quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Clube do Livro: novembro


Deus e o mundo sabem que nada me deixa mais feliz que livros... exceto, talvez, por chocolate. Ontem chegou mais uma caixa de encomendas - aproveitei a promoção que a Submarino fez por esses dias, de 10.000 livros por dez reais e fiz a festa - e, por curiosidade, eu decidi fazer um inventário dos livros que tenho por ler e que estão se acumulando sobre a minha bancada, tirando da lista os livros de Direito que tenho de ler para estudo/monografia.

Fiquei passada com os números... estou acumulando livros desde antes do meu aniversário e, se li um bocado, também deixei um bocado de lado, ao mesmo tempo em que continuava adquirindo mais e mais volumes.

O que significa que vou deletar todos os emails que me chegarem de promoções com livros até colocar toda minha leitura em dia. Normalmente, sou uma pessoa bastante econômica (minha mãe diria "pão-dura"), mas, aparentemente, livros são o suficiente para despertar em mim uma compradora compulsiva.

Há duas peças de Shakespeare na lista - um dos meus objetivos de vida é ler toda a obra de Shakespeare antes de morrer - Tito Andrônico e Júlio César, que vieram junto com Noturno, de Chuck Hogan e Guillerme Del Toro - livro esse que comprei porque trata de vampiros, terrorismo, fim do mundo e tem o Del Toro com argumentista.

Dos que ganhei de aniversário, ainda não pude mexer em 1808, de Laurentino Gomes, nem em História do Brasil, de Boris Fausto. O Tratado sobre a tolerância, de Voltaire, está em mais da metade. Se eu me sentar com ele mais uma vez, em uma, duas horas, eu termino.

Tem os livros que comprei na Bienal também... Um baile de máscaras e outros contos de Alexandre Dumas é o que está na vez agora e eu estou há quinze dias tentando me sentar para ler o último conto. Depois dele, tem O silêncio branco e outros contos, do Jack London, A Ilha do Tesouro de Stevenson, Ambrose Bierce e a Dama das Espadas, de Oakley Hall (que comprei para usar como inspiraão para Ases... Mas que, à medida que comecei a ler, descobri que não tinha nada a ver...), O 18 brumário de Luís Bonaparte de Karl Marx (que queria ler desde meu primeiro ano na faculdade de jornalismo, quando descobri sobre sua existência num trabalho acerca de... folhetins), as Bucólicas de Virgílio (esse é culpa de Dante) e Histórias de Trancoso, de Gonçalo Fernandes Trancoso.

No dia das bruxas, a Saraiva fez uma promoção que me fez comprar O Mundo de Sofia, de Jostein Gaardner e, desde que esse volume chegou, sinto minhas mãos coçando de expectativa. Faz muito tempo desde que li esse livro pela primeira vez e ele deixou uma grande impressão em mim à época.

Aliás, foi por causa de O Mundo de Sofia que li Fausto de Goethe pela primeira vez... E, qualquer dia desses, eu explico a importância de Fausto na história dos meus dias de faculdade (eu me sinto uma velha falando assim...).

Dessa mesma compra, estou esperando chegar ainda The Folklore of the Discworld, cuja previsão de chegada é de 19 semanas... aff... além de dois volumes de Umberto Eco (um dos grandes amores da minha vida literária): Apocalíptcos e Integrados e Tratado Geral da Semiótica e o terceiro e quarto volumes da coleção Vampire Diaries

O fato de ter deixado jornalismo não afetou meu interesse pelo estudo da teoria da comunicação. Barthes está na minha lista para o futuro...

Aí, ontem, chegaram mais três volumes de Voltaire - Questões sobre os milagres, Conselhos a um jornalista e Cartas filosóficas, além de Escritos de política, do Benjamin Constant e dois do Nick Hornby, Alta fidelidade e Um grande garoto.

Em termos de filósofos, Voltaire é meu favorito, sem dúvida. Em primeiro lugar, ele escreve de forma simples, sem grandes e absurdos floreios e, acima de tudo, com um humor ferino simplesmente delicioso. Sou apaixonada pelas obras dele desde Cândido, história com a qual dei muitas gargalhadas... Não bastasse isso, Voltaire é o filósofo da tolerância por excelência - a maior parte de seus livros traz essa questão em seu bojo.

Assim como ainda gosto de teoria da comunicação, do meu primeiro ano de jornalismo, também devoro teoria política, que tive no primeiro ano de direito. Bem verdade, um dos meus próximos objetivos de vida é fazer mestrado em ciência política. Isso explica a presença do Constant...

Por fim, o Hornby entrou de gaiato na minha última 'lista de compras' porque, embora eu já tivesse ouvido muito falar dele - alguns amigos o têm como 'autor de cabeceira' - e até assistido filmes inspirados em seus livros... eu nunca tinha lido nenhum. Então, quando os vi na promoção, disse com meus botões: "é hoje..."

E, agora me lembro, deve chegar por esses dias mais dois volumes da Julia Quinn que encomendei na promoção do começo de outubro (sete semanas de espera...) - The Duke and I e How to Marry a Marquis. Cacete, do meu aniversário para cá, eu comprei e li pelo menos uns sete livros da Quinn... Fora os que li no computador...

Enfim, ao terminar meu inventário, fiz uma nova resolução interna... vou dar jeito de ler tudo isso antes do final do ano. Ou, pelo menos, a maior parte. Vários deles são volumes pequenos, do tipo que se lê numa tarde; outros tantos, eu comecei a ler e, por um motivo ou outro, tive que parar e acabei depois passando outro na frente...

Percebi também que minha lista tem de tudo... Exceto auto-ajuda (mas se tivesse auto-ajuda, eu me jogava da janela)... e biografia. Há uma pá de livros técnicos, passando do estudo da linguagem para o da política e filosofia, misturados a romances policiais do século XIX e romances açucarados do seculo XIX, fantasia, folclore, história, teatro, vampiros e até um poeta romano.

Talvez eu devesse arranjar uma vida social... ou não, hehe...

Ah, sim, tenhos alguns avisos, recados e convites a fazer... Primeiro, para aqueles que moram em BH, semana que vem começa a exposição Batman 70 anos: uma homenagem. Na abertura, teremos uma palestra da Ana (aewwwww!!!!), cuja tese de mestrado (em psicologia) foi sobre a evolução da concepção de justiça nos quadrinhos de Batman.

E vocês acharam que eu era doida...

Photobucket


Exposição Batman 70 anos: uma homenagem
Palestra de abertura
Data: 24 de novembro de 2009
Horário: 19h
Local: Teatro da Biblioteca (Praça da Liberdade, 21)

Além disso, para quem mora no Recife e, como eu, planejava assistir Lua Nova no fim de semana (no meu caso, especificamente, para morrer de rir - conto depois a cômica história de como foi assistir Crepúsculo ano passado), saibam que os ingressos estão ESGOTADOS ATÉ QUINTA.

Sem comentários... falo disso depois que assistir o filme...

Por fim, já que estamos no assunto, a Ana pediu para avisar aos leitores de ND que voltamos ao normal esse final de semana, pegando carona na empolgação da estréia.

E, por hoje, acho que é só. Deixa eu ir trabalhar...
A Coruja

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lulu em...


Notícia rápida, apenas para partilhar das boas novas...

PASSEI NA OAB!!!! AEWWWWWWWWWWWWWWWWWW!!!!!!!!!!!

Lulu agora é uma advogada. Tudo o que falta agora é vender a alma. Hohohoh...

A Coruja

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Carta ao papai Noel


Em homenagem à estréia do layout natalino (gostaram? Coruja não ficou uma graça com gorro de Papai Noel?), temos hoje uma missiva para o bom velhinho. E vocês, o que gostariam de ganhar de presente de natal esse ano?

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Querido Papai Noel:

Esse ano, eu fui uma boa menina. Eu estudei bastante e deixei papai e mamãe orgulhosos quando me formei. Eu até arranjei um trabalho e decidi continuar estudando ao mesmo tempo.

Eu sempre dou bom dia e digo muito obrigada e peço desculpas quando piso no pé de alguém sem querer. Eu nunca piso no pé de ninguém por querer. Eu tento ser educada com todos e até me escondo quando meu temperamento leva a melhor sobre mim, para não explodir com ninguém que não mereça.

Logo, tendo sido uma boa menina o ano todo, eu mereço presente e não carvão nesse natal. Por isso, estou escrevendo para o senhor, porque pode acontecer de o senhor, com tanta gente no mundo, não se lembrar exatamente o que cada um quer.

Esse ano, eu gostaria de ganhar o presente tempo.

Eu sei, Papai Noel, que esse não é um presente fácil de se conseguir. Ou de embrulhar. A não ser que o senhor decida ser um pouco sacana e me dar uma ampulheta... Mas, veja bem, tempo é exatamente o presente que eu preciso agora.

O negócio é... há tanta coisa acontecendo e tanta coisa que eu gostaria de experimentar, de fazer e, a cada dia que passa, eu descubro que o relógio está girando mais rápido e não sei mais para onde o tempo está indo... Todos os dias, eu penso com meus botões que vai dar tempo de fazer um monte de coisas, mas, quando percebo, o tempo acabou e eu não cheguei nem à metade da minha lista.

Eu quero ter tempo para sair de casa no final da tarde e caminhar na areia; observar o pôr do sol – talvez, como bônus, porque eu fui realmente uma boa menina, o senhor possa me dar vários pôr do sol num mesmo dia, como acontece n’O Pequeno Príncipe, que eu tenho certeza que o senhor já leu.

Eu quero ter tempo para viajar; para conhecer o mundo que conheço apenas dos livros – quero ser uma exploradora, quero embarcar numa caravela e sair por aí descobrindo o Novo Mundo.

Eu quero ter tempo para sentar com um bloco de papel e sair juntando idéias, enredos, personagens; quero ter tempo para criar castelos no ar e, simplesmente, para sonhar.

Quero ter tempo para caminhar e não apenas para correr; para ler e reler todos os meus livros favoritos e não apenas pular parágrafos indo direto para as sentenças-chave – quero ler e não fazer leitura dinâmica.

Quero ter tempo para degustar todos os meus pratos favoritos, em especial os doces e não apenas enguli-los com um copo de qualquer coisa que ajude a comida a descer.

Quero poder parar para ouvir música, e apenas isso. Não ouvir música enquanto estou esperando para chegar no escritório, enquanto caminho para a aula, enquanto volto para casa. Nada de enquanto, eu quero poder simplesmente.

Quero ter tempo para dormir até matar o sono, mesmo que esteja acostumada a despertar em horas impróprias por conta do meu relógio biológico maluco – lembrando que estar desperta não implica em estar acordada. Quero ter tempo para assistir o nascer do sol e não sair quicando da cama e correndo para tomar banho, correr para tomar café, correr para terminar de arrumar a bolsa, correr para não perder a carona, correr, correr, correr...

Quero ter tempo para tomar café com todos os supérfluos possíveis – meia lata de chantilly em cima, borda de chocolate, acompanhado de folhado e pão de queijo.

Quer ter tempo de comer ao de queijo de verdade... Ah, pão de queijo...

Quero ter tempo para dar uma de turista na minha própria cidade, para conhecer os lugares que não conheci numa vida toda por aqui. Quero ter tempo para ir ao cinema com um saco gigante de pipoca e não apenas para baixar os filmes em casa e assistir na tela do PC com uma barra de cereal.

Quero até ter tempo para ler meus processos de cabo a rabo, rindo-me dos ridículos e pomposos termos que alguns advogados metidos usam em suas peças; entender porque diabos estou entrando com esse recurso e não aquele, sem ter de engolir um apenas “porque é assim” do Código.

Se bem que talvez isso seja pedir demais... no mais das vezes, os Códigos nem fazem tanto sentido assim...

Quero ter tempo para viver e não apenas para pular de compromisso em compromisso, passando o intermezzo num limbo em que apenas espero pela próxima obrigação, o próximo prazo a cumprir.

Apesar de todos os meus argumentos, talvez o senhor não possa me trazer o presente que eu quero. Eu até entendo. Não significa que fico feliz, mas eu entendo.

Se o senhor não puder me trazer o tempo de presente, então eu me contento com qualquer um dos livros da minha habitual lista de todos os anos. O senhor sabe qual é, todo ano eu lhe mando uma lista de livros que quero de presente de natal. É o que sempre peço. Esse é o primeiro ano em que peço outra coisa.

Eu ficarei muito feliz com a coleção da História da Vida privada, em que estou de olho há tempos. Ou pode ser aquela do clube de livros e da receita das batatas... esqueci agora o título exato, mas você é o Papai Noel, então você sabe qual é. E o último lançamento do Pratchett; em inglês mesmo, eu não me importo. E aquela edição inglesa de Tolkien com quatro histórias em uma que eu vi no outro dia na Cultura. Ou você pode me dar um vale livro que eu faço a feira, o que acha?

Agora, se o senhor insistir, como insiste todos os anos, em contrabandear roupas para o meio dos meus presentes, poderiam ser vestidos? Eu gosto muito de vestidos.

Obrigada por ter lido até aqui, Papai Noel. Eu sei que o senhor é um bom velhinho e, por isso, não duvido que o senhor tenha lido minha carta até o final – o senhor tem uma grande paciência, eu estou até impressionada.

Talvez a gente se veja no Natal. Vou deixar leite e biscoitos para o senhor.

Um grande beijo.


A Coruja

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vamos à ópera?


Bom dia, meus caros; sentiram minha falta?

Faz quase uma semana desde a minha última atualização... mas tenho excelentes motivos para tanto. Não bastasse a pilha de trabalho que se acumulou na minha mesa semana passada (até ontem, eu estava enfurnada até os ombros nos livros de processo, mas finalmente terminei), teve o concurso da procuradoria no domingo de manhã e deram o prazo para entregar o projeto da monografia da pós.

O que significa que eu provavelmente vou dar umas sumidas aqui e ali, mas farei o possível para não abandonar vocês.

Estou danada da vida com algumas coisas, mas vou ver se consigo resolver tudo sozinha, porque, a essa altura do ano, não sou a única que está atolada de coisas por fazer até o pescoço e estou cansada demais para me irritar quando eu sei que não vai adiantar de nada pedir auxílio aos universitários.

Deixa para lá...

Em todo caso... estou com sono acumulado de domingo para hoje (ainda não consegui recuperar as horas perdidas e estou parecendo um zumbi ambulante), mas por um motivo que valeu muito à pena: eu fui à ópera.

Sim, sim, vocês leram certo. Uma ópera.

Vivemos um tempo de crise cultural. Os jornais estão perdendo espaço para o mundo virtual; todo mundo fala que os livros de papel estão fadados à extinção; a turma dos musicais decidiu que, para sobreviver, estava na hora de usar recursos de cinema, transportando os espetáculos ao vivo para as telonas...

Quem, hoje em dia, freqüenta o teatro, quando pode ter tudo mastigado dentro de casa, com um DVD?

E, no entanto... no entanto, o Teatro Santa Isabel estava cheio no domingo. Absolutamente lotado. Para uma ópera - e não uma daquelas montagens grandiosas estilo Broadway, mas uma tragédia grega: Dido e Eneas.

A montagem foi feita por alunos e professores da UFPE. Do começo ao fim, fiquei absolutamente encantada - especialmente com a orquestra de câmara (o maestro estava tocando num legítimo cravo!) e com o coro.

Eu confesso, eu sempre me emociono com coros.

Descobri da apresentação por puro acaso, no sábado de tarde, lendo o jornal. A ópera estaria em cartaz apenas até o domingo (três dias de apresentação). Fora isso, não houve muita divulgação do espetáculo - ao contrário do show de gravação do DVD do Calypso, que tem outdoors espalhados por toda a cidade...

Não vou comentar. O adágio está absolutamente certo: gosto não se discute... lamenta-se.

Meu ponto é... existe público para esse tipo de montagem, mesmo tendo havido pouquíssima divulgação. Os ingressos - a inteira estava vinte e quatro e a meia, doze reais - provaram que não é preciso chegar a preços estratosféricos para se ter acesso à cultura.

No entanto, lendo as letras pequenas do cartaz, você não encontra nenhum órgão público - exceto pela Universidade, onde os atores são alunos e professores - como apoio ou patrocínio.

Moral da história (se é que há alguma): o que é mais fácil? Dar um cartão corporativo "vale-cultura" no melhor estilo assistencialista de ser ou incentivar iniciativas como esta, barateando os custos e abrindo assim oportunidades para que mais gente possa ir assistir aos espetáculos?


A Coruja

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Crimson Mark - O Retorno (até que enfim...)

Olá, pessoas.

Antes de mais nada, eu quero encarecidamente pedir desculpas a vocês por esse longo e forçado hiatus que tivemos de suportar. Foram quase dois meses de ausência e eu realmente sinto muito por isso. Mas, às vezes, a vida real tem um certo jeito de virar tudo de cabeça para baixo, de nos jogar sem aviso no olho do furacão e, quando vamos perceber, o caos já está instalado.

Não vou dar mais desculpas, porque parece que é só isso que fazemos nos últimos tempos. Esse tempo que se passou foi algo como uma espécie de período de adaptação para todos nós e eu espero sinceramente que ele tenha sido o suficiente para que achemos nosso pé e consigamos equilibrar nossas vidas pessoais com nosso prazer pela escrita.

Quero agradecer a todos pela compreensão, carinho e respeito que tiveram conosco. Por terem entendido que apesar de amarmos o que fazemos - e amarmos vocês pela companhia e pelas respostas que nos dão - nem sempre podemos agir irrestritamente nessa vocação.

Sim, porque todos nós, da equipe Crimson Mark, somos antes de tudo, escritores. Temos alma de escritor - e digo isso sem me dar ao trabalho de falsa modéstia. Amamos acima de tudo aquilo que fazemos e, sempre que nos afastamos um pouco disso, ficamos meio que perdidos sem saber o que fazer.

Fica então aqui as nossas desculpas e o nosso muito obrigado. E agora, vamos parar de choradeira, que já deu tempo de arrumar a casa e botar essa 'budega' para frente. Hoje, estamos de volta com Amaterasu; amanhã o Expresso retorna e, se tudo der certo, domingo, New Dawn traz alguns presentes para vocês também.

Por hora, fiquem com capítulo novo de Madrigal.

Romance-Drama-Musical/G


Deixa eu voltar para o trabalho agora, que estou enrolada até o pescoço e com um mundo de coisas para resolver...

A Coruja

domingo, 1 de novembro de 2009

Ah... e os musicais estão de volta


Esse feriado foi excelente – deu para ler, escrever e assistir um bocado de coisas. Há tempos que eu não tinha tanto tempo para fazer as coisas que gosto e os últimos três dias foram passados apenas relaxando. Nada de livros de processo, nada de apostilas, nada de se preocupar com a procuradoria.

Um tema foi meio predominante no final de semana: musicais.

A essa altura da vida, os leitores do Coruja provavelmente já sabem que eu adoro música... Que participei de corais durante uns dez anos, cheguei a fazer violão e só escrevo com trilha sonora ao fundo.

Nada mais lógico, pois, que eu goste de musicais.

Pois bem. Este final de semana, tive a oportunidade de conhecer uma série musical e assistir de novo dois dos meus filmes musicais favoritos.

Dos filmes, talvez vocês já tenham ouvido falar.

Across the Universe traz uma história passada à época da Guerra do Vietnã, um romance entre um imigrante ilegal inglês e uma jovem americana engajada, embalado por músicas dos Beatles. Mamma Mia, por sua vez, é uma comédia, com o ABBA servindo para contar a grande confusão de uma garota tentando descobrir qual dos três namorados descritos no diário da mãe é seu verdadeiro pai.

O que realmente me pescou esse feriado, contudo, foi a série. Glee ainda não estreou aqui no Brasil, mas graças ao Orkut (de alguma coisa ele tem de servir...) eu já assisti os oito primeiros episódios.

Das críticas que ouvi por aí, as pessoas têm dito que Glee se ancora no sucesso de High School Music. Que é uma cópia da franquia da Disney, e blá, blá, blá. Tendo assistido já um bom tanto da série, devo dizer que discordo dessa opinião.

Glee gira em torno do grupo coral de um típico colégio americano dominado pela treinadora das líderes de torcida. A mulher é doida de pedra, um verdadeiro dragão, que chega a chantagear o diretor da escola – um indiano – para conseguir o que quer.

O Clube Glee, contudo, conta com a direção de outro professor, Will, o típico boa-praça, que ensina espanhol na escola e, em sua época como estudante, foi ele mesmo um corista do clube.

Mas as verdadeiras estrelas do seriado são os integrantes do coral, cada qual mais louco que o outro; cada qual mais estranho que o outro.

O clube acaba por congregar todas as minorias – todos aqueles que não são apenas impopulares, mas sim os párias da escola, os membros mais inferiores da escala hierárquica de uma High School.

Temos uma judia, filha de pais homossexuais (ela foi adotada), grande estrela do coral que acha que o mundo gira em torno de seu umbigo; uma negra gordinha; uma asiática gótica; um paralítico de cadeira de rodas e um gay mais ou menos assumido, os quais são o núcleo original do clube.

Mais tarde, o professor irá manipular a estrela do time de futebol e cara mais popular da escola (embora não saiba, nas palavras dele mesmo, diferenciar esquerda de direita) a entrar para o coro e, na esteira dele, acabam vindo três das animadoras de torcida (uma delas a “rainha” da escola, namorada do jogador, presidente do clube de celibato e espiã da treinadora maluca sobre a qual já falei anteriormente) e outros três jogadores do time.

Glee é muito diferente de HSM por diversos fatores. Para começo de conversa, as músicas não são veículo para contar a história propriamente dita, mas são apresentações do coral. Elas não fazem parte da narrativa.

Em segundo lugar, nada do puritanismo da Disney. Ou de maniqueísmo simplista. Os personagens, mesmo aqueles que rotulamos “mocinhos” têm uma verve mais maquiavélica; eles mentem, manipulam, fingem, traem... E aqueles que consideraríamos os “vilões” nos surpreendem diversas vezes com atitudes que jamais pensaríamos possíveis para eles.

Mais que qualquer outra coisa, contudo, Glee se relaciona ao trato das minorias. E essa relação de minoria, trauma e música não me é desconhecida.

Inicialmente, só havia um garoto no coral... e, por causa disso, ele ouvia um bocado dos colegas, que consideravam aquilo coisa de “mulherzinha”. Mais tarde, outros garotos entraram (e tudo começou graças a uma aposta em cima de uma corrida de Fórmula 1. Até hoje, quando a velha guarda se reúne, agradecemos ao Rubinho por ter perdido aquela corrida...).

De uma forma geral, nossa turma de coristas era formada inteiramente de minorias. Na época, eu não tinha percepção disso, perdida no meu próprio mundo literário e pouco me ligando para quem não estava no meu círculo de amigos, mas nós sofríamos um pouco de bullying; o suficiente para que algumas pessoas que me são muito queridas terem saído do colégio com traumas que nem tão cedo vão deixar de assombrá-los.

E o coral foi um grupo de apoio para esse pessoal; na sala de Tia Nadir, nós tínhamos liberdade para criarmos nossa própria família, para escrever bobeiras (Melodia Boêmia - vide seção 'Corujices' - nasceu lá), para cantar em agudos ensurdecedores ou aquecer a voz com cantigas ridículas ("Eu vi teu pai, tua mãe e tua tiaaaaaaaaaaa... na ruaaaaaaa fazendo aaaanaaarrrrquiiiiiiiiia!").

Talvez essa parte de me identificar com os personagens (se bem que não há nenhum dos personagens que realmente identifique Lulu no colegial... embora eu tenha conhecido uma "Rachel", um "Finn", um "Puck" e uma "Tina" (que não era apenas gótica, mas era a própria MORTE) tenha sido o grande fator para ter me pescado para a história...

Estou, enfim, ansiosíssima para assistir o nono episódio, dia 11. Irá Will se tocar que a esposa está enganando-o com a história da gravidez? Revelará Quinn que Puck é o verdadeiro pai de seu filho? Ficarão, enfim, com o caminho livre, Rachel e Finn? Qual será o próximo plano infalível de Sue Silvester? E o que o clube Glee cantará na seletiva para as regionais?

Essas e outras perguntas, nos próximos episódios de Glee!

Carimbo de Lulu recomenda nele! (acho que vou fazer um carimbo no photoshop para colocar nesses posts... hohoho... até parece...)




A segunda e terceira voz ao fundo me fez lembrar dos meus dias de coral... O Canto de Tupã... Meia hora só fazendo dungundundundudndugundudundun.........

A Coruja

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por um pouco de magia...


Não sou a única a comparar o ofício de escrever a fazer mágica. Escritores são os magos da palavra, capazes de criar uma segunda realidade, suspendendo o tempo e o espaço, fazendo-nos mergulhar em suas fantasias.

Não à toa, livros são capazes de criar uma dimensão paralela que serve como portal entre mundos.

Por esse e outros motivos, eu não poderia deixar de lembrar aqui no Coruja o Dia Nacional do Livro.

E, já que estamos a falar de fantasia e de histórias em plena semana das bruxas, nada melhor que uma história cheia de personagens mitológicos celtas - afinal, o Halloween era, originalmente, uma festival druida chamado Samhain (eu vou tentar escrever um pouco sobre isso depois).

O conto que vocês lerão a seguir faz parte de um futuro projeto do Expresso e eu aproveito para publicá-lo aqui também para fazer a propaganda da volta dos sites essa semana (e já não era sem tempo, não é mesmo?).

Escrevi Kelpie depois de uma alta dose de Gaiman (tinha ganho três livros dele de aniversário e li um atrás do outro), embalada pelas trilhas de Atonement, King Arthur e, é claro, The Lord of the Rings. Ele faz parte de uma pequena coletânea de três contos envolvendo "lendas das Hébridas".

Para quem não faz idéia do que eu estou falando... Mina, minha personagem no Expresso, é das Ilhas Hébridas e, como eu tenho um ou dois parafusos a menos, volta a meia além de escrever a história dela, eu desenvolvo detalhes do background dela, da família e da ilha - detalhes que, tecnicamente, não entrariam em canto nenhum da história.

Como eu tinha esse monte de detalhes e idéias na cabeça, nasceu a idéia da coletânea. Eu ia publicá-la como especial de aniversário do Expresso em julho, mas por um motivo ou outro, depois de escrever Kelpie de uma sentada só, eu travei nos outros dois.

Talvez se vocês comentarem, isso me anime o suficiente para conseguir destravar dos dois outros contos. O que acham?

De uma forma ou de outra, não é necessário acompanhar o Expresso para entender Kelpie... e, quem leu Hades, certamente vai compreender perfeitamente o conceito de Antiga e Alta Magia.

Mas estou enrolando vocês, como de hábito (aparentemente, eu acho que vocês são carretéis de linha para serem enrolados). Depois de fazer toda essa propaganda, a melhor coisa que tenho a fazer é calar a boca e deixar que leiam em paz.

Apenas duas pequenas curiosidades/lembretes... Os machos dos cavalos-marinhos é que carregam a prole na barriga (essa é uma observação válida, porque a Ísis, quando leu e revisou, perguntou como era possível e eu expliquei com isso... vocês entenderão quando lerem...)... e o nome Philip significa algo como "amigo dos cavalos".

Vocês também entenderão essa observação quando estiverem lendo...

E agora... senta que lá vem a história...


Apenas uma criatura era tão temida quanto os dragões no exército do Belo Reino. Chamavam-nos indistintamente de kelpies, os cavalos aquáticos que atraíam humanos para suas casas no fundo dos lagos, para então devorá-los...


Uma última observação antes de me despedir... Vou fazer endoscopia amanhã e, como toda vez que faço endoscopia eu apago pelo dia inteiro, existe uma boa probabilidade de que eu não apareça mais essa semana, porque, além de tudo, viajo para Gravatá de noite.

Não temam, contudo! Se tudo der certo, estarei de volta domingo com o terceiro capítulo de Ases. Ou com alguma outra loucura sobre a qual eu queira eventualmente escrever...

Sendo assim... Divirtam-se no Dia das Bruxas. Doces, alguém?

A Coruja