2 de maio de 2011

Para ler: A Hat Full of Sky



"Once we were blobs in the sea, and then fishes, and then lizards and rats, and then monkeys, and hundreds of things in between. This hand was once a fin, this hand once had claws! In my human mouth I have the pointy teeth of a wolf and the chisel teeth of a rabbit and the grinding teeth of a cow! Our blood is as salty as the sea we used to live in! When we're frightened, the hair on our skin stands up, just like it did when we had fur. We ARE history! Everything we've ever been on the way to becoming us, we still are. Would you like the rest of the story?

I'm made up of the memories of my parents and my grandparents, all my ancestors. They're in the way I look, in the color of my hair. And I'm made up of everyone I've ever met who's changed the way I think."

Terry Pratchett – A Hat Full of Sky

Em janeiro, li para o Desafio Literário o livro Os Pequenos Homens Livres, primeiro livro da série Discworld a ter como protagonista Tiffany Aching, bruxa em treinamento, muito prazer. Aí vem uma coisa importante a se saber sobre os livros da série: embora um não seja exatamente continuação do outro, eles formam “ciclos” – há os livros relacionados a Rincewind e a Universidade Invisível; às Bruxas, à Guarda... e, claro, à Tiffany.

Assim é que, ao encerrar a leitura de Os Pequenos Homens Livres, eu estava quase me coçando para colocar as mãos nos volumes seguintes - A Hat Full of Sky, Wintersmith e I Shall Wear Midnight. Curiosamente, quando fui a Fortaleza em janeiro, numa visita à Livraria Cultura (tenho de visitar livrarias em todo canto que vou, é óbvio), dei de cara justinho com o segundo livro das aventuras de Tiffany.

Não houve hesitação: o bendito volume foi para a cesta no mesmo instante... e foi o único que resistiu até chegarmos ao caixa (tá vendo? Eu consigo me controlar!). E assim chegamos aqui.

Aos nove anos, Tiffany derrotou a Rainha das Fadas armada com uma frigideira. Agora, aos onze, deixará as planícies do Charco pela primeira vez, a fim de aprender sobre magia com uma bruxa mais velha – e sua primeira tutora será Miss Level, que, curiosamente, é duas em vez de uma.

Sim, duas em vez de uma: uma alma, dois corpos. Elas não são gêmeas, entendam, mas uma única pessoa que ocupa dois corpos ao mesmo tempo.

Agora... ser aprendiz de uma bruxa mais velha envolve, basicamente, servir de criada para a mesma. Afinal, a parte mais difícil de aprender a ser uma bruxa é... não usar magia. Magia só deve ser usada de forma séria e quase sempre, em último caso; de resto, o mais importante é parecer uma bruxa, o que permite usar a cabeçologia – cujo princípio é o mesmo do efeito placebo. Aqui entra a importância do chapéu, que é uma parte da própria identidade de uma bruxa: as pessoas enxergam primeiro e sempre o chapéu e então acreditam naquilo que você lhes diz.

Ser uma bruxa em Discworld é algo complicado. É uma responsabilidade imensa – algo que é necessário, mas não exatamente celebrado. As bruxas são perseguidas em algumas partes, mas, quando alguma coisa grave acontece, será sempre para elas que todos vão se voltar.

Uma bruxa é, acima de tudo, uma pessoa curiosa. Alguém que não se satisfaz com respostas simplórias. É alguém que se identifica com sua terra. Que, apesar dos pesares (e como existem pesares...) luta por aqueles que dependem dela. E, acima de tudo, é alguém que assume seus próprios erros e resolve as coisas, doa a quem doer.

Tudo isso, Tiffany aprenderá em A Hat Full of Sky e aprenderá, claro, da forma mais difícil possível – afinal, ela é uma bruxa, o que significa que apenas ela pode fazer suas escolhas e escolher o caminho que vai seguir. E não podemos esquecer que estamos falando de Tiffany Aching, a bruxa dos charcos e dos Nac Mac Feegle, o que significa que o caminho será um pouco mais acidentado... e barulhento.

O negócio é... inadvertidamente, Tiffany chamou a atenção de um hiver , uma espécie de parasita incorpóreo que está sempre à procura de mentes fortes nas quais possa se refugiar, alimentando-se das memórias dessa mente até dominar completamente o hospedeiro – que enlouquece e acaba definhando até a morte.

Uma vez que o hiver esteja dentro da cabeça de Tiffany... ela é a única que pode realmente derrotá-lo. Mas como você derrota uma criatura mais antiga que a humanidade, imortal, incorpórea, que conhece todas as suas fraquezas, tem acesso a todos os seus poderes e está dentro da sua própria mente?

Há uma história... e uma porta. Cabe a Tiffany descobrir o resto, com cuidado para não tropeçar em nenhum homenzinho azul pelo caminho – rumo a um dos melhores finais da série. Não pela primeira (e, tenho certeza, nem pela última), Pratchett mostra o que é, realmente, ser genial.

E se você não entendeu lhufas... - crivens! - O que está esperando para começar a ler?
"If you trust in yourself, and believe in your dreams, and follow your star... you'll still get beaten by people who spent their time working hard and learning things and weren't so lazy."




A Coruja


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