29 de setembro de 2015

Meu primeiro mês experimentando a TAG - Experiências Literárias (e sobre o livro que veio na caixa)


Faz já algum tempo que eu tinha ouvido falar na TAG - Experiências Literárias, mas, por um motivo ou por outro, demorei um pouco a assinar o serviço – acabei fazendo por impulso quando eles completaram um ano de funcionamento e deram um desconto de 40% no primeiro mês de assinatura.

(Sim, eu adoro uma promoção... mas livros é provavelmente a única coisa que compro por impulsividade...).

Aí a primeira caixa chegou, eu me apaixonei e agora quero mantê-la para o resto da vida.

Mas não vamos colocar o carro na frente dos bois – afinal, temos de começar explicando do que cargas d’água estou falando.

TAG - Experiências Literárias é um programa de assinatura de livros. Você escolhe um plano – pode ser mensal ou trimestral – e recebe dentro daquela periodicidade uma ‘mistery box’ que vai conter um livro, uma revista sobre a escolha daquele mês, um mimo e um marcador.

O livro é escolhido por um curador convidado, alguém que se destaca em sua área de atuação, seja escritor, filósofo ou cientista, independente de posições ideológicas – e assim que já tivemos vários extremos interessantes na posição. Dos títulos que consegui descobrir lendo os teasers de meses anteriores, sei que eles já tiveram de Austen e Dostóievsky a Orhan Pamuk e Cormac McCarthy.


A revista que acompanha o livro é também um espetáculo. Excelente projeto gráfico, começa apresentando o curador e o autor do livro do mês. Depois faz uma análise da indicação, terminando com dicas do livro que virá no próximo mês – dessa maneira, se você reconhecer qual é o título e já tiver ele na estante, pode solicitar que eles enviem outro volume; seja um kit anterior, seja um livro que tenha a ver com a escolha do curador do mês.


Para quem, como eu, está sempre atrás de descobrir novos livros e autores e gosta de sair de sua zona de conforto (exceto por auto-ajuda, por favor, nada de auto-ajuda...), o TAG – Experiências Literárias é um prato cheio.

Setembro teve como curador Gregorio Duvivier, autor e ator e um dos responsáveis pelo canal Porta dos Fundos. A indicação dele foi Noite do Oráculo, de Paul Auster.


"As palavras podiam alterar a realidade e, portanto, eram demasiado perigosas para serem confiadas a um homem que as amava acima de tudo."
Trata-se de várias histórias dentro de uma história. O personagem principal, Sidney Orr é um escritor recuperando-se de alguma doença misteriosa (eu fui e voltei, mas não consegui descobrir que raio de doença ele teve... mas isso não é realmente importante para a história, só me deixou curiosa) que quase o matou. Um dia, numa de suas caminhadas, reacostumando-se com a ‘vida normal’, ele descobre uma pequena papelaria onde encontra um caderno azul de capa dura, produzido em Portugal.

Impulsivamente, ele compra o caderno e, quando chega em casa, começa a escrever – reencontrando aos poucos sua inspiração.

Ao mesmo tempo em que escreve a história de um homem que decidiu largar toda a sua existência para trás após escapar por um triz da morte por um raio, deixando para trás uma carreira de editor, mas levando consigo um manuscrito importante – cujo título é justamente Oráculo da Noite -, Sid tenta entender o que está acontecendo com sua esposa Grace, e se vê envolto nos dramas familiares do amigo, o também escritor John Trause. E ainda temos um roteiro de filme inspirado em A Máquina do Tempo, e mais outros tantos fios narrativos que se entrecruzam de forma quase alucinatória.

Sid por vezes perde a noção de realidade e nos carrega consigo de forma quase febril enquanto trabalha em todas essas histórias – aquelas em que é o autor e das quais é personagem. A cada página virada você entra mais fundo num mundo de ficção dentro da ficção, num torvelinho de metalínguistica.

É um livro sobre livros, sobre o poder da palavra. Há coincidências que por vezes nos fazem crer que o tal caderno azul seja algo sobrenatural. Mas a história é muito real – especialmente no final de tantas perdas sem sentido – para que vivamos essa ilusão por muito tempo.

Por sinal, o mimo que acompanhou a caixa foi, justamente o caderno azul. E sim, eu já comecei a escrever nele!


Eu conhecia o nome do Paul Auster por causa de A Trilogia de Nova York que já vi indicado em várias listas de ‘clássicos contemporâneos’. Por algum motivo, a capa dessa série me fazia pensar em romances noir, e, como esse não é um gênero que me chama particular atenção, nunca cheguei a sequer ler a sinopse.

Confrontada com a chegada de Oráculo da Noite, o resumo do livro me fisgou de pronto e comecei a lê-lo no mesmo dia. Arrependo-me agora de não ter dado uma chance e me deixado levar pelas aparências. Auster é um autor a quem eu hei de retornar mais cedo ou mais tarde.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Noite do Oráculo
Autor: Paul Auster
Tradução: José Rubens Siqueira
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2004

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Folha || FNAC || Saraiva || Submarino


A Coruja


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2 comentários:

  1. Já conhecia esse projeto e tinha vontade de dar uma testada, adorei saber sua opinião, gostei também da indicação do livro.

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    Respostas
    1. Pois é, fazia tempo que eu tinha vontade de participar. Acho que a experiência valeu à pena. Tô agora na expectativa do próximo!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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