Mostrando postagens com marcador sátira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sátira. Mostrar todas as postagens
10 de junho de 2020

As Intermitências da Morte: uma sátira sobre a imortalidade


Apesar de tudo, a morte que agora se está levantando da cadeira é uma imperatriz. Não deveria estar nesta gelada sala subterrânea, como se fosse uma enterrada viva, mas sim no cimo da mais alta montanha presidindo aos destinos do mundo, olhando com benevolência o rebanho humano, vendo como ele se move e agita em todas as direções sem perceber que todas elas vão dar ao mesmo destino, que um passo atrás o aproximará tanto da morte como um passo em frente, que tudo é igual a tudo porque tudo terá um único fim, esse em que uma parte de ti sempre terá de pensar e que é a marca escura da tua irremediável humanidade.

Li esse livro pela primeira vez quando ainda estava na faculdade, acho que logo na época em que ele foi publicado por aqui. Não sei dizer exatamente o que me fez ir atrás do Saramago ou desse título - desconfio que tenha sido por indicação de alguém (talvez a Régis que é muito fã do autor?) -, mas lembro de ter brigado bastante no início com o estilo “estou nem aí para pontuações” do Saramago, mas persistido por achar a história fascinante.


____________________________________

 
4 de janeiro de 2018

Projeto Pratchett: Homens de Armas

"Se você tem que encarar a extensão de uma flecha pelo lado errado, se um homem tem você inteiramente à sua mercê, então torça com toda força para que este homem seja um homem mau. Porque o mal gosta de poder, poder sobre as pessoas, e ele quer vê-lo com medo. Querem que você saiba que vai morrer. Então eles vão falar. Vão se gabar. Vão observá-lo se contorcer. Vão adiar o momento do assassinato como outro homem adiaria um bom charuto.

Então torça com toda a força para que seu captor seja um homem mau. Um homem bom vai matá-lo sem quase dizer uma palavra."
Homens de Armas é o segundo volume das narrativas acerca da Vigilância Noturna na série Discworld, seguindo os acontecimentos de Guardas, Guardas. Capitão Samuel Vimes está prestes a se casar e deixar a Guarda - e, no processo, torna-se o homem mais rico de Ankh-Morpork. A Guarda, por sua vez, está crescendo, tendo recebido em suas fileiras um troll, um anão e uma mulher, como parte de ações afirmativas implantadas pelo Patrício frente ao processo de imigração e conflitos étnicos que estão surgindo na cidade. Os novos recrutas são recebidos pelo Sargento Colon, o Cabo Nobbs - dois veteranos da corporação - e o Cabo Cenoura, um anão de dois metros de altura cujo carisma poderia bem ser classificado como arma de controle de multidões.


____________________________________

 
25 de maio de 2015

Projeto Pratchett: Pequenos Deuses

O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo.
Já resenhei esse livro antes, quando li a edição em inglês nos meus esforços do Projeto Pratchett. Mas agora que o Cara do Chapéu voltou – finalmente – a ser traduzido no Brasil e, para melhorar, começando por um dos meus títulos favoritos da série, eu não poderia deixar de fazer algumas notas adicionais. Especialmente a se considerar a atualidade do debate de Pequenos Deuses.


____________________________________

 
4 de outubro de 2012

Projeto Pratchett: Thud!

"I am the Summoning Dark." It was not, in fact, a sound, but had it been, it would have been a hiss. "Who are you?"

"I am the Watchman."

"They would have killed his family!" The darkness lunged, and met resistance. "Think of the deaths they have caused! Who are you to stop me?"

"He created me.
Quis custodiet ipsos custodes? Who watches the watchmen? Me. I watch him. Always. You will not force him to murder for you."

"What kind of human creates his own policeman?"

"One who fears the dark."

"And so he should," said the entity, with satisfaction.

"Indeed. But I think you misunderstand. I am not here to keep the darkness out. I am here to keep it in."
Praticamente todos os livros de fantasia urbana na série Discworld – especialmente aqueles que se centram na Guarda de Ankh-Morpork – se tornam meus favoritos após uma primeira leitura. Desconfio que quando terminar meu Projeto Pratchett, vou começar a reler todos esses favoritos e abarei por escrever alguma espécie de tese teológica-filosófica sobre o status divino do Cara de Chapéu.

Até lá, ficaremos na apreciação de Samuel Vimes, Comandante da Guarda e Duque de Ankh-Morpork.


____________________________________

 
5 de dezembro de 2011

Para ler: A Magia de Holy Wood

A realidade não é digital, algo que se liga e se desliga, mas analógica. Gradual. em outras palavras, a realidade e uma qualidade que as coisas possuem, da mesma forma como possuem, digamos, peso. Algumas pessoas são mais reais que outras, por exemplo. estima-se que existam apenas cerca de 500 pessoas reais em cada planeta, motivo pelo qual elas vivem se encontrando inesperadamente o tempo todo.

O Disco é tão irreal quanto possível e ao mesmo tempo real o suficiente para existir.

É real o suficiente para ter problemas de verdade.
Este é o último dos livros em português do Pratchett que resenho por aqui. Isso porque, depois dele, só foram lançados mais três, dos quais já falei: O Senhor da Foice, Quando as Bruxas Viajam e Os Pequenos Homens Livres.


____________________________________

 
30 de novembro de 2011

Para ler: O Senhor da Foice

Isso faz parte de um dia de trabalho. Ou faria, se aqui existissem dias.

Click, click, a figura sombria desloca-se com paciência entre as fileiras.

E pára.

E hesita.

Há um pequeno cronômetro dourado, não muito maior que um relógio de pulso.

Ontem ele não estava ali, ou não teria estado se existissem ontens aqui.

Dedos ossudos se fecham em torno dele e o erguem contra a luz.

Há um nome, em letras maiúsculas pequenas.

O nome é MORTE.

Morte pôs o cronômetro de volta e depois o pegou de novo. As areias do tempo se derramavam. Experimentou virá-lo de cabeça para baixo, só pra testar. A areia continuou fluindo, mas para cima. Ele realmente não esperava que acontecesse algo diferente.

Aquilo significava que, mesmo se amanhãs pudessem existir aqui, não haveria amanhã. Não mais.

Houve um movimento no ar, atrás dele.

Morte virou-se devagar e dirigiu-se ao vulto, que se movia de modo indeterminado e indeciso na escuridão.

— POR QUÊ?


____________________________________

 
31 de outubro de 2011

Para ler: Quando as Bruxas Viajam

O Disco existe bem à beira da realidade. As coisinhas sem importância conseguem atravessar para o outro lado. Portanto, no Disco, as pessoas levam as coisas a sério.

Como as histórias.

Porque histórias são importantes.

As pessoas pensam que dão forma às histórias. Na verdade, é o contrário.

As histórias existem apesar de seus participantes. Se você sabe disso, esse conhecimento é poder.

Histórias, grandes fitas vibrantes de espaço-tempo modelado, agitam-se e desenrolam-se pelo universo desde o início dos tempos. E evoluíram. As mais fracas morreram e as mais fortes sobreviveram, engordando a cada vez que eram recontadas...

Histórias, ondulando e agitando-se na escuridão.

Sua simples existência forma um desenho numa camada tênue, porém insistente, sobre o caos que é a História. As histórias deixam sulcos profundos o suficiente para as pessoas seguirem da mesma maneira que a água segue certos caminhos nas encostas das montanhas. Quando novos atores caminham pelo trajeto da história, o sulco fica mais profundo.

Essa é a teoria da causalidade da narrativa. Significa que a história, uma vez iniciada, adquire uma forma. Ela capta as vibrações de todas as suas outras versões já contadas.

Por isso a história continua se repetindo o tempo todo.

Assim, mil heróis roubaram o fogo dos deuses. Mil lobos comeram a vovozinha, e mil princesas foram beijadas. Um milhão de atores passaram, alheios, pelos trajetos da história.

Hoje é impossível para o terceiro e mais jovem filho de qualquer rei — caso ele embarque numa busca em que seus irmãos tenham fracassado — não ser bem sucedido.

As histórias não se importam com quem toma parte nelas.

O importante é que sejam contadas, que se repitam. Ou, se você preferir colocar nestes termos, as histórias são parasitas que manipulam vidas a serviço apenas de si. Somente um tipo especial de pessoa pode reagir e se tornar o bicarbonato da história.

Era uma vez...
Muito bem, já que estamos no dia das bruxas, vamos falar de bruxas! Nós já conhecemos a trindade em Estranhas Irmãs: vovó Cera do Tempo, a líder que as bruxas do Disco jamais ousariam ter; Tia Ogg, terror de todas as noras e Maigrat, a donzela mística e futura rainha de Lancre.


____________________________________

 
24 de outubro de 2011

Clube do Livro (Outubro) - Estranhas Irmãs

Ao contrário dos magos, que adoram uma boa e complicada hierarquia, as bruxas não se interessam tanto por uma elaboração bem estruturada do plano de carreira. Cabe a cada bruxa escolher uma menina a quem transmitir seu lugar quando morrer. As bruxas não são gregárias por natureza - pelo menos, não com outras bruxas -, e certamente não possuem líderes.

Vovó Cera do Tempo era a mais respeitada das líderes que elas não possuíam.


____________________________________

 
17 de outubro de 2011

Para ler: Guardas! Guardas!

- Acredito que você considera a vida um problema porque você pensa que existem as pessoas boas e as pessoas más - começou o homem. - Você está errado, é claro. Existem, sempre e apenas, as pessoas más, mas algumas delas estão em lado opostos.

Ele apontou para a cidade com a mão magra e andou até a janela.

- Um grande mar ondulado do mal - disse, quase como um proprietário. - Mais raso em alguns lugares, é claro, e mais profundo, oh, tão mais profundo em outros. Mas as pessoas como você gostam de fazer pequenas jangadas de regras e boas intenções vagas e dizer: isto é o oposto, isto vai triunfar no fim. Impressionante! - Ele deu um tapa agradável nas costas de Vimes.- Lá embaixo - continuou - há pessoas que seguirão qualquer dragão, adorarão qualquer deus, ignorarão qualquer iniqüidade. Tudo por causa de uma espécie de tédio, deficiência cotidiana. Não a verdadeira repugnância criativa dos grandes pecadores, mas uma espécie de escuridão da alma produzida em massa. Um pecado, pode-se dizer, sem nenhum sinal de originalidade. Eles aceitam o mal. Não porque dizem sim, mas porque não dizem não. Desculpe-me se isso o ofende - acrescentou, dando um tapinha no ombro do capitão -, mas vocês realmente precisam de nós.

- Sim, senhor? - disse Vimes, calmamente.

- Ah, sim. Nós somos os únicos que sabem fazer as coisas funcionar. Sabe, a única coisa que as pessoas boas fazem bem é combater as pessoas más. E você é bom nisso, sou obrigado a admitir. Mas o problema é que isso é a única coisa que você faz bem. Um dia tocam-se os sinos e derruba-se um tirano cruel, e no dia seguinte todos estão reclamando porque, desde que o tirano foi derrubado, ninguém mais recolhe o lixo. Porque as pessoas más sabem planejar. Faz parte da definição, pode-se dizer. Todo tirano do mal possui um plano para dominar o mundo. As pessoas boas parecem não levar jeito.
Por muito, muito tempo, Guardas! Guardas! foi meu livro favorito da série... até esse ano, quando ele foi desbancado por Small Gods que é, do início ao fim, um exercício em genialidade. Mas, bem, sejamos sinceros: há algum livro do Pratchett em que ao fim e a cabo, ele não tenha se mostrado um mestre naquilo que faz?


____________________________________

 
28 de setembro de 2011

Para ler: Pirâmides

NADA ALÉM DE ESTRELAS, espalhadas sobre as trevas como se o Criador tivesse despedaçado o pára-brisa do carro e não tivesse parado para varrer os cacos.
Este é o abismo entre universos, as profundezas gélidas do espaço que não contêm nada além da eventual molécula aleatória, alguns cometas perdidos e...

... mas um círculo de escuridão se desloca levemente e, quando se olha melhor, o que era aparentemente uma dimensão interestelar impressionante se transforma num mundo imerso nas trevas, e suas estrelas são as luzes do que será caridosamente chamado de civilização.


____________________________________

 
1 de junho de 2011

Para ler: O Aprendiz de Morte

Esta é a sala onde são guardados, à luz de velas, todos os marcadores do tempo: prateleiras e mais prateleiras de ampulhetas, cada qual para uma pessoa viva, derramando sua areia fina do futuro ao passado. O chio acumulado dos grãos caindo faz a sala retumbar como o oceano.

Este é o dono da sala, andando com ar de preocupação. Seu nome é Morte.

Mas não qualquer Morte. Este é o Morte cuja esfera particular de ações é, bem, nem um pouco esférica, mas sim o Discworld, que é plano, fica no lombo de quatro elefantes gigantescos - que, por sua vez, sustentam-se sobre a carapaça da enorme tartaruga estelar Grande A'Tuin -, e é contornado por uma queda-d'água a verter no espaço sem fim.

Cientistas calcularam que as chances de uma coisa tão notoriamente absurda acontecer são de uma em um milhão.

Mas os mágicos calcularam que chances de uma em um milhão ocorrem nove a cada dez vezes.


____________________________________

 
30 de maio de 2011

Para ler: Direitos Iguais, Rituais Iguais

ESTA É UMA HISTÓRIA SOBRE MAGIA, O LUGAR para onde ela vai e, talvez principalmente, de onde vem e por que, embora o livro não pretenda responder nem a todas, nem a qualquer uma dessas questões.

Pode, no entanto, ajudar a explicar o motivo de Gandalf nunca ter se casado e de Merlin ser homem. Porque também é uma história sobre sexo, embora muito provavelmente não no sentido atlético e acrobático em que se contam as pernas para dividir por dois, a menos que os personagens fujam ao controle do autor. Pode acontecer.


____________________________________

 
6 de abril de 2011

Para ler: The Fifth Elephant

The first document was entitled: The Fatbearing Strata of the Schmaltzberg Region ('the Land of the Fifth Elephant').

He knew the legend, of course. There had once been five elephants, not four, standing on the back of Great A'Tuin, but one had lost its footing or had been shaken loose and had drifted off into a curved orbit before eventually crashing down, a billion tons of enraged pachyderm, with a force that had rocked the entire world and split it up into the continents people know today. The rocks that fell back had , covered and compressed the corpse and the rest, after millennia of under ground cooking and rendering, was fat history. According to legend, gold and iron and all the other metals were also part of the carcase. After all, an elephant big enough to support the world on its back wasn't going to have ordinary bones, was it?

The notes in front of him were a little more believable, talking about some unknown catastrophe that had killed millions of the mammoths, bison, and giant shrews and then covered them over, pretty much like the Fifth Elephant in the story. There were notes about old troll sagas and legends of the dwarfs. Possibly ice had been involved. Or a flood. In the case of the trolls, who were believed to be the first species in the world, maybe they'd been there and seen the elephant trumpeting across the sky.
Continuando em minha campanha por um mundo melhor, através do aprimoramento literário e espiritual com os livros de Pratchett, trago mais uma resenha para vocês. E não, não estou sendo irônica ou cretina (talvez só um pouco...): todos os livros de Pratchett são uma verdadeira aula de cultura, passando por áreas como a literatura, a física, a história e a religião – para ficar apenas em temas mais óbvios. O cara é uma verdadeira enciclopédia ambulante – e não à toa, já que passou a infância lendo dicionários...


____________________________________

 
30 de março de 2011

Para ler: A Cor da Magia/A Luz Fantástica

NUM DISTANTE CONJUNTO DE DIMENSÕES de segunda mão, num plano astral que não fora destinado a voar, a névoa estelar flutua e se dissipa...

Veja...

Grande A’Tuin, a Tartaruga, surge lentamente nadando pelo abismo interestelar, com gelo de hidrogênio nas patas pesadas e crateras meteoríticas na enorme e primitiva carapaça. Com olhos do tamanho de oceanos cobertos de lágrimas e poeira de asteróide, olha fixamente para o Alvo.

No cérebro maior do que uma cidade, e em lentidão geológica, Ela pensa somente no Peso.


____________________________________

 
2 de março de 2011

Para ler: The Truth

Uma multidão estava reunida em frente a um grande edifício em Welcome Soap, e o tráfego já estava parado até Broad Way. E se isso não bastasse, pensou William, onde quer que uma grande multidão se reunisse, alguém deveria escrever o porquê.

A razão neste caso, era clara. Um homem estava em pé no parapeito da janela do quarto andar, as costas contra a parede, olhando para baixo com uma expressão congelada.

Lá embaixo, a multidão estava tentando ser útil. Não estava na robusta natureza do povo de Ankh-Morpork dissuadir qualquer pessoa naquela posição. Era uma cidade livre, afinal. Assim como seus conselhos.

'É muito melhor tentar a Guilda dos Ladrões!' um homem gritou. 'Seis andares, e então você estará num bom e sólido calçamento! Arrebenta seu crânio de primeira!'

'Há lajes adequada ao redor do palácio', aconselhou o homem próximo a William.

'Bem, certamente', disse seu vizinho imediato. 'Mas o Patrício vai matá-lo se ele tentar pular lá de cima, estou certo?'

'Bem?'

'Bem, é uma questão de estilo, não é?'

'A Torre de Arte é um bom local', disse uma mulher confiante. 'Novecentos metros, quase. E você ainda terá uma boa vista.'

'Claro, claro. Mas você também terá muito tempo para pensar sobre as coisas. No caminho para baixo, eu quero dizer. Não é um bom momento para introspecção, em minha opinião.'

'Olha, eu tenho uma carga de camarão no meu vagão e se eu continuar aparado aqui por mais tempo eles vão ir andando para casa', lamentou um carroceiro. 'Por que ele não apenas salta de uma vez?'

'Ele está pensando nisso. É um grande passo, afinal.'
The Truth, publicado em 2000, é o vigésimo-quinto volume da série Discworld de Terry Pratchett. O livro acompanha a chegada de uma prensa móvel a Ankh-Morpork, o que acaba por causar uma verdadeira revolução na cidade, com a invenção da Imprensa com o Ankh-Morpork Times, primeiro jornal do Disco.


____________________________________

 
1 de janeiro de 2011

Desafio Literário 2011: Janeiro - Literatura Infanto-Juvenil || Os Pequenos Homens Livres

- Sim, dona. A gente tem que fazer isso. Somos gente famosa por roubar as coisas. Num somos, rapazes? A gente somos famosos por quê?

- Roubar! - gitaram os homens azuis.

- E por que mais, rapazes?

- Brigar!

- E o que mais?

- Beber!

- E o que mais?

Houve certa quantidade de pensamentos sobre isso, mas todos chegaram à mesma conclusão.

- Beber
e brigar!

- E tinha mais u'a coisa - murmurou o remexedor. - Ai, é. Contem pra bruaca, rapazes!

- Roubar e beber e brigar! - gritaram os homens azuis animados.

- Contem pra pequena bruaca quem nós somos, rapazes - continuou o remexedor de capacete.

Houve o som de muitas espadas pequenas sendo empunhadas e impelidas no ar.

- Nac Mac Feegles! Os Pequenos Homens Livres! Sem rei! Sem rai'a! Sem senhor! Sem mestre!
Nun seremos enganados novamente!
Comecei o ano passado com Pratchett. Pareceu-me bastante promissor que começasse este ano também com ele. Na verdade, acho que farei disto uma tradição: começar o ano novo lendo algum dos livros de Pratchett. Para ser sincera, estava me coçando para começar a ler Os Pequenos Homens Livres desde que ele chegou, acho que em novembro; mas fiz o possível para me controlar e esperar até janeiro e o início do Desafio Literário 2011.


____________________________________

 

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog