12 de dezembro de 2011

Para ler: O Ladrão de Casaca




Já vi Arsène Lupin vinte vezes, e toda vez era uma pessoa diferente, ou melhor, a mesma pessoa da qual vinte espelhos me refletiriam tantas outras imagens distorcidas, cada uma com seus olhos particulares, sua forma especial de rosto, seu gesto próprio, sua silhueta e seu temperamento.

Maurice Leblanc – O Ladrão de Casaca

Já conhecia Arsène Lupin de outros carnavais – li alguns de seus contos em francês e assisti o filme de 2004 com Romain Duris – e foi com o filme que me apaixonei pelo personagem (confesso que o Duris está muito, muito charmoso como Lupin).




Seja como for, quando vi que o livro tinha saído em português, imediatamente me alvorocei e o coloquei na minha lista de leituras.

Antes de mais nada, estabeleçamos que Arsène Lupin é um ladrão – audacioso, cheio de disfarces e astúcias, extremamente sedutor... mas ainda assim, um ladrão comum. Ele não rouba dos ricos para dar aos pobres. Ele não se tornou ladrão por causa de uma injustiça, por vingança ou porque a sociedade o forçou a tanto para sobreviver.

Não. Arsène Lupin é um ladrão e um ladrão porque gosta de sê-lo. Em suas próprias palavras:
- Ufa! Aqui estou. E como foi fácil. Eu me pergunto por que todo mundo não escolhe a confortável profissão de ladrão. Com um pouco de habilidade e reflexão, não há outra mais agradável. Uma profissão de confiança, uma profissão de pai de família. Muito cômoda, mesmo. Chega a ser até enfadonha.
Numa época em que a regra é (a ditadura do) ser politicamente correto, Lupin pode vir como um choque... ou como um sopro de ar fresco. Ele é cínico, sim, e por vezes até mesmo cruel – mas não é um hipócrita. E há qualquer coisa em suas maneiras, em sua auto-confiança absoluta, sua imensa cara-de-pau (que o faz visitar a casa de antigas vítimas para contar a exata história de como cometeu um roubo considerado impossível; ou avisar com antecipação que pretende roubar uma casa) e seu bom humor que te fazem torcer para que ele seja bem sucedido em seus golpes.

E, ao final das contas, se seus arquiinimigos – e aqui contamos até Sherlock Holmes – admiram-no, porque nós, leitores, que somos tomados por algumas páginas em sua confidência, também não o faremos?



A Coruja


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3 comentários:

  1. Hm, tenho um certo probleminha com Arsène Lupin; eu o acho um tanto quanto... insuportável, hehehehehe! Prefiro muito mais John C. Raffles - que vou emprestar-lhe para que você tire a teima entre os dois, e aposto que Raffles irá roubar seu coração de Lupin! XD
    Beijocas!

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  2. Moça, pelo seu post parece que você ainda não sabia, mas vários livros do Arsene já foram traduzidos para o português, ó aqui na estante virtual:
    http://www.estantevirtual.com.br/q/arsene-lupin
    Boas leituras do adorável ladrão ;)

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  3. Nossa quando assiti ao filme, simplesmente me encantei por ele, imagina ler os livros!!! Ahh com certeza quero ler, achei demais o titulo O ladrão de casaca, muito legal! Confesso que não sabia que tinham livros de Lupin.

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