26 de junho de 2010

Um Encontro com Austen: Músicas




Clique na capa para fazer o download da trilha sonora


Uma vez que Sofia é uma estudante de música e que um dos cernes do conto é justamente um encontro da música com a literatura... fora o fato de que já é meio que tradição eu dar uma trilha sonora para toda história que escrevo... estamos hoje aqui com mais uma “original soundtrack” (...) para vocês.


Mas, porém, contudo, para que o projeto fique completinho e bonitinho, vou fazer um pouco mais que só dar o link para vocês baixarem a trilha; vou explicar a escolha de cada uma das músicas que compõem esse mix que vocês poderão ouvir a seguir.

Ou, claro, vocês podem pular minhas explicações e baixarem direto as músicas... mas acho que isso não teria tanta graça... bem, a escolha é de vocês, né? Vamos à minha parte...

The Grand Ball, da trilha da série War and Peace.

Bem, a própria Sofia já fez o favor de explicar a escolha de uma valsa para caracterizar o casal formado por Mr. Darcy e Elizabeth Bennet. E os leitores de Ases aqui no Coruja, que tenham dado uma olhada nos anexos da história, também vão entender o dado histórico que Sofia cita.

A valsa foi introduzida na corte inglesa por volta de 1815, tendo sido a primeira dança de salão em que o par dançava enlaçado, juntos – havia, enfim, verdadeiro contato físico entre os parceiros. Por conta disso, era considerada uma dança meio escandalosa logo que chegou aos salões da sociedade e as moçoilas precisavam de uma permissão especial para poderem dançá-la.

A idéia de Sofia de representar a relação de Darcy e Lizzy com uma valsa é, a princípio, uma menção direta à cena do filme em que ele segura a mão dela para ajudá-la a subir na carruagem – o primeiro verdadeiro contato físico dos dois na história. A paixão que Darcy sente por ela também não é exatamente algo aconselhável – embora não esteja explícito na história (exceto talvez pelas reações de Lady Catherine), não duvido que o casamento dos dois, ao menos a princípio, não tenha sido visto com bons olhos pela sociedade que ele freqüentava em Londres.

Talvez aqui eu já esteja viajando demais, mas creio que, no começo, os jovens que dançavam a valsa nos salões de baile viam-na como um desafio aos mais empertigados, às matronas preconceituosas que em tudo viam um escândalo.

Agora imagine o que elas diriam se vissem os jovens de hoje em dia dançando...

You’re still you, Josh Groban

You walk past me
I can feel your pain
Time changes everything
One truth always stays the same
You're still you
After all
You're still you

Desde que terminei de ler Persuasão pela primeira vez, essa música está na minha cabeça. Pode até parecer contraditório, especialmente quando Wentworth responde, questionado sobre o que achou de Anne após o primeiro reencontro, que a achou muito mudada. Ou que, na canção, haja uma parte que diz “In my eyes you do no wrong” – quando todos sabemos que há muitos erros entre Anne e Frederick.

Mas se vocês prestarem atenção na letra, e pensarem na relação deles após o acidente de Lyme, quando as coisas finalmente começam a entrar nos eixos... Frederick está admirado; surpreso com ela. Naquele momento, aos olhos dele, ela realmente não poderia fazer nada errado; é para ela que ele se volta na necessidade.

Mais importante, porém, que analisar verso por verso, é entender o todo da música. Para mim, essa é uma canção sobre constância – e é difícil pensar num casal mais constante que Frederick e Anne.

Viriginia Woolf, Indigo Girls

Some will strut and some will fret
see this an hour on the stage
others will not but they'll sweat
in their hopelessness and their rage
we're all the same the men of anger
and women of the page

they published your diary
and that's how I got to know you
the key to the room of your own and a mind without end
and here's a young girl
on a kind of a telephone line through time
and the voice at the other end comes like a long lost friend
so I know I'm all right
life will come and life will go
still I feel it's all right
cause i just got a letter to my soul
and when my whole life is on the tip of my tongue
empty pages for the no longer young
the apathy of time laughs in my face
you say “each life has it’s place”

Esqueça o pequeno detalhe de que o título tem o nome de outra autora e a parte do publicaram seu diário e preste atenção na letra da música. E veja se o sentimento não é o mesmo – o sentimento de Sofia ao descobrir Austen.

Para mim, essa canção é a música tema do inteiro conto. E é uma das minhas canções favoritas também...

I Know you by heart, Eva Cassidy

You left in Autumn
The leaves were turning
I walked down roads of orange and gold.
I saw your sweet smile
I heard your laughter
You’re still here beside me every day.

‘Cause I know you by heart,
‘Cause I know you by heart.

Há duas possíveis interpretações para essa canção no contexto – embora a estrofe final dela não deixe dúvidas no final das contas... Ela tanto pode falar sobre a amizade de Beatriz e Sofia quanto sobre a relação de Sofia com a mãe. Considerando o final do conto e da canção, acho que está mais para a última.

It’s in his Kiss, Betty Everett

Does he love me?
I wanna know
How can I tell if he loves me so?

(Is it in his eyes?)
Oh no, you'll be deceived
(Is it in his eyes?)
Oh no, he'll make believe
If you wanna know
If he loves you so
It's in his kiss

Obviamente não foi Sofia quem escolheu essa música, mas Beatriz, que disse que ela era simplesmente perfeita para ser cantada por Emma Woodhouse...

E porque eu morri de rir imaginando Beatriz imaginando a cena (...) de Emma cantando e dançando essa música enquanto saía por aí arrumando casaizinhos... Tenho certeza que Sofia diria que essa canção está mais para a Bia, tentando dar uma de cupido entre ela e o André...

É, pois é, eu sei, tenho uns parafusos assim a menos, mas...

Melodia Sentimental, Heitor Villa-Lobos

Sou absolutamente apaixonada por essa melodia... e ela é perfeita para a idéia que Sofia fez, do dueto para as duas irmãs Dashwood.

Eu tenho certeza que Marianne concordaria comigo na escolha dessa canção. Até a próxima, pessoal!

Bem, com isso, encerramos oficialmente o mês Jane Austen no Coruja.

A Coruja


____________________________________

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog