4 de junho de 2009

Intermitências da imprensa

Há um mundo de coisas sobre o que falar hoje... Do acidente do airbus 447 da Air France, às experiências bélicas da Coréia do Norte, passando por propaganda gratuita da Estante Virtual até meus próximos e novos inventos...

Como não acho que os assuntos se misturem, deixarei para falar das coisas mais leves em outra oportunidade; apesar de que, a essa altura, todo mundo deve estar cansado de ver sempre a mesma coisa no noticiário. Para não incorrer na repetição papagaiada do Jornal Nacional, farei uma outra questão que não seja "o que aconteceu com o avião". Em vez disso é, minha pergunta é... onde foram parar as notícias da CPI da Petrobrás?


Sim, pode parecer uma pergunta meio ridícula diante do tamanho da tragédia. Aliás, parace que vão trazer os corpos para perícia aqui no Recife (se houver corpos, é claro...). Mas essa não é a primeira vez que acontece de uma notícia que causa comoção substituir o noticiário político, desviando a atenção do público das canalhacices que, não duvide, continuam rolando normalmente no Congresso.

Teoria da conspiração? Bem, pode até ser. Mas, sabe, eu não descarto a possibilidade de mísseis norte-coreanos terem acertado o airbus por engano. Quem nos garante realmente que Kim Jong II não está escondendo o jogo testando apenas mísseis de pequeno e médio alcance?

Sem dúvida nenhuma, o que aconteceu com o Airbus 447 foi uma tragédia de proporções épicas. Falha humana, falha mecânica, forças da natureza; não importa qual seja o motivo que tenha levado ao desastre, nada irá aliviar a dor daqueles que perderam entes queridos.

E, embora eu possa criticar a maneira como vem sendo feita a cobertura da imprensa, não posso negar que seja exatamente isso que interessa ao público. Já comentei oportunamente aqui sobre a questão do gosto pelo sensacionalismo que o ser humano possui.

A comoção do desastre não necessariamente significa que todos nos solidarizamos com a dor da perda de centenas de famílias que tinham um significante a bordo. Podemos sentir muito, podemos dar condolências. Mas a dor deles não é a nossa dor. Sem termos passado por um evento tão traumático, não podemos dizer que realmente sentimentos a perda deles.

Mais respeito por aqueles que se foram demonstraríamos se, em vez de grasnar sem parar sobre caixas-preta, destroços e peixes (peixes, por Deus! Renato Machado, podíamos ter passado sem essa! É claro que há peixes no mar!), parássemos em um minuto de silêncio.

Um minuto de silêncio, apenas um minuto de silêncio para refletirmos sobre como a vida é tão passageira antes de prosseguirmos com ela. Um minuto de silêncio em respeito aos que se foram, sem pretensões e sem crises de histerismo.


"Funeral Blues”
WH Auden

Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:
"Ele está morto"

Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão.

Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.

Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas.

Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque
Pois nada mais agora pode servir.


A Coruja


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Um comentário:

  1. Concordo com você quanto aos comentários sobre o incidentre do avião. Ao fato que se deveria atentar ao respeito não somente pelos familiares que perderam seus entes queridos, mas também pelas pessoas que se encontravam nesse episódio sinistro. Vale também a reflexão sobre como é fragil e efêmera nossa existência, pensar em como nos perdemos por preocupações bobas e nos afastamos das pessoas por questões infantis, se contarmos o quão facil e ridícula é as possibilidades para morrermos... Enfim

    Estou escrevendo mais por causa do "Funeral Blues" que achei sensacional e achava que era coisa de um filme. Se sabe qual é nem preciso comentar, se não sabe, assista a "Quatro Casamentos e Um Funeral", outro ótimo filme.

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