15 de agosto de 2010

Para ler: The Shadow Dragons

“Se nós somos os três da Profecia,” Jack disse quando o aplauso findou, “então porque foi necessário manter isso em segredo por tanto tempo? Especialmente de nós? Por que não nos contar, antes que todos esses eventos se tornassem história?
“Há Histórias, e depois, há Profecias,” Professor Sigurdsson explicou. “Histórias nos falam do que foi, e são perigosas apenas naquilo em que contêm segredos que devem ser cautelosamente compartilhados. Profecias nos falam do que poderá ser, e assim são cheias de mistérios que podem se perder quando partilhados.”

Vários outros assentiram e bateram na mesa em concordância.

“Uma História compartilhada apenas expande conhecimento,” continuou Chaucer, “que então pode ser usado para o bem ou para o mal.” Mas partilhar uma Profecia muito cedo, ou na companhia errada, arrisca uma cascata de complicações que podem mudar a própria História.”
Desde o segundo livro da série The Search for the Red Dragon , The Search for the Red Dragon, Owens nos introduz ao conceito de um grande, enorme paradoxo temporal, que só tomou profundidade em The Indigo King e alcançou novas dimensões neste quarto livro.

Eu não tinha certeza se Owens conseguiria manter o nível alcançado no episódio anterior de sua saga com esse The Shadow Dragons, especialmente depois de ler à introdução que ele considerava esse livro uma transição, “a middle book”. Bem, eu devo dizer que ele não me decepcionou.

Desta feita, cinco anos se passaram e estamos em 1936. Estamos às vésperas da II Guerra Mundial, embora para Jack, John e Charles, essa realidade não pareça nem de longe visível. Tudo começa com a chegada de Alvin Ramson, discípulo de Júlio Verne, um dos Guardiões predecessores do Imaginarium Geographica e, com toda a sinceridade, um verdadeiro mestre das marionetes.

Alvim está atrás dos três guardiões para poder evitar uma grande crise que justamente resultara na II Guerra. O negócio é que como um viajante do tempo, Alvim estivera tentando alcançá-los em 1943, mas alguma coisa deu errada e ele foi jogado um pouco mais no passado...

Mas tudo bem, porque são os Guardiões de todo jeito e se você não pode encontrá-los em 43, você simplesmente os despacha para o ano em que você deveria estar encontrando os ditos, direto para o Arquipélago dos Sonhos, prestes a se iniciar um conflito de proporções homéricas envolvendo a dinastia de Ulisses, de Arimatéia, a espada Calibur, que pertenceu ao herói Enéas e foi passada para Arthur em Camelot; na qual temos agentes duplos e triplos trabalhando na espionagem e o fim do mundo batendo à porta a qualquer momento.

Tudo isso de forma muito literal.

Mas tudo bem, porque temos a sabedoria de séculos e a experiência de dezenas de Guardiões para auxiliar John, Jack e Charles em sua missão. E também digo isso de forma muito literal: protegido numa das ilhas mais elusivas do arquipélago está Tamerlane House, o, por assim dizer, quartel-general dos guardiões, onde estão pendurados todos os seus retratos.

Retratos que servem como uma espécie de portal no contínuo espaço-tempo.

E assim temos uma grande reunião a qual comparecem alguns dos maiores nomes da literatura: Dickens, Poe, Shakespeare, o casal Shelley, Hans Christian Andersen, Jakob Grimm, Twain, Cervantes, Thomas Mallory, Goethe, Swift, Kipling, Dumas pai, Daniel Defoe – para ficar em apenas alguns dos nomes mais conhecidos.

Entre esses personagens, nós temos traidores e outros dos quais desconfiamos – como Grimm e Dumas, cujo irmão e filho, respectivamente, juraram aliança ao outro lado: a Sociedade Imperial de Cartografia, comandada por Sir Richard Burton, mas que teve suas sementes plantadas por ninguém mais ninguém menos que John Dee, o famoso conselheiro da Rainha Elisabeth.

Eu gostaria de observar que rolei de rir com algumas piadas cretinas que envolvem alguns desses autores – ainda que eu não tenha (pelo menos, não por hora) entendido se foi só coisa da cabeça do Owens ou se tem algum fundamento histórico: por que Shakespeare acha que tudo se resolve se afogarem alguém? Toda vez que eclode um debate, ele exclama que alguém deve ser afogado... e qual é da obsessão de Poe com nozes de pistache?

Eu queria poder falar mais sobre a história per si, sobre os meandros que Owens construiu – mas receio que, fazendo-o, eu acabaria com mais de dois terços da diversão de ler o livro. Aqui, mais uma vez, nós somos colocados diante da questão de que não existe bem ou mal absoluto; de que nossas decisões têm conseqüências, nem sempre condizentes com as intenções que tínhamos ao tomá-las.

Acho que esse é um dos pontos fortes de Owens e do próprio livro – ele desafia qualquer noção ingênua de maniqueísmo, e ele tem feito isso desde que The Indigo King – esses dois livros em seqüência foram contra todas as expectativas que os leitores, bem como nossos três guardiões, tinham.

A pergunta final do livro, e talvez seja essa uma reflexão bastante positiva para fazermos, é se todo homem, mesmo aquele que cometeu os maiores crimes, independente de quais fossem duas intenções ao cometê-los, se por um grande bem ou grande mal, merece redenção. Se qualquer um, independente de quais sejam seus erros, merece uma segunda chance.

É uma discussão bastante válida.

Para terminar, eu gostaria de fazer apenas uma última observação... POR QUE EU NÃO LI MAIS DEVAGAR???? AGORA TEREI DE ESPERAR ATÉ DEZEMBRO PARA COLOCAR AS MÃOS NO QUINTO LIVRO!!! ISSO NÃO É JUUUUUUUUUUUUSSSSSSSSTOOOOOOOOOOO!!!!



A Coruja


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