29 de dezembro de 2022
O Fantasma de Cora: uma investigação de além-morte

A carruagem deixou a estação, e Francine pôde vislumbrar pela primeira vez o que era estar em uma cidade grande. A capital jamais se equipararia ao esplendor e sofisticação dos reinos continentais (ou pelo menos era o que Lady Bibi dizia), mas ainda assim era infinitas vezes mais desenvolvida que o ajuntamento de vilas, pastos e fazendas onde Francine crescera. Maravilhada, debruçou-se sobre a janelinha, incapaz de conter a empolgação.
Francine acaba de chegar a Portomar vinda do interior, armada de muitas expectativas para seu debute e do Livro de Etiqueta e Manual de Cortesia Continental para Ladies da Srta. Hartley. Não demora, contudo, para que suas fantasias com bailes, pretendentes e uma vida de liberdade inspirada na ‘carreira’ de sua tia, Lady Bibi Tulli, sejam arrastadas pela tragédia da morte de sua jovem e frágil prima, Coraline, em plena noite de núpcias - uma morte que não demora a se revelar como assassinato. Para completar, Francine passa a se ver literalmente assombrada pelo fantasma de Cora, e embarca numa investigação perigosa para desvendar o que realmente aconteceu.
23 de dezembro de 2022
O Resumo da Ópera: preparem as cortinas!

Fim do ano chegou e também aquela última rodada de resenhas em que faço um apanhado das leituras do semestre que não ganharam análises mais longas, mas sobre os quais ainda quero falar.
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crítica literária
ensaios
epistolar
fantasia
graphic novel
história
política
Resumo da Ópera
romance histórico
22 de dezembro de 2022
Livros para ler no Verão

Chegamos a mais um início de verão - por aqui, com chuva, para dar uma refrescada no início da manhã. Sentada na varanda, escrevo olhando para o mangue e, lá na frente, o mar… Não que isso faça diferença no grande esquema das coisas, considerando o quanto desgosto de calor e sol cozinhando meus miolos (ainda que eu ande precisando dar umas caminhadas para aumentar a vitamina D….).
20 de dezembro de 2022
A Vertigem das Listas: Dez Filmes Animados Favoritos

Lulu: O tema de hoje é difícil - não pela estranheza ou pelo campo possível de escolhas, mas porque há uma miríade de possibilidades e fechar a lista em só dez é até meio injusto com a gente mesmo. Mas, enfim…
Ísis: Sinal que nossa Rainha é masoquista, sabendo que escolheu um tema só para sofrermos… Mas, bem, masoquista já sabíamos que ela é, né?
15 de dezembro de 2022
A heroína de 1001 faces: O resgate do protagonismo feminino na jornada do herói

Como é estranho, e, ao mesmo tempo, lógico que tantas das nossas metáforas para contar histórias sejam advindas do campo discursivo da produção têxtil. Nós tecemos tramas, enovelamos histórias, compomos contos ou entrelaçamos os fios - uma lembrança de como o trabalho das nossas mãos produziu espaços sociais que promoveram o intercâmbio de histórias, primeiro, talvez, sob a forma de conversa fiada, fofocas e notícias, depois sob a forma de narrativas e outras pepitas de ouro carregadas de sabedoria divertida, transmitida de geração em geração.
Tão logo vi o título desse livro, cresci o olho para ele. Conhecia a Tatar pela coletânea anotada dos Contos de Fadas que a Zahar lançou por aqui, e a referência dupla que ele contém - à jornada do herói e Sherazade numa tacada só - é exatamente o tipo de isca que se usa para fisgar minha atenção. Convenientemente, ganhei-o de presente agora no fim do ano e ele atropelou toda a lista de leituras que tinha por fazer.
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contos de fadas
feminismo
história
jornada do herói
lit. americana
mitologia
não ficção
6 de dezembro de 2022
O Natal dos Fantasmas: por uma ceia com histórias de arrepiar

Como eu disse, o fantasma ortodoxo padrão faz sua aparição uma vez por ano, na véspera de Natal, e fica satisfeito.
Por que na véspera de Natal, de todas as noites do ano, é algo que nunca consegui entender. É sempre uma das noites mais sombrias para se estar ao ar livre ― fria, lamacenta e úmida. E, além disso, na época do Natal, todo mundo tem muita coisa para aguentar, com uma casa cheia de parentes vivos, e não quer os fantasmas dos parentes mortos vagando pelo lugar, tenho certeza.
Deve haver algo fantasmagórico no ar no Natal ― algo sobre a atmosfera fechada e mormacenta que atrai os fantasmas, como a umidade das chuvas de verão traz sapos e caracóis.
E não só os próprios fantasmas andam por aí na véspera de Natal, mas as pessoas sempre se sentam e falam deles nessa data. Sempre que cinco ou seis falantes de inglês se reúnem ao redor de uma fogueira na véspera de Natal, eles começam a contar histórias de fantasmas. Nada nos satisfaz mais na véspera de Natal do que ouvir uns aos outros contando anedotas autênticas sobre espectros. É uma época genial e festiva, e amamos pensar em túmulos, cadáveres, assassinatos e sangue.
Sou suspeita para falar dos livros da editora Wish, com sua proposta de resgate de clássicos por vezes completamente desconhecidos no Brasil, promoção de novos artistas e tradutores, e um cuidado com o texto que casa com um histórico de projetos gráficos que são de encher os olhos em cada mínimo detalhe.
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