15 de dezembro de 2010

Para ler: Empire of Ivory




“Yes, it is very clever,” she said, smiling, with a parchment thinness to the corners of her mouth. “The strategy is very sound; no one could argue with it. At a stroke we go from very nearly the weakest aerial force, in Europe, to the strongest.”

“By murder,” Laurence said. “It can be called nothing else; wholesale murder.” Nor was there any reason why the devastation should end in Europe. All the maps over which he had labored, through their half-year’s journey home from China, unfolded again for him without any need for their physical presence; the wavering course of their journey now made a track for slow creeping death to run along in reverse. Strategy, strategy, would call it a victory to see the Chinese aerial legions decimated: without them, the Chinese infantry and cavalry could hardly stand against British artillery. The distant corners of India brought under control, Japan humbled; perhaps a sick beast might be delivered to the Inca, and the fabled cities of gold flung open at last.

“I am sure they will find a prettier name for it, in the history books,” Jane said. “It is only dragons, you know; we ought think nothing more of it, than if we were to set fire to a few dozen ships in their harbor, which we would gladly enough do.”
He bowed his head. “And this is how wars should be fought.”

“No,” she said tiredly. “This is how they are won.”

Naomi Novik – Empire of Ivory


Eu não tenho plena certeza do que fazer desse livro. Por um lado, o começo e o final são muito bons; por outra, algumas partes do livro podiam ter sido abreviadas ou obliteradas sem quaisquer grandes perdas ao enredo.

Ainda assim, eu gostei mais de Empire of Ivory do que de Black Powder War – não sei, guerras de trincheira me incomodam, e o exército prussiano também. Guerras de trincheira não são apenas chatas (de um ponto de vista literário, já que nada acontece) – elas são sujas, doentias, estagnadas, enfraquecedoras.

Não estou defendendo que combates abertos são melhores. Não sou a favor da guerra – embora não possa dizer que sou uma pacifista – e, de toda forma, estou analisando a situação pelo ponto de vista do que fica bem numa história, não das conseqüências reais que isso possa provocar.

O que quero dizer é que passar dias e meses parcialmente enterrado, na expectativa e ansiedade de um ataque a qualquer momento, enquanto tem de lidar com a sujeira, os piolhos, as doenças que se multiplicam naquelas valas que não coincidentemente podem ser chamadas de túmulos – tudo isso é às vezes muito mais cruel e doloroso que levar uma bala no meio da testa.

E a gente sente essa estagnação pelo final de Black Powder War. O desespero, a frustração, a completa falta de alternativas. Até mesmo a leitura se torna cansativa.

Talvez por isso eu tenha demorado meses para continuar a saga. Finalmente, contudo, recomecei a ler Temeraire e reencontrei aquela centelha que me fisgou desde o primeiro livro.

Neste quarto volume da saga, Temeraire, Laurence e o resto de sua equipe voltam finalmente para a Inglaterra, escapando do cerco desesperado em que tinham ficado no final do terceiro livro. Lá, finalmente, descobrem porque os ingleses não mandaram os dragões prometidos para o exército prussiano enfrentar Napoleão: todos os animais estão enfraquecidos, sofrendo com uma virose mortal (gripe espanhola? XD), muitos já morreram e outros estão já também em risco.

Enquanto tenta-se evitar que Temeraire se contamine e defender praticamente sozinhos a costa da Grã-Bretanha, Laurence ainda acaba por se envolver com a causa abolicionista, travando contato com ninguém mais ninguém menos que William Wilberforce e o Almirante Nelson.

E não à toa... o tema do escravagismo e abolicionismo é bem presente no enredo, uma vez que acabamos embarcando para a África atrás de um cura. Ler essa saga é uma verdadeira viagem ao redor do mundo – ainda vou comprar um mapa para sair marcando cada lugar por onde os personagens passam. Começamos na Inglaterra, já partimos para a Ásia, voltamos pela Europa Continental, passamos pela África e sei que no sexto volume caímos de pára-quedas na Austrália, Oceania. Só falta eles irem para a América, e completarão o tour continental.

Gosto especialmente da forma como eles se portam diante da malícia política demonstrada já quase ao final do livro (guerra biológica, alguém?). Apesar disso, o final me deixou com um gosto amargo na boca. Não consigo me decidir se Laurence é o homem literário mais cheio de princípios que já conheci ou se ele é simplesmente burro. Nessa horas, tenho que me lembrar que ele foi um militar praticamente a vida inteira, e que essa cultura de honra é, de certa forma, seu credo e sua religião.

Que Temeraire tenha compreendido isso – apesar de todas as suas anteriores fanfarras de que nunca deixaria que Laurence lhe fosse tirado – demonstra a perda de sua inocência (convenhamos, para um dragão, ele começa muito inocente e pueril), e, de certa forma, uma rendição ao sistema que ele tanto deseja mudar.

Não sei bem o que espero do próximo volume, mas estou ansiosa por começá-lo depois desse final agridoce. Vamos ver o que nos espera nos próximos capítulos...




A Coruja


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