27 de junho de 2010

Jane Austen – Parte VI: De monstros, vampiros, zumbis e outros mash-ups





Se vocês estão lendo isso é porque eu descobri certo como programar as postagens do blogger na minha ausência. Se não... nós nos vemos dia 01, com duzentos posts de uma vez só...

Depois de um mês inteiro dedicado quase que inteiramente a ela, hoje chegamos à ultima parte do nosso especial Jane Austen, e dessa vez vamos tratar de fãs, fanfics e mash-ups.


Talvez alguns de vocês venham acompanhando uma tendência que tem ganhado até bastante força nos últimos anos: os mashups - gênero em que um texto já consagrado é reescrito, podendo continuar as aventuras do original, modificá-lo quase que completamente ou contar histórias anteriores ao mesmo. O termo originalmente se aplicava à informática, depois passou à música e agora veio para a literatura.

O conceito parece bastante parecido com o que entendemos por “fanfics”, não é verdade? Bem, ao menos na minha opinião, mashups são fanfics. Como os textos originais já caíram no domínio público, existe uma facilidade na publicação – especialmente porque você já conta com um grande e conhecido nome por trás de você como “co-autor”.

Basta uma visita rápida à livraria – ou digitar o nome de Austen na Amazon – que você descobre que tia Jane tem sido algo como uma... favorita nesse meio. Nós podemos encontrar dos diários dos personagens masculinos de cada uma de suas obras até títulos como o já traduzido (e resenhado aqui no Coruja) Orgulho e Preconceito e Zumbis.

Conversando com algumas pessoas, eu cheguei à conclusão de que os fãs de Austen se dividem em suas opiniões sobre o assunto. Há quem diga que isso é um abuso, um absurdo, uma afronta à obra original. E há aqueles que são... indiferentes.

Não, eu não encontrei absolutamente uma única alma que dissesse que preferia os mashups aos originais. O que significa que a humanidade ainda tem salvação.

Eu acho o seguinte... os mashups – como as adaptações para TV e cinema – são válidos; especialmente como uma porta de entrada, um chamariz para que gerações mais novas conheçam esses autores clássicos.

Fãs mais sensíveis de Austen provavelmente vão torcer o nariz para os zumbis incorporados por Graham-Smith e os monstros do mar de Winters. Aqueles com um senso de humor um tanto quanto bizarro poderão até vibrar com as discussões envolvendo mosquetes, katanas e estilos de luta. Mas não importa muito, o resultado final será o mesmo: Jane Austen está na moda.

Como diz o ditado, “falem mal, mas falem de mim”.

E isso é muito válido. Como disse há pouco, essas obras, com uma pincelada mais pop acabam por servir como uma porta de entrada para os incautos (hohoho), que olham para aquela capa chamativa, se interessam, lêem, ficam curiosos, vão atrás dos livros originais e, quando percebem, já viraram fãs.

Vamos encarar a verdade: como eu já disse uns parágrafos atrás, esses mashups são fanfics publicadas – uma vez que não existe o problema dos direitos autorais – e, como fanfics, podem ser bons ou ruins e podem atender a todo tipo de gosto e expectativa.

Não é algo ruim per si, diferente do que alguns fãs mais extremistas possam dizer. Pelo contrário: somos capazes de encontrar muita coisa interessante no meio da onda de assalto de mashups nas livrarias.

Eu gostei de Orgulho e Preconceito e Zumbis; mas torci o nariz para Razão e Sensibilidade e Monstros do Mar pela simples razão de que este último se leva a sério demais, quando a proposta do projeto é irreverente.

Alguns dos Diários de Amanda Granger que li – Mr. Darcy, Mr. Knightley e Capitão Wentworth – têm passagens deliciosas, mostrando a história que já conhecemos pela perspectiva dos heróis masculinos de Austen. Em compensação, Mr. Darcy, vampyre da mesma autora, foi uma decepção.

Na verdade, eu já li muita fanfic superior a alguns desses mashups, com a vantagem de poder lê-los de graça...

Ok, este foi um comentário cretino.

Mas é verdade. Há muitos bons autores por aí, se vocês procurarem, com excelentes histórias, respeitando a essência dos personagens, e deixando um gostinho de quero mais na boca da gente. Especialmente quando eles têm como “calço” uma co-autora do quilate de Miss Austen.

Bem, vejo aqui que chegamos ao final de mais um dos projetos do “meu autor, meu herói” do Coruja. Ao fim e ao cabo, depois de tudo que eu escrevi, espero que tenham se interessado e que tirem suas próprias conclusões do feito.

Até mês que vem, turma!

Especial Jane Austen
Parte I – E agora que estão feitas as apresentações
Parte II – Nos vemos em Waterloo
Parte III – O trabalho dignifica o homem
Parte IV – Uma criatura sui generis
Parte V – A biblioteca de Austen
Parte VI – De monstros, vampiros, zumbis e outros mash-ups

Na sua estante: Um encontro com Austen
Prelúdio
Primeiro Movimento: Orgulho & Preconceito
Segundo Movimento: Razão & Sensibilidade
Terceiro Movimento: Persuasão
Trilha Sonora

Persuasão: uma análise
Parte I
Parte II
Parte III

Resenhas
Orgulho e Preconceito e Zumbis
Razão e Sensibilidade e Monstros do Mar

Outras Fontes
Calendários
The Republic of Pemberley
Jane Austen no Project Gutenberg
Jane Austen Sociedade do Brasil
The League of Austen’s Extraordinary Gentlemen


A Coruja


____________________________________

 

4 comentários:

  1. Coruja querida, olha a coincidência! Eu louca com o mestrado, escrevendo sobre a intertextualidade do Umberto Eco no Pride and Prejudice and Zombies e você me sai com esse post, hehehe...

    Sintonia é isso aí! Não vinha comentando, mas li todo o mês de Austen, adoro seu blog!

    Te mandei meu msn por depoimento, não sei se você já viu... Me adicione e vamos continuar os papos nerds do Encontro, hehehe...

    By the way, eu concordo contigo quando a idéia de um mashup é redirecionar para o original... Mesmo pq, se pararmos pra pensar, a "graça" dessa brincadeira só acontece de forma plena, se entendermos a referência...

    Beijos e saudades!
    Luana

    ResponderExcluir
  2. Luciana, você realizou um excelente trabalho! eu gostaria de pedir a sua permissão para publicar lá no blog da JASBRA, é possível?

    ResponderExcluir
  3. Oi Coruja! Eu gostei muito do post sobre a época em que a querida Jane viveu. Eu, particularmente, gosto de saber o que acontece na época em que os romances são escritos (quando são de época, naturalmente). Assim como quando li North & Sul de Elizabeth Gaskell, busquei ler mais sobre a Revolução Industrial e a Era Vitoriana, explorando ainda os diversos filmes e seriados que existem sobre essa época.

    Eu amo Jane Austen, acho que ela é meu maior exemplo de escritora. Se um dia eu conseguir finalizar algum dos meus 15841520251402002510210 rascunhos, ela será uma das minhas causas máximas para publicá-los. Acho que desde que aprendi a ler e a escrever eu sempre quis escrever alguma história...

    Enfim, seu texto me ajudou a compreender um pouco mais da época, porque eu estou escrevendo uma história e ela se passa na época em que Jane Austen viveu, então estou estudando muito sobre o Império Britânico, a questão da escravidão na Inglaterra, as Guerras Napoleônicas, as patentes da Marinha Real Inglesa, os costumes da época, a moda, estou escutando Bach para me inspirar... Realmente, tentando viver naquela época. Infelizmente, temos um material histórico um pouco ralos, apenas para conhecimento didáticos, meu inglês não é tão bom... Então, me viro como posso. Jane é minha guia para esse momento histórico que foi decisivo para a história mundial, em vários sentido, e até para o nosso próprio pais.
    Até realizar algumas descrições sobre Londres, Kent, Hampshire, Brighton e Bath tem sido uma grande aventura kkkkkk

    Sem mais devaneios... Muitíssimo obrigada por dividir seu conhecimento conosco!

    P.S.: estou utilizando meu "pseudônimo", digamos assim. É meio bobo, mas faz uns cinco anos que tenho! kkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Lizzie!

      Que bom que gostou desse post... cá no Coruja tem várias indicações de livros que você pode ler para entender mais sobre o contexto da época. Uma pena que não leia em inglês, mas, olha, procura a série Mestre dos Mares se quer saber mais sobre a marinha; Waterloo de Bernard Cornwell é excelente para tratar do impacto das guerras napoleônicas; E há uma excelente biografia da Rainha Vitória que também já resenhei por aqui, que pode te servir de ajuda. E, se tiver dúvidas ou questionamentos específicos, você sempre pode sugerir uma matéria para escrevermos por aqui ;)

      Excluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog