4 de janeiro de 2011

Para ler: Un Lun Dun



'UnLondon is at war. We're under attack. And it's been written, for centuries, that you - you - will come and save us.'

Stumbling through a secret entrance, Zanna and Deeba emerge in the strange wonderland of UnLondon. Here all the lost and broken things of London end up, and some of its people, too - including Brokkenbroll, boss of the broken umbrellas and Hemi the half-ghost boy.

UnLondon is a place where Routemaster buses have legs, where Librarians are 'bookaneers', intrepid adventurers dedicated to hunting down lost books, and postmen spend years tracking the mobile addresses of the ever changing Puzzleborough. But the girls have arrived at a dangerous time - UnLondon is under siege by the sinister Smog; it's a city awaiting its hero.


Quando comecei a ler esse livro, uma das primeiras coisas que pensei foi... “onde é que já li isso?”. O negócio de pessoas estranhas aparecendo do nada e cumprimentando excitadamente a Zara por algo que ela não sabe o que é me fazia lembrar do começo de Harry Potter, enquanto que todo o conceito da Londres de Baixo e a Londres de Cima remetia-se diretamente a Lugar Nenhum, do Gaiman.

Não direi, contudo, que se trata de plágio ou coisa do tipo, até porque China Miéville é um autor bem conhecido e respeitado por si só, tendo ganho, inclusive, o prêmio de melhor romance no World Fantasy Award desse ano, com The City & The City (e já foi indicado mais tantas outras vezes). Na verdade, tenho certeza que se for pesquisar sobre o assunto da cidade de cima e da cidade de baixo que reflete suas sombras, descobrirei que se trata de um arquétipo e algum mito milenar já tratou do assunto.

Confesso, porém, que talvez por essa sensação de déja vu, não me empolguei tanto assim com Un Lun Dun. Achei o livro cansativo, com seus capítulos curtos que param em determinado ponto e fazem uma repetição antes de voltar à história.

O engraçado é que a história tem algumas reviravoltas geniais, desafiando o padrão do chosen one, o único, o herói, o destinado, o escolhido, o iluminado, o messias... De certa forma, sinto que se tivesse sido escrito de forma um pouco mais fluida, eu talvez tivesse gostado mais do livro, porque Miéville criou personagens extremamente interessantes e situações bizarramente surreais.

Sim, surreais. Tão surreal e incrível e apavorante que mais de uma vez pensei que aquilo era a cara de um filme do Miyazaki. Com as devidas adaptações ao roteiro, dando-lhe um pouco mais de linearidade, o universo de Un Lun Dun é exatamente aquele tipo de realidade fantástica de filmes como Ponyo, O Castelo Animado e A Viagem de Chihiro.

Afinal, onde mais você espera um exército de guarda-chuvas quebrados, uma névoa maligna e senciente que é resultado da poluição causada à época da Revolução Industrial e deseja dominar a cidade, latas de lixo ninja e mais uma caixa vazia de leite como bicho de estimação?

Se eu tivesse de escolher uma única palavra para definir Un Lun Dun, eu escolheria ‘iconoclasta’. É uma história que te pega de surpresa, e que definitivamente quebra aquilo que pensamos saber ao começo.

Não sei se o estilo fragmentário e um tanto repetitivo é um padrão para o autor – como a falta de vírgulas é em Saramago. Considerando que consegui superar meu problema pessoal com a falta de pontuação do português diante da genialidade do cara, farei o mesmo esforço com Miéville. Por suas idéias, pela capacidade de desafiar destino e profecias, pelos personagens e pelos cenários surreais, creio que vale à pena.



A Coruja


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