20 de março de 2019

Desafio Corujesco 2019 - Um Livro sobre Música || Dreams Underfoot


I don't think the world is the way we like to think it is. I don't think it's one solid world, but many, thousands upon thousands of them--as many as there are people--because each person perceives the world in his or her own way; each lives in his or her own world. Sometimes they connect, for a moment, or more rarely, for a lifetime, but mostly we are alone, each living in our own world, suffering our small deaths.

Quando decidimos por esse tema no Desafio Corujesco, pensei com meus botões que não fazia nem ideia que título escolher para ele… e, logo em seguida, lembrei do Charles de Lint e da minha promessa pessoal de ler mais da bibliografia do autor. Como muitos dos seus personagens trabalham com música, imaginei que seria simples encontrar um título que coubesse para o desafio. De fato, lendo as sinopses, havia várias possibilidades… Então, decidi-me por Dreams Underfoot, o primeiro volume da série Newford, que é a obra mais famosa do Lint.


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18 de março de 2019

To Say Nothing of the Dog (ou Como Finalmente Foi Achado o Vaso do Bispo)


Porque em torno de um ponto de crise, até mesmo a menor ação pode assumir importância desproporcional ao seu tamanho. As consequências se multiplicam e se transformam em cascata, e qualquer coisa - uma ligação telefônica perdida, uma coincidência durante um blecaute, um pedaço de papel solto, um único momento - pode ter efeitos ruinosos. O motorista do arquiduque Ferdinand faz uma curva errada para a rua Franz-Josef e inicia uma guerra mundial. O guarda-costas de Abraham Lincoln sai para fumar e destrói a paz. Hitler deixa ordens para não ser perturbado porque ele tem uma enxaqueca e descobre sobre a invasão do Dia D dezoito horas mais tarde. Um tenente não consegue marcar um telegrama "urgente" e o almirante Kimmel não é avisado do iminente ataque japonês. “Por falta de um prego, a ferradura foi perdida. Por falta de uma ferradura, o cavalo foi perdido. Por falta de um cavalo, o cavaleiro se perdeu."

Desde que tive meu primeiro contato com Connie Willis, cheguei à rápida conclusão de que queria ler tudo o que essa (incrível) mulher tinha escrito. Comecei pelos contos - cada um melhor que o outro - segui pela monta-russa emocional de O Livro do Juízo Final e no ritmo frenético de Interferências e agora cheguei a To Say Nothing of the Dog que, hilariantemente, foi o primeiro livro que o Enrique (a pessoa que abençoadamente me apresentou à obra dessa criatura) me indicou.


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10 de março de 2019

Empilhando no Escaninho #36 (Os Links da Coruja)


Estive um pouco sumida nos últimos dias, mas tenho uma boa desculpa dessa vez: fiz uma amigdalectomia no final de fevereiro e passei os últimos dias de repouso. Talvez depois eu escreva um post sobre o assunto e convide todo mundo para uma boa moela ao molho (alerta de piada interna).


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23 de fevereiro de 2019

A Vertigem das Listas: Dez (outras) Coisas pelas que Estamos Ansiosas em 2019


Ísis:Olá leitores! Bem-vindos a mais um Vertigem das listas, especial de uma década neste ano de 2019! Como estão os começos de ano? Espero que estejam indo bem. Para dar uma nota mais otimista, apresentamos aqui Dez Coisas que Esperamos Ansiosamente em 2019, inspirado no vertigem de dezembro de 2017.


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18 de fevereiro de 2019

Um Império de Gelo: a Idade Heroica da Ciência na Antártica


Wilson era tão decidido quanto Scott e juntos eles ditavam o tom da expedição. Um dia depois que a equipe Crozier partiu, Scott abriu um caderno novo citando Thomas Henry Huxley: "O maior objetivo que os seres humanos podem determinar para si mesmos não é a busca de nenhuma quimera como a aniquilação do desconhecido, mas é simplesmente a tentativa incansável de mover suas fronteiras um pouco adiante". Alguns dias depois, acrescentou seu próprio aforismo: "O fato é que a ciência não pode ser servida por métodos 'diletantes', mas exige uma mente estimulada pela ambição ou pela satisfação de ideais". Essas palavras refletiam tanto a visão de Scott sobre a Jornada de Inverno de Wilson quanto uma perspectiva sobre a ciência, a exploração e a vida que esses dois camaradas compartilhavam.

Tempos atrás, lendo Ex-libris: Confissões de uma Leitora Comum, deparei-me com um capítulo em que a autora falava de sua devoção a histórias acerca de expedições polares. Lembro de ter ficado impressionada com a empolgação dela e de me decidir a procurar também livros no tema. Foi assim que cheguei a No Reino do Gelo, que me deixou impressionada e foi por isso também que Um Império de Gelo entrou na minha lista de desejados. Acabei ganhando ele de presente da Tatá, lá do Randomicidades, no fim do ano passado e o resto, como se diz por aí, é história.


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14 de fevereiro de 2019

Desafio Corujesco 2019 - Um Clássico Brasileiro || Esaú e Jacó


- Mas o que é que há? Perguntou Aires.

- A república está proclamada.

- Já há governo?

- Penso que já; mas diga-me V.Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto, uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. —‘Confeitaria do Império’, à tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V.Ex.ª crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?

- Isso não sei.

- Pessoalmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo…

- Mas pode por ‘Confeitaria da República’…

- Lembrou-me isso a caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje e perco outra vez o dinheiro.

- Tem razão… sente-se.

- Estou bem.

- Sente-se e fume um charuto.

Custódio recusou o charuto, não fumava. Aceitou a cadeira. Estava no gabinete de trabalho, em que algumas curiosidades lhe chamariam a atenção, se não fosse o atordoamento do espírito. Continuou a implorar o socorro do vizinho. S. Exª. com a grande inteligência que Deus lhe dera, podia salvá-lo. Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses — ‘Confeitaria do Governo’.

- Tanto serve para um regime como para outro.

- Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida… Há, porém, uma razão contra. V.Exª. sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem a tabuleta; entretanto o que eu procuro é o respeito de todos.

Escolhi esse título para o tema do mês no Desafio Corujesco porque, com ele, eu faria um verdadeiro massacre de coelhinhos com uma só cajadada (nada contra coelhos, a culpa é do ditado popular). Primeiro, esse é um dos poucos romances de Machado que eu ainda não tinha lido (na época de colégio li todos que eram indicados em vestibular e mais alguns por conta…); segundo, ele seria um dos livros debatidos esse ano no Clube do Livro de Bolso e, terceiro, pela sinopse, era um livro que tratava da política na virada da monarquia para a república e questões de política em romances sempre me interessam.


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Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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