14 de outubro de 2011

Na sua estante: conjunções astrais propícias





#086: Conjunções Astrais Propícias
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Feliz e contente, Beatriz guiava sua nova conhecida pelos corredores até a biblioteca, tagarelando quase sem parar e encontrando em Júlia, para seu prazer, alguém tão falante e quase tão empolgada quanto ela mesma. A diferença é que a futura jornalista tinha um senso de humor mais cortante, irônico, que a fazia lembrar de Sofia e também de seu irmão.

Bia mal podia esperar para apresentar Júlia aos dois, tendo a certeza absoluta que todos se dariam muito bem e se tornariam amigos de imediato. Eis, portanto, o motivo de estarem se encaminhando à biblioteca, onde Sofia ficar de esperar por ela pouco antes de Bia começar sua sofrida busca por um banheiro em condições de uso e onde certamente encontraria não apenas André – que a estaria esperando para irem para casa – como também Luís.

Considerando que todas aquelas pessoas, mais sua recém-conhecida, estavam na sua lista de convidados, nada melhor que os encontrar todos juntos e fazer sua comunicação de uma vez só.

Sofia estava parada à porta, observando, compenetrada, qualquer coisa na tela do celular. Com um impulso e um pequeno salto, Bia praticamente a atacou, dando-lhe uma meia chave-de-braço.

- So-fi-a!

- Bia! Solta agora!

Fazendo um meio bico, Beatriz a soltou, logo, contudo, abrindo o sorriso ao deparar-se com o olhar encolerizado da amiga.

- Cheguei.

- Já deu para ver. Por que demorou tanto? E para que é que serve seu celular se você não atende? Eu devo estar aqui há meia hora te esperando. Podia já estar em casa, Bia!

- Tive um problema de ordem sanitária, mas isso já foi resolvido e eu até fiz uma nova amiga. Aliás, acho que você não está fazendo uma boa impressão nela. – voltando-se para Júlia, que até então estivera observando curiosa a interação das duas, Beatriz fez uma meia mesura com a cabeça – Júlia, Sofia, Sofia, Júlia. Júlia é estudante de jornalismo, Sofia. E no caminho para cá eu já contei tuuuudo sobre você.

- Eu nem vou perguntar nada... Desculpe qualquer coisa. – Sofia observou, estendendo a mão para a outra moça – E, antes que você possa tirar alguma conclusão precipitada, Beatriz não toma nenhum tipo de droga... nem remédios controlados, embora às vezes eu ache que ela faria bem em usar algum.

- SOFIA!

Júlia apenas deu um meio sorriso.

- De alguma forma, acho que vou gostar de você...

A musicista apenas assentiu, voltando-se uma vez mais para Bia, colocando as mãos na cintura.

- Muito bem, agora, desembucha. O que é que você queria comigo afinal?

- É um convite, mas vamos lá para dentro, porque quero poder fazer uma vez só para todo mundo. – Beatriz respondeu, tomando a mão dela e já a arrastando consigo para dentro da biblioteca, sendo seguida por uma divertida ruiva – Isso vai ser muito legal!

- Se você me deixar caminhar pelas minhas próprias pernas, eu posso pensar na possibilidade de ouvir o que você tem a dizer até o fim antes de começar a dizer que é uma loucura.

- Não é uma loucura! – Bia irrompeu, largando-a e cruzando os braços – Por que você acha que todas as minhas invenções são loucuras?

- Você quer mesmo que eu responda?

- De qualquer forma, não é invenção minha. É da comissão de formatura da minha turma. Tenho de vender ingressos. Pessoas que são meus amigos têm de comprá-los.

- Ah, certo... quanto é?

Bia cruzou os braços.

- Mas você ainda nem sabe do que se trata!

- Eu não preciso saber. Vou só comprar o ingresso, dar minha contribuição e você pode... vender meu ingresso pela segunda vez e ficar com o lucro. – Sofia sorriu.

A caçula revirou os olhos.

- Você não tem a menor graça. – ela inclinou a cabeça ao perceber movimento em outra mesa e seus olhos se iluminaram ao perceber que não apenas Luís e seu irmão estavam lá, como estavam juntos, assim como Enrique, seu dueto na Camelot Sertaneja – Mas que maravilha! Mataremos vários coelhos com uma cajadada só!

- Sinto que ativistas ambientais não gostariam dessa frase. – Júlia observou, enquanto seguia atrás de Sofia e Beatriz, que já se encaminhavam para a mesa.

Foi nesse instante que várias histórias se entrecruzaram em várias conjunções astrais propícias para o desastre: Luís corou, Sofia percebeu na mesa uma folha de papel azul que lhe era familiar e os olhos de André e Júlia se encontraram numa faísca de reconhecimento.

Completamente alheia às conseqüências que aquela aproximação traria num futuro próximo, Beatriz sorriu...

(Continua...)



A Coruja


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Um comentário:

  1. Luís!! Já estava com saudade dele!

    Lulu cruel, sumindo com os meus personagens preferidos...

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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