9 de novembro de 2011

Para ler: Odd e os Gigantes de Gelo

Em um vilarejo da antiga Noruega, vive um menino estranho chamado Odd, e ele tem sérios problemas com a sorte: seu pai faleceu em uma expedição viking, uma enorme árvore caiu sobre a sua perna, deixando-o manco, e um interminável e rigoroso inverno está tornando os moradores do vilarejo perigosamente mal-humorados.

Para escapar das piadas dos vizinhos, Odd pensa em se refugiar na floresta, numa antiga cabana que costumava pertencer ao pai. Mas, antes de chegar lá, se depara com um urso, uma raposa e uma águia - três criaturas com a mais curiosa das histórias para contar, e uma missão muito perigosa para um menino com uma perna boa, uma perna bem ruim e uma bengala de madeira...

De repente, Odd se vê numa jornada incrível, mais estranha do que jamais poderia imaginar: ele precisa resgatar Asgard - a morada dos deuses - do domínio dos Gigantes de Gelo. Para derrotar os Gigantes, trazer a paz de volta à cidade dos deuses e finalmente dar um fim ao terrível inverno que cobre aquele pequeno vilarejo na Noruega, é necessário um tipo muito especial de menino. Um menino alegre, e irritante, e esperto... Um menino exatamente como Odd.
Neil Gaiman faz parte do meu grupo de autores favoritos, aqueles que não importam o que escrevam, eu estou desesperada querendo comprar já na pré-venda, sem sequer saber do que se trata ou lido qualquer sinopse.

Bem, eu dei uma certa freada nele quando quase morro de raiva na época em que afinal descobri Sandman: tendo comprado as edições que existiam em português dos encadernados, estava desesperada para completar a coleção e comprei o que faltava em inglês... para, pouco mais de uma semana depois de eles terem afinal chegado, lançarem em português a versão Absolute Sandman.

Raiva, raiva, raiva...

Em todo caso, estava eu na Bienal esse ano quando me perdendo entre prateleiras e mais prateleiras de livros (ao mesmo tempo em que enchia os braços com vários volumes) dei de cara com o lançamento de Odd e os Gigantes de Gelo em português.

Achei a edição muito simpática e fofinha e não tive dúvidas em colocá-lo na pilha que já carregava (e ele ainda estava com desconto!). Naquele mesmo dia, enquanto estava na fila para pegar autógrafo do Maurício de Sousa, devorei ele todinho, enquanto me escarrapachava no chão.

Aí quando cheguei em casa, reli mais devagar, dessa vez namorando cada uma das ilustrações que evocam perfeitamente a linguagem de fábula que a história tem. Me apaixonei pelo livro – que ainda não tinha lido. Em termos de ‘cativar’, Odd agora só perde para Instructions, que é um livrinho com um único poema e desenhos de encher os olhos e o coração (a primeira vez que o li, confesso, chorei).

Mas, bem, à história... Odd, nosso protagonista, é um garoto franzino, manco, de uma vila de vikings. Seu pai era um carpinteiro, tendo morrido de febre numa excursão marítima, deixando o filho e a esposa, que se casou de novo com outro viking não muito simpático.

É inverno quando o livro começa, o que significa que todos estão no vilarejo. Mas o inverno está se estendendo demais, o que não é recomendável para a política de boa vizinhança da vila e Odd decide que ficará melhor sozinho na cabana que o pai tinha na floresta, quando ia tirar madeira.

É quando ele encontra a raposa, e depois a águia, que o levarão ao urso e daí por diante ele nunca mais será o mesmo. E como poderia der, depois de visitar a própria morada dos deuses?

Não irei muito além disso para que vocês possam ler e tirar suas próprias conclusões. O que posso dizer é que o que me conquistou de verdade, além da própria sensibilidade do conto, é a forma como Gaiman nos deixa entrever nas entrelinhas outras histórias. Como nos deixa adivinhar, com delicadeza, o relacionamento dos pais de Odd, a própria vida do garoto especialmente depois que o pai se foi... a forma como ele cresce – não apenas pelos acontecimentos em que se envolve, mas por sua própria capacidade, por uma grandeza que já estava lá desde o princípio.

Em alguns aspectos, Odd me lembrou Soluço, de Como Treinar seu Dragão - o do filme, porque é completamente diferente no livro – não apenas pelas carcasterísticas pessoais dos protagonistas, mas também pela mensagem que passam ao final.

É um conto muito sutil, misturando humor e mitologia para tratar de beleza, amor, conhecimento e crescimento.


A Coruja


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Um comentário:

  1. Pedi esse livro na saraiva ontem. Tinha ganhado marcadores na bienal, mas eu ganhei tantos, que nem reparei o nome de ouro: Neil Gaiman, quando eu percebi já tinham se passado um mês e meio. Mas nunca é tarde. Estou ansiosíssima pela chegada dele.
    Enfim, boa resenha, informativae com sua opinião também.
    Até ;*

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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