8 de abril de 2018

Sobre Pratchett, traduções e como ler a série Discworld


Ano passado, quando Homens de Armas tinha sido anunciado pela Bertrand, lembro e que houve um debate no grupo Discworld Brasil sobre qual seria a melhor tradução para o título. Para esse ano, a editora já confirmou a publicação de Soul Music e Wintersmith (além de The Long Earth, que não pertence a série Discworld) e a questão dos títulos voltou a surgir na comunidade.

Lembro de pensar com meus botões, desde a primeira leitura da série, o quanto era difícil traduzir Pratchett: ele é um mestre de trocadilhos e referências e isso significa encontrar gracejos equivalentes para língua em que se está fazendo a tradução - até porque, considerando que ele utiliza muito da cultura popular britânica, nem sempre é possível fazer a tradução literal. Ditados populares, referências históricas, brincadeiras com a sonoridade das palavras; sem o devido cuidado, é muito fácil perder o espírito original da obra de PTerry.

Faz um tempinho já que queria escrever sobre esse assunto; na verdade, eu vivo na expectativa de encontrar ganchos para falar do Pratchett; tenho uma saudade enorme da época em que estava lendo um livro dele por mês para poder resenhar por aqui. Assim, aproveitando a deixa do debate sobre traduções, decidi que poderia dar meus dois centavos sobre o assunto… Afinal, não me arvoro nenhuma especialista, mas passei a última década lendo e relendo a série, um livro atrás do outro, pesquisando para entender os trocadilhos e referências obscuras que sir Terry gostava de fazer, tentando traduzir sotaques meios absurdos para uma língua mais compreensível (Carpe Jugulum, estou olhando para você) e pregando a palavra de PTerry sempre que possível.

Ok, então… para começar, embora os mais de quarenta livros da série Discworld não sejam exatamente continuação um do outro, há grupos de livros em torno de um mesmo personagem que seguem uma ordem cronológica. Na minha experiência, dá para ler mesmo fora dessa ordem - as histórias, exceto pelos dois primeiros volumes, são bastante independentes. Mas há uma graça especial em acompanhar a evolução dessas criaturas, em saber como eles começaram e ver como eles mudam com os acontecimentos de um volume para o outro.

Na minha opinião, a melhor forma de compreender todo esse universo - especialmente se essa for a primeira leitura - é seguir a ordem de publicação. Isso porque muitas vezes personagens de um grupo narrativo aparecem em livros nos quais não são protagonistas e há a evolução da escrita, dos conceitos e da forma de pensar do Pratchett.

Mas, se você estiver numa releitura, ou talvez se interesse apenas por um grupo de personagens do Disco, é possível seguir uma… ordem interna para cada linha narrativa da série. Tipo, os livros dos magos, os livros das bruxas, aqueles em que Morte é o protagonista, ou que trazem a Guarda em destaque. Sendo assim, vou dividir esse artigo em ‘sub-coleções’ dentro da série principal, seguindo a cronologia de quando cada grupo foi publicado. Farei um apanhado geral de Discworld, com comentários sobre possíveis traduções de títulos, isso levando em conta os enredos, e mesmo os títulos em outros idiomas além do inglês. Alguns spoilers podem aparecer pelo caminho, mas prometo que não irei muito além do que é possível compreender lendo apenas as sinopses de cada livro, ok?

Vamos começar!

Rincewind e os Magos da Universidade Invisível


Rincewind, também conhecido como o mago mais covarde e mais inútil da história, constantemente se vê colocado em situações de extremo perigo, sendo transformado assim em herói relutante. Ele foi o primeiro protagonista da série, apresentado em A Cor da Magia e na continuação imediata, A Luz Fantástica - livros em que serve como guia e tradutor para Duasflor, o ingênuo turista do Império Agateano; aliás, o primeiro turista na história do Disco, e onde também salva o mundo do Disco de sua potencial destruição.

De Duasflor, Rincewind ganha de presente um baú de madeira sapiente, também conhecida como a Bagagem. A Bagagem é um ser consciente, capaz de se locomover por conta própria com dezenas de pezinhos, seguindo seu dono implacavelmente, ainda que para isso seja necessário atravessar dimensões. Ela também tem dentes, língua e um instinto homicida bastante apurado.

Também aparece nesses primeiros livros Cohen, o Bárbaro, considerado o maior herói guerreiro da história do Disco, que chegou aos oitenta (ou talvez noventa anos - ele não sabe bem a idade que tem) sem deixar de se meter em grandes e heróicas empreitadas - mesmo sem ter quase mais dentes e com problemas de coluna e outras doenças da idade.

Rincewind aparece também em O Oitavo Mago. Oito é um número místico no Disco, sendo a oitava cor do arco-íris - octarina - magia em estado puro. Assim é que o oitavo filho de um oitavo filho é sempre um mago… e o oitavo filho de um mago, por sua vez é um ser de poderes inimagináveis: um feiticeiro, capaz de trazer o próprio fim do mundo com sua magia. Sobrará para Rincewind, mais uma vez e de forma relutante, salvar o mundo. A esse volume se segue Eric, que é quase uma noveleta reprisando o Fausto de Goethe - referência que aparece inclusive na capa do livro -, com Rincewind no papel de Mefistófeles.

Todos esses citados foram traduzidos na primeira leva da Conrad.

O quinto livro das aventuras de Rincewind é Interesting Times, uma referência ao que se acredita ser uma maldição chinesa (mas que mais provavelmente foi cunhada por ingleses, que então adicionaram a ela a pecha de chinesa): “que você viva em tempos interessantes” - em outras palavras, num tempo de guerra, calamidade e revoluções. Neste livro, Rincewind é levado ao Império Agateano, que está às portas de uma revolução cultural inspirada pelo livro “O que Fiz em Minhas Férias” (dez pontos para quem adivinhar quem é o autor do livro…). Lá ele reencontra Cohen, junto à Grande Muralha do Império e descobre que o primeiro nome do bárbaro é Ghenghiz.

E isso é o que você precisa saber para saber o que vai acontecer a seguir...

A tradução literal do título, Tempos Interessantes, no meu ver, seria a melhor possível, até porque a ‘tradicional maldição chinesa’ é a epígrafe com que a história é aberta - e é, provavelmente, a frase que Rincewind mais teme ouvir, já que nada o faria mais feliz que viver em tempos de paz, calmaria e tédio. Os franceses, no entanto, traduziram para Les tribulations d’un mage en Aurient, ou “As tribulações de um mago no Oriente”, um título perfeitamente normal e óbvio, que perde toda a graça do original... exceto que me lembraram (depois que já tinha até postado esse artigo, então essa é uma adição posterior) que Jules Verne escreveu um livro intitulado Tribulações de um Chinês na China, de forma que a tradução francesa faz uma brincadeira com uma obra conhecida de um escritor francês.

O livro seguinte é The Last Continent, no qual Rincewind é transportado por engano para o grande continente de XXXX, onde a probabilidade de encontrar animais que não sejam venenosos/predadores naturais/extremamente perigosos a cada curva ou esquina é próxima a zero - e cujas semelhanças com a Austrália não são meras coincidências. O título O Último Continente me parece uma alusão ao fato de que a Oceania foi o último continente a ser descoberto (ao menos, do ponto de vista dos europeus…). A tradução literal seria cabível, mas confesso que, nesse caso, também gosto do nome em espanhol: El Pais del Fin del Mundo.

Em The Last Hero, ou O Último Herói, Rincewind se apresenta pela primeira vez como voluntário para uma missão de extremo perigo visando a preservação do mundo. Isso porque ele sabe que, se tentar fugir, alguma coisa acontecerá para arrastá-lo para a aventura contra sua vontade; indo voluntariamente, pelo menos ele tem tempo de se organizar e levar a maior quantidade de itens de sobrevivência possível. Bom observar que esse livro foi lançado em formato maior e totalmente ilustrado, diferente de outros volumes da série. O título pode ser entendido tanto em relação a Cohen e sua Horda Prateada (grupo de heróis idosos decididos a explodir a morada dos deuses do Disco em vingança por todas as perdas que sofreram em sua história) quanto ao Capitão Cenoura, da Guarda de Ankh-Morpork, que faz parte do grupo que parte para impedir os velhos heróis de cometer sua vingança (e, no processo, destruir o mundo) e é, por assim dizer, o último herói numa longa linhagem de campeões.

O último dos volumes de Discworld que traz os magos da Universidade Invisível no centro da ação é Unseen Academicals e é um paralelo da história do futebol, especialmente a times de futebol de universidades britânicas; além de trazem embrulhado em seu enredo um romance que mistura Romeu e Julieta com Cyrano de Bergerac. "Acadêmicos Invisíveis" é um título meio enganador, porque parece falar de estudiosos que são invisíveis… ou, talvez, de uma escola de samba do carnaval e a intenção é que ele soe como o nome de um time - o time da Universidade Invisível. Nesse aspecto, gosto da solução encontrada em espanhol, El Atletico Invisible: “Atlético Invisível” parece mais com um nome de time quando vertido para o português.

Importante lembrar que existem alguns contos do Pratchett que também entram na linha do tempo dessas histórias… para resumir e encaixar os contos também, segue a lista dos livros que têm os magos como personagens principais, na ordem:

A Cor da Magia → A Luz Fantástica → O Oitavo Mago → Eric → Troll Bridge (conto) → Interesting Times → The Last Continent → os quatro volumes de The Science of Discworld (que misturam capítulos com explicações sobre o universo e tudo o mais, com capítulos que trazem os magos e suas aventuras com o ‘mundo redondo’, escrito em colaboração) → The Last Hero → Unseen Academicals → A Collegiate Casting-Out of Devilish Devices (conto)

Morte


Morte do Disco é uma paródia de diversas personificação da morte em várias obras - dos livros e dos cinemas. Usando a tradicional aparência de um esqueleto vestido num manto negro, segurando uma foice, Morte - e sua família - protagonizam cinco títulos de Discworld. O primeiro deles é O Aprendiz de Morte, no qual ele contrata um rapaz para servir como seu aprendiz e, ao mesmo tempo, tentar entender melhor a humanidade, ao que se segue O Senhor da Foice, no qual Morte é afastado de suas funções pelos Auditores da Realidade, por ter se tornado muito próximo dos humanos - e isso acaba por gerar um grande problema no Disco, sem ninguém para levar as pessoas que acabam de morrer para sua próxima vida/realidade/julgamento.

Soul Music, que deve ser publicado aqui no Brasil esse ano (a previsão é que saia ainda no primeiro semestre), é o próximo. Nesse livro somos apresentados a Susan Sto. Helit, a neta de Morte - filha do aprendiz que ele tomara no primeiro livro e da filha adotiva que ele tinha - tentando fazer sentido de sua herança como neta da personificação antropomórfica de um conceito; enquanto Morte tenta esquecer suas próprias perdas e o bardo Imp revoluciona a história com a ‘música com pedras’.

Esse é um título que eu preferiria não traduzir, porque (1) faz referência a um estilo musical, música Soul, embora o rock’n’roll seja a música que está realmente tomando o Disco; (2) é um trocadilho no seu sentido literal de ‘música da alma’ e os personagens (em especial Morte) têm muitos momentos de introspecção perscrutando suas próprias almas e (3) é uma expressão suficientemente conhecida para não precisar de tradução.

Em francês, o título foi traduzido como Accros du Roc, que tanto pode ser lido como “Viciado em Rochas” como “Viciado em Rock” - e a música feita por Imp é chamada de ‘música com pedras’, o que faz sentido no contexto. Em espanhol foi mantido Soul Music.

Em seguida temos Hogfather, Pai dos Porcos, que traz Morte ocupando o lugar de uma entidade semelhante ao Papai Noel num importante feriado do Disco, a Véspera da Vigília dos Porcos. O enredo serve para discutir a necessidade do mito e das histórias, especialmente frente à sociedade moderna e racional (eu tenho minhas dúvidas acerca da racionalidade da sociedade moderna, mas…). Esse livro foi adaptado em filme, que saiu aqui no Brasil com o ridículo título de Missão Especial de Natal. Entendo que eles lançaram o filme para uma plateia que não conhece o mundo de Discworld, maior que o público que já sabia o nome de Pratchett, mas tinha que deixar um título tão absurdamente genérico?

O último livro do núcleo de Morte é Thief of Time, Ladrão do Tempo. Os Auditores da Realidade, entidades que representam a Ordem em sua forma mais burocrática e detestam a humanidade por seu pendor para o Caos (e por serem totalmente imprevisíveis para os auditores), decidem aprisionar o Tempo, que como Morte, também tem uma personificação antropomórfica. A ideia é que, dessa maneira, os Auditores possam entrar no Disco, tomando corpos físicos para investigar as ideias mais perniciosas dos humanos.

Aparentemente, o título deriva do provérbio “procrastination is the thief of time”. Confesso que nunca ouvi esse ditado traduzido para nossa cultura, mas isso provavelmente explica o motivo da tradução francesa do título ser “Procrastinação”.

Segue, na ordem, todos os títulos que têm a ver com Morte e sua família.

O Aprendiz de Morte → O Senhor da Foice → Soul Music → Hogfather → Thief of Time

Bruxas


São seis os romances protagonizados pelas Bruxas do Disco - isso excluindo a série sobre Tiffany Aching, que é vendida para o público juvenil. Nas histórias desse ciclo, Vovó Cera do Tempo costuma ser o centro da narrativa - ou, pelo menos, uma figura importante para a continuidade da história.

Começamos por Direitos Iguais, Rituais Iguais, que foi o terceiro livro do Pratchett que li, se não me falha a memória - foi depois dele que realmente me interessei pelo autor e comecei a ir atrás de tudo o que ele já tinha escrito. Usando as diferenças entre a magia de bruxas - mais instintiva - e dos magos - racional, até matemática -, Pratchett discute a questão de gêneros, estereótipos e quebra de expectativas. Eskarina coloca a Universidade Invisível de pernas para o ar, desafiando o preconceito dos magos e demonstrando sua capacidade para o que eles acreditam ser um tipo de magia que funciona apenas para homens.

A ele se segue Estranhas Irmãs, que mistura temas de Macbeth e Hamlet - e cujo título é uma óbvia referência às três bruxas que abrem a cena da tragédia escocesa, embora Pratchett aqui tenha subvertido o enredo… O que acontece também em Quando as Bruxas Viajam, que é todo ele uma inversão de papéis tradicionais de contos de fadas clássicos.

Lordes e Damas retoma certos relacionamentos que primeiro apareceram em Direitos Iguais, Rituais Iguais e, como Estranhas Irmãs, bebe na fonte shakespeariana, sendo este uma amálgama de Sonho de Uma Noite de Verão e A Megera Domada.

Os dois últimos volumes desse ciclo não chegaram a ser traduzidos aqui no Brasil ainda. São Maskerade, Mascarada, referência à uma das canções de O Fantasma da Ópera, vez que Pratchett aqui fez uma grande paródia do famoso musical - ou melhor, do mundo dos musicais como um todo, havendo dezenas de referências fáceis de pescar, de óperas italianas à Broadway. Leitores familiares com Belas Maldições provavelmente reconhecerão o nome da protagonista, ainda que a bruxa Agnes Nitt não seja exatamente uma descendente profissional...

Fechando a série temos Carpe Jugulum e não preciso dizer que essa expressão ecoa o Carpe Diem, não é mesmo? A tradução do latim seria ‘aproveite o dia’, mas em inglês o duplo sentido fica mais óbvio - carpe diem é traduzido como seize the day e a tradução literal de “seize” é agarrar. Em outras palavras, Carpe Jugulum, traduzido do latim para o inglês para o português seria “Agarre-se à Jugular”. Não vejo, contudo, qualquer motivo para traduzir esse título. O ideal é que ele saísse com a expressão latina na capa - não é difícil compreender a brincadeira feita por Pratchett aqui, especialmente quando vemos pela sinopse que o enredo do livro traz um conflito entre bruxas e vampiros.

Resumo da ópera:

Direitos Iguais, Rituais Iguais → Estranhas Irmãs → Quando as Bruxas Viajam → Lordes e Damas → Maskerade → Nanny Ogg’s Cookbook → Carpe Jugulum → The Sea and Little Fishes (conto)

Tiffany Aching


Embora as aventuras de Tiffany Aching cruzem bastante com as outras bruxas do Disco, ela tem uma subsérie própria dentro da série Discworld, inclusive por ser categorizada como infanto-juvenil. Ela é protagonista de cinco títulos, sendo que dois deles já foram publicados aqui no Brasil: Os Pequenos Homens Livres, seu romance de apresentação, no qual ela confronta a própria Rainha das Fadas para resgatar o irmão caçula, e Um Chapéu Cheio do Céu, no qual encontramos Tiffany como aprendiz de bruxa, às portas da adolescência, lidando com uma busca pela própria identidade.

Wintersmith, que deve ser publicado ainda esse ano aqui no Brasil, pode ser lido como uma releitura do mito de Orfeu ou mesmo, do próprio Hades raptando Perséfone - exceto que Tiffany não é, exatamente, uma mocinha indefesa, sendo perfeitamente capaz de se resgatar sozinha, mesmo que seja necessário encontrar um Herói para lidar com as consequências da personificação do inverno ter se apaixonado pela aprendiz de bruxa. A tradução literal do título seria algo como Ferreiro do Inverno, mas prefiro a adaptação feita nos títulos em espanhol e italiano: A Coroa de Gelo - afinal, o Inverno tem interesse em coroar Tiffany como sua rainha.

O quarto livro da série é I Shall Wear Midnight, Eu Vestirei Meia-Noite, um título, aliás, que parece dialogar com Um Chapéu Cheio de Céu, ambos fazendo referência às vestes usadas pelas bruxas no Disco e que fazem parte de sua identidade cultural - e também à forma como Tiffany se adequa àquilo que é esperado dela. Você automaticamente reconhece uma bruxa em Discworld pelo chapéu pontudo e pelas roupas pretas. O título é uma citação direta à história, vez que a certa altura dos acontecimentos, Tiffany diz que ‘quando for mais velha, eu usarei meia-noite; por agora, já tive o suficiente de escuridão’. A essa altura dos acontecimentos, ela completou quinze anos, já é considerada formalmente uma bruxa e já passou por desafios que muitas de suas contemporâneas, mesmo que tenham talento para a bruxaria, não sofreram. Um pouco de cor é o mínimo que ela merece.

O último livro da Tiffany foi também o último do Pratchett: The Shepherd’s Crown e aqui não há muito mistério, vez que A Coroa do Pastor é um objeto que aparece na história, é uma herança de família e é, mais uma vez, um objeto que tem a ver com as expectativas existentes para Tiffany como bruxa. Toda essa série é uma história de crescimento, sobre encontrar sua identidade, sobre fazer o próprio caminho. Tendo sido, desde o princípio, encarada como uma bruxa extraordinária, Tiffany está sempre convivendo com as expectativas dos outros, mas nunca se conformando a essas expectativas, que é o que faz dela uma personagem tão interessante.

Na dúvida sobre onde começar Discworld, a série da Tiffany é um bom ponto de partida, porque apresenta a maior parte dos conceitos que Pratchett trabalhou ao longo de toda sua obra, de uma forma mais contida. A série principal é mais espalhada, são muitos personagens e é possível se perder um pouco se você não tiver cuidado. Como os livros da Tiffany foram pensados inclusive para um público diferente, fica mais fácil acompanhar.

A coleção completa então segue, na ordem:

Os Pequenos Homens Livres → Um Chapéu Cheio de Céu → Wintersmith → I Shall Wear Midnight → The Shepherd’s Crown

Guarda de Ankh-Morpork


Acho que todo mundo já sabe que os livros da Guarda são os meus favoritos de toda a série Discworld. Eu adoro vovó Cera do Tempo, mas o Capitão-Comandante-Duque Samuel Vimes (ele vai evoluindo e ganhando títulos com o passar dos volumes) é o personagem com que mais me identifico.

Conhecemos a trupe em Guardas! Guardas!, quando Cenoura, um anão adotado que acaba de descobrir que é, na verdade, humano, vai parar em Ankh-Morpork e entra para a Vigilância Noturna, um corpo de policiais completamente desmoralizado após a instituição do sistema de Guildas pelo patrício da cidade, Lorde Vetinari. A Guarda é basicamente uma grande piada no início da história, mas ao longo da narrativa, o entusiasmo de Cenoura e seu amor pela cidade e pelas leis ‘acorda’ alguma coisa em Vimes, que até então fora o capitão bastante bêbado do grupo.

No segundo volume, Homens de Armas, vemos a Guarda já um pouco mais organizada, com novos membros juramentados - uma política de Vetinari tanto para experimentar a Guarda como agradar minorias que vivem na cidade. Vimes começa a história contando os dias para se casar e aposentar-se do serviço, mas ele não demora a chegar à conclusão de que não sabe ser um civil, um homem sem distintivo. Ao final, ele não precisa escolher, porque é promovido de capitão da Guarda Noturna para Comandante dos dois corpos de guarda - do dia e da noite.

A ele se segue Feet of Clay, numa tradução literal, ‘pés de argila’. Como aqui no Brasil temos uma tradição de estátuas de barro, acho que faria sentido deixar o título como Pés de Barro. Enfim, nesse volume temos uma nova conspiração para tentar tirar Vetinari do poder, e todo mundo sabe que o herdeiro do trono trabalha na Guarda, sendo, ninguém mais ninguém menos que… o Cabo Nobb (que, é bom lembrar, precisa andar com um documento assinado pelo patrício para comprovar que é humano). Após uma série de assassinatos misteriosos, a coisa toda parece apontar para os golens da cidade… o que é bastante estranho, considerando que em sua ‘programação’ básica, todo golem recebe algo como as três lei de Asimov…

O título seguinte é Jingo, uma expressão que existe em português e faz referência a um nacionalismo exacerbado na política externa - o que faz bastante sentido dentro da história, já que o aparecimento de uma ilha misteriosa quase lança metade do Disco numa guerra… o que não agrada nem um pouco ao Comandante Vimes, que encara a guerra como um grande crime, o que significa que esse é assunto da sua alçada e ele está em seu perfeito direito de prender todo mundo. A palavra existe nos nossos dicionários, mas nem todo mundo vai ser familiar com ela… Em francês o título desse volume é Va-t-en-guerre, o que significa algo como “irmos à guerra”. Em polonês descobri que batizaram esse volume com algo como ‘Deus, Honra e Ankh-Morpork’ e em espanhol é ¡Voto a bríos!, que seria um voto pela coragem. Em português, acho que seria possível um título ufanista, algo como um “Pela Nação” ou coisa parecida...

Continuando a história, temos The Fifth Elephant, O Quinto Elefante, no qual descobrimos a história da família da Angua (que entrou para a Guarda em Homens de Armas); Vetinari tem a brilhante ideia de fazer de Vimes um diplomata (o que é uma noção para fazer qualquer um que conheça o homem engasgar de rir), e viajamos para Überwald, região que, ao contrário da cosmopolita Ankh-Morpork, ainda se encontra mergulhada numa época de trevas e ignorância estilo medieval. Lá vamos encontrar uma situação digna de barril de pólvora envolvendo o principal combustível e riqueza do Disco: não, não estamos falando de petróleo, mas de gordura de elefante depositada em bolsões subterrâneos minerados pelos anões.

Depois disso temos o meu particular favorito: Night Watch. Como a capa faz uma referência direta ao quadro A Ronda Noturna, de Rembrandt, acho que não há muito que discutir sobre a tradução do título… Night Watch é meio que uma paródia de Os Miseráveis, de Victor Hugo, só que com viagens no tempo. Esse é um dos livros com menos humor da série, mas extremamente impactante - tanto que os fãs de sir PTerry celebram o autor usando a data da Revolução Gloriosa que acontece neste título: 25 de maio. Por todo o mundo, leitores de Pratchett participam de campanhas de conscientização sobre o Alzheimer, fazendo, inclusive, doações para pesquisa.

O próximo da lista é Thud!, uma onomatopéia de baque, o som que uma peça faz ao ser derrubada do tabuleiro. O título em espanhol é Zás, mas gosto do francês Jeu de Nains, “Jogo de Anões”. Isso porque a história gira em torno do conflito milenar entre trolls e anões, representado no jogo de tabuleiro que lembra a famosa batalha do vale de Koom, um lugar cercado de montanhas, coberto de buracos e cavernas, fossos e gêiseres. Nas palavras de Pratchett, o vale de Koom é o equivalente de um campo minado com dois exércitos usando vendas sobre os olhos e trovões ribombando sobre suas cabeças para deixá-los ainda mais perdidos. E tudo indica que os dois lados daquela guerra querem trazer o conflito de volta, dessa vez, nas ruas de Ankh-Morpork. Claro que existia um Vimes no caminho, no meio do caminho existia uma Vimes...

O último volume das histórias da Guarda é Snuff, que em inglês, tem pelo menos três significados: rapé; mortes arbitrárias e desagradáveis; e extinguir algo - e todos os três sentidos aparecem no enredo. O título em francês, Coup de Tabac, “Golpe do Tabaco”, que acho que é o que funcionaria melhor na tradução em português. Esse livro tem uma muito leve referência a Orgulho e Preconceito - o romance da Jane Austen - mas tudo a ver com o significado das duas palavras: é uma história sobre como a arrogância de possuir um título e dinheiro faz com que certos tolos se acreditem acima da lei, acima da própria idéia de dignidade humana (ou o equivalente a isso num mundo em que convivem humanos, anões, trolls, orcs, vampiros, lobisomens e agora, goblins). E também sobre como o preconceito é capaz de tornar as pessoas cegas, mesquinhas; como ele está na base de um sistema de exploração e morte, de crime e inércia.

Segue agora a lista na ordem temporal:

Guardas! Guardas! → Theatre of Cruelty (conto) → Homens de Armas → Feet of Clay → Jingo → The Fifth Elephant → Night Watch → Thud! → Where is my Cow? (livro infantil lido por Vimes para o filho no decorrer de Thud!) → Snuff → The World of Poo (livro infantil lido por Vimes para o filho no decorrer de Snuff)

Outras Civilizações


Nessa categoria cabem quatro livros que são completamente independentes, tanto entre si quanto do resto da série. O primeiro é Pirâmides, que explora o reino de Djelibeybi. A história gira em torno de Tepic, príncipe de Djelibeybi, enviado a Ankh-Morpork para estudar na Guilda dos Assassinos e assim se tornar um cavalheiro. Ao retornar para casa, contudo, Tepic chega à conclusão de que precisa começar a modernizar o reino, já que ele parou no tempo - e isso, de forma bastante literal… O problema maior é que a construção sem controle de pirâmides não apenas está impedindo o tempo de continuar em Djelibeybi, mas também arrisca rasgar o próprio tecido da realidade… e sabemos que as criaturas que vivem do outro lado não são nada amigáveis…

O segundo título das civilizações para além de Ankh-Morpork no Disco é Pequenos Deuses, que pessoalmente, considero uma das melhores história que Pratchett escreveu em toda a série. Esse livro trata de religião, intolerância e filosofia. Tudo começa com o grande Deus Om tentando se manifestar no mundo agora que é chegado o tempo de seu oitavo profeta – responsável por passar ao povo seus editos e leis divinas. Infelizmente, em vez de surgir como um temível e poderoso avatar, Om chega ao Disco na forma de uma... tartaruga. E ninguém consegue ouvi-lo, além de um noviço humilde, o jovem Brutha - o único em todo o país que mantém sua crença no deus, já que todos os outros acreditam apenas na instituição, a Igreja, em todo o seu terror inquisitorial. Como os deuses se alimentam da crença de seus devotos, isso significa que Om está com muitos problemas…

Temos também o infanto-juvenil O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados, cujos personagens foram primeiro mencionados em O Senhor da Foice. A história é uma versão do conto O Flautista de Hamelin e se passa em Überwald. A diferença é que em vez do flautista ser o trapaceiro da história, quem está por trás do golpe é o gato Maurício.

Para terminar, há Monstrous Regiment, que se passa em Borogravia, uma nação altamente militarizada dominada pelo fanatismo religioso. Praticamente não há mais rapazes nas aldeias, todos recrutados para o exército. O inverno está às portas, quase não há comida e a governante da nação, a Duquesa, está, muito provavelmente morta (e há algumas décadas já). Ninguém fala, ninguém pensa, mas todos sabem que estão perdendo a guerra.

O irmão de Polly, a protagonista, é um dos soldados desaparecidos em batalha. Polly sabe que, se o irmão estiver morto, ela está perdida – pela lei de Nuggan (o deus insano de Borogravia), mulheres não podem herdar bens que venham da família paterna. Assim é que ela dá uma de Mulan: corta o cabelos, se veste de homem e entra para o exército. O que Polly talvez não esperasse é que ela não fosse a única a esconder seu verdadeiro sexo e marchar para a guerra... Ou a diferença que um par de meias bem posicionado pode fazer.

O título é uma referência a um tratado escrito no século XVI por um reformista escocês atacando mulheres em posições de poder - isso numa época em que tanto Escócia quanto Inglaterra tinham suas Rainha Maria e estávamos prestes a entrar no reinado de Elizabeth I. The First Blast of the Trumpet Against the Monstruous Regiment of Women faz referência a significados arcaicos das palavras monstruoso e regimento: no primeiro caso, ‘monstruoso’ poderia significar algo desnaturado, anormal, ao passo que ‘regimento’ vem do latim e significa governar, reinar. A tradução literal do título do inglês para o português faz bastante sentido, Regimento Monstruoso, mas ele ganha um nível a mais de significado quando entendemos a referência de um governo não-natural - o que pode ser tanto a insanidade do deus de Borogravia, quanto o fato de ser esse um país governado por mulheres por cima (a Duquesa) e por baixo dos panos.

Como de hábito, Pratchett é sempre, absolutamente, genial.

Pirâmides → Death and what comes next (conto) → Pequenos Deuses → O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados → Monstrous Regiment

Revolução Industrial


E chegamos a última ‘linha narrativa’ da série, os livros que têm a ver com mudanças sociais e a revolução industrial que pouco a pouco chega. Começamos com A Magia de Holy Wood, cujo título me parece ser bem auto-explicativo… Esse talvez seja o volume que menos me empolga na série, mas o que vem depois dele são fantásticos.

The Truth não poderia ter uma tradução mais óbvia, “A Verdade”. Esse foi o vigésimo-quinto volume publicado, e acompanha a chegada de uma prensa móvel a Ankh-Morpork, o que causa uma verdadeira revolução na cidade: a invenção da Imprensa, com o Ankh-Morpork Times, primeiro jornal do Disco. A história gira em torno de uma conspiração para tirar do poder o patrício, Lorde Vetinari (porque a todo momento essa parece ser a única coisa na cabeça de todos os chefes de guilda da cidade), com a imprensa – ou mais exatamente, William de Worde, o fundador – atuando fortemente para descobrir os fatos, tornar a vida de todo mundo mais difícil e formar a opinião pública.

Temos então os três volumes que trazem como protagonista Moist von Lipwig, um trapaceiro, acostumado a urdir fraudes, forjar documentos e enganar pessoas de uma forma geral. No início de Going Postal, ele está a caminho da forca pelos crimes cometidos contra a cidade... e ele é enforcado... mas não morto. Em vez disso, lhe é dada uma segunda chance por um ‘anjo’ – ninguém mais, ninguém menos que Havelock Vetinari, o Patrício de Ankh-Morpork. Moist pode viver… desde que utilize seus talentos para colocar em ordem primeiro o serviço postal da cidade, depois o serviço bancário - em Making Money - e, por fim, o novo sistema de ferrovias que aparece em Raising Steam, que começa a ser implantado no disco após a invenção do trem a vapor.

Going Postal é um dos títulos que acho mais difícil de traduzir, porque em inglês, isso é uma expressão idiomática que significa ficar perder a cabeça (algo que quase acontece com Moist…), enlouquecer. Mas também poderia ser traduzido como ‘indo aos correios’, o que perde completamente a graça do duplo sentido. Não consigo pensar em nenhum trocadilho parecido em português. Em polonês, segundo me diz o Google tradutor (já que essa não é uma das minhas línguas…) a tradução ficou em “Inferno Postal” e em alemão, “Dos Correios”. Em francês o livro se chama Timbré, timbre (de papel timbrado) e em espanhol, Cartas en el asunto - tantos títulos diferentes que me parece que nenhuma outra linguagem tenha o mesmo trocadilho dos ingleses.

Making Money é mais fácil, já que a história inteira desse livro gira em torno tanto do sistema bancário quanto da própria casa da moeda de Ankh-Morpork, e Moist inventa as cédulas de dinheiro. Traduzir o título literal - “Fazendo Dinheiro” - tem sentido. Da mesma forma se dá com Raising Steam - “Levantando Vapor”- já que o enredo se concentra na invenção do trem a vapor e construção de uma rede ferroviária que avança pouco a pouco por todo o Disco. Para manter a uniformidade, já que esses três volumes são continuações mais ou menos diretas uns dos outros e têm o mesmo protagonista, poderíamos pensar que a melhor tradução seria a que começa com o verbo e traz uma ação, no caso, justamente, o “Indo aos Correios”.

A despeito disso… eu escolheria títulos diferentes, sendo bastante sincera. Gosto da escolha polonesa de Inferno Postal, porque traz um pouco daquele sentido do ‘perder as estribeiras’. Ou talvez - considerando que mais que questões de raiva, há um certo perder a cabeça em apostas arriscadas, coleções filatélicas e burocracia -, Loucura Postal. Seria um título próximo do sentido do original e que funcionaria para explicar o enredo da história. Levantando Vapor daria certo sem maiores problemas, mas tenho minhas dúvidas de que uma tradução literal de Making Money chamaria a atenção numa estante de livros de fantasia - talvez se o colocassem na prateleira de auto-ajuda? Pessoalmente, eu usaria um sinônimo pouco comum de ‘monetário’: Numismata, que é uma palavra que me dá um gosto de templos, moedas antigas, criaturas místicas e números. Interessante é que numismática significa o estudo das moedas de um ponto de vista histórico-cultural, mas também é usada às vezes como um sinônimo de cabala, que tem tudo a ver com golens… e golens são um dos pontos-chave da história!

Sendo assim, se eu estivesse na posição de decidir a tradução dos títulos da trilogia do Moist von Lipwig, eles seriam Loucura Postal, Numismata e Levantando Vapor. Exceto pelo último, são escolhas um pouco longe da tradução literal do inglês, mas preservariam a essência do título original ou trariam trocadilhos que Pratchett certamente ficaria orgulho de ver.

Eis então a última linha narrativa:

A Magia de Holy Wood → The Truth → Going Postal → Making Money → Raising Steam → Mrs. Bradshaw’s Handbook (livro de viagens citado em Raising Steam)

Conclusões Finais...

Se eu já achava difícil a profissão de tradutor antes de decidir escrever esse artigo - com quatro meses de pesquisas, releituras, começos, pausas e revisões - agora respeito ainda mais o trabalho que esse pessoal tem. Pratchett não é um autor fácil de traduzir, considerando todas as referências e brincadeiras que ele faz com expressões e significados, algo que eu já sabia na teoria, mas agora descobri na prática (e isso porque só tentei traduzir títulos!).

É preciso entender como esses títulos conversam com o enredo do livro que nomeiam, o que ele entrega das intenções de cada obra. Às vezes é necessário desencavar obscuras ligações com outras obras (como um quadro ou um tratado político) ou mudar completamente sem comprometer a essência da obra.

Já fiz essa comparação antes, mas acho que ela é muito válida: ler Pratchett é como fazer palavras cruzadas. Claro que a depender do seu nível conspiratório, você pode encontrar umas ligações que talvez pareçam muito bizarras (perguntem-me sobre minha teoria ligando Homens de Armas ao conto sherlockiano A Casa Vazia!). Mas na maior parte do tempo, descobrir essas referências enriquece a experiência de leitura. Entre paródias, paráfrases e tiradas irônicas bem colocadas, ele tece críticas muito proveitosas, necessárias até. Acho que se passar o resto da vida lendo e relendo Pratchett, vou sempre achar alguma coisa nova com que me surpreender e refletir.

Como disse quando comecei esse artigo... não sou uma especialista, tampouco uma tradutora. Esse artigo foi escrito como leitora e admiradora da obra do Pratchett, e também como curiosa incurável que gosta de se perder em longas pesquisas e tangentes. Nenhuma das minhas sugestões deve ser tomada como absoluta, nem mesmo aquelas que são traduções literais dos títulos originais. Há quem entenda melhor do assunto que eu e há também outros interesses de venda e mercado que precisam ser levados em consideração. E, bem, várias das minhas sugestões são questões de opinião, de forma que é justo perguntar a outros leitores do Pratchett que apareçam por aqui: que títulos vocês preferem?


A Coruja


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4 comentários:

  1. Qual a ligação com o conto Casa Vazia?
    Pratchett está na minha lista faz tempo por sua causa, mas até hoje só encontrei o livro Eric (Fausto) pra ler.

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    1. "Homens de Armas" gira em torno de uma arma como nunca antes fora vista no Disco, capaz de atirar a longas distância, que esteve anos no museu da Guilda dos Assassinos. "A Casa Vazia" gira em torno de assassinatos cometidos com uma arma misteriosa capaz de atirar de grandes distâncias, inventada expressamente a pedido do Coronel Moran por um artífice cego (segundo Holmes, pelo menos...) e que termina a história num museu da Scotland Yard. Considerando a descrição dada da arma no livro do Pratchett, ela se parece com uma espingarda de ar comprimido, como a do Moran, exceto pelo detalhe de que é capaz de influenciar a vontade de quem a carrega.

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  2. Procurei o trailer do filme de Hogfather e vi gente falando que faz referência a Godfather (O Padrinho / O Poderoso Chefão) e gente fazendo trocadilho com "Don Javali".
    Tem ligação mesmo?

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    1. Até onde eu saiba, não existe nada a ver entre Hogfather e O Poderoso Chefão, exceto pelo fato de os títulos rimarem em inglês. Hogfather é todo uma paródia de canções, poemas e contos natalinos (como do Scrooge). O Pai dos Porcos é o literal equivalente do Papai Noel. Há um assassino demente querendo assassinar a Fada do Dente, mas não há máfia, nem cabeças de cavalo, nem vinganças, nem nada do tipo. O Pai dos Porcos é mais uma entidade pagã a qual se fazia sacrifícios para assegurar que o sol renascesse no inverno. Na essência, é uma história sobre o poder e a necessidade dos contos de fadas. Clicando no título dele dentro do artigo, está linkado à resenha do livro (todos os links levam às resenhas, toda a série Discworld, incluindo os contos, já foi resenhada aqui no blog).

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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