelações, planetas, muito mais reluzentes e maiores do que em nosso mundo. Não havia nuvens. As novas estrelas e as novas vozes surgiram exatamente ao mesmo tempo. Se você tivesse visto e ouvido aquilo, tal como Digory, teria tido a certeza de que eram as estrelas que estavam cantando e que fora a Primeira Voz, a voz profunda, que as fizera aparecer e cantar.

– Louvado seja! – disse o cocheiro. – Se eu soubesse que existiam coisas assim, teria sido um homem muito melhor.

A Voz na terra estava agora mais alta e triunfante, mas as vozes no céu, depois de entoar com ela por algum tempo, tornaram-se mais suaves.

Longe, perto da linha do horizonte, o céu se acinzentava. Movia-se uma aragem leve e refrescante. O céu naquele ponto tornava-se gradualmente mais pálido. Já se viam formas de colinas recortadas contra ele. E a Voz continuava a cantar.

A luminosidade agora já era suficiente para que se vissem. O cocheiro e as crianças estavam de boca aberta e olhos acesos: bebiam o som, o som que parecia lembrar-lhes alguma coisa. Também a boca de tio André estava aberta, mas não de júbilo. Parecia mais que o queixo dele tinha se separado do resto do rosto. Seus ombros estavam caídos, e os joelhos tremiam. Não estava gostando da Voz. Se houvesse ali um buraco de rato, já teria sumido por ele. Mas a feiticeira olhava como se, de algum modo, entendesse mais daquela música do que ninguém. De boca fechada, lábios contraídos, punhos cerrados, desde que a canção começara, sentia que aquele mundo se enchia de uma magia diferente da sua, e mais forte. E ela a detestava. Teria, se pudesse, esmagado aquele mundo, todos os mundos, só para interromper o canto. O cavalo permanecia de orelhas atentas, pisoteando às vezes o solo. Já não era um cavalo de tração velho e cansado; já se podia até acreditar que seu pai estivera mesmo na guerra.

O céu do oriente passou de branco para rosa, e de rosa para dourado. A voz subiu, subiu, até que todo o ar vibrou com ela. E quando atingiu o mais potente e glorioso som que já havia produzido, o sol nasceu.

Digory nunca tinha visto um sol daqueles. O sol sobre as ruínas de Charn parecera mais velho do que o nosso, mas este parecia mais jovem. Tinha-se a impressão de que ele ria de alegria enquanto ia subindo. E, quando seus raios cobriram a terra, os viajantes puderam verificar em que lugar estavam. Tratava-se de um vale através do qual serpenteava um grande e caudaloso rio, que corria para o leste, na direção do sol. Ao norte, colinas suaves; ao sul, montanhas altas. Mas era um vale apenas de terra, rocha e água; não havia uma única árvore, arbusto ou folhinha de capim.

A terra tinha muitas cores – cores novas, quentes e brilhantes, que faziam a gente exaltar... Até que se visse o próprio Cantor. Então, todo o resto seria esquecido.

Era um Leão. Enorme, peludo e luminoso, ele estava de frente para o sol que nascia. Com a boca aberta em pleno canto, ali estava ele, a menos de trezentos metros de distância."

Embora O Sobrinho do Mago não seja a melhor das Crônicas de Nárnia, posso desculpar muita coisa pelo presente que é a cena da criação do mundo; um mundo cantado à criação. Já comparei antes essa imagem à gênesis de Tolkien, em O Silmarillion, e tenho de dizer que, embora a versão tolkeniana seja mais grandiosa, é a descrição de Lewis que mais me emociona. É como se nós também fôssemos testemunhas daquele acontecimento, como se sentíssemos os efeitos das vozes em harmonia.

Lembro-me de quando li essa cena pela primeira vez, de ter parado o livro e ficado olhando para o nada, perdida dentro da minha própria cabeça, como se no silêncio pudesse escutar de longe os ecos de uma canção.

Seja como for, esse é um livro que nasceu para dar explicações e - pelo menos para mim - isso tira um pouco da magia que Lewis fora capaz de conjurar nos livros anteriores. Saber como o lampião foi parar em Nárnia, ou as origem da Feiticeira Branca, descobrir porque o guarda-roupa serviu como um portal para que os Pevensie atravessassem para Nárnia, ou ainda, ver a primeira aparição de Aslam já como Criador, sem o mistério que envolve sua figura nos livros anteriores… ler tudo isso no começo de tudo parece apequenar os livros que se seguem, tornam Nárnia um pouco mais prosaica quando nos vemos pela primeira vez no ermo do Lampião, ao lado de Lucy, que acaba de conhecer Mr. Tumnus.

Não estou dizendo que Lewis não deveria ter escrito O Sobrinho do Mago. Mas que, por todas essas razões, começar a aventura por ele nos rouba um pouco do encantamento de entrar em Nárnia pela primeira vez.

Terminando, enfim, a jornada, temos a sétima crônica, A Última Batalha, em que, de início, Lewis já nos causa um choque ao estabelecer a ação 'nos últimos dias de Nárnia'. Sabemos que esse é o fim, mas um fim muito mais absoluto do que seria simplesmente o término da série, pois a própria terra de Nárnia vive seu final. Mais que isso, a abertura da história não nos traz crianças valorosas prestes a viver uma grande aventura, mas um macaco malicioso, que usa de um abominável estratagema para estabelecer poder em Nárnia.

Manhoso, o macaco, vizinho de um burro manso mas tolo, chamado, convenientemente, de Confuso, vive convencendo o ‘amigo’ a se colocar em posições de vulnerabilidade a fim de conseguir vantagens para si mesmo. É num desses estratagemas que Manhoso descobre uma pele de leão, costura-a em Confuso e passa a apresentá-lo para os outros animais de Nárnia como ninguém menos que o próprio Aslam. Arvorando-se porta-voz do Grande Leão (e afirmando também ser humano e não macaco), Manhoso faz acordos com os calormanos - que já conhecemos em O Cavalo e seu Menino como um povo traiçoeiro e belicoso - que permitem a destruição das árvores de Nárnia (e, como consequência, o assassinato das dríades) e a escravidão dos animais falantes.

Tirian, então rei em Cair Paravel, tenta fazer frente a Manhoso e convencer os outros animais que as ordens do macaco não podem ser provenientes do Grande Leão, não da forma como as histórias que todos eles ouviram com o passar das eras se passavam. A traição de Manhoso, contudo, é muito maior que apenas um breve lucro comercial com a Calormânia: disfarçados de mercadores, soldados da nação vizinha se infiltraram em Nárnia, e não demora para que estejam em número suficiente para tomar a capital, matando ou aprisionando seus principais opositores.

Capturado junto com seu fiel companheiro, o unicórnio Precioso, Tirian passa uma noite de agonia e desespero, caindo numa espécie de transe, no qual termina por encontrar-se com ‘os amigos de Nárnia’ reunidos - os Pevensie (exceto Susan), Jill e Eustace, Digory e Polly. Tirian implora ajuda, e eles respondem: pela manhã, Jill e Eustace chegam a Nárnia, prontos para o resgate.


A essa altura dos acontecimentos, contudo, é tarde demais. Tendo tomado Nárnia de forma covarde, os calormanos transformaram o campo de batalha em um banho de sangue. E, no centro da ação, onde Manhoso continua com seu teatro, será servido o julgamento final.

A última batalha por Nárnia pode parecer uma luta sem esperança, pois a verdade é que nada que qualquer dos personagens faça pode impedir o que já nos foi dito às primeiras linhas da história: esses são os derradeiros dias daquele mundo. Mas existe uma verdade maior por trás da porta do estábulo por onde vão sumindo os personagens. E existe um Jardim após o julgamento.

Se O Sobrinho do Mago é o equivalente do Gênesis, A Última Batalha é, decididamente, o Apocalipse. Essa é uma história que começa com falsos profetas que prometem trazer uma mensagem divina e fiéis crédulos que se sujeitam sem questionamentos ou reflexões. E termina com o julgamento, e as justas recompensas que cada um fez por merecer, de acordo com sua fé e suas ações.

E no desfecho descobrimos que o lugar que conhecemos desde que entramos pela primeira vez através do Guarda-Roupa era apenas o reflexo do verdadeiro mundo, da verdadeira Nárnia. Como diz o professor Digory (que no passado foi um menino que assistiu à Canção e, depois, foi o anfitrião de quatro irmãos fugindo da Guerra), “Está tudo em Platão...tudo em Platão…”. É o mito da caverna, uma vez mais.

"Então o gigante levou à boca uma trombeta. Sabiam disso porque a silhueta dele contra as estrelas mudara de formato. Depois disso – mas só um pouquinho, já que o som se propaga mais devagar –, ouviram o som da trombeta, alto e terrível, se bem que de uma beleza estranha e fatal.

Imediatamente o céu ficou cheio de estrelas cadentes. Uma única estrela cadente já é algo lindo de se ver. Desta vez, porém, eram dúzias delas, e depois um monte, e depois centenas, até que mais parecia uma chuva de prata – e assim continuou, aumentando cada vez mais. Quando finalmente o espetáculo parou por um instante, alguém do grupo teve a impressão de que uma nova sombra aparecera no céu, assim como a do gigante. Agora, porém, era num lugar diferente, lá em cima, bem no “teto” do céu, por assim dizer. “Talvez seja só uma nuvem”, pensou Edmundo. De qualquer forma, naquele ponto do céu não havia estrelas, só escuridão. Entrementes, em todo lugar à volta o espetáculo de estrelas continuava. Então a mancha sem estrelas começou a crescer, espalhando-se cada vez mais, a partir do centro do céu. Agora já um quarto de todo o céu estava escuro, e depois a metade, e finalmente só se via a chuva de estrelas cadentes, lá embaixo, na linha do horizonte.

Com um misto de espanto e terror, todos subitamente estremeceram ao se darem conta do que estava realmente acontecendo. A escuridão que se propagava não era nuvem coisa nenhuma: era simplesmente um vazio. A parte negra do céu era o lugar onde já não havia mais estrelas. Todas elas estavam caindo. Aslam as chamara de volta para casa.

Os derradeiros instantes que antecederam o fim da chuva de estrelas foram muito emocionantes. Estrelas começaram a cair ao redor deles. Naquele mundo, no entanto, as estrelas não são essas grandes bolas incandescentes do nosso mundo. Lá elas são pessoas (Edmundo e Lúcia já haviam encontrado uma, certa vez). Portanto, eles se viram rodeados de pessoas resplandecentes, todas elas com longos cabelos que pareciam prata em chama e com lanças como que de metal branco ardente, precipitando-se do céu negro na direção deles, mais velozes do que raios. Elas sibilavam ao bater no chão, queimando a grama. E todas aquelas estrelas que passavam voando por eles iam ficando de pé em algum lugar mais atrás, um pouco à direita.

Ainda bem, pois, do contrário, agora que já não havia mais uma única estrela brilhando no céu, tudo estaria completamente escuro e não daria mais para ver coisa alguma. E assim a multidão de estrelas atrás deles emitia uma fortíssima luz esbranquiçada, que refletia por cima de seus ombros. Eles podiam ver quilômetros e quilômetros de florestas narnianas estendidas à sua frente, como se fossem iluminadas por potentes holofotes. Cada moita e quase cada folhinha de grama deixava atrás de si uma sombra negra. Cada folha destacava-se tão afiada e com tanta nitidez, que se tinha a impressão de que se poderia cortar o dedo caso se tocasse nelas.

A própria sombra deles projetava-se na grama à sua frente. Mas impressionante mesmo era a sombra de Aslam. Esta espalhava-se à sua esquerda, enorme e assustadora. E tudo isso se passava sob um céu que, a partir de agora, nunca mais teria nenhuma estrela.
[...]
Finalmente, alguma coisa branca – uma longa linha plana de brancura, que brilhava à luz das estrelas que ali estavam – começou a mover-se na direção deles, vindo do fim do mundo, do lado do Oriente. Um estranho ruído quebrou o silêncio: a princípio era um murmúrio, depois um trovejar distante e, por fim, um grande estardalhaço. E então eles viram que aquilo que se aproximava com tanta rapidez era uma coluna espumejante de água. O mar estava inundando a terra. Naquele mundo despido de árvores dava para ver muito bem. Todos os rios foram ficando cada vez mais largos e os lagos tornando-se maiores; os lagos separados juntaram-se num só, os vales transformaram-se em novos lagos, os montes viraram ilhas e estas também finalmente desapareceram. Os altos pântanos à esquerda deles e as montanhas mais altas, à direita, desintegraram-se com um barulho ensurdecedor no meio da água que se avolumava. A água veio jorrando aos borbotões até bem pertinho da entrada da Porta (mas sem nunca ultrapassá-la), tão perto que espirrava espuma nas patas dianteiras de Aslam. Agora, tudo era uma só extensão de água, desde onde eles se encontravam até o ponto onde a água encontrava o céu.

Então, lá longe, começou a clarear. Uma faixa de tênue alvorada espalhou-se ao longo do horizonte, e foi aumentando e brilhando cada vez mais, até que por fim mal se notava a luz das estrelas atrás deles. Afinal, o Sol apareceu. Ao vê-lo, Lorde Digory e Lady Polly se entreolharam significativamente: os dois já haviam visto, em um outro mundo, um sol moribundo; assim, na mesma hora compreenderam que aquele sol também estava morrendo. Era três vezes – vinte vezes – maior do que deveria ser e vermelho-escuro. Quando os seus raios tocaram o gigante Tempo, este também ficou vermelho; e, aos reflexos desse sol, toda aquela vastidão de águas sem praia parecia sangue.

Então a Lua apareceu, numa posição completamente errada, bem pertinho do Sol; e ela também estava vermelha. E, assim que ela surgiu, o Sol começou a lançar-lhe umas chamas enormes, como se fossem serpentinas de fogo carmesim; parecia um polvo tentando puxá-la para perto de si com seus tentáculos. E talvez tenha sido isso mesmo o que aconteceu, pois a Lua se aproximou dele, a princípio devagar, depois mais rápido e cada vez mais depressa, até que afinal as compridas chamas a envolveram totalmente e os dois se fundiram, transformando-se numa bola de fogo colossal. E daquela enorme brasa ardente começaram a pingar pedaços de fogo, que caíam no oceano levantando nuvens de vapor. Então Aslam disse:

– Que agora haja um fim!"

É importante dizer que, da mesma forma que a cena de criação de Nárnia é de uma beleza comovente, sua destruição é tristemente poética. Lewis tem uma capacidade descritiva impressionante, concebendo imagens poderosas, emocionantes, desoladoras. Sua qualidade narrativa por vezes pode derrapar - trechos muito apressados, ou uma impressão de que ‘há penduricalhos demais nessa árvore natalina’ -, e há ainda muitas outras críticas a fazer (que ficarão para a próxima parte deste especial), mas ele decididamente sabe como fisgar nosso coração.

E é por isso, por mais que saibamos que aquele mundo de que desfrutamos e onde vivemos tantas aventuras, era apenas uma pálida imagem de um paraíso, não deixamos de amá-lo e, por consequência, de sofrer com sua destruição.

(Continua em… ‘Problemático e Inspirador - ou conclusões narnianas’)


A Coruja


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