1 de agosto de 2011

Para ler: O Oitavo Mago



HOUVE UM HOMEM, E ELE TEVE OITO filhos. Fora isso, não passou de uma vírgula na página da História. E triste, mas é tudo que se pode dizer de algumas pessoas.

O oitavo filho, por sua vez, cresceu, casou-se e teve oito filhos, e, como existe apenas uma profissão apropriada ao oitavo filho de um oitavo filho, ele se tornou um mago. E tornou-se sábio e poderoso, ou pelo menos poderoso, e usava um chapéu pontudo e tudo terminaria aí...

Deveria ter terminado aí...

Mas, contra a Doutrina da Magia e certamente contra toda a razão — salvo as razões do coração, que são cálidas, confusas e, bem, nada razoáveis — , ele abandonou o círculo de magia, apaixonou— se e se casou, não necessariamente nessa ordem.

E teve sete filhos, cada qual, desde o berço, tão poderoso quanto qualquer mago do mundo.

Então, ele teve o oitavo filho...

Mago ao quadrado. Fonte de magia.

Um fonticeiro.

Terry Pratchett – O Oitavo Mago

Perdi a conta em alguma resenha lá atrás... Em que livro estou mesmo? *contando nos dedos* Acho que é o quinto. Tenho quase certeza que é o quinto. Tenho a lista em algum lugar na minha escrivaninha. Bem, não importa muito a ordem...

O Oitavo Mago foi da minha segunda leva de livros prattchettiano. Os primeiros li na Nobel, no meu último ano de escola – A Cor da Magia/A Luz Fantástica; Direitos Iguais, Rituais Iguais; Estranhas Irmãs. Os outros vieram já na faculdade, após uma pilhagem aos sebos próximos da Católica.

Confesso que este volume não é um dos meus favoritos – o que é uma exceção à minha regra do Discworld, onde praticamente todos os livros são favoritados (essa palavra existe?). Não é que ele seja ruim, é apenas que ele não é tão genial como outros.

Ok, então, o negócio é o seguinte: o oitavo filho de um oitavo filho é sempre um mago – como bem lembramos de Eskarina Smith, a primeira maga do Disco. O que é, então, o oitavo filho desse mago?

Alguém de poderes inimagináveis. Alguém capaz de trazer o Julgamento mais rápido para todos. Um feiticeiro.

Quem mais percebeu que volta e meia nos vemos cara a cara com o fim do mundo nos livros de Pratchett? Especialmente nesses primeiros livros da série, isso acontece com alarmante freqüência... Engraçado como nunca tinha me dado conta disso até começar essa série de resenhas...

Muito bem... Coin é o oitavo filho de um oitavo filho de um oitavo filho, o que faz dele uma potencial bomba nuclear nas mãos de religiosos fundamentalistas – com a diferença de que ele é bem mais perigoso. Negócio é o seguinte: o pai de Coin, Ipslore foi expulso da Universidade Invisível por ter se apaixonado.

Magos são proibidos de ter filhos – não que eles tenham sobrando muito apetite sexual às voltas com tanta magia. Ao final das contas, como já vimos, o filho de um mago é um feiticeiro e feiticeiros são mais ou menos como uma fonte bruta de magia pura em ebulição.

Ipslore ressente-se de tudo isso e é por isso que no momento previsto de sua morte, quando Morte aparece para buscá-lo, ele faz uma profecia que acaba por prendê-lo ao seu bastão e ao filho, enganando Morte e abrindo caminho para sua vingança.

Coin crescerá para cumprir a profecia de seu pai, tornando-se um poderoso feiticeiro, dominando a Universidade Invisível, trancando os deuses numa dimensão paralela, liberando os gigantes de gelo e os quatro cavaleiros do apocalipse.

Ipslore falhou apenas em prever a participação do Chapéu do Arquichanceler; Rincewind; Nijel, o destruidor e Corina, a cabeleireira. E a Bagagem, claro, embora ela esteja passando por algo como uma crise existencial nesse capítulo das aventuras do Disco.

Em julho de 2010, Pratchett anunciou que este seria, após Unseen Academicals (que já está em produção), o próximo livro a ser adaptado pela Sky One. Se bem que já li em algum lugar também que Discworld talvez se tornasse série de TV.

É esperar para ver... Enquanto isso... ao próximo da lista!



A Coruja


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