4 de fevereiro de 2019

Empilhando no Escaninho #35 (Os Links da Coruja)


Faz um bocado de tempo que não posto uma das minhas listas de links interessantes por aqui (acho que desde que viajei ano passado...), o que significa que acumulei um monte de coisas para compartilhar com vocês.

Em minha defesa... bem, eu não tenho exatamente uma defesa. Dezembro e janeiro foram meses estranhos - se bem que está tão comum ter meses estranhos nos últimos tempos que desconfio que isso se tornou a norma. Estou tentando voltar ao ritmo - até meu ritmo de leitura foi para o beleléu nessas semanas. Mas, enfim, deixemos de lero-lero e tratemos do assunto: links legais para compartilhas com vocês!

  • Para começar os trabalhos... segue uma entrevista com a escritora Tamora Pierce, uma autora super importante para a fantasia - com protagonistas femininas marcantes e tramas de tirar o fôlego. Cá no Brasil, acho que até hoje, só o primeiro volume de A Canção de Alanna foi publicado. Várias autoras que sigo em diferentes redes sociais têm a Pierce como uma de suas inspirações e é bem fácil de entender o porquê quando você dá uma olhada nas sinopses de suas histórias. Na mesma linha, também tem uma entrevista com Neil Gaiman e N.K. Jemisin sobre escrever quadrinhos e personagens homossexuais.

  • Quando pensamentos em mestres contadores de histórias no Oriente Médio, o que nos vêm à cabeça é claro, são As Mil e Uma Noites. Quando vi o título desse artigo da BBC - os contadores de histórias viajantes do Oriente Médio - imaginei ser alguma referência à já citada obra, mas há algo mais aqui: uma tradição curda que mantém a identidade desse povo

  • Também da BBC - mas dessa vez em português - tem um artigo bem legal sobre como Agatha Christie influencia a forma como o mundo vê os ingleses. Eu desconfio que eu fui uma dessas pessoas influenciadas, porque tenho sim um certo estereótipo de inglês típico e Agatha Christie foi uma das primeiras autoras que li - lá pelos onze, doze anos - que trabalhava essa questão de estereótipos nacionais - junto com (háhá!) Conan Doyle. Depois veio Jane Austen, e a essa altura dos acontecimentos eu já tinha imagens como o simpático clérigo, o excêntrico detetive (ok, Poirot é belga, mas Sherlock é inglês), os nobres militares (o bom dr. John Watson e muitas encarnações dessa figura nas aventuras de Poirot, com especial destaque para Hastings), senhorinhas que sabem de tudo e uma abundância de chá.

  • Eu adorei a ideia do bingo literário criado pelo site The Narratologist! Basicamente, são cartões de bingo em que cada casa tem um certo tema literário ligado a um determinado autor e você pode utilizar o recurso de diferentes maneiras - pode simplesmente ler um livro daquele autor e encontrar na obra as características do bingo; pode brincar com cada um competidor fazendo referência a uma citação específica que tem a ver com aquele tema... tô pensando na possibilidade de levar uma cartela dessas para o próximo clube do livro! Posso dizer que chorei de rir com a cartela do Dickens?


  • Já que citei o clube do livro... aqui tem um artigo interessante do Suplemento Pernambuco sobre o porquê de ler juntos para clubes de leitura. Não vou dizer que seja uma experiência totalmente igual a que temos no clube do livro de que participo - nosso foco é leitura clássica e em quase dez anos de encontros, nunca tentamos sair muito da nossa zona de conforto e dar um sentido mais social-pedagógico para o clube. Mas a experiência de pertencimento, convívio, companheirismo é uma coisa que faz parte sim, da nossa experiência.

  • Umberto Eco tinha vários artigos sobre a questão da tradução. Essa última semana, meu irmãos me pediu para traduzir um artigo para ele - levei quase uma semana inteira para completar quatro páginas, porque minha fluência não significa que eu tenha o vocabulário técnico da área médica e saí da experiência com um respeito renovado por tradutores profissionais. Talvez por isso mesmo tenha achado tão interessante o artigo do The New York Review of Books: pode uma tradução ser considerada uma obra-prima? Na minha opinião, pode sim. Poesia em especial, é uma das coisas mais difíceis que já tive de traduzir - o desafio não é só verter as palavras, mas manter sentidos e ritmo. Isso é um trabalho filho da mãe que merece muito reconhecimento - e que não vai apenas de fluência no idioma, mas sensibilidade, da capacidade pessoal do tradutor de criar em cima do que o autor escreveu. Um tema para mais reflexões...

  • Toda vez que penso em cartas, lembro primeiro que estou devendo de responder a última carta que a Ísis me enviou... e depois penso em Virginia Woolf em Um Teto Todo Seu, falando sobre produção literária feminina, cartas e a necessidade de um espaço solitário para ser capaz de criar. Tudo isso me veio à cabeça quando me deparei com o artigo do Jstor, sobre a linguagem feminina das cartas. Isso também me faz lembrar de como gosto de ler coletâneas de cartas e romances epistolares...E, aproveitando o embalo, o mesmo site tem um artigo pra lá de interessante sobre sutil subversão linguística de Jane Austen.



  • Quando visitei a Escócia, pensei com meus botões que entendia perfeitamente porque há tantas histórias sobre monstros marinhos, heróis e heroínas de estatura colossal, criaturas que se confundem com a névoa e outras variantes míticas e folclóricas. Não me surpreende, portanto, que 62% dos islandeses acreditem em elfos - eu também acreditaria se morasse num lugar de paisagens tão dramáticas. Na minha opinião, há lugares no mundo em que é fácil acreditar em todo tipo de fantasia. E que sorte que eles ainda existam...

  • Eu adorei esse artigo do BookRiot sobre aquelas capas clássicas dos romances de banca. Não conhecia essa parte da história do gênero e achei o artigo interessante e bem humorado. Não direi que sou fã dessas capas 'corpo-a-corpo' - sou uma grande admiradora das capas desenhadas das edições britânicas de Julia Quinn - mas gostei de descobrir a história por trás das histórias e concordo com a autora: acabar com essas capas não vai fazer as pessoas respeitarem mais o gênero. Quem gosta, vai continuar lendo, independente delas. E quem não gosta vai continuar torcendo o nariz.

  • Considerando os noticiários que temos assistido todos os dias, há quem se pergunte se esse é um momento para falarmos de arte e literatura. Será que não era o caso de utilizar esse espaço para tratar de coisas mais sérias? No Eletric Lit saiu um ensaio que responde muito bem a essa questão: "Arte é um ato radical. Felicidade é um ato radical". Eu concordo. Continuar criando, discutindo literatura, arte, coisas que vão para além da política (mas que também podem trazer para si esses questionamentos) não é um supérfluo, é algo necessário.


A Coruja


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